Aliados querem ver Belivaldo circulando

Por Jozailto Lima
06 abr 2017, 21h53

Um Belivado itinerante. Caminhante, contemplador de gentes e realidades. Um agente político para além dos gabinetes frios do Governo.

É assim que alguns políticos do bloco de Jackson Barreto querem ver o vice-governador e secretário da Casa Civil, Belivado Chagas, um dos potenciais nomes a candidato da ala governista à sucessão.

Será que no aconselhamento há a leitura natural de um erro de conduta de Belivaldo? Na nota “Belivaldo animado, mas precisa andar”, publicada nesta coluna ontem, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, dizia ver no vice  “uma figura que tem muita simpatia” para encarnar uma candidatura pela sucessão de JB.

E ponderava: “Mas eu acho que é preciso andar”. Ontem, Heleno Silva, ex-deputado, ex-prefeito de Canindé e superintendente do Escritório de Sergipe em Brasília, dava a mesma receita:“Belivaldo precisa sair da burocracia da Casa Civil”.

“Belivaldo precisa pegar seus aliados e caminhar por Sergipe. O Galeguinho é gente boa, competente e preparado para assumir o Governo do Estado. Agora, se ficar trancado no gabinete não se tornará conhecido”, insiste Heleno.

“Não é” que Heleno esteja achando Belivado muito parado. “Mas a burocracia está segurando ele. A Casa Civil não é fácil”, diz.

“Ele está caminhando, na medida do possível. Mas a função que exerce requer muito sua presença física”, diz Benedito Figueiredo, secretário de Governo.

“É ele quem faz o anteparo de Jackson Barreto e às vezes nem é dono da sua própria agenda. Às vezes não pode nem estar em lugares importantes por causa de compromissos no palácio”, completa Benedito.

A natureza das observações de Edvaldo, de Benedito e de Heleno agrega muito ao processo de composição de uma eventual candidatura de Belivaldo. O prefeito e o secretário são mais orgânicos no projeto de Jackson Barreto, onde Belivaldo está inserido.

O superintendente, nem tanto. Heleno está no Governo, mas manda flores à oposição, faz loa ao senador Eduardo Amorim, provável candidato a governador pelas oposições, e diz estar aberto aos entendimentos futuros. Quer ser senador. Mas há importância nas ponderações do trio.

No fundo Belivaldo Chagas já incorporou a perspectiva de ser o candidato dos governistas. “Não vejo outro nome”, diz Benedito que, como ele, é do PMDB.

Mas os governistas decidiram deixar meio que travado o freio de mão da discussão de candidatura. Repisam as dificuldades do momento e acham que não é a hora de se falar em eleição.

Talvez Belivaldo tenha juntado uma coisa a outra e esteja “jogando parado”, para recorrer a uma frase de Ricardo Franco dita aqui ontem. Mas da Casa Civil mesmo, de onde ele é convidado a sair, tem agido.

Ao seu estilo, Belivaldo não respeita nem “os patrimônios antigos e sólidos” de Valadares: está quase arrombando a porta de Toinho de Dorinha, de Poço Verde. Quer botar num mesmo saco Dorinha e Beaga, José Everaldo de Oliveira, outro ex-prefeito e opositores declarados e inconciliáveis. “A decisão será de Toin”, diz ele.

CAUÊ: JB DEIXOU A SITUAÇÃO FORTE
O jornalista e marqueteiro Carlos Cauê está observando como “muito positiva” toda a movimentação que o govenador Jackson Barreto faz no campo da arrumação política visando a sucessão dele mesmo no ano que vem. “A situação ficou muito forte com os passos que Jackson Barreto deu recentemente”, diz Cauê. O marqueteiro até entende os desconfortos causados pelas adesões, no caso de Laércio Oliveira, porque ele agregou valor, e perspectivas políticas e eleitorais.

Cauê: JB jogou certo

COMPREENSÃO DO CABEDAL ELEITORAL
“Eu tenho certeza de que Jackson vai se sair bem neste outro teste, que é o do acomodamento dos interesses do bloco na hora certa”, diz Cauê. Para ele, é preciso haver consciência no agrupamento de que o objetivo é fazer o sucessor no Governo do Estado. “No momento certo, deve caber a ele escolher o nome mais forte, como aconteceu mesmo com a sucessão de Aracaju. E as pessoas precisam entender, nesta hora, que o cabedal político é a força eleitoral de cada um”, diz. Está correto e deve valer para todos, sem melindres e nem protecionismo.

REUNIÃO DO PC DO B MIRA O BRASIL
No último fim de semana, aconteceu em São Paulo a reunião ampliada do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil – PC do B -, onde lideranças de todo o país analisaram criteriosamente o quadro político, econômico e institucional brasileiro. O resultado foi a aprovação da resolução “Frente Ampla para combater o Governo Temer e desbravar saídas para o Brasil”. O PC do B destacou a necessidade de impedir o que ele classifica de “desenfreado retrocesso vivido na sociedade”.

“UNIDADE CONTRA O INIMIGO COMUM”
As discussões foram focadas na preocupação do PC do B com o atual momento de total insegurança nacional. O vereador Antônio Bittencourt, presidente do partido em Sergipe, marcou presença. “Foi um momento em que o PC do B fez um chamamento a todas as forças progressistas e populares para que possamos nos unir contra o inimigo comum que tenta desmantelar o estado nacional e que quer desconstruir as garantias e os direitos dos trabalhadores e da população. Talvez, o único precedente da criminalização da política que tem existido no Brasil comparado ao que vivemos hoje é a ditadura implantada em 1964”, disse Bittencourt.

COMITIVA SERGIPANA
O encontro contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas, entre eles, a presidente nacional do partido, a deputada federal Luciana Santos, os deputados Orlando Silva, Jandira Feghalli, Alice Portugal, o governador do Maranhão, Flávio Dino, entre outras lideranças. Por Sergipe, além de Bittencourt, estiveram na reunião o ex-presidente do PC do B, Halisson Souza, e a presidente do Sindicato dos Bancários, Ivânia Pereira.

TI E O PROJETO PORTUGAL 2020
O Sistema Fecomércio realizará na terça, dia 18, uma palestra para esclarecer melhor os empresários da atividade de Tecnologia da Informação, a respeito do projeto Portugal 2020. A iniciativa é da Câmara Empresarial de TI, que congrega empresários da área. O Portugal 2020 é um fundo de investimentos que oferece recursos para empresários que desejem expandir seus negócios para o exterior. O sistema de incentivos “Portugal 2020” pode beneficiar sobremaneira as empresas sergipanas, devido ao seu potencial exportador de talento nos trabalhos desenvolvidos, com base na qualidade dos serviços realizados pelas empresas locais.

COMO APRESENTAR OS PROJETOS
De acordo com o coordenador da Câmara Empresarial de TI, Roger Barros, a palestra servirá para esclarecer melhor aos empresários sobre como proceder para apresentar os projetos. “A participação neste processo de seleção é muito importante para as empresas de TI e nós, empresários sergipanos, temos alto nível de qualidade. Nossa preocupação não é apenas o fortalecimento do setor em Sergipe, mas também captar novas oportunidades de negócios, pois TI é uma ferramenta que atende a todos os setores de todas as empresas de todas as atividades da economia. Para tanto, trazemos, com o apoio da Fecomércio, uma das maiores autoridades jurídicas ligadas à TI”, afirmou.

Roger Barros: mais negócios

ROCHADEL FOI REELEITO PARA O CNMP
Ontem, o promotor de Justiça do Ministério Público de Sergipe, Orlando Rochadel, foi reeleito pelo Conselho Nacional de Procuradores Gerais – CNPG – para ocupar a primeira vaga dos Ministérios Públicos dos Estados junto ao Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP. “De 26 votos possíveis, obtivemos 26. Resultado unânime e inédito na história do CNPG”, disse Rochadel.

SERÁ SUBMETIDO A SABATINA DO SENADO
“Com reconhecimento, agradecemos a confiança em nós depositada pelos membros do MPE/SE. Ao nosso amigo e líder, procurador-Geral de Justiça Rony Almeida, a eterna gratidão pela indicação do nosso nome e pelo apoio de sempre. Somente poderemos retribuir a generosidade de vocês com muito trabalho e com a ocupação do maior número possível de espaços por parte de membros do MPE/ SE”, disse Orlando Rachadel. Ele vai agora ser submetido a uma sabatina do Senado.

CHORANDO DE BARRIGA CHEIA
O coordenador do Diesse em Sergipe, economista Luis Moura, debruça-se sobre a chamada Receita Corrente Líquida do Estado de março de 2015 a fevereiro de 2016 numa comparação com a de março de 2016 a fevereiro de 2017, e chega à seguinte conclusão que lhe parece óbvia: o Governo chora de barriga cheia. Sim, porque nas contas de Moura, nesse período houve um superávit de nada menos do que R$ 611.918.623,36. Isso mesmo: mais de R$ 611 milhões. De março de 2016 a fevereiro de 2017 houve uma receita de R$ 6.936.166.922,53 comparada com a do período de março de 2015 a fevereiro de 2016, que foi R$ 6.324.248.299,17. Nesse aspecto, a RCL do Estado teve um crescimento de 9,68% em termos relativos. “E os salários continuam no freezer!”, diz Luis Moura.

Luis Moura: boa receita, salários no freezer

MUTIRÃO DA SAÚDE DA DEFENSORIA
A Defensoria Pública do Estado de Sergipe realiza hoje, 7 de abril, das 8h30 às 16h30, um mutirão de atendimentos alusivo ao Dia Mundial de Saúde para solucionar diversas questões como cirurgias, exames, medicamentos, suplementos alimentares, órteses e próteses e outros procedimentos médicos. Além disso, a população contará com exames de lâmina, teste rápido de hepatite B e C, teste de HIV/AIDS, aferição de pressão arterial, glicemia, atualização da carteira de vacinação, orientação sobre saúde mental e bucal, entre outros, tudo em parceria com as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Cerca de 60 pessoas estarão na ação, incluindo defensores públicos, psicólogos, assistentes sociais, estagiários dos cursos de direito, psicologia e assistência social e demais servidores e colaboradores terceirizados. Tudo vai acontecer na sede da Fundat, na Rua Gerson Farias dos Santos, 345, Porto Dantas.

ELBER VÊ EDVALDO FORA DE FOCO
O vereador Elber Batalha, PSB, líder da oposição na Câmara de Aracaju, não viu nenhum mérito do prefeito Edvaldo Nogueira em suas aparições em emissoras de rádio nesta semana, véspera dos 100 dias de Governo em Aracaju. “Ele disse que voltou, então estava mesmo desaparecido”, ironizou Elber ontem na Câmara. “Não teve nem a hombridade de defender seu secretário Mendonça Prado sobre as acusações da licitação do lixo de Aracaju. Apenas faz anúncios de novos aliados na bancada governista da Câmara”, disse. “Quem precisa desencarnar das eleições é o governo municipal, parar de fazer debate de partido A ou B e administrar a cidade”, disse.

Elber: prefeito na contramão

EDVALDO TEM QUE DESCER DO PALANQUE
Para Elber, Edvaldo Nogueira tem tomado atitudes públicas que conspiram contra aos bons modos de administrar. “Eu denunciei o absurdo que aconteceu com a antiga Escola Parque, um prédio onde funcionavam cinco Secretarias e o município pagava R$ 20 mil. Edvaldo resolveu desalugar o prédio e alugar cinco outros imóveis por R$ 10 mil cada, num total de R$ 50 mil. Ou seja, ele prefere gastar mais dinheiro ao invés de fazer economia nos cofres públicos”, reclamou o vereador. “Quando fazemos denúncias consistentes e produtivas, não temos resposta. Recebo somente o que o PCdoB está sabendo fazer aqui, que é politizar as questões. Diga o porquê dos aluguéis dos cinco prédios, diga porque não pagou as rescisões e as horas extras dos servidores? Edvaldo tem que descer do palanque das eleições e começar a administrar Aracaju”, sugeriu Elber Batalha.

ETC&TAL
@ O deputado Gilmar Carvalho levou o problema da falta de água no sertão a sério. Não é que hoje ele bate às portas da Deso com seis vereadores de Poço Redondo!? Cada um leva um carro-pipa de queixas hídricas.

@ É curioso como os governistas estão catapultando o discurso de que as bases políticas estaduais exigem uma candidatura de JB ao Senado.

@ Este discurso nasce em ou já chegou em Carlos Cauê? Para ele, a candidatura de JB sela e cepa em solo seguro a candidatura de governador dos governistas.

@ “Se Jackson não for candidato a senador, a candidatura de governador gira em torno de quem?”, quer saber ele.

@ Ontem, 6 de abril, o senador Antônio Carlos Valadares fez 74 anos. A coluna Aparte deseja-lhe vida longa. Ah, e fôlego político.

@ Do site “O antagon!sta”, ontem: “Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Sérgio Moro afirmou que a Lava Jato já atravessou “a metade do rio”. “O problema é que vão surgindo provas de novos acontecimentos e, por isso, falo de uma corrupção sistêmica”.

@ Ele também disse: “Apesar de a opinião pública estar, majoritariamente, a favor das operações, há uma minoria que às vezes incomoda. Principalmente quando tenta dizer que o meu trabalho tem intenção político-partidária”.