Interdição na Emsurb revela sujeira do lixo

Por Jozailto Lima
10 abr 2017, 23h24

Não poderia haver piores presentes para o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, do que receber nas vésperas dos seus 100 dias de Governo o afastamento do diretor-presidente da Emsurb, Mendonça Prado, dos demais dirigentes desta empresa e a prisão do presidente do Torre, José Antônio Torres Neto. Tudo isso no domingo.

Para a oposição a Edvaldo no Legislativo Municipal, tudo isso é um pacote de misericórdia em favor das teses que esta mesma oposição levantou nos 100 dias de Governo do comunista: para o vereador Elber Batalha, a interdição do diretor-presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanas revela a sujeira nas transações do lixo.

“O afastamento de toda a Diretoria da Emurb confirma que foram demonstrados à justiça fortes indícios de irregularidades nas licitações feitas em março desse ano. O que precisamos é passar esses contratos a limpo e trazer todos os pontos obscuros às claras”, diz o vereador. Confira entrevista dele ao JLPolítica.

JLPolítica – O afastamento de Mendonça Prado da Emsurb pela Justiça traz que certificação de pressupostos jurídicos na problemática entre a Prefeitura Municipal de Aracaju e a Torre?
Elber Batalha – O afastamento de toda a Diretoria da Emurb confirma que foram demonstrados à justiça fortes indícios de irregularidades nas licitações feitas em março desse ano. A maior prova disso é que no primeiro momento o afastamento do diretor-presidente foi negado, mas após a busca e apreensão de documentos não somente o afastamento dele foi determinado, como também de toda a Diretoria.

JLPolítica – Há indicativos de que o negócio do lixo entre a Prefeitura Municipal de Aracaju e a Torre é lesivo aos interesses financeiros do Município?
EB – Todos os contratos relativos à limpeza e coleta de lixo em Aracaju sempre foram permeados por suspeitas e por denúncias de corrupção. Até mesmo a única licitação feita até hoje tornou-se foco de uma operação policial. O que precisamos é passar esses contratos a limpo e trazer todos os pontos obscuros às claras.

JLPolítica – Esta decisão judicial endossa a sua ideia de pedir uma CPI do Lixo?
EB – Quando apresentamos o requerimento da CPI sabíamos dos fortes indícios de irregularidades que existiam. O prefeito Edvaldo Nogueira trabalhou para barrar a CPI com uma votação ilegal. Agora conseguimos fazer na justiça com que a Constituição seja cumprida e a CPI seja instalada.

JLPolítica – Tudo isso estaria sendo feito à revelia de Edvaldo Nogueira, ou ele é o definidor desta relação entre PMA e Torre?
EB – Não vou ser leviano e pré-julgar ninguém. Mas não acredito que aditivos contratuais desses valores tenham sido feitos sem a anuência de Edvaldo. Esse e outros pontos é que precisam ser esclarecidos nessa CPI.

JLPolítica – O senhor vê nesta relação indícios de “paga de favores de campanha” da candidatura de Edvaldo Nogueira no ano passado?
EB – Sei do derrame de dinheiro que houve na periferia de Aracaju nos últimos dias que antecederam as eleições do segundo turno. Mas o que nos interessa agora é saber se o dinheiro público dos contratos do lixo de Aracaju foram aplicados de forma correta. Outras irregularidades podem ser descobertas por via de consequência.

JLPolítica – Rolou nos bastidores do Legislativo o boato de que vereadores governistas foram a Salvador logo após “a morte da CPI do Lixo” pegar grana na sede da Torre. O senhor crê ou descrê nisso?
EB – Como você mesmo afirma, são boatos dos quais eu não tenho provas. Mas não tenho dúvidas de que Edvaldo Nogueira não quer apuração nesse caso, e trabalhou para arquivar a CPI.

JLPolítica – A decisão da Justiça, mandando instalar a CPI, tem mesmo validade? O Judiciário pode decidir isso na esfera do Legislativo?
EB – Sim, tem validade, porque a própria Câmara, ao votar pelo arquivamento da CPI, descumpriu a Constituição Federal, que afirma que, cumpridos os requisitos de prazo, fato determinado e assinatura de um terço dos membros, a CPI tem que ser instalada. Resta a Câmara somente instalar a CPI e iniciarmos os trabalhos.

SÍLVIA QUER NOVO MANDATO
A deputada estadual Sílvia Fontes, PDT, a mais votada em 2014 – 42.613 votos -, entra no terceiro ano de mandato avisando a quem por acaso tenha dúvidas: vai disputar ano que vem a reeleição. “Acho que os mais de 42 mil votos e o trabalho que venho desenvolvendo na Assembleia me credenciam e me legitimam nessa candidatura. Tenho trabalhado muito, feito muitas indicações, e atuo para que essas indicações de fato se concretizem – algumas delas inclusive já o foram. Aqui tenho tentado, de todas as formas, ajudar a melhorar a qualidade de vida do povo sergipano. Tenho buscado levar desenvolvimento para o Estado. Enfim, o que nos coube fazer durante estes dois anos e alguns meses, fizemos. Obviamente que o Legislativo tem suas limitações – nós não somos executivos, mas creio que o que fazemos aqui é pensando na melhoria da sociedade”, diz a parlamentar.

Sílvia Fontes: sinalizando futuro

ROBERTO PORTO INDEFERE DILIGÊNCIAS
O desembargador Roberto Porto indeferiu – não aceitou – os pedidos de diligências em favor dos deputados Augusto Bezerra, Paulinho da Varzinhas e de mais oito réus no processo das subvenções que tramita no Judiciário – os demais para quem foi dada a negação são Alessandra Maria de Deus, Ana Cristina Varela Linhares, Clarisse Jovelina de Jesus, Edelvan Alves de Oliveira, Eliza Maria Menezes, José Agenilson de Carvalho Oliveira, Nollet Feitosa Vieira e Wellington Luiz Goes Silva. “Considerando o indeferimento de todos os requerimentos de diligências formulados pelos réus, à exceção das juntadas de documentos, já realizadas, determino a intimação pessoal do procurador-Geral de Justiça, pela via eletrônica, para, nos termos do artigo 11, da Lei nº 8.038/90, c/c artigo 1º, da Lei nº 8.658/93, apresentar as suas alegações finais, através de memoriais escritos, no prazo de 15 dias. Após a juntada das alegações finais do parquet, intimem-se as defesas, por ato ordinatório, para apresentarem, no prazo comum de 15 dias, as suas alegações finais através de memoriais escritos”, escreveu Roberto Porto.

UM ENCONTRO DE DOIS BRUXOS
O ex-ministro do STF, Carlos Ayres Britto, estava de boa no último sábado em sua casa, em Brasília, quando recebeu um telefonema da produção do show que o cantor Djavan faria ali naquela noite. Do outro lado da linha, a voz lhe perguntava se ele gostaria de ir ao evento do grande compositor para assistir ao show como um convidado especial dele. Cordial, educado e afeito às coisas da cultura do jeito que é – afinal, Carlinhos é um grande poeta, autor de bons livros publicados -, o ex-presidente do STF disse ok de imediato. Logo após, chegaram três ingressos em sua residência. E lá se foi ele ao espetáculo com parte dos seus. Para surpresa de Carlinhos, lá pelos 30 minutos de show, Djavan para de cantar, lhe joga um facho de luz, anuncia que ele está ali e diz coisas fantásticas sobre a pessoa, a vida e a carreira de ministro de Carlos Ayres Britto. Djavan exalta, por exemplo, a forma ética e independe como ele votou no STF nos 11 anos em que lá esteve. “Rapaz, admito: foi uma emoção sem igual. Eu nunca esperava por aquilo”, disse Carlinhos. Para completar a sarabanda, ele foi levado ao camarim no final do show e tratado como um paxá.

Ayres Britto: na ribalta

OU O SENADO OU A MORTE
“Se você tirar o time de campo, eu lhe mato”. Por trás desta frase aparentemente áspera, não há ameaça nenhuma. É apenas o jeito “afetivo e brincalhão” de um dos maiores empresários de Sergipe – ele deve estar entre os 10 tops do Estado – segredar no ouvido do governador Jackson Barreto a sua intenção de lhe ver candidato ao Senado em 2018. A frase foi ouvida pelo autor desta coluna e depois tirada a limpo em sua significação juntamente ao autor dela. É por isso que muitos dos assessores de Jackson e políticos do seu bloco dizem que ele não terá a menor dificuldade de se desvencilhar da promessa de que não se candidataria mais e de cair em campo em 2018.

Jackson Barreto: convites ao Senado

MENOS EGO NA GUERRA…
O deputado Georgeo Passos, PTC, está atento às possibilidades de o Canal de Xingó vir a beneficiar o seu município base, que é Ribeirópolis – ele obteve 42,66% dos votos dali em 2014. “Espero que esta primeira fase seja logo superada. Do mesmo jeito que aconteceu em Alagoas, que aconteça aqui também. E, lógico, com Ribeirópolis sendo beneficiada”, diz. Para Georgeo, é preciso banir a luta de egos, de paternidades, e unificar a classe política de Sergipe, antes que a obra escape em definitivo.

Georgeo Passos: unidade sergipana (Foto Portal Infonet )

… EM FAVOR DO CANAL DE XINGÓ
“É uma luta, e precisamos, juntos, tentar fazer com que essa obra saia. Mas vai demorar muito. Ainda está no anteprojeto. Lógico que é algo que pode trazer a redenção de todo o sertão e de uma parte do Agreste. Com certeza, é um tema que a gente tem que explorar mais. Tivemos audiência pública semana passada sobre a importância dessa obra. O que nós precisamos é que a briga política não atrapalhe o desenvolvimento de nosso Estado. Às vezes a gente percebe este cabo de guerra – e aí quem é prejudicada é toda a população. Que essa primeira licitação saia o quanto antes. Salvo engano, é a Codevasf que vai realizar. Que a gente possa em breve concretizar esse sonho. Mas não creio que neste governo de Michel Temer tenhamos grandes avanços nesta matéria”, afirma Georgeo.

LUIZ MITIDIERI QUER PASSAR A BOLA
Já é quase de domínio público que o deputado estadual Luiz Mitidieri, PSD, não disputará eleição ano que vem, o que lhe renderia, se eleito, o sétimo mandato. Em vez dele, a família decidiu que a empreitada caberá à filha Maisa Mitidieri, que inclusive já cumpre tarefas na esfera política do pai e já tem envolvimento orgânico e oficial com PSD – ela preside a ala feminina do partido no Estado. “Já estou trabalhando o nome dela junto as lideranças e, se Deus me permitir, ela será candidata e será eleita”, diz Luiz Mitidieri.

Luiz Mitidieri: repassado régua e compasso

“MAÍSA GOSTA DE POLÍTICA”
Luiz Mitidieri, de 63 anos, diz que a filha “está mais jovem” – ela tem 38 – e que entra nesta peleja por vontade própria e não por imposição ou desejo pessoal dele. “Ela gosta de política. Ela me acompanha desde há muito. Está visitando os municípios e conhecendo os problemas sociais e políticos. Vivenciando as dificuldades dos municípios. Acho que tem tudo para dar certo. Maísa tem carisma, gosta de recepcionar, de receber as pessoas. Se dependesse de mim, todos nós teríamos saído da política. Mas ela e Fábio gostam, querem ir em frente. Diferentemente de Júnior, que se dedica exclusivamente aos negócios e à vida privada. Graças a Deus, tem uma coisa que nós conseguimos, que foi a credibilidade – e isso vale para eles”, diz Luiz.

VALADARES FILHO X EDVALDO NOGUEIRA
A propósito do vídeo do JLPolítica, que circula neste portal e nas mídias sociais, confrontando as cobranças de Valadares Filho com as afirmações dos 100 dias de Edvaldo Nogueira, e solicitando que o leitor participe, o bacharel em comunicação social Édson Júnior e o economista Dilson Menezes mandaram as seguintes opiniões, que Aparte publica a seguir (a de Dilson vai sob o título de “Valadares Filho X Edvaldo Nogueira II). “Tanto Valadares Filho quanto Edvaldo Nogueira têm razão quanto ao papel de cada um. Edvaldo ganhou para governar e cumprir o que prometeu. Valadares Filho foi derrotado e cobra o que Edvaldo disse que faria. Até aqui, tudo certo. Não é razoável Valadares Filho cobrar de Edvaldo a execução do que prometeu em campanha em apenas 100 dias de gestão. Principalmente da forma como Edvaldo recebeu a cidade.  O prefeito, todos sabemos, ainda tem 1.360 dias de mandato, então é prematuro Valadares Filho sentenciar que ele cometeu um “estelionato” eleitoral. É sofismar, dar-se como concluído o mandato de Edvaldo com 100 dias. Tem muito tempo de gestão ainda. Por outro lado, Edvaldo ainda não pode mostrar uma revolução em Aracaju, até porque o enorme passivo deixado pelo ex-prefeito João Alves Filho o impede de corrigir, em apenas 100 dias, o estrago encontrado nas contas e nos serviços públicos. Há problemas ainda carentes de solução, como a greve dos médicos, a questão do lixo e a mobilidade urbana. A gestão passa por um momento de turbulência. É preciso serenar. Não adianta Valadares Filho satanizar Edvaldo, nem Edvaldo se autopromover. O povo, que vive, que sente a cidade, tem suas próprias avaliações quando algo vai bem ou mal. Com apenas 100 dias de gestão, não se pode dar como terminado o mandato de Edvaldo, mas ele também não pode contar maravilhas ainda. O trabalho está apenas no início”.

VALADARES FILHO X EDVALDO NOGUEIRA II
“Em minha opinião, a crítica do deputado Valadares Filho é mais dor de cotovelo por não ter ganho a eleição para prefeito do que outra coisa. Quanto a Edvaldo, mesmo com 100 dias de administração ainda é pouco para julgá-lo mais criteriosamente, pois sabemos que ele sempre foi marcha lenta. A única notícia de bom feitio seria a regularização do pagamento dos salários dos servidores. O resto é rotina natural de qualquer Prefeitura. Tapar buraco e recolher lixo, é uma obrigação diária. Do contrário, a cidade viraria o caos. Isso não apode ser apresentado como um feito novo. Quanto à dívida de mais de R$ 500 milhões, ele precisaria deixar claro se se trata de uma dívida de curto prazo (o que imobilizaria a Prefeitura) ou de longo prazo. De longo prazo, se administra, para tanto sendo necessário avaliar a capacidade de pagamento do município em função de sua arrecadação e suas despesas. Os números jogados assim para a população impressionam politicamente, deixando transparecer que o prefeito anterior somente deixou dívidas, o que parece não ser verdade em função do que ele disse que já realizou em 100 dias”.

ETC&TAL
@ Os petistas de Sergipe já sabem o resultado do primeiro round das eleições pra o mando do partido. Para Executiva de Aracaju, foi eleito Jefferson Lima.

@ Jefferson obteve 70% dos votos e os demais 30% couberam ao candidato Thiago Oliveira.

@ Jefferson representa uma coalizão de altos nomes do partido no Estado: Márcio Macedo, Rogério Carvalho, João Daniel, Eliane Aquino e Francisco Gualberto.

@ Thiago Oliveira representa a ala da deputada Ana Lúcia Menezes, do vereador Iran Barbosa e de Magal da Pastoral.

@ A partilha dos postos na Executiva de Aracaju vai seguir esta proporção. São 13 nomes, e o grupo de Ana Lúcia deve ficar com uns quatro – 30% do seu peso eleitoral e mais Iran, que tem lugar cativo como líder do partido na Câmara.

@ O grupo de Ana Lúcia saiu de 15% para 30% no bolo do PT de Aracaju. A estimativa de Thiago Oliveira é de que essa proporção se aplique ao resto do Estado.

@ Rogério Carvalho, presidente estadual do PT, anda segredando por aí que pode ser candidato ao Governo de Sergipe ano que vem

@ Tem lógica: se JB viabilizar a candidatura do PMDB, com Belivaldo ou seja lá com quem mais, não vai poder fazer coligação com o PT.

@ Decência: Elber Batalha disse a esta coluna que não iria tratar Mendonça Prado com gestos brucutus pela interdição sofrida ontem. Segundo Elber, não o trataria com a mesma moeda com que ele lhe tratou.

@ O senador Eduardo Amorim participou do I Fórum de Convívio Sustentável do Semiárido, ontem em Carira. O evento teve o objetivo de fortalecer a agricultura do município e região e de discutir alternativas de cultura para driblar a crise do milho com as palestras “Soluções para a convivência no semiárido” e “Captação de Recursos para a Agricultura”.

@ Foram discutidas estratégias para melhorar a produção agrícola do sertanejo e promover uma melhor qualidade de vida na zona rural.

@ “Não podemos esperar só pelo milho. Temos que pensar em outras culturas. Já pensamos na soja, mas as instituições precisam estar atentas para ajudar. Pequenas propriedades poderão gerar empregos, basta termos ajuda do Governo Federal e Estadual”, disse o prefeito Negão.

@ Para o senador, o momento é importante para ver alternativas para os agricultores e ainda lembrou a conquista da renegociação das dívidas da cultura de milho afetada pela seca.

@ “Em Sergipe, a área de produção de milho supera 250 mil hectares. Em 2016, a produção do grão registrou perda de 80 a 90% da área plantada e um prejuízo de R$ 500 milhões por causa da falta de chuvas”, disse.

@ “Após audiências no Ministério da Agricultura e da Fazenda, conseguimos que o Banco Central autorizasse a renegociação das dívidas dos produtores de milho afetados pela seca”, completou Eduardo.