André admite que levará Canal de Xingó a uma pauta sergipana especial com JB

Por Jozailto Lima
07 mar 2017, 23h59

O deputado federal André Moura, PSC, admitiu ontem a esta coluna Aparte que está disposto a colocar na pauta institucional, em nome de Sergipe e dos sergipanos, uma discussão técnica e política, envolvendo o governador Jackson Barreto, que resulte na viabilidade e na materialização, enfim, do Canal de Xingó.

“Para mim, nada em termos de realização em favor de Sergipe supera uma obra como a do Canal de Xingó enquanto mecanismo de redenção do nosso sertão”, disse ele, por telefone, de Brasília. Para André Moura, em face do Canal de Xingó, tudo para esta enorme região sertaneja assume feição de paliativo.

“Não adianta se falar em ajuda circunstancial de Governo Federal. Não resolve distribuição localizada de comida para animais e nem frentes de caminhões-pipa. Tudo que se pensar para a região será pequeno frente à dimensão e às possibilidades do Canal de Xingó”, diz Moura.

O tema Canal de Xingó, André, JB e Sergipe entrou na pauta na tarde da última segunda-feira. Com o governador Jackson Barreto ancorado no plenário da Alese, o deputado estadual Samuel Barreto, um governista estadual e um aliado do líder do Governo Temer no Congresso, ligou para a André na presença de JB e perguntou se ele atenderia uma ligação do governante para tratar do Canal de Xingó.

“Eu disse que sim, que atenderia para tratar do Canal de Xingó e de qualquer outro tema de interesse de Sergipe, com o governador politicamente lá e eu cá. Não vejo incompatibilidade nenhuma. Se for pelo interesse de Sergipe, nenhuma disputa faz o menor sentido. Acho que este momento exige a máxima união de todos os sergipanos que operam na política em Sergipe e em Brasília”, disse André. 

Segundo André Moura, até a disputa que se instalou entre governistas e oposição pela Coordenação da bancada de Sergipe no Congresso está desprovida de razão e lógica.

“Eu já sugeri, inclusive, que se pensasse numa coordenação compartilhada que aproveitasse a experiência do senador Valadares e a boa vontade do deputado Laércio Oliveira. Que se entendesse todo mundo. Somos um Estado pequeno, uma bancada pequena e se brigarmos não vai sobrar nada para a gente”, diz André.

Até ontem à tarde, o líder do Governo Michel Temer no Congresso não havia recebido qualquer telefonema de Jackson Barreto marcando a conversa. Mas André disse estar informado de que isso poderia acontecer entre hoje, quarta-feira, e amanhã, quinta-feira.

Na verdade, por divisão ou não da classe política, a discussão sobre o Canal de Xingó está num atraso infernal. Na estaca zero. Zeríssima. O Canal de Xingó foi uma promessa de 2003 feita a Sergipe por Lula, como uma espécie de paga pela transposição do Rio São Francisco.

Como o rio sofreria um atalho rigoroso à altura de Cabrobró e de Floresta, em Pernambuco, para levar água para o interior daquele Estado, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, Sergipe e Alagoas ganhariam de mimo dois braços de canais para efeito de produção agrícola em seus sertões.

O alagoano, que chamou-se Canal do Sertão, já tem mais de 150 quilômetros prontos. O de Sergipe, que captaria água à altura de Xingó, chamar-se-ia Canal de Xingó, rasgaria de Canindé a perto de Aparecida e Ribeirópolis, passando por Poço Redondo e Monte Alegre.

Mas enquanto o de Alagoas avança, o canal de Sergipe não tem sequer um pré-projeto. JB, o que espera para ligar para André Moura? Mas será que ele teria mesmo poder de mover estas águas?

UM ACORDÃO DA SERRA. SERÁ?
Em Itabaiana e nos bastidores da Alese vem sendo dado como certo um acordão famoso, que uniria em breve os deputados estaduais Luciano Bispo, Maria Mendonça e seus respectivos grupos, uma espécie quase secular de água e óleo da política sergipana. O objetivo seria interceptar a ascensão do prefeito Valmir de Francisquinho, um sujeito que depois de cinco mandatos de vereador está no segundo de prefeito. Aliás, Valmir tem como vice-prefeita Carminha Mendonça, irmã da deputada Maria. O acordão da serra, segundo os especuladores dele, passaria pela acomodação de gente de Maria Mendonça em cargos na gestão de Jackson Barreto – isso arrumado por Luciano Bispo.

UM ACORDÃO DA SERRA. SERÁ? II
Será que uma engenharia desta tem procedência e lógica? “Que absurdo. Nenhuma”, refuta a deputada Maria Mendonça, sem rodeios. “Luciano Bispo e eu somos adversários políticos irreconciliáveis. Não há nisso nenhuma consistência, nenhuma chance e nenhuma possibilidade. Temos modos diferentes de pensar e de fazer política. É lamentável esse tipo de comentário”, diz Maria. “Valmir de Francisquinho integra o nosso grupo desde muito jovem, de muito novo, e o grupo dos Teles de Mendonça integra o grupo de Valmir de Franscisquinho e até hoje nunca tivemos uma divergência”, diz a deputada.

FILIAÇÃO DO SENADOR EDUARDO AO PSDB
Deve acontecer na última semana de março o ato de filiação do senador Eduardo Amorim ao PSDB. Para o evento, estão prometidas as presenças em Aracaju do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do senador Aécio Neves, presidente nacional do partido, e outros caciques da sigla. Eles passarão por Sergipe e depois irão a um ato no Rio Grande do Norte.

DANIEL FORTES ENFIA A VIOLA NO SACO
Ontem o Pastor Daniel Fortes, PEN, fez um discurso de despedida depois de 15 dias como deputado estadual. Ele estava na no lugar de Tijoi Evangelista, outro suplente cassado. Daniel disse que vai esperar uma decisão judicial em torno do assunto, que acontece em breve, para depois recorrer tentando reaver o mandato. Ele obteve 18.817 votos em 2014.

GOVERNO GASTA MUITO COM DATIVOS
Dado assustador: o Governo de Sergipe gastou em 2016 cerca de R$ 7,5 milhões com advogados dativos para atender questões de mediações de litígios na área de saúde, com pessoas movendo ações contra o Estado para obter tratamentos de saúde ou remédio. O dativo cobre a ausência do advogado estatal, o da Defensoria Pública de Sergipe. A informação foi repassada ontem na Alese pelo advogado Saulo Lamartine, da Câmara de Mediadores de Litígios na Saúde da Defensoria.

CONTRATARIA 30 DEFENSORES
A ironia disso é que a Defensoria Pública de Sergipe, que sobrevive com 97 defensores e necessita de 140 para cobrir todo o Estado, poderia com estes de R$ 7,5 milhões contratar 30 novos defensores e cobrir todas as despesas geradas a partir da chegada deles. Segundo Jesus Jairo, defensor-Geral, há um concurso feito cuja validade vai até o mês de outubro. “Nós temos 47 comarcas em Sergipe e a maioria descoberta de defensores”, diz Jesus. Ele dispõe de um orçamento anual de R$ 47 milhões.

MÚCIO: EXPERTISE DO TRE CONTA
O desembargador Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, novo presidente do TRE de Sergipe, diz que está bem à vontade no posto e garante que se as próximas eleições fossem pra ser realizadas em outubro deste ano ele já as faria sem problemas. “Me sinto tranquilo. São 28 anos de magistratura. Já fui juiz eleitoral, vice-presidente e corregedor da Casa. Não é nada difícil para mim”, diz Múcio. No dia 2 de abril ele faz seu microteste de fogo, com a eleição de Carmópolis. Segundo o desembargador, a expertise e a tecnologia do TRE são um patrimônio do povo de Sergipe e colabora com qualquer magistrado que venha a presidi-lo.

SAMUEL EXPLICA OPÇÃO PELO GOVERNO
O deputado Capitão Samuel diz que não deveria haver no senador Eduardo Amorim motivos para queixas pelo fato de ele ter pulado da oposição a governista. Eduardo diz que Samuel nada lhe comunicou. “Os meus companheiros de oposição esqueceram que eu estava aqui. Conversei com Eduardo Amorim e com Edvan Amorim, sim. Não foi subterfúgio e falta de diálogo. Converso todos os dias com André Moura. Conversei com eles sobre a forma que o Governo Federal estava tratando a Assembleia Legislativa, quando nós passamos a Governo Federal”, diz Samuel.

CAMINHOS QUE FACILITASSEM A VIDA POLÍTICA
“Na verdade, eu era oposição ao Governo Estadual e Federal há seis anos. O grupo que hoje faz oposição, na minha eleição era todo oposição. Depois de seis anos, este grupo se dividiu em parte oposição e parte governo. A oposição no Estado passou a ser situação no Governo Federal. Eu continuei sendo oposição ao Governo Federal e Estadual. Eu busquei caminhos que facilitassem minha vida política, dialogando a com população, verificando quais os problemas e como eu faria para resolver”, diz Samuel.

“TENHO SIDO BEM TRATADO”
Segundo Samuel, ele foi bem acolhido no Governo de JB. “Principalmente na pasta da Segurança Pública, que é minha área de especialidade. Nós temos que buscar as melhorias e os meus eleitores querem que a gente melhore a segurança pública. O secretário de Segurança tem me ouvido. São várias leis que já foram aprovadas em favor da família militar e sancionadas. Reduzimos a violência em janeiro e fevereiro e o secretário tem ouvido as nossas ideias. Tenho sido bem tratado e vou continuar o mesmo. Sou candidato a reeleição”, avisa.

ETC&TAL
@ Na semana passada, o ex-vice-prefeito Machado e Eduardo Amorim tiveram um novo encontro. Mas nada de decidir pela manutenção do ex-vice no PSDB.

@ Garibalde Mendonça, PMDB, admite que Almeida Lima daria um bom candidato ao Governo do Estado.

@ Por falar em Almeida Lima, ele vai à Alese nesta quinta-feira prestar contas do que encontrou na Secretaria de Estado da Saúde e na FHS.

@ Almeida Lima já se encarregou de dar uma sapatada no deputado Gilmar Carvalho, que andou forçando a barra sobre uma possível candidatura dele ao Governo de Sergipe, tendo a Secretaria como plataforma. Esse tema não vai desviar a atenção dele amanhã.

@ Dado da vergonha: Lúcio Alves, presidente da Associação de Pacientes Renais de Sergipe, disse ontem que há mais de quatro anos o Estado não realiza um só transplante.

@ O parâmetro da vizinhança é que é de assustar anos sergipanos. “Sergipe não faz transplantes, mas Arapiraca, em Alagoas, e Feira de Santana, na Bahia, fazem. Isso é uma vergonha”, disse Lúcio.

@ O sindicalista e policial Antonio Moraes tem dificuldade de separar as verbas de subvenções das novas emendas impositivas que os deputados estaduais de Sergipe vão apresentar a partir deste ano.

@ “A tonalidade é a mesma: financiar a compra de voto. E a inconstitucionalidade também é a mesma: tornar obrigatória uma ação de outro poder (Executivo). Fere a independência dos poderes. Alguém deve judicializar isso”, diz.