ALMEIDA LIMA

“Estou sereno. Não tenho nada a temer”

Por Jozailto Lima
28 abr 2017, 22h20

“Estou sereno, tranquilo, e não tenho nada a temer. Estou certo de que ao fim de tudo receberei um certificado de idoneidade”.

Estas duas frases foram ditas com exclusividade pelo secretário de Estado da Saúde de Sergipe, José Almeida Lima, a esta coluna Aparte ontem às 19h10.

Com as duas frases, Almeida quer traduzir seu sentimento diante da Operação Satélite, de que fora alvo, com a visita à sua casa de uma equipe do Ministério Público Federal e da Polícia Federal de Sergipe.

A equipe mexeu “em mais de mil papeis” na casa dele e ao final, levou alguns objetos pessoais. “Realizada a busca, nada de anormal foi encontrado, embora tenham sido apreendidos computador, HD externo, HD com gravações de programas eleitorais, CDs, DVDs e aparelho de telefone celular”, diria ele, mais tarde, em nota.

Segundo Almeida, ele não tinha a menor precisão do que os quatro agentes e a representante do MPF estavam procurando em sua residência.

Sabia apenas tratar-se de uma operação determinada pelo ministro Edson Facchin, a quem coube indiciar uma série de políticos brasileiros na Operação Lava Jato, entre os quais ele não consta.

Posteriormente, circularam informações de que se tratava de uma operação que investigava políticos que tiveram algum tipo de relacionamento com o senador Renan Calheiros.

E Almeida teve papel primordial na defesa do mandato de Renan Calheiros na primeira década deste milênio, quando ele estava exposto a uma possibilidade de cassação de mandato naquela questão de pagamento de pensão de uma filha com recursos da Construtora Mendes Júnior.

“Ali foi uma defesa pública, natural, de parlamentar para parlamentar, e nunca houve subterfúgios. O Brasil inteiro acompanhou”, diz Almeida.

Senador e deputado federal por 12 anos, Almeida teve forte protagonismo no Congresso Nacional. Mas garante: em nenhum desses espaços houve desvio de conduta que viesse estourar agora.

“Eu fui um ator com papel importante. Participei e estive presente num meio em que muitos desses fatos que aparecem hoje nas investigações do chamado Lava Jato deveriam estar acontecendo. Mas nunca vi um fato desse em minha frente, muito menos acontecendo comigo”, diz.

No turbilhão de boatos e conjecturas de ontem, o jornalista Maurício Lima, da coluna Radar da Veja on-line, dizia que “as investigações identificaram um repasse de aproximadamente R$ 100 mil a Almeida Lima”. Não citava o nome de Renan vinculado a isso.

Mas ontem também circulou o boato de que estes R$ 100 mil poderiam ter vindo do esquema de Renan Calheiros para ajudar na campanha de Almeida candidato a prefeito de Aracaju em 2012, embora ele não fosse mais do PMDB. Era já do PPS.

Almeida diz não ter informações desse montante ligado ao ex-presidente do Senado. Para ele, em 2012 teria chegado de aporte à sua campanha algo entre R$ 100 e R$ 150 mil.

“Mas foram recursos da Companhia Vale do Rio Doce e mandados para o partido e para todos os Estados onde esta Companhia tem operação industrial”, diz Almeida.

“Pode ser uma referência a este dinheiro, e mesmo assim não faria sentido”, completa. Na nota pública que emitiu logo cedo já estava esboçada a confiança com a qual Almeida Lima se coloca na abertura desta coluna.

“Evidente que o material será periciado e o resultado chegará ao conhecimento de todos. No entanto, tenho certeza de que receberei mais um atestado de idoneidade e que minha biografia não sofrerá nenhuma mácula”, diz a nota.

Agora é só aguardar os fatos. Mas o MPF e a Polícia Federal não deixaram pactuado prazo para devolução dos objetos levados.

CARLOS BRITTO ABRE O VERBO
Aos 74 anos, o sergipano Carlos Ayres Britto, ex-presidente do STF, tem um olhar sensível e afiado sobre o Brasil, e aponta o principal motivo que gerou esta enorme crise política e ética que se apelidou de Lava Jato. Sabe qual é? Esta coluna lhe convida a saber este segredo na entrevista domingueira que ele concedeu ao JLPolítica. Está riquíssima em informação. Carlinhos fala com profunda desenvoltura da política nacional, da gênesis da corrupção, de Temer, do PT, de Moro, da política sergipana e, naturalmente, de literatura. Afinal, com alguns livros de poemas na bagagem, ele fez da poesia sua “procissão de fé”.

Carlos Ayres Britto: disputa pelo Senado?

VOLNEY ASSUME CARMÓPOLIS
A cidade de Carmópolis fez um ato solene ontem muito concorrido para dar pose aos prefeito e vice-prefeito eleitos no último dia 2 de abril. Eles são Volney Leite Alves, DEM, Alberto Narciso da Cruz Neto, conhecido como Beto Caju. “Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido”, disse o juiz da 11ª Zona Eleitoral, Rinaldo Salvino do Nascimento, numa cerimônia mista na qual se deram diplomação e posse. Volney e Beto Caju venceram a eleição com 6.230 votos (61,29% dos válidos).

Volney Leite, cumprimentado por André Moura: recorde

VOLNEY É UM RECORDISTA
O ato de ontem em Carmópolis guarda alguns significados curiosos. Além do de estar dando posse a prefeito e vice num dia 28 de abril, quando todos são empossados em 1° de janeiro – é que a eleição de outubro dali foi anulada –, entronizava no poder um chefe do Executivo recordista. Volney é o único sergipano a ser eleito cinco vezes para administrar uma cidade – e todas as vezes, Carmópolis. Para o deputado federal André Moura, o juiz Salvino iniciou muito bem sua fala citando a Constituição. “É o primeiro e principal artigo da nossa Carta Magna. E o povo escolheu Volney pela quinta vez por conhecer sua idoneidade e zelo com a coisa pública. Carmópolis será feliz de novo”, disse o parlamentar.

FRENTE PELA ADMINISTRAÇÃO
A Câmara Federal terá uma Frente Parlamentar pela Administração. O lançamento foi feito esta semana com a participação do deputado federal Laércio Oliveira e membros do Conselho Federal de Administração – CFA -, dos conselhos regionais, além de deputados federais. O tema mais discutido no ato de lançamento foi a importância da boa gestão pública no país. “A nossa profissão pode contribuir efetivamente para a transformação da sociedade brasileira, para transformar a sua gestão pública ou privada em mais racional, mais eficiente”, disse Laércio. Ele próprio é um administrador de empresas por formação.

Laércio: fazendo carga à importância da administração

FRENTE PELA ADMINISTRAÇÃO II
O presidente do CFA, Wagner Siqueira, explicou que a Frente não tem caráter corporativista. Sobre os resultados já alcançados pelo Conselho, Wagner afirma que são muitos. Os frutos intangíveis, segundo ele, é ter conseguido colocar o tema da Administração nos corações e mentes da representação política e democrática do nosso país. “Já os tangíveis temos vários exemplos, alguns defendem interesses específicos dos administradores. Pouco a pouco a gente vai avançando”, avalia.

SEGUNDO A CUT, GREVE DE 60 MIL
“Parecia infinita a multidão”, diz, entusiasticamente, a Central Única dos Trabalhadores de Sergipe sobre a Greve Geral no Estado ontem. Eles estimam algo em torno de 60 mil pessoas, entre trabalhadores do campo e da cidade, militantes dos movimentos sociais e sindical, estudantes, jovens, idosos e até crianças, ocupando as ruas do Centro de Aracaju, numa adesão ao movimento de ontem, contra as reformas trabalhista, da Previdência e contra e a Terceirização.

Segundo a CUT ,60 mil (Foto G! Sergipe)

SEGUNDO A CUT, GREVE DE 60 MIL II
A concentração principal ocorreu na Praça General Valadão, de onde os manifestantes saíram em caminhada pelas ruas do Centro e pararam na porta do Supermercado Hiper Bompreço. Segundo os líderes do movimento, “a pressão popular fez o supermercado fechar as portas e aderiu à greve nacional”. Desde a madrugada, os sindicalista ocuparam empresas de ônibus e bloquearam vários trechos da BR-101 e da BR-235, fecharam o Centro Administrativo e do Centro Comercial de Aracaju. Estradas interditadas e algumas fábricas, instaladas as margens das BRs 235 e 101 não funcionaram. Em Nossa Senhora da Glória, também houve protesto e fechamento das lojas do Centro. Os empresários do transporte queixaram-se de que o Governo não deu a menor condição de que os ônibus saíssem das garagens.

ETC&TAL
@ Lamentáveis as imagens da invasão e dos roubos à loja do GBarbosa do Bugio ontem durante as manifestações da greve nacional.

@ É claro que uma ação dessas não pode ser posta na conta dos sindicatos e nem na dos movimentos socais que patrocinaram a greve geral.

@ A Rádio Esperança de Estância – a primeira emissora do interior do Estado – faz 50 anos neste 1° de maio. Ela é obra e arte de Jorge Leite, um grande empreendedor e sempre à frente do seu tempo.

@ A Esperança é uma Rádio AM. Segundo o empresário Ivan Leite, estão adiantados os procedimentos para conversão dela em FM. “Vamos investir aí uns R$ 200 mil neste processo”, diz.

@ A Rádio Esperança se paga, mas seu fundador nunca a teve com fins estritamente comerciais. “Desde a origem meu pai a tratou como uma rádio a serviço da cultura, da educação, do entretenimento e da notícia”, diz Ivan.

@ As espirradeiras da Hermes Fontes denunciam a gestão de Edvaldo Nogueira. Estão folhudas, de braços distendidos, invadindo os automóveis e pedindo clementemente poda. Ainda bem que são flores. Não causam irritação.

@ No começo das tardes, o jornalista Antônio Valadão comanda um pertinente programa de entrevistas ao vivo, o “É Coisa Nossa”, na TV Câmara Aracaju, Canal 48.4. Ele tem boa sensibilidade e deixa os entrevistados.

@ Na mesma TV, o bom comunicador e ex-vereador Ivaldo José comanda o “Programa Identidade”, com boas entrevistas a políticos.

@ Estiveram presentes à posse de Volney e Beto Caju ontem o senador Eduardo Amorim, PSDB, os deputados federal André Moura, PSC, e estadual Vanderbal Marinho, PTC, o ex-deputado federal José Carlos Machado e ex-prefeito de Rosário, Laércio Passos.