JB, André e o diálogo que beneficie Sergipe

Por Jozailto Lima
15 mar 2017, 00h03

Ontem às 17 horas o governador Jackson Barreto chegou a Brasília para audiência de hoje com o deputado André Moura, líder do Governo Temer no Congresso Nacional. Na pauta, o aprofundamento das possibilidades de se ter, enfim, um desenlace para o projeto do Canal de Xingó, obra de fundamental importância para o sertão e o semiárido de Sergipe – e, por extensão, para o Estado inteiro.

No Brasil, e possivelmente no mundo inteiro, as coisas de Estado não acontecem sem a ação dos homens de Estado. Em uma síntese simbólica, o Estado é o homem, embora deva ser o homem no plural. E hoje, JB e André representam as esferas do Estado sergipano e do Estado Nacional. Pouco importa que o encontro dos dois cause espanto, dado o grau de pouca cordialidade que irrigou as relações deles dois num passado recente.

Mas é necessário que aconteça. Ambos, JB e André, parecem norteados a botar uma tampa forte sobre o que disseram um contra o outro recentemente. Estão dispostos a tapar os narizes e a partir para ver o que podem auferir de proveito em nome do Estado.

E, admita-se: construir o Canal de Xingó, distribuir água, matar a sede e a fome de pessoas e bichos e gerar riqueza para meio Sergipe, vale qualquer armistício. Qualquer cessar fogo.

Nesta hora, JB e André estão sendo observadoS por 2,3 milhões de pessoas que compõem todo do povo sergipano. Eles precisam, como homens de Estado que são, corresponder às expectativas.

E as expectativas dos sergipanos são as de que se faça o bem ao Estado – no que deve ser compreendido pelo entorno de Jackson que não gosta de André, e no de André, que não gosta de Jackson.

É claro que não vai ser desta conversa de hoje que os dois sairão de Brasília com um Canal de Xingó sob o sovaco e que dirão a esses tantos milhares de sergipanos “tomem, eis aqui o canal de vocês. Usem, captem água, plantem, colham e fiquem menos pobres do que somos”.

Mas é preciso começar a conversar em torno das possibilidades positivas para Sergipe. Dar os primeiros passos, posto que o clichê nos diz que toda caminhada começa neles.

Não estão errados os diversos observadores que veem nos últimos três ou quatro anos Sergipe com a sua classe política marcadamente dividida, fraturada, egocêntrica e alheia aos reais interesses coletivos. A quem essa prática fratricida interessa? Seguramente, a ninguém.

Ontem, ao pisar no solo de Brasília e ser recebido por Heleno Silva, do Escritório de Representação de Sergipe, o governador de Jackson Barreto conversou com esta coluna Aparte e parecia determinado a alterar o curso das coisas.

“Não importa em quem cause ciúmes, eu vou conversar com André Moura em respeito ao que ele representa no Congresso Nacional e em respeito aos que exigem de mim diálogo em nome do bem-estar do Estado e do povo de Sergipe”, disse JB.

E completou: “Eu não posso é ser acusado amanhã de que as cosias não aconteceram por capricho, orgulho ou qualquer outro sentimento que não está dentro da linha de quem representa um Estado e muito deve fazer por ele e pelos seus habitantes”. Que hoje haja um bom recomeço.

NOS SEUS 162 ANOS, ARACAJU
Na próxima sexta-feira, Aracaju fará 162 anos como Capital de Sergipe – em 17 de março de 1855, Inácio Barbosa fez a transferência de São Cristóvão para cá. Era um gesto que atendia a um apelo desenvolvimentista da época. O 17 de março é, portanto, uma data de alta significação para a estima dos 641.523 habitantes. Mas este ano, alegando crise, a Prefeitura Municipal vai fazer uma comemoração modesta. Franciscana. Nada de shows mirabolantes. “Não há recursos para qualquer atividade”, diz o secretário de Comunicação do Governo de Edvaldo Nogueira, jornalista Luciano Correia.

VAI TER UMA FESTA SIMBÓLICA
“Não é questão de ter uma programação pobre ou rica. É que não se tem mesmo recurso. Até a campanha do IPTU, que é a principal no que diz respeito a arrecadação da mais importante fonte de recursos próprios do município, que vai sustentar todo mundo, a gente praticamente não a fez”, avisa Luciano. Segundo o secretário, “tudo é custo”. “Até a missa é custo. A aposição de flores é custo. Por conta disso, pela situação financeira, nós só vamos fazer a corrida de Aracaju, soltar alguns balões e vamos ter fogos de artifícios, essas coisas. Teremos a missa que celebra o aniversário e o ato oficial no monumento de Inácio Barbosa”, diz o jornalista.

ANA ALVES DEPUTADA FEDERAL
A jornalista Ana Alves, filha de João Alves e de Maria do Carmo, e ex-esposa de Mendonça Prado, pode disputar mandato ano que vem. Não está bem definido a que, mas segundo Ana, há probabilidade de ser de deputada federal. “As pessoas querem muito, e faz algum tempo. A Executiva Nacional do partido, também. Principalmente depois da saída de um deputado federal”, diz Ana Alves. Ela, no entanto, adverte que não é hora ainda de falar desse tema.

ENCONTRO NACIONAL DE GESTÃO PÚBLICA
Nos dias 24 e 25 deste mês será realizado, no Quality Hotel, o Encontro Nacional de Gestão Pública, abordando o tema “O desafio de administrar dentro dos limites prudenciais”. O evento, promovido por Falcão – Centro de Capacitação, contará com palestras do presidente do Tribunal de Contas de Sergipe, Clóvis Barbosa; do advogado Danilo Falcão, consultor jurídico; de Leonardo de Assis, consultor de Políticas Públicas do Sebrae-SE; de Antônio Dourado, auditor do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia; de Jorge Husek, assessor de Controle Interno da Emsurb; de Antônio Malheiro, conselheiro do Tribunal de Contas do Acre; de Jeferson Passos, secretário da Fazenda da Prefeitura de Aracaju, e do biólogo César Gama, consultor Ambiental e ex-secretário adjunto do Meio Ambiente da Prefeitura de Aracaju. As inscrições para o encontro já estão abertas. Maiores informações poderão ser obtidas através do telefone 79-3042-8860.

JEAN NASCIMENTO, EX-PREFEITO DE BOQUIM…
Nem tudo está perdido nesta guerra de supersalários de prefeitos de Sergipe. Segundo divulgou o TCE recentemente, há 17 dos 75 chefes de Executivo sergipanos com remuneração acima de R$ 30 mil – o que, convenha-se, é algo exorbitante, sobretudo neste momento de crise. Mas o prefeito de Boquim, Eraldo de Cabeça Dantas, certamente não entra nesta lista. Não por uma definição específica dele. Tudo se deve ao ex-prefeito Jean Carlos Nascimento, PSD, que passou-lhe a gestão no dia 1° de janeiro com um salário de R$ 20.400 bruto, e sem aumento para vigorar a partir de 2017.

…DEU EXEMPLO, REDUZIU SALÁRIO PESSOAL…
O gesto de Jean Carlos não foi nenhuma revanche contra Eraldo. Foi um ato de consciência pessoal frente ao erário. Aliás, Jean cortou na própria carne assim que assumiu a Prefeitura de Boquim em 2013. Ao lhe passar o Governo, o então prefeito Pedro Barbosa – 2009 a 2012 – deixou aprovado um salário de R$ 24 mil. Jean mandou projeto à Câmara Municipal derrubando a sua própria remuneração e do vice em 15%, passando a receber os R$ 20.400 brutos que hoje remuneram Eraldo.

… E NÃO AUMENTOU O DO SUCESSOR
No ano passado, quando caberia à Câmara Municipal aumentar o salário do próximo (e atual) prefeito, Jean fez interferência, pedindo para não elevar as remunerações do prefeito e do vice, “sob pena do município não ter como arcar com o seu pagamento”, conforme escreveu ele em ofício 195, de 4 de julho de 2016 mandado ao Legislativo. “Eu tinha a certeza de que o município não suportaria esta atitude e por isso não consenti no aumento”, diz Jean Carlos. “É preciso dar exemplos”, completa Jean.

HELENO CANTA DE GALO E ESPALHA SIBITEZA
Por ter aparecido bem na pesquisa IFP para o Senado realizada em Nossa Senhora da Glória, em resultado publicado aqui, Heleno Silva já canta de galo e espalha sibiteza política por aí. “O meu povo do sertão sabe o trabalho que fiz quando estive em Brasília como deputado federal e sabe que como senador eleito aquela região terá em mim um defensor das soluções dos problemas enfrentados no dia a dia”, diz ele. Numa sondagem ao lado dos oposicionistas, Heleno pontua com 23,8%, atrás de Eduardo Amorim, com 30,7%, e de Valadares, com 28,7%. Num outro cenário, mais carregado de nomes governistas, Heleno tem 27,2%, só perdendo para Valadares, que tem 37,1%. Valadares é o único da oposição a entrar nesta segunda opção. “A candidatura não é uma aventura. É uma realidade eleitoral”, galanteia Heleno.

SAMUEL, VENÂNCIO, ANDRÉ E JB
Não foi só o deputado estadual Samuel Barreto que atuou para atar André Moura a JB nos interesses do Canal de Xingó. O deputado Venâncio Fonseca também ajudou. O velho iconoclasta Venâncio da boa verve oposicionista não é mais dono da boa verve oposicionista. Como diria Caetano, as coisas migram e o homem velho serve de farol. Neste caso, literalmente de farol fosco.

ETC&TAL
@ O senador Eduardo Amorim encara com normalidade o encontro a acontecer hoje entre André Moura com Jackson Barreto. “Não há em mim nenhuma gota de ciúme”, diz ele.

@ Eduardo só não legitima, e nem as esquece, as agressões que André já sofreu tanto de Jackson Barreto quanto de Edvaldo Nogueira.

@ Eduardo Amorim acha que o exercício da política é missão e não deve rimar, nunca, com patrimonialismo. “A vida de político tem de ser de classe média”, diz ele.

@ “Os que fazem fortuna na política tem ilicitude no meio, porque nesta atividade não tem como ficar rico. Estamos na hora de se escolher os abnegados”, filosofa o senador.

@ O empresário Marcos Franco não tem planejamento de voltar à política, no sentido de disputar mandatos. Ele teve dois mandatos de deputado estadual e é um nome muito ligado ainda ao PMDB.

@ O Pastor Mardoqueu Bodano deve ser candidato a deputado estadual agora em 2018. Esta é uma decisão da Igreja Universal. Mardoqueu não é marinheiro de primeira viagem: em 2002 e 2006 ele obteve mandato na Alese.

@ O delegado Luciano Cardoso, da Polícia Civil, é um verdadeiro tiete do prefeito de São Paulo, João Dória Júnior. Tudo que Dória faz nas mídias sociais por lá, ele replica por cá.

@ Estranhas as notícias de que Aldo Rebelo vai trocar o PC do B pelo PSB. Os comunistas parecem meio aferrados ao PC do B. Aldo estaria negando isso agora?

@ Até o final deste mês de março Itabaianinha ganhará um Escritório Regional da Junta Comercial do Estado de Sergipe – Jucese -, que funcionará na Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo de segunda a sexta-feira, graças à parceria com a Prefeitura Municipal, que disponibilizará espaço físico e servidor para fazer atendimento. 

@ O deputado federal Fábio Mitidieri diz que o governador Jackson Barreto se comprometeu a resolver, pra já, a falta de condições de trabalho da Secretaria de Estado dos Esportes.

@ Talysson Costa, filho de Valmir de Francisquinho, é filiado ao PR, mas admite mesmo que pode se filiar ao PSDB.

@ Talysson tem intenção de disputar mandato de deputado federal ano que vem. “Tudo pode acontecer. No que for melhor para o grupo e para ajudar o povo, estarei me filiando”, diz Talysson.