Família Reis sente o baque, mas não vai romper com JB

Por Jozailto Lima
29 mar 2017, 00h01

Em seu íntimo, a família Reis – de Artur, Jerônimo, Goretti, Fábio e Sérgio Reis – certamente está politicamente triste com o desfecho da renúncia do economista Rosman Pereira – ele é genro de Jerônimo – ao comando da Fundação Hospitalar de Sergipe – FHS – depois de um mês de embates com Almeida Lima e de muitos sangramentos públicos.

Triste, sim. Mas aparentemente contida com o desfecho. Ou se esforçando para tanto. Esse sentimento permeava ontem ao menos o ex-deputado federal Jerônimo Reis e o deputado federal seu filho, Fábio Reis, PMDB. “Romper com o governador Jackson Barreto? Nem pensei nisso. Discordar não quer dizer romper”, disse Fábio.

Rosman fez a renúncia ao meio dia de anteontem. Mas já na noite do mesmo dia, Jackson mandou um carro decretado buscar Jerônimo Reis em Lagarto para ter com ele uma conversa em sua residência e não na de governo. Para baixar tensões.

Jerônimo saiu do encontro com o mesmo sentimento de Fábio Reis: “Eu só quero que alguém me aponte um motivo pra rompimento!”, sugeriu ele.

“O governador nos deu um cargo público com o intuito de nos ajudar e que através do qual pudéssemos também ajudar ao Estado. Mas se descobriu, no percurso, que o cargo, por determinação do Ministério Público Federal, não existia. Pronto: simples assim”, diz Jerônimo.

Segundo Jerônimo, o caso Rosman X FHS teve desfecho ontem, mas foi muito conversado em reuniões e mais reuniões entre ele, Goretti Reis, Fábio Reis, Jackson Barreto e o próprio Almeida Lima.

“É natural que nos Governos os grupos políticos organizados tenham participação na administração do Estado. Mas não houve desentendimento algum e ninguém vai criar este desentendimento entre nós”, diz Jerônimo, de Lagarto.

De Brasília, onde se encontrava ontem, Fábio Reis afirmava algo parecido. “Cargo não é motivo para rompimento. Neste caso, eu apenas expus uma opinião e quero dizer que Jackson é um amigo de longa data. A minha preocupação é com ações para ajudar Sergipe e em todo o meu mandato já mandei mais de R$ 60 milhões para Sergipe”, afirmou ele.

É claro que por traz dos discursos cordiais desta hora subjaz dores e queixas não reveladas. Na conversa de JB com Jerônimo não ficou nada acertado, mas o governador deixou claro que vai ver uma forma de reparar a perda do espaço gerado pela renúncia de Rosman.

“Naturalmente, o grupo precisa de espaços assim. Mas eu sei ser governo e sei ser oposição. Não vou deixar de existir, não vou morrer, não vou sair de cena e nem vou deixar de eleger os meus deputados”, diz Jerônimo Reis.

 

ALGUMA COISA SE QUEBROU COM OS REIS
Há alguma coisa mais profunda não dita pelas falas de Jerônimos Reis e Fábio Reis – nem mesmo pelas queixas de Goretti Reis ontem nos rádios – sobre essa relação entre os membros desta família política e o governador Jackson Barreto. Nenhum deles fala nada diretamente. Nem em off. A cena Rosman é verdadeira, se arrasta desde dezembro do ano passado, mas tem coisas mais graves entre os membros da família de considerável força política no Estado e o grande e articulador JB. No entorno deles, há uma queixa de que JB os favorece política e administrativamente muito menos do que o fazia Marcelo Déda. Até no caso da FHS há detalhes que fogem ao que está exposto e que deporiam injustamente em desfavor dos Reis.

ALGUMA COISA SE QUEBROU COM OS REIS II
Administrativamente, há queixas de que os Reis “têm menos” espaços até mesmo do que um Laércio Oliveira, que acabou de chegar ao grupo de JB e já senta de pernas cruzadas na janela – ou mesmo os Mitidieri, que contam identicamente com um deputado estadual e um federal. Politicamente, há lamentos contra a ação de JB em favor da pessoa política de Fábio Reis. O sentimento é o de que não basta o voto pessoal de JB para o deputado. Por tudo isso, não será novidade se, de agora em diante, vez por outra Fábio Reis for visto de braços dados na floresta com parlamentares que pelo Governo são vistos como da trupe do lobo mau.

ZEZINHO: BELIVALDO É BOLA DA VEZ
O secretário de Estado da Inclusão Social, Zezinho Sobral, PMDB, disse ontem a esta coluna que encara hoje o vice-governador Belivaldo Chagas como um “pré-candidato natural à sucessão do Governo de Sergipe” e como a bola política da vez. “Para mim, a lógica é a seguinte: todos os partidos da base aliada e todos os prefeitos de Sergipe ligados ao nosso grupo estão exigindo, há até um clamor, que o governador Jackson Barreto deixe o Governo em março do ano que vem nas mãos de Belivaldo e que dispute o Senado. Neste caso, ele vira um natural candidato ao Governo”, diz Zezinho. Para Zezinho, o pacto que JB teria feito em 2014, de não disputar mais eleição alguma, vai ser quebrado não por ele, mas por uma convocação da classe política.

OS ESPAÇOS DOS MITIDIERI
Pré-candidata assumida a uma vaga na Assembleia Legislativa, a empresária Maisa Mitidieri acha que a família dela – o pai Luiz, deputado estadual, e o irmão Fábio, federal – saiu bem das eleições do ano passado. “Mesmo que tenhamos perdido algumas eleições de prefeitos, nós fizemos bons aliados hoje nas oposições municipais, e isso é importante em nosso projeto futuro”, diz Maisa. Tendo o pai e o irmão como inspiração, ela diz que se sente tranquila com o modo de ser de Fábio Mitidieri e de cobrar resultados nas parcerias políticas como tem feito com JB. “É da natureza dele. Fábio gosta de ver as coisas andarem. Meu pai é mais calmo e ele mais decidido, mas os dois se complementam”, diz. Para Maisa, Fábio está falando a verdade quando diz que estará ao lado de JB como candidato a senador, mas que se ele não for, topa disputar a vaga. “O mundo dá voltas e a gente tem de ter cuidado com as palavras nunca e sempre”, diz ela, a propósito de JB ter fixado o fim de suas disputas eleitorais em 2014. Mas Maísa não vê anormalidade em JB voltar atrás e assumir uma disputa pelo Senado.

EDVALDO NOGUEIRA E A OPOSIÇÃO
O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PC do B, está mordendo fácil a isca dos opositores e gastando muita energia em respostas às críticas. Edvaldo acredita que “os derrotados na última eleição ainda não assimilaram o resultado das urnas”. E manda recados: “Gostaria de lembrar que só estou na Prefeitura há 90 dias. Ainda tenho três anos e nove meses de mandato. O que há na oposição é muito mimimi e dor de cotovelo. Eles perderam a eleição, mas parece que perderam a cabeça. Não importa o chororô da oposição. Esta voracidade e sanha de atacar da parte deles é porque querem destruir a cidade. Estão pensando nos seus interesses políticos. O meu compromisso é governar Aracaju nestes quatro anos e cumprir todos os meus compromissos, diferentemente dos meus adversários que só estão pensando em 2018. Eu estou pensando no povo de Aracaju”, disse. O que resta a saber é se  Edvaldo estivesse  na oposição se não adotaria postura idêntica.

QUEM VAI QUERER O PRB?
Heleno Silva, ex-prefeito de Canindé, PRB, diz não procederem as informações de que seu grupo já teria fechado com Eduardo Amorim para uma das quatro vagas da chapa majoritária do PSDB – Senado ou vice. “O jogo está meio aberto. Não estamos conversando com ele, mas o nosso grupo não tem aresta com ninguém. O que está decidido pela Executiva Nacional do nosso partido é que buscaremos espaço numa chapa majoritária, preferencialmente o Senado ou a vice”, diz. Ligado a Jackson Barreto, inclusive com o cargo de coordenador do Escritório Executivo de Sergipe em Brasília, Heleno não esconde de ninguém o seu dom de ubiquidade. “Se a gente não tiver espaço numa chapa, vai conversar com a outra”, avisa. “A oposição sabe que precisa desfalcar o lado de cá”, diz, quase em tom de oferenda.

ETC &TAL
@ Gilberto dos Santos, ex-presidente do Cirurgia, vai passar nesta quinta uma boa notícia para o sucessor Milton Santana: o Hospital tem uma dívida de R$ 34 milhões, mas um crédito a receber de R$ 48 milhões. O problema é receber!

@ O relatório vai detalhar todos os aspectos financeiros da mais antiga instituição de saúde do Estado. Vai dizer, por exemplo, que havia uma dívida de R$ 20 milhões com a Energisa e que hoje é de apenas R$ 6 milhões.

@ José Carlos Machado diz que não tem nada certo sobre sua ida para o PTB. Este é um dos 10 partidos com os quais ele tem interlocução na busca por um espaço de filiação.

@ Ricardo Franco também nega que esteja indo para este mesmo partido.

@ Depois de amanhã, dia 31, será realizado em Canindé de São Francisco seminário para debater a lei 13.340/2016, a da liquidação e renegociação de dívidas rurais.

@ É uma iniciativa do mandato do deputado federal João Daniel, PT, com apoio da Prefeitura de Canindé. O objetivo é esclarecer os pequenos agricultores sobre a regulamentação dessa lei. Começa às 9h30, na Rodovia SE 206 – Complexo Agropecuário Orlando Gomes de Andrade.

@ Aqui e em Brasília corre o boato de que o grupo de oposição já teria batido o martelo envolvendo os Valadares na futura chapa majoritária: só terá vaga ali para apenas um deles. Nada de candidatura de Antônio Carlos Valadares ao Senado e de Valadares Filho a vice.

@ Se Valadares Filho for escolhido para disputar este posto, por estar sendo considerado o melhor nome para vice-governador, ao pai só caberia a disputa de deputado federal. Será que Vavazão toparia?

@ Afinal, o que quer disputar ano que vem o senador Valadares? Heleno Silva tem um palpite: “Eu acho que ele está querendo ser escalado. Ou no ataque ou no meio campo”.

@ Isto é que é convicção: candidato único a comodoro (presidente) do Iate Clube de Aracaju, em eleição que vai acontecer na próxima terça, dia 4, das 12:00 às 21:30, Eugênio Sobral já convida os amigos para a festa nesta sexta.

@ “Alô amigo Iateano. Fui eleito comodoro por amor ao Iate. Esse sentimento me inspirou a atrair você para integrar a família iateana e agora quero expressar o meu contentamento: na próxima sexta-feira (31.3.17) a partir das 19h), numa noite especialmente preparada para lhe acolher com uma programação musical na Varanda do Iate/Bar do Bel”, diz um comunicado dele.