Edvaldo sem noção dos riscos que enfrenta

Por Jozailto Lima
12 abr 2017, 22h33

Com José Antônio Torres Neto, dono da Torre, na cadeia. Com o pedido de habeas corpus para ele negado. Com Mendonça Prado no desterro, banido, e Netônio Machado no comando provisório da Emsurb, e com o prazo de cinco sessões correndo para que a Comissão Parlamentar de Inquérito do Lixo na Câmara de Aracaju seja instalada, o caldo de cultura para um alto desassossego do prefeito Edvaldo Nogueira está fervendo.

Tudo indica que Edvaldo e os pensadores do seu Governo calcularam errado desde o início esta questão de contrato provisório com a Torre, “erraram” de propósito nos valores e erraram politicamente quando partiram de dentes armados para cima da polícia, do Ministério Público, da Câmara de Vereadores e da sociedade com Mendonça Prado tratando todos aos pontapés, e Nogueira lhe dando corda e provimento.

Numa análise “camarada”, o camarada Edvaldo Nogueira é, de cara, um derrotado. Um derrotado na largada, que é o pior tipo de derrota. Teve que, por força da lei, mandar pro beleléu um secretário municipal no 99º dia da sua gestão e, num mesmo instante, engolir à força uma CPI que ele tinha abortado – o que se diz no Legislativo é que esse aborto foi feito à base “da força da grana que ergue destrói coisas belas”.

A Edvaldo Nogueira foi dado um prazo de 70 dias para fazer, em definitivo, a licitação da coleta do lixo de Aracaju. Isso começou a contar no dia 8 de março. Hoje, esse prazo completa exatos 35 dias. Metade dele, e a gestão de Nogueira chafurda no chorume das impossibilidades. Restam 35 dias. Não fará. Vai afrontar, de novo, a justiça.

Ontem, Edvaldo Nogueira perdeu uma chance única de dar ao ex-desembargador Netônio Bezerra, um homem de alta envergadura, o posto exclusivo de comandante da Emsurb. Mas não o fez. Colocou-o lá improvisado, no lugar de Mendonça Prado, mas dividido com a Procuradoria Geral do Município. Ou seja, apenas para tapar um buraco de algo quer requer alta engenharia de reconstituição.

Antes que isso seja uma acusação, parece óbvio que não será preciso achar em fundo de atlântico nenhum celular de José Antônio Torres Neto, que nem será preciso resgatar HDs de computadores da Torre que ele teria mandado sacudir fora – é isso que aparece nos grampos da polícia – para saber que por debaixo deste angu tem caroço indigesto.

Nenhum gestor sai de um contrato tal para uma diferença a mais, em um mês e 26 dias, de R$ 117,4 milhões com outra empresa e com a mesma finalidades sem deixar indício de coisa errada. Parece que Edvaldo e os seus assessores não se aperceberam que há um novo tempo no país e tampouco deram atenção aos riscos que esse tempo sinaliza.

Por tudo isso, Edvaldo Nogueira está tremendo nas bases com a impositiva CPI do Lixo. Mesmo depois que o judiciário determinou que ela fosse instalada, o prefeito ainda esperneou.

Conversando com um vereador da base dele, recebeu a ponderação de que o direito de Elber Batalha, o autor da proposta, nesta questão era muito bom e que não teria mais como mudar os rumos da coisa. A solução seria, advertiu o vereador governista, trabalhar para fazer a maioria dela funcionar como um trator.

Ao que Edvaldo Nogueira ponderou: “Que nada: CPI a gente sabe como começa, mas não sabe como termina”. Pois é. E a expectativa é a de que, mesmo com expressa minoria, ela não termine em pizza.

EDUARDO AMORIM E FACHIN
Nem necessitava de tanto alvoroço em torno da citação do nome dos senadores Eduardo Amorim, PSDB, e Maria do Carmo, DEM, no relatório dos 98 que foram levados a inquérito pelo ministro Edson Fachin, STF, no caso da Lava Jato. Menos de 24 horas depois de o Estadão ter divulgado a lista em que os dois apareciam, o próprio Fachin se encarregou de oficiar ao MPF pedido para que os retirasse da lista.

Eduardo Amorim: avexamento desnecessário
(Foto: Pedro França/Agência Senado )

CABELO E BARBA DE ALVOROÇO
Maria do Carmo foi solene e cartesiana. Não emprestou seu pescoço à imolação. Eduardo Amorim, não. Este fez cabelo e barba no alvoroço de mostrar-se puro – como de fato ele aparenta ser em seus negócios políticos. Mas antes produziu hortaliças de primeira ordem para a cesta básica das maldades de Carlos Cauê em futuras campanhas eleitorais. É isso: quem não sabe rezar termina chamando Jesus de Genésio.

EIS UM NOVO FÁBIO REIS
Depois do susto da família Reis com o chove-não-molha de Rosman Pereira na FHS, o deputado Fábio Reis, PMDB, parece que perdeu as fraldas da ingenuidade, do menino 100% fraterno frente a Jackson Barreto. Nesse contexto pode ser encarada a nota de solidariedade que fez ontem a Eduardo Amorim e a Maria do Carmo.  “Venho externar minha solidariedade aos senadores sergipanos Maria do Carmo e Eduardo Amorim, que tiveram seus nomes expostos nacionalmente sem qualquer oportunidade de defesa prévia. Mesmo sendo oposição aos dois, faço questão em afirmar que conheço o caráter e a retidão de ambos, que sempre foram pautados pelo respeito e ética com a coisa pública. São também pai e mãe de família, que zelam pelo bem-comum dos seus familiares, e deles tem total respeito, amor e admiração. Lamento profundamente esse momento de angústia, até porque já senti na pele injustiças semelhantes, quando tive familiares expostos sem nenhum motivo justo. Tenho absoluta convicção de que a justiça será feita e a dignidade de ambos será restaurada em breve. Deputado federal Fábio Reis”, diz a nota em sua íntegra.

Fábio Reis: um outro moço

DOMINGUINHOS É PRESIDENTE
No Processo de Eleições Diretas – PED – do PT do último domingo, o ex-vereador de Estância Dominguinhos foi eleito presidente da Executiva estanciana. Ele obteve 78% dos votos válidos. “A militância participou ativamente. Votaram 294 filiados e filiadas. Foi chapa única no município, com a “Várias forças, uma só luta!”. E um só candidato à Presidência”, diz Dominguinhos. Ele se acha dono de “propostas para oxigenar o partido”. “Quero ser um tijolinho na construção de 2018. Domingo foi meu aniversário e recebi de presente do conjunto do partido essa grande tarefa. Logo após o resultado, Márcio Macedo me telefonou parabenizando pela vitória e se colocando à disposição para fortalecer o PT em Estância” diz Dominguinhos.

Dominguinhos: Executiva por presente

LUCIANO BISPO E TALYSSON COSTA
Oponente ferroso do prefeito Valmir de Francisquinho na política de Itabaiana, o deputado estadual Luciano Bispo não é mesquinho ao julgar as chances eleitorais de Talysson Costa, filho do prefeito, como aspirante a uma vaga de deputado federal. Bispo, no entanto, faz sua natural crítica. “Mas o perigo é que o menino não se sente candidato. Vaidoso, já se acha um deputado federal eleito. Pode até ser, porque o pai está cheio de dinheiro. De onde vem, eu não sei”, diz o deputado.

UMA TURRA COM VALMIR
Segundo o deputado Luciano Bispo, Valmir de Francisquinho deveria era estar preocupado com a presença de técnicos da Controladoria Geral da União – CGU – dentro da Prefeitura Municipal de Itabaiana escarafunchando coisas erradas. “Ele vai sentir o baque é depois que o povo for embora para Brasília. É de lá que virão as notícias depois”, diz. Para Luciano Bispo, Valmir deveria focar na administração municipal de Itabaiana e esquecer a sua pessoa. “Ele está no quinto ano da administração e não conseguiu esquecer de mim”, diz o deputado.

Luciano Bispo: larga deu, Valmir

PENTE FINO EM ITABAIANA
O prefeito Valmir de Francisquinho confirmou que o município de Itabaiana foi mesmo alvo, nos últimos 30 dias, de uma massiva investigação que vai além da presença da CGU. “Por aqui passaram fiscais da CGU, do Tribunal de Contas do Estado e do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Passaram um pente fino. Reviraram até as pedras dos calçamentos para averiguar a centimetragem da base de areia. Seguiram ambulâncias da Secretaria Municipal de Saúde pelas madrugadas para conferir para onde iam e as quilometragens. Foram nas creches, escolas, viram a merenda escolar. Não tem problema. O município está aberto a estas ações e demos todos os documentos que exigiram”, disse Valmir à coluna Aparte.

ESTRANHA AS TRÊS COINCIDÊNCIAS
Segundo Valmir de Francisquinho, pela CGU havia um grupo de 14 homens em Itabaiana. “Chegaram a alugar um hotel na cidade”, diz ele. Apesar de achar “normal” estas ações, o prefeito diz não que pode deixar de estanhar as três coincidências fiscalizatórias. Para ele, essas coisas nunca aconteceram ao longo dos quatro anos do primeiro mandato – “nunca esteve ninguém aqui antes”, avisa – e quando o nome dele começa a aparecer nas pesquisas de opinião pública para o governo do Estado e ele admite que tem o projeto de lançar a candidatura do filho Talysson Costa a deputado federal vem fiscalização em série. “Eu não sou é bobo e nem nasci ontem. Por essa linha, quero dizer que estou atento ao fogo amigo e ao fogo inimigo”, diz o prefeito de Itabaiana. Valmir afirma que respeita os órgãos da fiscalização do Estado e da União, mas não tira de foco possíveis interesses contrariados de alguns políticos do Estado, incluindo aí gente do seu próprio bloco.

UM HOSPITAL PARA IVAN?
O repasse do Hospital Regional Jessé Fontes, em Estância, pelo governador Jackson Barreto, para o grupo do ex-prefeito Ivan Leite administrar está gerando desconforto na base governista. Um foco vem do deputado estadual Zezinho Guimarães. Ele se queixa do fato de Ivan não ser lá historicamente um aliado de JB. Uma outra reclamação veio do estanciano Dominguinhos, ex-vereador do PT. Para Dominguinhos, “Jackson precisa pensar mais nos aliados do interior do Estado, sobretudo nos de Estância”. Dominguinhos diz que, apesar de petista, segue JB desde 1994, quando ele foi candidato a governador.

IVAN DESCONSTRÓI RESTRIÇÕES
O político Ivan Leite não vê lógica em nenhuma das duas restrições. Primeiro, adverte o ex-prefeito, nem Zezinho e nem Dominguinhos podem arrastar para si as asas de aliados exclusivos de JB. “Em 2014 eu ajudei a virar a eleição do governador aqui em Estância, indo de casa em casa” diz Ivan. No que diz respeito ao hospital, Ivan garante que é natural que ele, como alguém que atuou para que ele fosse construído e interessado no bem estar de Estância e dos estancianos, queira ajudar na condução do Jessé Fontes. “Nós queremos que tudo em Estância funcione, e que funcione bem”, diz Ivan. Então pronto!

Ivan Leite: não há exclusividade de aliados

REINALDO MOURA REFUTA RICARDO
O ex-deputado estadual, ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe e pai do deputado federal André Moura, Reinaldo Moura, manifestou discordância em relação à opinião do primeiro suplente de senador Ricardo Franco, feita na abertura de Aparte de ontem, de que André precisa deixar sua assinatura numa grande obra de Sergipe vinda do Governo Temer. “Discordo da opinião de Ricardo Franco quando diz que o deputado André Moura precisa atracar em Sergipe com resultados que justifiquem o “poder” que o parlamentar tem com o presidente Michel Temer. Há muitos anos que Sergipe não tem um parlamentar que faça tanta intermediação com os vários setores do Governo Federal, abrindo diálogos produtivos para o Estado, como André”, diz Reinaldo.

Reinaldo: André faz muito

OBRAS QUE SÃO ESTRUTURANTES
Para Reinaldo Moura, pequenas obras já feitas ou em andamento podem se encaixar naquilo que Ricardo cobra como estruturantes. “Quanto às grandes obras como o Canal de Xingó, aeroporto, duplicação da BR-101, etc, são obras estruturantes que vem sendo trabalhadas há anos por parlamentares sergipanos. Obras desse porte exigem tempo para captação de recursos, projetos e execução, ações que não tem faltado ao deputado André Moura, ao senador Valadares e o próprio governador do Estado, além de outros parlamentares”, afirma Reinaldo.

AMIZADES PRODUZIRAM RESULTADOS
“Discordo também quando ele diz que a amizade do pai Albano Franco com FHC e a de Marcelo Déda com Lula não produziram resultados para Sergipe. Pode não ter conseguido grandes obras, mas não se pode negar avanços conseguidos nos dois governos. Credito as declarações de Ricardo Franco à “impaciência” dele, ao desejo de fazer alguma coisa por Sergipe e de colocar a experiência vitoriosa de empresário a serviço da vida pública. A hora dele vai chegar. Ele ainda é novo. Eu penso assim”, diz Reinaldo.

AMÉRICO E A RECICLAGEM DO LIXO
O vereador Américo de Deus, Rede, aproveitou o pequeno expediente na Câmara de Vereadores de Aracaju na manhã de ontem para expor a situação do lixo na cidade. O parlamentar falou do seu projeto de reciclagem do lixo. “A ciência tem que andar de braços dados com a evolução, e a alternativa são os projetos de sustentabilidade. Eles são viáveis e eu apresentei um projeto que está tramitando nessa Casa de reciclagem de lixo sólido reutilizável e reaproveitável. Creio que as cooperativas terão a oportunidade de fazer esse trabalho”, disse o parlamentar.

Américo: visão possível

 

ETC & TAL
@ “Está mais fácil ele se enforcar num pé de coentro do que transferir seu título de Estância para Aracaju”.

@ A frase é da deputada Ana Lúcia Menezes, para alguém que insinua que ela deveria estimular o Professor Dudu a transferir de Estância para Aracaju o domicílio eleitoral para tentar mandato de vereador em 2020 no espaço que Iran pode deixar aberto ano que vem se se eleger deputado estadual.

@ Vão chorar assim às caraíbas: o ciúme eleitoral no entorno do secretário Esmeraldo Leal, Agricultura, é tão grande que se ele postar na web uma foto ou vídeo de chuva em algum município sergipano há quem veja nisso uma propaganda da eventual candidatura dele a Alese. E ele nem é candidato.

@ Garibalde Mendonça está entre os peemedebistas que veem Jackson Barreto como candidatíssimo ao Senado.  Mais do que isso: acredita que ele será o mais votado.

@ Genial esta frase atribuída a José Simão, da Folha de S. Paulo, que circulou ontem nas mídias sociais a propósito da lista de Fachin: “Se cu piscando gerasse energia, hoje Brasília seria autossustentável”. Como diz o próprio Macaco Simão: nós sofre, mas nós goza!

@ “Conheço de perto o senador Eduardo. Convivo com ele diariamente há um tempo razoável para ter convicção de que o nome dele não combina com os fatos que estão sendo publicados. Desonestidade é uma palavra que não está no vocabulário dele”. Isso é solilóquio de Herbert Pimenta, presidente do Instituto Teotônio Vilela de Sergipe do PSDB.

@ O ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e o governador Jackson Barreto, por intermédio do líder do governo no Congresso Nacional, André Moura, reuniram-se em audiência, ao lado de parlamentares da bancada federal sergipana.

@ Na audiência ontem em Brasília, o ministro anunciou a autorização para início das obras de ampliação da pista e de reforma do terminal de passageiros do Aeroporto de Aracaju.

@ Também foram anunciadas por ele a retomada das obras da BR-101 e a autorização para o estudo de viabilidade técnica da duplicação da BR-235, etapa essencial para permitir o início do empreendimento.

@ Em vídeo, o governador Jackson Barreto diz ter sido convencido pelo líder André da opção de reforma do terminal, nos moldes propostos pela Infraero.

@ André Moura defendeu o trabalho realizado para alavancar a economia de Sergipe neste momento de crise.

@ O deputado federal Laércio Oliveira disse que todas as vezes que Fábio Reis realiza almoço em seu apartamento no DF o convida. Segundo Laércio, ele nunca encontrou foi tempo para comparecer.