André busca PMDB via Jucá e Temer

Por Jozailto Lima
21 mar 2017, 00h01

Não é uma mera invenção de bastidores políticos a possibilidade de André Moura trocar o PSC pelo PMDB ainda este ano. Há chances concretas de isso vir a acontecer até o mês de setembro.

E não pense os desavisados no no que essa ida de André Moura ao PMDB tem algo a ver com as recentes relações dele com o governador Jackson Barreto a partir da audiência sobre o Canal de Xingó. Não.

André mira o PMDB para além de Jackson Barreto, e esses entendimentos passam por Brasília. Mais necessariamente pelo presidente nacional da sigla, senador Romero Jucá, e pelo presidente da República, Michel Temer, de quem é líder no Congresso Nacional. 

Os entendimentos estão em compasso de espera apenas por um aspecto jurídico: André Moura quer ter certeza de que a sua troca de PSC pelo PMDB não lhe traz problemas graves, como uma eventual perda de mandato. Dissipada esta dúvida, as coisas vão se acertar. Vão avançar no sentido de ele tomar e tocar a sigla.

E o assédio de André sobre o PMDB de Jackson está calcado num aspecto que pode ser abusivo. Ou, no mínimo, encerrar um erro de cálculo: ele fomenta junto a Jucá e a Temer a tese de que o partido aqui está a um passo de ser algo sem futuro. De virar pó. Morrer.

Isso porque Jackson deixa de ser governador em 31 de dezembro de 2018. Para sua comodidade, lá em Brasília André que reduzir o PMDB de Sergipe a JB e a Benedito Figueiredo, e vende a ideia de que são dois homens públicos passados do 70 anos. Idosos, sim. Mas não decrépitos.

E é preciso ver que o partido não é somente JB e Bené. Há que se levar em conta que o PMDB tem 15 prefeitos no Estado – isso equivale a 20% do todo -, tem quarto deputados estaduais – Garibalde Mendonça, Luciano Bispo, Goretti Reis e Zezinho Guimarães – e um federal, Fábio Reis. E erra quem pensa que levando a Executiva de Sergipe num acordo de coxias em Brasília vai arrastar consigo este espólio local inteiro. A política não funciona assim.

Um outro ponto de delação de André Moura em Brasília é a ligação de Jackson com o PT e com o lulismo. Profundas admirações a Lula, JB não esconde de ninguém. Com o PT, nem tanto. Basta ver o tratamento que ele recebeu do partido em 1998, quando tentou ser senador. E no dia a dia o ferro e fogo que recebe da Articulação de Esquerda. 

Mas André Moura vende para os caciques peemedebistas que essa ligação lulopetista é ruim para os projetos do PMDB no Estado – embora com Temer, não se saiba quais sejam mesmo esses projetos. André tem intenção dupla para o ano que vem: sonha com o Senado, mas não se desgruda do projeto de reeleição.

André quereria o PMDB para chamar de seu e materializar isso – embora com a saída de Eduardo Amorim do PSC, ele tenha uma sigla do coração. Exclusiva. Mas fraco e líder de um governo fraco, certamente André necessita de algo que o torne mais forte.

VALADARES FILHO REFUTA TESE DE JB
O deputado Valadares Filho, PSB, desaprova integralmente a leitura que o governador Jackson Barreto faz da suposta dificuldade que ele teria para se reeleger a um quarto mandato federal ano que vem. Num profundo desabafo contra o senador Valadares, feito nesta coluna Aparte na última sexta-feira, JB colocou o velho cacique do PSB como um egocêntrico político: “Só pensa nele. Nele e no mandato do filho, que agora ele comprometeu em definitivo”, disse JB. A tese de Jackson é de que o Vavazinho cairá pelas tabelas e não achará facilmente o caminho de volta a Brasília.

“JACKSON BARRETO ESTÁ LENDO TUDO ERRADO”
E é aqui que Valadares Filho acha que JB derrapa feio na análise. “Jackson Barreto está lendo tudo errado. Ele não se conforma é que em todas as pesquisas o meu nome seja o mais citado para a Câmara Federal. Chega a ser numa proporção de dois por um em relação ao segundo mais citado, que é o deputado Fábio Mitidieiri. Aliás, Jackson mira nos Valadares porque sente a nossa força nas pesquisas de opinião pública. Mas o bom é saber que depois de 2018 nós não teremos mais JB e sua visão atrasada de fazer política”, diz Valadares Filho.

SEGUNDO VALADARES FILHO, 2018 LHE SERÁ MELHOR QUE 2014
Segundo Valadares Filho, ele não se deixa levar por essas pesquisas, por ser muito cedo, mas admite que se sente bem com o que elas apontam em sua direção e na do seu pai. Ele garante que vai intensificar sua ação de presença no Estado inteiro e notadamente na grande Aracaju. Para essa região, Valadares Filho faz uma análise positiva e que parece pertinente: 1 – Ele vai a 2018 tendo da eleição de Aracaju 2016 uma performance bem melhor do que a que teve na eleição de prefeito 2012, quando sequer foi a segundo turno. Em 2012, ele obteve 113 mil votos. No segundo turno de 2016, foi a 134 mil – 20.503 votos a mais.

SEM A CONCORRÊNCIA DE EDVALDO E DE ADELSON
Em 2018, Valadares Filho vai à reeleição de federal sem a concorrência de dois nomes fortíssimos na cena aracajuana de 2014: Adelson Barreto, que teve 131.236 votos no geral e desses, 44.827 entre os aracajuanos. Edvaldo Nogueira, que teve 36.570 no Estado e levou 23.696 só entre os aracajuanos. A soma dos dois é de 68.523 votos. Os amigos de Valadares Filho apostam que ele será o maior beneficiado destas duas ausências, e ele acredita nisso. Edvaldo, prefeito, não concorrerá a mandato de federal. E Adelson, enfastiado de Brasília, quereria voltar pra casa e disputar um mandato de deputado estadual.

ELIANE SE SENTE BEM NA ASSISTÊNCIA SOCIAL
A vice-prefeita de Aracaju, Eliane Aquino, PT, está sentindo muito bem no papel de secretária municipal da Assistência Social e Cidadania. Segundo ela, muita coisa já está acontecendo nestes menos de 90 dias da nova gestão. “Encontramos muita coisa parada. A Secretaria estava completamente esvaziada em seus principais serviços e o município sem receber recursos por falta de informação ao sistema”, diz Eliane.

ATUA SOBRE 40 UNIDADES ESPALHADOS PELA CIDADE
A ação da Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania é importante e está embasada num contexto de cerca de 40 unidades espalhados pela cidade, como casa de idosos, de moradores de rua, nos Centros de Referência Especializado de Assistência Social – Creas – e Centro de Referência de Assistência Social – Cras. “Nós estamos com as equipes prontas e a montagem delas obedeceu ao critério de currículo. São muito boas e vamos exigir resultados de todos”, diz Eliane Aquino.

JUÍZO FINAL DE AUGUSTO BEZERRA E PAULINHO
Acabou-se o compasso de espera dos deputados estaduais Augusto Bezerra e Paulinho da Varzinhas, réus no processo das subvenções da Assembleia Legislativa. Encerrada a fase de ouvida das testemunhas, dia 24, sexta-feira, eles sentarão no banco dos réus. A audiência será na sala de sessões da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, centro. Serão ouvidos pelo juiz Leonardo Souza Santana Almeida. Os casos de Bezerra e da Varzinhas são considerados os mais graves entre os 14 dos 24 deputados com alguma acusação de desvio para uso pessoal dos recursos das verbas de subvenções da Alese. Eles estão afastados dos mandatos desde dezembro de 2015 por uma decisão da justiça. A estimativa na Alese é de que o drama deles se encerre até o meio deste ano – sem que se consiga fazer um juízo sobre se serão cassados em definitivo ou reconduzidos aos mandatos.

LAURINHO LAMENTA FALÊNCIA DO JOÃO SANTOS
O empresário Laurinho Menezes, primeiro suplente de senador de Eduardo Amorim, recebeu ontem “com profunda tristeza” a informação de que o Grupo João Santos decretou falência. Isso impacta sobre 12 fábricas de cimento no Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, inclusive a Nassau de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. “Isso é muito ruim para o Brasil. É sinal de que a construção civil parou e quando ela para os efeitos são desastrosos em todas as áreas”, diz Laurinho.

VALADARES: “ESTÁ NA CARA QUE JB QUERIA APLICAR MAIS UMA COCÓ”
Ainda hoje repercute a audiência entre o governador Jackson Barreto e o deputado federal André Moura na semana passada, a propósito de tratar do Canal de Xingó. Turrão, do tipo que dá um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela, o senador Antônio Carlos Valadares manda a esta coluna texto encorpado, que segue a linha de que a audiência de Jackson Barreto tinha o interesse de agredir a oposição e gerar nada de positivo para Sergipe: “O Governo de Jackson Barreto não investiu nenhum centavo em favor do Canal de Xingó, como fez o governo de Alagoas. Quanto o Governo de Sergipe gastou pra viabilizar mais rápido o andamento do Canal de Xingó? Zero. Só ficou no blábláblá”. Veja a seguir o texto:

“O anúncio da audiência com aquele estardalhaço pirotécnico midiático feito por JB me deixou desconfiado. Fiquei com uma pulga atrás da orelha quando nem eu, nem tampouco Eduardo Amorim e Valadares Filho sequer fomos convidados pelo governador, que pediu audiência ao líder André Moura. Um simples telefonema da Representação de Brasília, do pastor Heleno Silva, nos convidando em nome do governador seria o suficiente pra contar com a nossa presença. Mas Heleno não teve essa autorização. No entanto, após aquele encontro as críticas choveram contra nós que não estivemos na audiência. 

O governador tenta enganar o sertanejo quando afirma estar interessado no Canal de Xingó. Se tivesse realmente algum interesse teria agido de outra forma. Contra fatos não há argumento: o governo de Jackson Barreto não investiu nenhum centavo em favor do Canal de Xingó, como fez o governo de Alagoas que assumiu a responsabilidade do projeto básico pra iniciar logo o Canal do Sertão, cuja obra avançou e já está em mais da metade. O Governo de Alagoas investiu R$ 71 milhões no Canal do Sertão. Agora eu pergunto: quanto o governo de Sergipe gastou pra viabilizar mais rápido o andamento do Canal de Xingó? Zero. Só ficou no blábláblá. 

Tinha os recursos da repatriação (mais de R$ 300 milhões) e ainda os do Proinvest (cujas ações foram modificadas com o apoio da Alese, recentemente), porém não reservou um tostão sequer para o Canal de Xingó. Bastariam R$ 15 milhões como participação do Estado para a elaboração do projeto básico. Se não fosse o Ministério da Integração e a Codevasf, que receberam constantes cobranças de minha parte, e de parlamentares da oposição, não teríamos nem o pré-projeto, o EIA e o Rima, que já estão prontos, providências exigidas para a elaboração do projeto básico, o qual está em vias de ser iniciado. 

Alguém por acaso pode me dizer qual o resultado da audiência que JB pediu a André Moura? Nada se vê a respeito das prioridades entregues naquela audiência. Só ataques a quem não compareceu, aos membros da oposição. A senadora Maria do Carmo foi convidada, não compareceu mas tem sido preservada. Está na cara que JB queria aplicar mais uma cocó, sair na foto e criar um fato político pra depois atacar a oposição, desviando o foco do total descrédito de seu governo, como vêm apontando pesquisas de opinião pública.

Na verdade, JB só queria mostrar sorrateiramente que mudara de conduta. Agora não era mais o encarniçado inimigo da André. Estava querendo dizer que passara a época da agressividade e do achincalhe, e se apresentava perante todos como o conciliador em nome dos altos e legítimos interesses do Estado. Ledo engano de quem pensou que tudo aquilo se inspirava no interesse público. JB fez tudo planejado: sabia que Eduardo Amorim e os Valadares não iriam comparecer e, para alcançar esse objetivo (o não comparecimento), se “esqueceu” de fazer o convite. 

Esta foi a visão política, a trama vazia e ultrapassada que JB esperava colher daquela reunião. Não queria resultado nenhum como ficou evidenciado, a não ser desfazer da oposição. Essa é a mentalidade politiqueira, doentia e maquiavélica do governador Jackson Barreto. Só politicagem, blábláblá e nada mais. Gastou dinheiro com passagem e hospedagem. Gastou dinheiro com a bolsa mídia, acionou grupos de internet, e cargos em comissão, só pra ter o deleite de agredir a oposição. Governo sem rumo”.

“NÃO SE DEVE IR À CASA DOS OUTROS SEM CONVITE”
Sobre esse mesmo assunto, a coluna Aparte também recebeu o seguinte texto do senador Eduardo Amorim: “Amigo, nem eu nem você e nem ninguém deve entrar na casa, na reunião ou na festa do outro sem convite! Aprendi desde cedo com os meus, e sei que você também com os seus, que não se deve ir a casa, ou reunião dos outros sem convite. Se a senadora (Maria do Carmo, DEM) ou outro recebeu o convite, não posso comentar. Mas eu não recebi convite. Confesso que teria ido, sim, se fosse convidado. Conversei com André na terça-feira e a opinião era a que não deveríamos ir, já que não fomos convidado”, disse Eduardo.

ETC&TAL
@ Hoje amanheci pensando num cidadãozinho chamado Mateus Aquino Déda Chagas: se tivéssemos tempo, passaríamos esse dia internacional – todo dia não é internacional? – ouvindo Luiz Gonzaga. Porque o que é bom é para se compartilhar com gente boa.

@ O empresário Luciano Barreto, um dos maiores das construção civil de Sergipe, lamentou o pedido de falência do Grupo João Santos.

@ “Isso mostra a grave crise que o Brasil está atravessando. É uma prova da recessão e certamente virá prejuízo para os empregados do grupo e para Sergipe”, diz Luciano.

@ Laurinho Menezes diz que os 35 mil empregos novos criados no Brasil em fevereiro significam nada, ou muitíssimo pouco, em 13 milhões de desempregados.

@ Valadares Filho está de olho na Comissão de Desenvolvimento Regional da Câmara Federal. Hoje vão ser feitas as distribuições delas.

@ Jackson Barreto já deu sinal para a ida do radialista e jornalista Cloves Trindade para a Fundação Aperipê. Cloves é ex-vice-prefeito de Boquim por duas gestões. O moço entende do traçado de rádio.

@ O PSB está animadíssimo com suas potencialidades eleitorais de 2018: sonha em fazer até quatro deputados estaduais.

@ Luciano Pimentel lideraria, e teria mais cinco nomes consistentes para completar a lista dos quatro prováveis: Elber Batalha, Lucas Aribé, Ednei Caetano, Carlos Magno, de Estância, e Antônio Nery, de Tobias Barreto.

@ Jackson Barreto acha que se a candidatura de Lula não sofrer qualquer revés em 2018, será o fim letal do projeto político do senador Antônio Carlos Valadares.

@ Jackson Barreto está disposto a manter a palavra dada às vésperas da eleição de 2014 de que não disputaria mais outro pleito. Aquele seria o último da sua vida.

@ JB afirma a esta coluna que se voltasse atrás correia o risco de ser desmoralizado, inclusive, com vídeos e depoimentos feitos em 2014, nos quais sustentava seu propósito de parar ali.

@ Mas que ninguém pense que esta autointerdição vai deixá-lo frio durante a sucessão de 2018.

@ O deputado federal Adelson Barreto disse a esta coluna que nunca afirmou a ninguém que trocaria a eleição de federal por uma de estadual ano que vem.

@ “Se as convenções fossem hoje, eu registraria candidatura à reeleição de deputado federal. De modo que se alguém está falando em meu nome está equivocado”, diz ele.

@ Neste tempo de rádio e de música chinfrins, como faz bem com seu “Seleção Brasileira” nas manhãs da Aparipê FM este cidadão chamado Mário Sérgio Félix Ufa: é bálsamo aos ouvidos carentes. Só falta tocar Ednardo. Afinal, quem inventou este sujeito?