Fala aí Valadares: “Meu plano A, B e C é disputar o Senado”

Por Jozailto Lima
21 fev 2017, 23h59

Na reunião que os oposicionistas de Sergipe fizeram na manhã de segunda-feira para definir estratégias da sucessão estadual de 2018, houve uma postura do senador Antônio Carlos Valadares, PSB, muito reveladora do futuro desse grupo, que é a que passa pela opção eleitoral dele no pleito.

Com seus megafones do tuite e do zap em mãos, Valadares tem berrado tanto e com tanta profundidade aos quatro cantos de Sergipe que confunde a muita gente: afinal, quais as pretensões desse político no ano que vem?

No campo das respostas e dos chutes, não são poucos os que dizem que ele quer ser, 32 anos depois, governador do Estado de novo e novamente.

Isso, em tese, deixaria nervosos Belivaldo Chagas, seu antigo afeto elevado a desafeto, e Eduardo Amorim, seu antigo mais ou menos, hoje aliado, e ambos pretendentes a desposar o Governo de Sergipe na sucessão de Jackson Barreto.

Pois na segunda-feira, Valadares teria dito, em alto e bom som, que seu projeto será o de tentar a quarta eleição de senador e coroar sua vida pública com este quantitativo de mandatos nunca e nem jamais obtido por qualquer sergipano.

Esta coluna Aparte, que não esteve na reunião da segunda-feira, quis reforçar isso e procurou o senador Valadares ontem, em Brasília, por telefone. Ele foi direto, na lata: “Meu plano A, B e C é disputar o Senado. Digo isso até para tranquilizar os que estão sonhando com o Governo do Estado”, afirmou Valadares.

Esta afirmação tem um significado forte, diante do fato de que o nome dele, mesmo com toda a visão de coronel que os oponentes querem lhe impingir, hoje reverbera bem tanto para o Governo quanto para o Senado.

“Se um pobretão como eu, sem nada no bolso ou nas mãos, passado dos 70 anos, é tão lembrado pela população, ah, aí tem alguma coisa especial”, diz o senador, em tom gabola. Ele é de 6 de abril de 1943 – fará 74 em menos de dois meses.

Valadares é e sempre foi um político terrível. Incapturável em suas operações. Não é um patrimonialista – está há 52 anos nisso e parece ter as mãos limpas. Mas do terrível: se ele quer ver o Sul, todos devem reparar que os olhos dele estão voltados para o Norte.

Mas quando revela seu plano de Senado e diz que quer “tranquilizar os que estão sonhando com o Governo do Estado”, parece quer olhar reto para o sonho tão acalentado de Eduardo Amorim em ser governador.

Valadares acha que a organização do agrupamento de oposição no qual ele está inserido vai indo bem. Ele soube por Valadares Filho, três dias antes do encontro de segunda-feira, que o suplente de senador sem partido Ricardo Franco iria à reunião.

Não teve outra atitude: pegou o telefone, ligou pra Ricardo, fez cafuné, renovou o convite e lá estava estavam juntos e abraçados três dias depois, na segunda. Pouco mais de duas semanas antes, ele e Ricardo andaram trocando sopapos e pernadas verbais aqui no JLPolítica por causa de opiniões divergentes de ambos.

“Nomes, nós temos demais no grupo para compor as quatro vagas da chapa majoritárias. É só adotarmos a linha da cordialidade, deixar de lado o individualismo”, diz.

Quando Valadares delimita que o “plano A, B e C é disputar o Senado”, pode até parecer uma ação individualista, como também se assemelhar a um abre-alas para uma grande composição.

AUGUSTO FÁBIO ESPERA LIBERAÇÃO

O governo de Edvaldo Nogueira espera que em cerca de 10 dias possa dar posse ao bacharel em Tecnologia da Informação, Augusto Fábio Oliveira, na Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão – Seplog. Este é o prazo que deve ser dado para a liberação dele pelo Ministério da Previdência Social, do qual é servidor de carreira há 35 anos.

AUGUSTO FÁBIO ESPERA LIBERAÇÃO II

Augusto Fábio Oliveira é um profissional experimentado em gestão. Já foi superintendente do INSS em Sergipe, mas já fez trabalhos em São Paulo, Alagoas, Distrito Federal e Rio de Janeiro, além de ter comandado o SergipePrevidência. Apesar de não estar entronizado na Seplog, Fábio já sonda a área e se apropria dos problemas. Mas falar mesmo deles, só depois de empossado.

AIRTON MARTINS E OS PREFEITOS

O prefeito Airton Martins, da Barra dos Coqueiros, é desde o mês passado o presidente da Associação dos Prefeitos do Vale do Cotinguiba, que reúne 24 dos 75 municípios de Sergipe, contemplando aí os da Grande Aracaju. Edvaldo Nogueira, prefeito da capital, é o vice. “A nossa intenção é a de trabalhar para melhorar a interlocução entre os municípios e os Governos do Estado e da União. Sobretudo com a União. Nós precisamos rever o nosso pacto federativo, onde o município hoje é o mais maltratado”, diz Airton.

UM MARTINS DEPUTADO ESTADUAL EM 2018

Airton Martins, PMDB, é prefeito da Barra pela terceira vez – agora, reeleito. Ele admite que em 2018 quer dar um passo maior, tentando eleger o irmão Adailton Martins deputado estadual. Adailton é engenheiro e diretor de Operações do DER. Não é um neófito em política. Já experimentou dois mandatos, um de vereador, tendo sido presidente da Câmara, e outro de vice-prefeito – ambos da própria Barra. É filiado ao PMDB também.

CRESCIMENTO DA BARRA

Airton Martins não está aperreado com o ritmo de crescimento da Barra dos Coqueiros. Para ele, tudo está chegando na hora certa – ali virou uma nova zona de expansão, inclusive com condomínios de luxo, como o Alphaville -, com a cidade tendo um Plano Diretor já em ação e muito da infraestrutura pronta para receber o crescimento, como redes de água, esgoto e energia.

CRESCIMENTO DA BARRA E A PONTE

Mas um fator incomoda Airton, numa dimensão que não cabe propriamente a ele resolver. “É preciso que num futuro próximo o Governo do Estado dê um jeito na cabeceira de acesso da Ponte Construtor João Alves, no Bairro Industrial. Vai chegar um tempo, com a inauguração do novo shopping do Bairro Industrial, que aquele acesso vai ficar insuficiente”, diz Airton.

ARACAJU PARQUE SHOPPING ESTE ANO

Então que esse pleito, Airton Martins, seja logo acelerado junto ao Governo do Estado. O empresário Marcos Franco confirmou ontem a esta coluna Aparte que a intenção da sua família é a de inaugurar o Aracaju Parque Shopping até dezembro deste ano. Ao todo, o terceiro shopping de Aracaju vai ter 211 lojas. “Nós devemos abrir com 136 lojas, depois construiremos mais 50, indo a 186, e até 2022 faremos mais 25, chegando às 211”, diz Marcos.

GERAR 3 MIL EMPREGOS DIRETOS

Marcos Franco diz que no pós-2022, quando o shopping começar a entrar em maturação, com suas lojas âncoras, deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos. Ele também tem a mesma preocupação do prefeito Airton Martins, porque o empreendimento foi pensado contando com a evolução da Barra. “Mas contamos com melhorias maiores no entorno de todo o Bairro Industrial”, diz Marcos. Já está sendo feita uma ciclovia ao fundo.

MEMÓRIAS DOS CONCHAVOS

Em Sergipe, quem quiser que se iluda e se mate por disputas políticas e supostas divergências de grupos – sobretudo na hora eleitoral. Agora mesmo, muita gente estranha as conjecturas que botam a senadora Maria do Carmo, DEM, como futura candidata a vice-governadora numa eventual chapa de Belivaldo Chagas em 2018. Bobagem. O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, lembra um fato curioso envolvendo Maria em duas direções opostas em 2014.

MEMÓRIAS DOS CONCHAVOS II

Bom de memória, Edvaldo recorda que numa segunda-feira, véspera das convenções partidárias, o senador Valadares o chamou às pressas em sua casa da Atalaia, que funciona como um QG das atividades políticas. Ao chega lá, recebeu uma proposta pronta de chapa majoritária: Valadares candidato ao Governo, ele, Edvaldo, a vice, e Maria do Carmo, ao Senado. Tudo havia sido acertado numa conversa entre o senador do PSB e João Alves Filho, que na noite do domingo, um dia antes, lhe visitara com o projeto pronto, lhe levara de presente uma biografia de Vargas e um buquê de flores.

MEMÓRIAS DOS CONCHAVOS III

Edvaldo deu um pinote: disse que tinha lado e que, no lado dele, não havia espaço para uma Maria do DEM. Quando voltou pro quartel general da campanha de Jackson, para sua surpresa JB estava com o nome de Maria do Carmo engatilhado para ser a sua vice. Nogueira estrilou. Ao final, isso não deu certo. Sem viabilizar uma chapa majoritária, Valadares se aproximou de JB e indicou Belivaldo Chagas para vice. E não foram felizes para sempre.

AGRESE QUER ACELERAR VENDA DESO

A Agrese protocolou no dia de ontem, 20, um recurso para tentar derrubar a liminar que suspendeu o edital dela sobre o processo de venda da Deso. Hebert Pereira, autor da ação popular que suspendeu o edital, afirma que está acompanhando atentamente o processo e aguardará ser intimado para se manifestar. “Quero dizer que entrarei em contato com a OAB/SE para ver se a Ordem também ingressará na ação, reforçando a luta pela manutenção da suspensão desse edital”, disse Hebert.

ETC & TAL

@ O vereador Antônio Bittencourt não está contente com o modelo organizacional do PC do B, seu partido e a quem compete presidi-lo no âmbito estadual. Diz que vai fazer profundas transformações para enquadrá-lo na nova ordem política.

@ O deputado Venâncio Fonseca estranha a versão que circulou por aí nos bastidores políticos de que ele seria o líder do Governo Jackson Barreto na Alese – logo ele, que está no espólio dos seis deputados que se configuram oposicionista.

@ “Nunca passou por minha cabeça. Não sei de onde partiu essa ideia. Em nenhum momento ninguém do governo tocou esse assunto com minha pessoa. Estou vivendo tão tranquilo, graças a Deus”, diz Venâncio.

@ O ex-prefeito de Estância, Ivan Leite, diz que a BR-101 vira um perigo em época de trovoadas. “A pista duplicada, que melhorou muito a viagem Aracaju-Estância, quando chove fica com várias armadilhas causadas pelo acúmulo de água”, informa.

@ “Em alguns lugares, cobrindo toda uma das duas pistas e em muitos formando poças junto ao muro central que avançam sobre metade da pista”, complementa. 

@ “O DNIT deve com urgência aproveitar quando estiver chovendo forte e mapear estes lugares. Falta de drenagem, erro de projeto, de execução ou falta de manutenção, limpeza para evitar o acúmulo de água?”, questiona ele.

@ O deputado Jairo de Glória puxou um oportuno debate na sessão da Alese ontem: a tragédia que se abate sobre gado, gente e meio ambiente no sertão sergipano com a seca.

@ Jairo levou vídeos com imagens chocantes de gado morrendo, plantações de palmas se exaurindo e criadores lamentando e entregando o corpo ao chão. Conseguiu aparte de oito deputados.

@ “É uma cena de terra arrasada”, disse o deputado Luciano Pimentel. “É uma enganação dizer que vai ajudar a resolver esse quadro com R$ 7 milhões”, protestou Pimentel.

@ Nas mexidas de poder recentemente, duas das melhores jornalistas de Sergipe foram aproveitadas em duas missões: Rosangela Dória, na Diretoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, e Clécia Carla, na edição da TV Alese.