Definição da coordenação da bancada de Sergipe no Congresso: é séria ou patacoada?

Por Jozailto Lima
09 fev 2017, 00h01

Afinal, o deputado federal Laércio Oliveira, SD, foi escolhido ou não o novo coordenador da bancada de Sergipe no Congresso ontem? Sim, o senador Valadares, PSB, perdeu agora ou vai esperar até setembro para repassar a coordenação?

Desde a semana passada que esta coluna anunciou o projeto de Jackson Barreto de tomar de Valadares a coordenação da bancada. O nome escolhido para materializar isso era o do mesmo Laércio.

“Eu quero decidir isso logo agora no começo de fevereiro e assumir ainda neste mês para que quando março chegar eu já tenha o domínio pleno de tudo na coordenação da bancada”, disse Laércio aqui, no sábado.

Ontem, a maioria da bancada de Sergipe, com apoio da senadora Maria do Carmo, se reuniu e elegeu a Laércio, finalmente, coordenador. O senador Valadares passou o dia, antes e depois, dizendo que a eleição não valeria.

Argumento um: o mandato dele vai até setembro. Argumento dois: o regimento interno da Comissão do Orçamento, a quem a Coordenação está subordinada, exige que a mudança só se faz com dois terços do Senado – dois dos três senadores – e três quatros dos oito federais, o que exigiria seis dos oito votos.

Depois da eleição, a turma governista sumiu. Sobretudo Laércio. Ficou inacessível. Mas a assessoria dele se encarregou de distribuir informe dizendo que “o deputado Jony Marcos indicou o nome do deputado Laércio que foi aprovado por unanimidade pela senadora Maria do Carmo, os deputados federais Laércio Oliveira, João Daniel, Fábio Mitidieri e Fábio Reis, que estavam presentes”.

Pelo que se vê, não atingiu os três quartos da Câmara e nem a um terço do Senado. Valadares disse que consultou a Comissão do Orçamento e, pelos informes que recebeu, esses percentuais não garantem a mudança. O que lhe leva a dizer que a escolha seu deu por “um processo inválido”.

Valadares classificou isso de “mais uma patacoada” de JB que “expõe ao ridículo parte da bancada de Sergipe na Câmara”. “JB acha que pode driblar a Comissão de Orçamento ao escolher um novo coordenador fora das normas”, disse nas mídias sociais.

“Eu não pedi para ser coordenador. Mas uma vez colocado lá, ninguém vai me fazer de marionete”, disse a esta coluna.

BATE-BOCA INÓCUO
O ex-deputado federal José Carlos Machado acha que o modelo bate-boca adotado pelas principais lideranças políticas de Sergipe de nada vai servir ao presente e ao futuro do Estado. Para Machado, as leotrias entre Valadares, Jackson e Eduardo Amorim não moverão uma pedra pelas ampliações das BRs-101 e 235. E nem tira o Canal de Xingó da vala da inexpressão.

OBRAS DE NADA
O Canal de Xingó foi um aceno feito por Lula desde 2003 como uma espécie de paga a Sergipe pelo fato de o Governo da União se dispor a fazer a transposição do rio São Francisco para o Nordeste Setentrional. Não só Sergipe, mas também Alagoas seria contemplado. Aqui, com o Canal Dois Irmãos, depois chamado de Canal Xingó, e Alagoas com o Canal do Sertão. O de Alagoas tem 200 quilômetros de canais já concluídos, com quase 90% da obra pronta. O de Sergipe não chegou ainda nem no pré-projeto.

ADEUS PROJETO CARNALITA
Enquanto o vendaval do bate-boca avança, outra iniciativa anunciada em favor Sergipe e de fundamental importância, evaporou: trata-se do Projeto Carnalita. Seriam investidos cerca de R$ 3 bilhões e gerados milhares de empregos na prospecção do potássio. Ah, a Petrobras morreu nesse percurso!? Coisa nenhuma. O que morreu foi o ânimo em favor das coisas de Sergipe.

NEGÓCIO: UMA NOVA PAND’ORO
O empresário Marcos Noronha, da Pand’oro, pretende inaugurar uma filial dessa delicatessen no próximo ano. Ele já tem a área no Garcia – Avenida Jorge Amado, de frente para a Praça Luciano Barreto Júnior. São 1,8 mil metros quadrados. Marcos gera 80 empregos com a Pand’oro, que funciona na Rua Deputado Euclides Paes Mendonça, na Treze de Julho, e o Café São Brás, do Shopping Jardins. 

GARIBALDE VIROU UM DECANO

Aos 60 anos, no quinto mandato, Garibalde Mendonça, PMDB, é titular de uma façanha hoje no Poder Legislativo de Sergipe: virou um decano. É o parlamentar com mais mandatos ininterruptos da Casa. Em dezembro do que vem, quando se encerra essa Legislatura, ele completa 20 anos de atividade legislativa. E por uma coincidência de fatores e de consequências que ele não sabe ao certo especificar, nunca presidiu o Legislativo – se for desconsiderado, lógico, o período em que esteve à Frente da Casa enquanto durou a cassação do mandato de Luciano Bispo no ano passado. Ele é vice, e um sujeito de bom trânsito entre os colegas. 

SONHO DE SER PREFEITO
Garibalde Mendonça tem tido votações anualmente crescentes. Com sete mil votos, se elegeu pela primeira vez em 1998, dois anos depois de ter disputado a Prefeitura de Aracaju numa aventura louca de dissidência dele e de Almeida em relação a Jackson Barreto. Em 2002, voltou para a Casa com o dobro – 14 mil votos. Em 2006, teve 17 mil. Em 2010, 24 mil e em 2014, 31.600.

SONHO DE SER PREFEITO DE ARACAJU
Não se admitindo cansado do mandato e nem se descuidando das suas bases eleitorais, Garibalde revela que gostaria que lhe “pintasse uma outra oportunidade” em 2018 ou logo mais à frente. Acha que suplência de senador não conta, não tem muita simpatia por ir a Brasília como deputado federal, não desconsidera uma vice, mas seu sonho mesmo é o que ficou entalado em 1996. “Penso em Aracaju. Acalento o sonho de um dia ser prefeito da Capital”, diz ele.

ROCHADEL CANDIDATO!
No Ministério Público circula a especulação de que o ex-procurador-geral da casa, promotor Orlando Rochadel, tem intenções de voltar ao posto de comando ano que vem, em sucessão a Rony Almeida. A coluna Aparte quis saber de Orlando se isso é verdade. “A informação não procede. Estou no meio do meu primeiro mandato de conselheiro nacional do Conselho Nacional do Ministério Público e presido a Comissão de Planejamento Estratégico, uma das mais importantes do CNMP. Sou candidato à reeleição e pretendo exercer meus mandatos na íntegra”, diz ele. Será que?

FAUSTO VÊ MÃE MINISTRA COMO EXEMPLO
Fausto Valois, 45 anos, há cerca de 20 faz um bom trabalho como promotor de Justiça do Ministério Público de Sergipe. Afrodescendente baiano, ele cresceu acostumado com uma mãe, Luislinda Valois, guerreira, pobre, órfã desde a infância, mas que, por esforço próprios, se fez desembargadora do Poder Judiciário da Bahia. No mês de julho do ano foi elevada ao posto secretária de Promoção da Igualdade Racial do Brasil e agora em fevereiro virou ministra dos Direitos Humanos do país.

“ELA ESTÁ LÁ POR MÉRITOS”
Luislinda Valois é tida pela mídia como “a primeira juíza negra do Brasil”. Para Fausto, uma supermãe e mulher de luta, de sucesso, e exemplar. “Ela está lá (no Ministério) por méritos. Isso é o que mais me orgulha: saber que minha mãe conseguiu chegar lá sem necessitar passar por cima de quem quer que seja. Sou com muito orgulho seu filho único”, diz. “Cada momento que minha mãe tem vivido tem sido muito intenso e de um restabelecimento, de uma grandeza, muito significativa. Eu posso dizer que já passei momentos de chorar lágrimas de sangue de ver injustiças serem cometidas, e isso me fez ter muito equilíbrio. Com o sofrimento, ou a gente perde a razão ou encontra força para rejuvenescer e se recriar”, diz Fausto.

CAMINHO DA DIGNIDADE
Fausto Valois (o sobrenome, de origem francesa, pronuncia-se “valoá”) diz que a mãe serviu de exemplo não só para ele, como para outras pessoas que ela ajudou a criar. “O que minha mãe revela hoje é um caminho a ser seguido. Um caminho do respeito, da dignidade, da honestidade. Para os meus filhos, eu digo todos os dias: “estão vendo a avó de vocês? Ela dorme e acorda pensando em trabalhar. Tem com ela sempre um sonho de fazer algo pela coletividade”. Hoje minha mãe trabalha porque gosta, por abnegação e obstinação. Ela não tem descanso. É uma pessoa que nasceu para trabalhar. E o trabalho transformou não só a vida dela como a dos parentes que ela cuidou – ela ficou órfã de mãe muito cedo e acabou criando os irmãos, e todos são pessoas de respeito. Para mim, não só porque me trouxe ao mundo, mas minha mãe é um referencial maior, porque ela cobra muito do filho e das demais pessoas que ela criou, e cobra principalmente o exercício do trabalho com dignidade, determinação, respeito e honestidade”.

BOM PARA A CAUSA AFRODESCENDENTE
Como um afrodescendente, Fausto Valois nunca fechou os olhos para as questões de segregação racial no Brasil. Soteropolitano, costuma relatar a amigos e em palestras que nunca conseguiu ir e vir a Salvador sem que não lhe parem em blitz na estrada, e às vezes em abordagens um tanto quanto hostis. Para ele, a mãe como ministra dos Direitos Humanos pode ajudar a mudar realidades. “Na realidade, não somos uma minoria. Somos a grande maioria que é excluída na questão da mídia. Hoje aqui e acolá as empresas com responsabilidade social já estão incluindo jovens negros na propaganda. É importante porque mexe com a beleza de modelos, gera oportunidades de emprego e de espelhos positivos para os jovens afrodescendentes. Se você não se ver como vencedor, fatalmente vai viver outros caminhos, e geralmente estes caminhos não têm espelhos bons”, diz ele.

VALADARES NÃO RESPONDE A RICARDO
Num texto longo, com o título “Quando provocado nunca fujo do desafio”, o senador Antônio Carlos Valadares, PSB, se posiciona parcialmente diante do desafio feito pelo primeiro suplente de senador Ricardo Franco, mas não diz o principal: quanto foi que ele mandou, via emendas do Orçamento, nos seus 22 anos de Senado para a Codevasf, retirando so R$ 100 milçjçeos do ano passado.

Este foi o desafio de Ricardo Franco: “Para que eu e todos os sergipanos pudessem confirmar a ‘sensibilidade’ do senador Antônio Carlos Valadares para com a região do Baixo São Francisco, eu gostaria que ele abrisse os arquivos dos seus 22 anos de mandato e revelasse quantos milhões ele destinou à Codevasf até os R$ 100 milhões do ano passado”. 

A seguir, o texto do senador Antônio Carlos Valadares: “A política tem dessas coisas. Quando aflora um interesse em função de projetos de poder, amigos são desqualificados e até desafiados. Sou amigo de Ricardo Franco, reconheço-o como um empresário de vanguarda, sou amigo de seu pai o ex-governador Albano Franco, por quem tenho grande respeito e admiração.

Por que então sou criticado publicamente de forma gratuita por Ricardo? Quem em sã consciência esperaria críticas por eu ter apresentado uma emenda parlamentar que trouxe benefícios para o Estado, possibilitando à Codevasf investir com ações desenvolvimentista na região do Baixo São Francisco?

Num dia Ricardo me critica por ter apresentado uma emenda em favor da Codevasf, e no dia seguinte me desafia a mostrar que serviço prestei em favor da Codevasf.

Estou sendo provocado a entrar numa polêmica com um empresário que se omite em relação às mazelas de um governo que conduziu o Estado a um verdadeiro caos, na saúde, na educação e na segurança pública, sem falar nos atrasos constantes do pagamento da folha de servidores.  

No entanto, o empresário, querendo ou não, com essa divergência aberta com um senador da oposição, agrada e muito ao governador, justo quando procura desviar o foco das fragilidades de seu governo dirigindo ataques ferozes a adversários políticos, especialmente à minha pessoa. 

Ao me criticar, o empresário aceita então uma estratégia mais cômoda, já que falar do governo não lhe interessa, pelo menos por enquanto, e parte pra cima de um senador cujo trabalho é tão reconhecido pelo povo sergipano ao ponto de me eleger por três vezes consecutivas para o Senado. 

Antes de me desafiar, o empresário Ricardo Franco precisa entender que o meu trabalho em favor de Sergipe não começou ontem em razão de uma pretensão eleitoral, que está surgindo em sua imaginação, agora, assim tão de repente. Mas eu sinceramente respeito e vejo de bom grado seu ingresso na política. Que ele venha pela via de sua tradição familiar, de moderação e cordialidade com adversários. 

Foi a primeira vez que um sergipano teve a oportunidade de indicar o presidente da Codevasf, e eu tive a sorte de ser esse sergipano, com apoio da bancada do PSB no Senado, mas a minha contribuição em favor de Sergipe através dessa empresa não se resume aos R$ 100 milhões destinados no ano de 2016, ao Baixo São Francisco. 

Ações que foram à época, elogiadas por toda a bancada sergipana, por políticos de matizes distintas e inclusive pelo governador Jackson Barreto.

Pra finalizar, enquanto o PSB participou da gestão do Governo Federal, com o ministro Fernando Bezerra na Integração, Paulo Viana na Superintendência da Codevasf, e, agora, com Kênia Marcelino na Presidência Nacional desta empresa, foram criadas as condições favoráveis à concretização de projetos estruturantes para a alavancagem do desenvolvimento sergipano com a minha influência e participação. Sobre emendas impositivas, apenas nos dois últimos anos começaram a existir.

Seja bem-vindo amigo Ricardo a esse terreno tão duro da política, mas que pode ser amaciado com trabalho construtivo e respeito mútuo.

A seguir, aceitando o desafio, mostro apenas algumas ações mais recentes do meu trabalho em favor da Codevasf, do Baixo São Francisco e do Sertão de Sergipe. É só abrir os seguintes links tirados de arquivos públicos da internet para a comprovação do que estou afirmando. 

102 milhões programa mais irrigação para a Codevasf http://migre.me/w158C

http://migre.me/w15bx

No seminário promovido por mim em Aracaju, como presidente da CDR do Senado, levei dois ministros, o da Integração e o do Turismo, os quais assinaram atos em favor do Estado (licitação da primeira etapa do pré-projeto do Canal Xingó e recursos para o Centro de Convenções).

http://migre.me/w15AR

ETC&TAL
@ O TRE do Rio de Janeiro cassou ontem os mandatos do governador Luiz Fernando Pezão e do vice, Francisco Dornelles, PP.

@ A determinação é que se faça nova eleição. A dupla foi condenada por abuso de poder econômico durante o processo eleitoral no ano passado.

@ Na briguinha da farinha pouca meu pirão primeiro, Eduardo Amorim diz que a vinda do entçao ministro Alexandre Moraes a Sertgfope na semana passada foi uma inbovctaiva sua.

@ Segundo Eduardo Amorim, ele pediu algo por Sergipe e Alexandre lhe franqueou a possibilidade de inserir Sergipe no Plano Nacional Integrado de Segurança Pública.

@ A senadora Maria do Carmo teria dito a um político de Sergipe ontem em Brasília que não fez qualquer entendimento político com Jackson Barreto. E é?

@ Jackson Barreto saudando Josué Modesto dos Passos Subrinho, ontem, em posse como titular da sefaz: “Não tenho a menor dúvida que o senhor, Josué, terá apoio dos servidores e do sindicato. A Sefaz tem quadros técnicos qualificados e muito dedicados”.

@ “É preciso que haja somação de esforços, porque o Estado precisa de receita para sobreviver. De sorte que desejo muito sucesso a Josué, e que o senhor fique à vontade, pois se trata de uma área técnica. Esperamos que a Secretaria cumpra sua tarefa, principalmente no que diz respeito à garantia do salário dos servidores”, disso JB.

@ EJosué, agradecendo: “Espero corresponder às expectativas que o senhor depositou nessa modesta pessoa. Foram praticamente 12 anos como reitor de duas universidades, mas agora a gestão estadual é novidade”.

@ “Antes eu era apenas executor de despesas e agora tenho que cuidar, basicamente, do equilíbrio das finanças. É um trabalho árduo e um novo desafio, e o principal deles é aumentar a arrecadação, captação de recursos e controlar o dispêndio, pois temos muitas demandas”. Que dê certo!