Alese volta hoje e Luciano Bispo vê venda da Deso como grande embate

Por Jozailto Lima
15 fev 2017, 00h01
Luciano Bispo: previsões otimistas para 2017 e 2018 (Foto: Arquivo Alese)

Na manhã desta quarta-feira, 15 de fevereiro, o Poder Legislativo de Sergipe retoma suas atividades para os dois anos que restam dessa legislatura. A estimativa que faz o seu presidente, deputado Luciano Bispo, PMDB, é boa.

Bispo é uma figura, por natureza, positivista. Ele presidiu a Alese em 2015 e 2016 com gravíssimos problemas. Mas diz que foram anos proveitosos e que se basta em repeti-los em 2017 e 2018. Veja o rosário de problemas:

1 – Pegou uma Assembleia com a quase totalidade dos 14 dos 24 deputados reeleitos metidos em problemas judiciais com a subvenção;

2 – Presidiu de dezembro de 2015 até hoje com dois deputados a menos, em decorrência da suspensão judicial dos mandatos de Augusto Bezerra e Paulinho da Varzinhas;

3 – E ele mesmo esteve cassado de 13 de julho a 13 de outubro do ano passado por contendas e firulas como gestor de Itabaiana.

Bispo retomou o mandato, e a vida seguiu como se nada tivesse ocorrido. Realizou cinco sessões itinerantes nos dois anos. Tinha, inclusive, a reeleição já feita por antecedência para o segundo mandato na Presidência, cuja posse se dará nesta quarta.

“Eu acho que nós tivemos dois anos muito bons na primeira parte da Legislatura e vamos repetir agora, nesta segunda fase – quero fazer, inclusive, mais cinco sessões itinerantes pelo Estado. Garantimos a governabilidade ali e vamos garantir agora, e aprovamos projetos essenciais para o Estado”, diz ele.

Para Luciano Bispo, o segunda metade dessa legislatura vai ser marcada pela “reposição da estrutura” do poder, com o preenchimento dos espaços dos dois deputados afastados, seja pelo retorno ou pela eliminação definitiva da contenda e convocação dos suplentes.

“Estou na expectativa de que até o mês de junho essa questão seja dissipada de uma vez. De zero a dez, dou nota oito para a resolução”, diz ele.

Os outros grandes embates para os quais Bispo diz que o Legislativo está preparado são os da discussão da parte sergipana da reforma da Previdência e a aprovação ou não da privatização da Deso.

“Até hoje meio dia eu era a favor da privatização da Deso. Agora não sou mais. Achei o valor que estão estipulando muito insuficiente”, disse Luciano ontem à tarde, misturando brincadeira com realidade naquele seu estilo leve.

O parlamentar-presidente disse que ouviu falar em R$ 500 milhões como preço de cotação da Deso. “Isso não cobre um ano de déficit da nossa Previdência, que será de R$ 1,230 bilhão para este ano”, diz. Em entrevista a esse portal, Sérgio Passos, presidente do Sindisan, fala num valor de R$ 3 bilhões.

Seja qual for o valor da Deso, para Luciano, a companhia exige um tratamento gerencial melhor. “O governo precisa ser mais duro no combate ao desperdício e aos maus pagadores”, diz ele. A Deso perde 50% de sua água por sucateamento da estrutura e tem mais de R$ 50 milhões a receber de contas atrasadas.

Falando a vera, Luciano Bispo diz que não vai antecipar seu ponto de vista sobre a privatização. Como um chefe de Poder, e ainda mais aliado do chefe do Executivo, prefere esperar o andamento das coisas para não misturar.

O Poder que Luciano Bispo preside teve um custo médio de R$ 180 milhões no ano passado. Ele não gosta de falar do tema, mas devolveu ao Executivo R$ 10 milhões, por contenção de gastos.

VALADARES FILHO E MARIA
O deputado federal Valadares Filho, PSB, reagiu às três notas publicadas aqui ontem nesta coluna Aparte que negavam a teoria de uma suposta conspiração pela qual Maria do Carmo foi ao evento de campanha dele no Iate em outubro passado conduzida pela mão endiabrada de Jackson Barreto.

VALADARES FILHO E MARIA II
“Amigo, discordo da sua análise de que é falta de juízo falar em conspiração na ida de Maria ao Iate”, diz o ex-candidato a prefeito, do alto da sua costumeira educação. “Você que estava bem dentro, sabe que fomos vítimas desse tipo de coisa”, reforça ele, numa referência ao fato de que este colunista lhe fora assessor de campanha, papel que desempenhei com muito orgulho.

“PRECISAMOS VIRAR A PÁGINA
Mas, por natureza, Valadares Filho é um político leve, sem crespuras, e não é de ficar remoendo fenos passados. “Precisamos virar essa página, sem ranços, mas aprendendo com os erros que cometemos”, diz ele. É por aí!

O HERDEIRO DE DÉDA
O médico, ex-vereador de Aracaju e ex-superintendente da SMTT Antônio Samarone vê no prefeito Edvaldo Nogueira uma boa continuidade do passado de Déda. “Edvaldo se tornou o herdeiro único do legado de Marcelo Déda. Nem Jackson, nem João, nem Valadares, nem Albano deixaram herdeiros políticos. O espólio está sendo disputado numa briga de foice no escuro”, analisa. Dessas paradas Samarone é um bom leitor.

HELENO SILVA, O REPRESENTANTE
Heleno Silva, coordenador da Representação de Sergipe em Brasília, diz que encontrou a casa “funcionando normalmente”, embora não houvesse condenação desde que Conceição Vieira saiu em julho do ano passado para assumir a vaga de Luciano Bispo na Alese. “Agora vou estar próximo dos pleitos de Sergipe no Governo Federal. Hoje estive na Coordenação Nacional do Bolsa Família e amanhã estarei com o coordenador nacional da Defesa Civil, falando de água pro sertão”, disse ele ontem.

UI, TOMA AÍ!
Com o título de “Cabral é denunciado por 184 crimes”, O Antagonista informou ontem isso: “O ex-governador Sérgio Cabral acaba de ser denunciado pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro por 184 crimes de lavagem de dinheiro. A nova denúncia é resultante da Operação Eficiência, desdobramento das investigações da força tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro”. Sem preconceitos, mas uma lista à altura da baderna do Rio.

JAIR VOLTA AO BNB
Aos 60 anos, o economista Jair Oliveira voltou desde segunda-feira ao batente do BNB como servidor, em função ainda a ser definida. Em 35 anos de BNB, Jair já foi superintendente efetivo dele para Sergipe e Alagoas, assumiu interinamente as Superintendências de Minas, Bahia, Pernambuco e Ceará, presidiu o Banese e foi, até o ano passado, secretário da Fazenda de Aracaju, no que ele chama de “o pior governo que João Alves fez na vida dele”.

INTEGRIDADE POR PATRIMÔNIO
Formado pela UEFS, com pós-graduação e MBA, Jair Oliveira diz que é um homem sem posses. Não tem sequer uma casa para morar. A que tinha em Aracaju, dissolveu na aquisição de uma morada para o pai em Feira de Santana. Mas não se queixa da vida e nem desfecho dela. “O salário no banco é ridículo e sobre quem tiver patrimônio exacerbado pode soltar os cachorros. Mas tudo valeu a pena e meu maior patrimônio é a minha integridade”, diz.

COMO DIEESE VÊ JB X VALADARES
Luis Moura, o guru do Dieese de Sergipe, vê a briguinha de meninos embirrados entre o governador Jackson Barreto e o senador Antônio Carlos Valadares com outros olhos. Ele acha chato, mas entende que, economicamente, no fim das contas tudo se ajeita. “No meu juízo, a briga deveria ser partidária. Assim: você tem uma posição organizada em partido e esta posição briga contra o Governo do Estado, também organizado em partido. Quando a coisa vai pro campo pessoal, aí fica muito picuinha que só interessa aos dois”.

NA POLÍTICA RASTEIRA
“Na política rasteira, é assim mesmo: o debate não é de programas e ideias. Mas do ponto de vista econômico, acredito que não vai ter grandes prejuízos não. Porque num dado momento eles vão ceder pela própria lógica do Estado, que precisa de recursos públicos e boa parte desses recursos é acessado via orçamento. Quando chegar a hora de discutir o orçamento e apresentação das emendas de bancada, que são as que são liberadas, eles vão chegar a um acordo: uma emenda pra mim, uma emenda pra você”, diz Moura.

BOBEIRA DO SENADOR
Luis Moura entende que do ponto de vista da execução, Jackson Barreto está certo em ter peitado Valadares e o retirado da Coordenação da bancada no Congresso. “Ele não poderia ficar dependendo do senador lá para ter acesso ao orçamento público. Acho que o senador bobeou. Creio que ele poderia ter cedido. O Laércio Oliveira vai ser parceiro do governador e facilitará a vida dele como gestor”, diz.

SONHANDO O GÁS PRÓPRIO…
O empresário Ivan Leite, do setor de energia, leu ontem as notas sobre a futura termelétrica Porto de Sergipe I e vincula o sucesso dela e das duas demais que virão mais à frente à exploração do gás da própria região. “As termelétricas no porto de Sergipe, no meu entender, só adquirem lógica econômica com o gás que é existente em abundância no mar em frente”, diz.

… QUE NÃO FALTARIA
Depois Ivan atenua: “Eu não diria que “só” existe lógica econômica nesta circunstância. Mas a lógica econômica consubstancia-se com a produção do gás local. Ao que eu saiba, eles negam está vinculação. Mas é o meu feeling”, diz Ivan. E gás local, segundo Ivan, é que não faltaria. O projeto termelétrico de Sergipe, com investimento de R$ 5 bilhões, é para ser servido de gás dos EUA ou do Catar.

MAS A ESTRATÉGIA CORRETA
“O funcionamento inicial com gás liquefeito importado é uma estratégia correta e empresarial para ocupar o espaço”, diz. Ivan mostra recortes de textos de 2013 com a notícia de que “descobertas da Petrobras em águas profundas da Bacia de Sergipe-Alagoas criam boas expectativas para a região” e segue apostando no gás daqui. “Já foi identificada e quantificada a existência. Mas foi adiada a perfuração para entrar em produção”, diz ele.

ETC&TAL
@ Para quem especula uma eventual participação de Carlos Ayres Britto na disputa eleitoral em 2018, um dadozinho elementar: ele não é filiado a partido algum. Embora isso não queira dizer nada.

@ Aos 79 anos, o advogado e jornalista Macedo Filho está há três semanas internado na UTI do São Lucas. Por complicações cardíacas.

@ O ex-prefeito de Boquim, Jean Carlos Nascimento, pode vir a ter uma missão no Governo de JB. Com atribuições na esfera da Agrese.

@ O jornalista, ator, músico e luthier Nino Karvan qualifica o posto de diretor de Arte e Cultura da Funcaju. Ele tem ideias boas e sem dúvidas vai ajudar Sílvio Santos, o presidente.

@ Desnecessário, e soa a proteção de castas, o projeto de lei da vereadora Emília Correia dando o direito da meia entrada para jornalistas, radialistas e publicitários em eventos e espetáculos aracajuanos. E por que estas três categorias? E por que não para garis, médicos e carroceiros?

@ O que jornalistas, radialistas e publicitários têm acima das demais pessoas para um privilégio público e oficial? Eu passei a vida inteira me desviando de carteiradas e agora vou me beneficiar, oficialmente, delas? Sai pra lá!

@ Em matéria de projetos eleitorais futuros, o ex-deputado e empresário Ivan Leite, Sulgipe, é signatário da famosa frase de Magalhães Pinto: “Estou na observação das nuvens. Mas pode ter chuva boa em 2018”.

@ A arquiteta Ana Libório disse não entender “como ambientalistas vibrem com projetos como esse da termoelétrica”, de Sergipe.

@ Oliveira Júnior, que está perto de todo o processo, diz achar que Ana Libório talvez pense que a termelétrica é ainda a carvão.

@ Magoou: Roberto Bispo, irmão do presidente da Assembleia, Luciano Bispo, jurou para a família que nunca mais disputará uma eleição. Ele perdeu ano passado a disputa para Prefeitura de Itabaiana.

@ “Ele me disse que não é a praia dele e que não disputará nem a eleição de síndico” diz Luciano, sorrindo. Roberto é engenheiro e Luciano o considera um ótimo quadro técnico. É diretor Geral da Alese.

@ Sobre sucessão sergipana, o deputado Luciano Pimentel diz em entrevista ano Universo Político achar “muito cedo para se empunhar um nome agora e apresentar à sociedade”.

@ Mas, ao mesmo tempo, faz uma ponderação que aponta tendência: “Não posso deixar de reconhecer que os dois senadores do nosso bloco, Valadares e Amorim, são políticos de alta significação eleitoral e de boas visões de Estado”.

@ E diz mais: “Um fato novo vem de Valadares Filho, que saiu da eleição de Aracaju com quase 135 mil votos e que, pela natureza mesma da campanha na Capital ganhou muita visibilidade no Estado inteiro, e é um dos melhores quadros da política sergipana”.