SONHO ALTO

Iokanaan tem Univasf como uma redenção para Propriá

Por Jozailto Lima
26 maio 2017, 21h00

O prefeito de Propriá, Iokanaan Santana, PSB, mirou um horizonte largo mesmo antes da posse em janeiro e prefixou um projeto de pegada forte: trazer para a cidade a Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf -, uma instituição nascida em 2002 e que hoje tem enormes serviços prestados em Pernambuco, na Bahia e no Piauí.

“Eu quero transformar esta bandeira da Univasf em o carro-chefe da minha gestão. Pra mim, educação está acima de tudo. Eu tenho que abraçar esta causa de forma justa, humana e gritante para que esta universidade venha, e virá. Eu me dou à esperança de não ter dúvida disso”, diz o prefeito.

Iokanaan Santana já foi a Brasília ter uma conversa com Mendonça Filho, o ministro da Educação, e voltou animado. “Ele manifestou um interesse quase que paternal de analisar o nosso pedido. De modo que eu saí de lá com a esperança do mundo todo, sonhando que esta universidade virá para Propriá”, diz o prefeito.

Para Iokanaan, a Univasf conta muito enquanto perspectiva. “E não é salvação só de Propriá. É para mais de 27 cidades vizinhas, do Baixo São Francisco ao sertão de Alagoas, numa população demais de 250 mil pessoas de ambos os lados, que aderem a este projeto e torcem para que ele vire realidade”, diz Iokanaan. Veja a entrevista concedida por ele a Aparte sobre este tema.

Aparte – Em que pé está o seu sonho de levar a Univasf para Propriá?
Iokanaan Santana – Anote aí: eu vou trazer a Univasf para Propriá, custe o que custar. Hoje eu diria que a verdade é que nós estamos namorando ainda. Mas eu já dei o primeiro passo. De dezembro até hoje, não fiz outra cosia: estou sempre lutando. Pedindo, pedindo e pedindo.

Aparte – O senhor tem apoios nesta “pedição”?
IS – Ah, sim. O senador Valadares e os deputados Valadares Filho e Luciano Pimentel são parceiros muito bons nesse projeto. O Luciano, por exemplo, me prestou uma assessoria muito grande. Me deu meios de me conduzir em Brasília em relação a este pleito de uma forma política e técnica, sempre atendendo a uma expectativa da cidade de Propriá.

Aparte – Qual a real significação deste projeto para Propriá? 
IS – Veja bem, aqui em Propriá não tem mais para onde crescer, nem econômica e nem fisicamente. A nossa extensão territorial é pequena, e temos que investir em aspectos de cultura e educação – e é por aí que vejo a presença da Univasf como muito importante.

Aparte – A universidade teria um local para se instalar?
IS – Eu, inclusive, já ofereci em doação o Caic a fim de que Univasf tenha onde se ancorar, e tem cinco galpões da Codise na cidade, que eu vou pedir para fiquem com a Prefeitura para que a universidade venha, de fato, para Propriá. Falamos com o ministro e estamos Mendonça Filho na expectativa dos resultados. Veja: se conseguirmos esse pleito, creio que será importante não só para Propriá e para Sergipe, como para todo o Nordeste.

Aparte – A presença da Univasf especificamente em Propriá pode ajudar no desenvolvimento da cidade?
IS –  Ajudará, e muito. Creio que a retomada do desenvolvimento para Propriá parte desta universidade. Eu quero transformar esta bandeira da Univasf em o carro-chefe da minha gestão. Pra mim, educação está acima de tudo. Confesso aqui, inclusive, um planejamento: Propriá possivelmente vai ser pioneira em Sergipe na adoção de uma educação integral. Se não for a primeira, será uma das. Hoje, inclusive, já fiz uma inauguração neste sentido.

Aparte – Como foi que o ministro Mendonça Filho recebeu o seu pleito?
IS – Ele me fez uma explanação da situação em que está vivendo a nação, mas manifestou um interesse quase que paternal de analisar o nosso pedido. De modo que eu saí de lá com a esperança do mundo todo, sonhando que esta universidade virá para Propriá. Quero crer que, pelo lado humano, administrativo e educacional, o ministro haverá de aderir a este pedido de modo a que possamos trazer a universidade para os que não têm condição de pagar pela educação. É muito fácil eu pegar um filho meu e de quem mais poder, e botar para estudar no Amadeus e para fazer cursinho. Mas olhemos o social: e o filho do engraxate, do trabalhador de roça, que não tem como estudar? Nosso esforço pela educação integral e pela vinda da Univasf vai contribuir para reparar isso. Eu quero educação para que o negro, o branco, o de cor cinza, o pobre e o rico tenham todos igualdade. Porque, sem sombra de dívida, só a educação nos salvará – e, insisto, não só a Propriá, como o mundo inteiro. Eu tenho que abraçar esta causa de forma justa, humana e gritante para que esta universidade venha, e virá. Eu me dou à esperança de não ter dúvida disso.

Aparte – Em duas linhas: qual foi o fundamento do seu projeto ao Ministério da Educação para pedir a universidade?
IS – Eu aleguei que a cidade de Propriá foi a segunda na economia de Sergipe, mas que hoje não temos mais recursos. A rizicultura estagnou, temos um rio magro, com fluxo de 600 metros cúbicos de água por segundo, as margens improdutivas, não temos peixe, e disse que a transformação dela num polo educacional pode ser a nossa salvação. Eu provei por A mais B que o caminho é esse. E não é a salvação só de Propriá. É a de mais de 27 cidades vizinhas, do Baixo São Francisco ao sertão de Alagoas, numa população demais de 250 mil pessoas de ambos os lados, que aderem a este projeto e torcem para que ele vire realidade. Se nós trouxermos esta Universidade para Propriá, significa que teremos mais médicos, dentistas, físicos, bioquímicos e todo um potencial nas licenciaturas, tão necessárias para o desenvolvimento humano. Juntando os interesse de Sergipe com os de Alagoas, este é um projeto que serve à integração nacional.

MP DA PREVIDÊNCIA CORRE PERIGO
O prefeito de Canindé de São Francisco, Ednaldo Vieira, não esconde o temor de que o pré-acordo feito entre a União e os municípios para parcelar em até 120 meses as dívidas das Prefeituras com a Previdência possa se perder no rastro das tensões que abalam o Governo Temer. “Eu vejo com muita clareza que se não aprovarem esta Medida Provisória será muito ruim para todos os prefeitos. As dificuldades vão ser muito grandes e tudo isso é lamentável”, diz o prefeito. “Eu temo que este momento possa botar a perder tudo que se conquistou na XX Marcha dos Prefeitos. O Brasil só está voltado para esta tensões”, diz Ednaldo. O prefeito esboça outra preocupação: a de que com uma eventual queda de Temer “muita coisa apalavrada de Canindé torne-se impossível”, porque para avançar necessitam do empenho “que André Moura está tendo”.

FORRÓ-CAJU, PATRIMÔNIO CULTURAL E IMATERIAL
Tem bastante pertinência a proposta do vereador Iran Barbosa, PT, de transformar o Forró-Caju em Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da Cidade de Aracaju. Iran apresentou Projeto de Lei com esta finalidade. Criado na gestão de Jackson Barreto prefeito da capital em 1993, o Forró-Caju incorporou-se de fato à alma dos sergipanos.
“Bens culturais de natureza imaterial dizem respeito às práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas e nos lugares, tais como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas”, determina o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. “É nessa condição, de patrimônio cultural de natureza imaterial dos aracajuanos, que se situa o Forró-Caju, um dos maiores eventos do calendário junino do Nordeste do Brasil, organizado pela administração Municipal de Aracaju e realizado desde 1993. O Forró-Caju é uma festa que orgulha os aracajuanos e por isso espero a aprovação dos meus pares a este importante projeto”, disse Iran Barbosa.

Iran Barbosa: Forró-Caju em Patrimônio Cultural

DESENVOLVIMENTO DE ITABAIANA E A 235
Em debate na Câmara Municipal de Itabaiana na quinta-feira, o ex-deputado federal José Carlos Machado fez uma leitura interessante de um ponto que foi fundamental para desenvolver a cidade tal qual ela é hoje. Segundo Machado, o desenvolvimento de Itabaiana passa, literalmente, pela BR-235.

DESENVOLVIMENTO DE ITABAIANA E A 235
E por isso, pondera Machado, atualmente, duas etapas referentes a ela são essenciais: a conclusão da pavimentação, no trecho de Carira/SE a Juazeiro/BA, e a duplicação entre Itabaiana a Aracaju. “Com a conclusão da pavimentação até a Bahia, haverá um aumento considerável de fluxo e, nas atuais condições, a rodovia entre Itabaiana e a capital ficará insuportável”, ponderou Machado.

José Carlos Machado; uma BR a ser duplicada

DESENVOLVIMENTO DE ITABAIANA E A 235
Aliás, vale lembrar que diversos políticos já defenderam a duplicação desse trecho – de Aracaju a Itabaiana -, mas até hoje não há sequer um projeto para essa obra. O debate itabaianense ocorreu durante sessão especial na Câmara, quando vereadores e convidados discutiram a “itabaianização de Sergipe”, a partir de artigo homônimo do jornalista Luís Eduardo Costa.

HENRI CLAY X CARLOS BRITTO E A PRESIDÊNCIA
O presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade, lamenta que o ministro aposentado do STF, Carlos Ayres Britto, não tenha intenções de disputar a Presidência do Brasil, para o que estaria sendo insistentemente chamado. Para Henri Clay, Ayres seria o homem certo na hora certa. “Tenho visto manifestações por todo o Brasil em favor da candidatura de Carlos Ayres Britto para presidente da República. Trata-se de uma referência nacional com estatura moral inabalável, com espírito cívico e conciliatório. É um homem probo e carismático. Mas ele tem dito, reiteradamente, que não quer se candidatar a nada. Para ele, política partidária é uma página virada em sua vida. Uma pena!”, diz Henri Clay.

Carlos Ayres Britto: não à política eleitoral

 

ETC@TAL
@ No próximo dia 12 de junho, uma segunda-feira, Valquíria Miron vai receber o título de cidadania sergipana, em solenidade na Alese.

@ Valquíria nasceu em São Paulo, mas vive há muito tempo em Sergipe, é jornalista profissional formada pela Unit e um nome forte do rádio local. O projeto de lei foi de autoria do deputado estadual Georgeo Passo.

@ O escritor Estácio Bahia Guimarães fez o lançamento do livro “Falando dos Outros e de outras coisas”, na noite da última quinta-feira, no Museu da Gente Sergipana.

@ “Neste livro, falo de pessoas, de situações políticas e econômicas, além de críticas e crônicas jocosas sobre o cotidiano”, diz Estácio.

@ Ó remorso: “Nessa altura da vida, com a trajetória que tenho, passar por uma coisa dessas! O que vou dizer aos meus filhos, aos meus netos? Que Deus me ajude a lembrar exatamente o que disse naquela noite”. Frase de Temer, segundo a Veja, se esforçando para remontar com precisão as frases ditas ao empresário Joesley.