Fábio Reis: “Sou um ficha limpa e votei pelo Brasil”

Por Jozailto Lima
03 ago 2017, 22h37

Menos de 24 horas depois de dar um tímido “sim” ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel, livrando o presidente Michel Temer de uma investigação pelo STF, o deputado federal Fábio Reis, PMDB, diz a esta coluna Aparte que votou “pelo Brasil”.

“O país já está dando sinais, dia a dia e mês a mês, de que está voltando a crescer, diminuindo o desemprego. As bolsas subindo, o dólar caindo, e tirar o presidente neste momento de nada resolveria. Seria um gesto meramente político. E outra coisa: o meu partido fechou questão”, diz.

Fábio Reis afasta qualquer inferência do governador Jackson Barreto, PMDB, sobre sua opção de voto. “Acredito, pela convivência que tenho com o governador, que, da mesma forma que eu, ele também torce pelo crescimento do nosso país, porque isso implica crescimento automático para Sergipe e para os municípios. Isso vai ser bom para todos”, diz. Veja a entrevista.

Aparte – Como é que o senhor amanheceu depois do “sim” ao relatório que negou a investigação de Michel Temer pelo STF?
Fábio Reis – Amanheci em paz. Não estou falando tanto, até para deixar que as pessoas possam digerir e vejam que a minha posição foi a melhor coisa para o país. Sou um ficha limpa, não respondo a nenhum processo. Zero.

Aparte – O que norteou a sua decisão?
FR – Eu acho que quem vai falar por mim é o tempo. Não creio que adiante falar alguma coisa. Mas tenho a dizer, primeiro, que o que nós estávamos votando ali não era o julgamento de nada e nem de ninguém. Se Temer seria condenado ou não. Era apenas uma permissão para que ele fosse investigado. Ok: esta permissão está dada, sim, mas para a partir do dia 1° de janeiro de 2019. Ali, ele vai ser julgado normalmente, como qualquer cidadão comum. O tempo é senhor da razão. Vou sofrer algumas críticas naturais de petistas e de outros setores, mas deixar estar. Outra coisa: a unanimidade é burra. Eu tive uma posição, e assumo.

Aparte – A sua tese é também a de que retirá-lo agora, por seis meses, seria prejudicial para o país?
FR – Com certeza. E eu votei pelo Brasil. O país já está dando sinais, dia a dia e mês a mês, de que está voltando a crescer, diminuindo o desemprego. As bolsas subindo, o dólar caindo, e tirar o presidente neste momento de nada resolveria. Seria um gesto meramente político. E outra coisa: o meu partido fechou questão.

Aparte – Esta seria a maior justificativas para seu voto?
FR – É apenas uma das. Mas a primeira questão que eu levei em conta foi a do bem-estar do nosso país. O meu partido ter fechado questão vem em segundo lugar.

Aparte – O seu voto sofreu algum tipo de interferência de Jackson Barreto? O governador lhe pediu algo?
FR – De jeito nenhum. Olhe, a última vez que eu conversei com o meu líder JB foi antes da viagem dele de férias.

Aparte – Mas ele lhe repreendeu pelo voto depois?
FR – De jeito nenhum. Disse-me nada. Não falou nem de bem e nem de mal. Aliás, nem falou comigo depois que chegou da viagem. Estou até triste.

Aparte – Mas o senhor acha que ele vai achar ruim ou bom o seu voto?
FR – Não faço ideia. Porém acredito, pela convivência que tenho com o governador, que, da mesma forma que eu, ele também torce pelo crescimento do nosso país, porque isso implica crescimento automático para Sergipe e para os municípios. Isso vai ser bom para todos.

Aparte – O senhor concorda com o deputado Jony Marcos, quando ele diz que Temer abandonou Sergipe?
FR – Eu não vou dizer que abandonou, literalmente. Mas diria, por concordar plenamente, que o Estado precisa de mais atenção do Governo da União. E isso eu botei na reunião da executiva do PMDB: “eu sou o único parlamentar do PMDB de Sergipe e exijo mais atenção ao meu Estado, que é o menor da Federação”.

Aparte – O seu “sim” foi monossilábico, sem justificativa nenhuma. Foi timidez ou estilo?
FR – Eu diria que foram mas duas coisas. Não achei necessário dizer nada, até porque meu voto naquele momento não mudaria o resultado nem para sim e nem para não. No mais, sou muito tímido mesmo. Não sou de muitas palavras. Eu gosto mais é de executar serviços do que estar falando. Eu tenho meu estilo. Não gosto de aparecer.

Aparte – Num aspecto pragmático, o senhor está sonhando com os cargos federais de Sergipe com este voto?
FR – Não vou dizer que esteja a sonhar, mesmo porque eu acho que isso pode vir como uma consequência. De uma forma natural.

Aparte – O senhor não teria votado pensando neles?
FR – De modo algum. Eu pensei foi no nosso país. Meu perfil é este: sou aquele amigo tímido, mas apaixonado por política, do tipo que adora e que tem o sonho de sempre realizar, de trazer benefícios para o meu Estado e, principalmente, para o meu município. Olhe um dado que muito me agrada: sou o deputado federal que mais conseguiu recursos em pouco tempo para o Estado de Sergipe. Isso confirmado, empenhado, liberado e com algumas obras já em execução. Foram R$ 116 milhões e, destes, R$ 46 milhões só para a saúde.

Flávio Fraga: cutucando o governador com a vara curta

“LULISMO DE JB É IRREVERENTE E DE BRAVATA”
O militante político Flávio Fraga, de Boquim, politizou – e é natural que o faça – o voto de Fábio Reis em Michel Temer nesta quarta-feira. Flávio traz Jackson Barreto à roda, pedindo um puxão de orelha para Fábio. “Quando o senador Antônio Carlos Valadares optou pelo apoio à candidatura de Aécio Neves em 2014, seguindo deliberação nacional do seu partido, lembro que JB de pronto o descartou e o chamou de traidor. Lembrando que, na ocasião, Valadares era um aliado de JB, e não um liderado seu. Eis que o pupilo e liderado de JB, Fábio Reis, agora apoia incondicionalmente as peripécias do Governo Temer e o governador não o repreende publicamente ou pune. O lulismo de JB é muito irreverente. Só bravata para pegar carona em Sergipe”, diz Flávio. Será mesmo assim, Fabão?

MACEDO FILHO ESTÁ DANDO ADEUS
O radialista, jornalista e advogado Oscar Macedo Filho “foi embora ontem”. O corpo está sendo velado no OSAF e o sepultamento será hoje. Ele foi um dos fundadores da Rádio Cultura e era tio de Zezinho Sobral, secretário de Estado da Inclusão Social. Pelo grau de amizade unia o jornalista Ivan Valença a ele, o JLPolítica pediu, e foi atendido, para que o decano desse essa triste notícia. Ivan assim escreveu. “Aos 79 anos de idade – sim, ele já tinha tudo isso, embora não aparentasse -, faleceu ontem por volta das 15h no Hospital São Lucas, onde estava internado desde 13 de janeiro último, o nosso querido Oscar Macedo Filho. Convivi com ele os últimos anos e de vez em quando relembrava os tempos em que ele trabalhou em rádio fazendo um programa bombasticamente falador e denunciador, lá por volta dos anos 60. Macedo era assim, de não ficar calado – mesmo agora na Assembleia, onde exercia um cargo de assessor de imprensa já por alguns anos. Passou uns tempos morando em Salvador, também atuando no rádio e voltou para Aracaju com a mesma cachaça. Do alto dos seus 1,90m de altura, parecia um gigante intimidador. Mas, quem o conheceu pessoalmente sabe que era uma flor de pessoa. Capaz de mover montanha para ajudar os amigos. Não merecia o sofrimento de passar quase 8 meses internado num hospital em tratamento médico. Lutou com todas as suas forças para continuar vivendo. Mas, o destino já estava traçado. O amigo Macedo Filho vai embora deixando saudades”.

Ivan Valença: um homem de coração grande


UM NOME NOVO PARA CÂMARA FEDERAL

Valdevan Noventa: anote este nome aí. Este camarada está dando o que falar no Sul de Sergipe e pode pontuar bem nas disputas eleitorais de 2018. O que se diz nos bastidores da política estadual é que ele quer ser deputado federal por Sergipe – e ninguém vai poder acusá-lo, como fizeram com Daniel Tourinho, em 1990, de ser um forasteiro. Valdevan é um sergipano de 53 anos e bastante politizado. Nascido num povoado de Estância, puxou enxada e migrou para São Paulo ainda na adolescência. Por lá, transformou-se num sindicalista forte no setor de transporte, foi vereador de dois mandatos do município de Taboão da Serra, Grande São Paulo, nas eleições de 2004 e 2008, pelo PPS e pelo PV, com 3.072 votos, o quarto mais votado, e com 2.139, terminando o mandato em 2012, já pelo PDT.

Valdevan Noventa: pode ser um nome novo em 2018


UM NOME NOVO PARA CÂMARA FEDERAL II

Mas a experiência de Valdevan Noventa não para por aí: em 2006 e em 2010, ele disputou mandato de deputado federal e teve, respectivamente, 24.644 e 25.256 votos dos paulistas. Ele tem quatro mandatos no Sindicato dos Condutores de São Paulo, que agrega os motoristas e cobradores da capital paulista, uma base de 50 mil trabalhadores. Foi secretário geral, tesoureiro e desde 2013 está na Presidência. Aos poucos, Valdevan faz o caminho de volta para casa, atracando-se em Arauá, onde está fomentando o turismo de evento rural. Aqui, ele tem inferência política, além de na própria Arauá, em Umbaúba, e já chegou enturmado com gente grande, como o deputado federal André Moura e o senador Eduardo Amorim.

SÍLVIA QUER SER PREFEITA DE SOCORRO
Ela não fala disso diretamente com ninguém, ainda. Pelo menos abertamente. Mas o que se diz nos bastidores da política de Sergipe é que a deputada estadual Sílvia Fontes, PDT, está trabalhado com foco duplo: se reeleger agora em 2018 e se guardar para, dois anos depois, tentar se eleger prefeita de Nossa Senhora do Socorro. O marido dela, ex-prefeito Fábio Henrique, já disse oficialmente que seu grupo quer desbancar o atual prefeito Padre Inaldo em 2020. Ele não havia falando em nome. Mas o Padre Inaldo também não está quieto: ele vai tentar, usando a força de Socorro, recuperar, com a sua companheira Maria do Carmo Paiva, a Carminha, secretária de Assistência Social do município, o lugar que ocupou na Alese até o ano passado. E com uma deputada e o mandato de prefeito, não ficará fraco e nem fácil de ser desbancado.

Sílvia Fontes: um olho em 2018 e outro em 2020


GUSTINHO NÃO MUDA O ROTEIRO FEDERAL

O deputado estadual Gustinho Ribeiro, PSD, acredita que o seu projeto de disputar um mandato de deputado federal no ano que vem, é irreversível. Ele está abrindo seus tentáculos sobre uma enorme quantidade de prefeitos e de outras lideranças políticas pelo interior do Estado na construção desse projeto. E não tem como voltar atrás nesse intento e disputar reeleição de deputado estadual, porque costura dele, há meses, é feita visando Brasília. Há que se levar em conta que em 2014, na sua reeleição pelo PSD, Gustinho foi o terceiro parlamentar mais votado de Sergipe, com 34.863 votos. Não foi essas coca-colas todas em Lagarto, sua origem, mas para 2018 ele quer ver isso alterado com a dobradinha que fará com Ibrain Monteiro para a Alese. Ibrain é filho do prefeito Valmir Monteiro. Gustinho nem acha que seja incompatível a eleição de dois federais com origem em Lagarto, como ele e Fábio Reis, PMDB. “Claro que tanto ele quanto eu vamos buscar outros horizontes para além do nosso próprio município”, diz Gustinho.

Gustinho Ribeiro: Câmara Federal é caminho sem volta


CRISTINÁPOLIS,
A CIDADE DO JÁ-FOI

 [*] Ian Souza

Cristinápolis já foi cenário de destaque na política de Sergipe e, há décadas, parou no tempo. Ela já foi chamada de a Chapada dos Índios, ganhou o nome da Imperatriz do Brasil, Dona Tereza Cristina, e vai morrendo aos poucos.

Ian Souza: dedicação à pesquisa sobre a decadência de Cristinápolis

O município de Cristinápolis, que teve grande relevância na política de Sergipe, está abandonado. Com o Fórum Eleitoral arriscado a fechar e um dos dois postos fiscais abandonado e fechado. Cristinápolis é uma fronteira sem segurança e a grande e longa fase que os cristinapolitanos passam é a do desemprego. A cidade não tem nenhuma indústria e os jovens abandonam sua terra por falta de oportunidades.

A cidade de Cristinápolis, terra de índios poderosos, de refúgio de escravos e indígenas, já teve 32 engenhos de cana-de-açúcar e duas cerâmicas. Muitos são os seus filhos, do passado, que marcaram a política local estadual e nacional. Firmino Alves, filho desta terra, fundou Itabuna, uma das principais cidades do Sul da Bahia. Ele chegou, mais tarde, ao Executivo desta que é a terra de Jorge Amado e hoje é nome de uma cidade, também no sul baiano.

Monsenhor Olímpio Campos, filho de Itabaianinha, se ordenou padre antes da idade permitida. Ao completar 24 anos, em 1978, foi ordenado padre da Freguesia de São Francisco de Assis da Chapada. Já em 1880 foi transferido para a Igreja de Santo Antônio do Aracaju, e em 1882 vira deputado provincial, onde ocupou a cadeira por várias vezes.

Depois deputado federal, mais tarde senador, presidente da Província de Sergipe (governador), Olímpio Campos e foi destaque nacional o grupo olimpista, fazendo o irmão Guilherme Campos governador por duas vezes. Olímpio Morreu no cargo

Coronel Otávio de Souza Leite foi líder do governador general Oliveira Valadão, mas antes disso o seu filho, Otávio, Bernardino José de Souza, aos 12 anos foi levado pelo pai para a capital baiana para estudar em uma escola modelo. Bernardino fundou a Faculdade de Direito da Bahia e o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Ele foi o autor do Dicionário Terra da Gente do Brasil, diplomata, professor catedrático de diplomacia e faleceu como ministro do Tribunal de Contas da União.

Benjamin de Carvalho foi deputado estadual e trouxe vários recursos para sua cidade natal. Oséias Cavalcante Batista fora deputado por quatro vezes e ainda prefeito de Itabaianinha. Leonardo Gomes de Carvalho Leite, primeiro advogado da Sergipe, teve propriedades em Cristinápolis, e chegou a ser senador baiano. Seu neto, Leonardo Neto, trabalhou anos no Senado, no Distrito Federal.

Dois filhos do ex-prefeito Epaminondas Reis, trabalharam no TSF. Capitão Dantas fundou a cidade de Cumbe, Bahia. João César de Oliveira Leite, médico e farmacêutico, erradicou a febre amarela, fundou o Tiro de Guerra, a Escola Normal, vários jornais e a Cruz Vermelha. Ele nasceu em Cristinápolis em 1894 e fundou o hospital de Manhuaçu, em Minas Gerais.

O jornalista Homer Monte Alegre, começou escrever aos 14 anos, trabalhou e criou vários jornais no Rio de Janeiro. Francisco Souza Fontes, João Fontes de Faria e o Otávio de Souza Leite foram desembargadores filhos da terra. Frei Paulo também já esteve aqui em 1966, quando veio reconstruir a matriz franciscana. Antônio Conselheiro construiu o Cemitério Católico da cidade em 1895.

O município tantos engenhos de açúcar no passado e de duas cerâmicas, tem hoje 20 mil habitantes sem nenhum outro meio empregatício a não ser a Prefeitura e os sítios de laranja. Enquanto cidades muito pequenas e sem renda tem como empregar, a primeira cidade sergipana cortada pela BR-101 está na berlinda.

[*] Tem 19 anos, é estudante
de História na Faculdade
Estácio de Sá e
pesquisador da área.

ETC @ TAL
@ Desacelerando: o senador Antônio Carlos Valadares, PSB, admitiu a esta coluna que vai tirar o pé do acelerador por uns dias nos embates políticos.

@ Valadares acha que Sergipe está necessitando de um foco maior de observação e estudo dos seu futuro. Ele admite que a Fundação João Mangabeira, do seu partido, vai se debruçar sobre cientificamente sobre esta necessidade.

@ O governador Jackson Barreto entrega pavimentação, quadra e abastecimento de água em Nossa Senhora da Glória. Jackson inicia a agenda com a inauguração do refeitório e da quadra de esportes do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa.

@ Orçada em R$ 571 mil, a obra beneficia 730 alunos, os quais passam a contar com refeitório com capacidade para 430 refeições por dia e quadra coberta.

@As obras de educação, infraestrutura e saneamento sinalizam um investimento de R$ 2,229 milhões. As solenidades começam a partir das 09 horas na rodovia SE-230, entrada do município.
@ Com os votos contrários do presidente Nitinho Vitale e do líder da oposição, Elber Batalha Filho, a Câmara Municipal de Aracaju rejeitou nesta quinta, 3, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica de autoria de Fábio Meireles, PPS, que reduzia o recesso parlamentar dos atuais 92 dias para 53 dias. Para ser aprovado, eram necessários 16 votos. Apenas 15 parlamentares votaram a favor.