JB diz ser “canalhice” ver jogo duplo com Belivaldo

Por Jozailto Lima
05 abr 2017, 23h47

Quem será, afinal, o candidato dos governistas para tentar suceder o governador Jackson Barreto nas eleições do ano que vem?

Enquanto os oposicionistas têm já a palavra do senador Eduardo Amorim de que pretende ser candidato, entre os governistas há apenas sombra de um projeto apontando para Belivado Chagas, o vice-governador.

E em torno disso, mil boatos que vão do céu ao inferno. Do quente ao frio. Do norte ao sul. Há quem ache que Belivaldo já esteve melhor posicionado na graça de Jackson Barreto como seu candidato.

Há quem diga – e são muitos – que JB estaria preparando-se para agir com Belivaldo como agiu com Zezinho Sobral na sucessão de Aracaju: deu-lhe corda, mandou lançar-se candidato e depois o retirou e apoiou Edvaldo Nogueira, que se sagrou prefeito.

Essa conjectura desagrada em demasia a JB. Mais do que desagradar: o irrita, e ele declarou abertamente essa irritação a esta coluna Aparte. “Isso é canalhice que estão dizendo contra mim. Isso é agressividade. E eu não posso admitir uma coisa desta”.

Para JB, a discussão do processo sucessório do seu lado não pode ser precipitada agora. “Está tudo muito complicado. A população rejeita, não aceita, que se fale de sucessão a esta hora. O que a sociedade quer é que se resolva os problemas do dia a dia do povo”, diz ele.

“Eu acho que no final do ano se pode começar a trocar ideias sobre sucessão. Vamos ver como é que vai ficar esta situação do país. Na verdade, em torno da sucessão, não me sentei ainda com ninguém. Nem com Belivaldo e nem com nenhum outro para dizer: “olha você é o candidato””, reforça JB.

“O que precisamos é sentar para ter um entendimento. Ver qual é a estratégia que nós vamos adotar. Se com um ou dois candidatos. Mas isso não agora. Não é o momento. A imprensa, a opinião pública, toda comenta sobre Belivaldo, mas não quero tomar essa decisão agora. No segundo semestre, a gente toma”, afirma.

Tem pertinência a cautela evocada aqui por JB. Na verdade, na oposição isso também se pratica. Mesmo a declaração feita por Eduardo Amorim, de que tem projeto de disputar o Governo, não é algo peremptório. Impositivo.

Por esta distância de tempo, no reino das oposições circulam como contraponto ao nome de Eduardo Amorim os de Antônio Carlos Valadares e André Moura.

Talvez isso justifique que no reino de Belivaldo Chagas pontuem, aqui e ali, alguns fantasmas em forma de Almeida Lima ou de João Augusto Gama.


MUDANÇA “É COISA CORRIQUEIRA”
O governador Jackson Barreto disse ontem, antes de dar posse a Rosman Pereira, na Seplag, e a João Augusto Gama, na Cultura, que mudança na equipe de Governo “é coisa corriqueira, normal”. “Classifico estas mudanças como rotineiras, de praxe. São um processo de arrumação da administração. Rosman é um técnico formado em Administração, já ocupou diversos cargos no Estado, já foi da Codise, já foi do sistema penitenciário, enfim, o que se está fazendo é uma arrumação na administração”, disse.

GAMA NÃO GEROU DESCONFORTO
JB deixou patente que a troca de Gama por Rosman não gerou nenhum mal-estar no novo secretário de Cultura. “Não tive nenhuma dificuldade. Eu disse ao secretário Gama que estava precisando fazer uma reforma do secretariado e esta reformulação passaria pela Seplag. Gama está sempre solícito e dando a sua contribuição. Mas não tem esta de secretário nenhum ficar agarrado à sua pasta. Quem define o secretariado é o governador do Estado de acordo com as necessidades do Estado”, afirma JB.

“NÃO HOUVE REBAIXAMENTO DE GAMA”
JB tenta quebrar as enzimas da boataria de que Gama teria perdido espaços no Governo. “Não é rebaixamento. Gama é um homem culto, preparado. Sempre foi ligado à cultura. Já foi ator. Já trabalhou no teatro ao lado de João Costa, Chico Varela. Gama é um homem muito culto, lê muito, gosta de cena cultural e de arte de um modo geral”, disse o governador. “Neu tem de ser e vai ser preservado, eu já conversei com ele ontem. Vai continuar na administração. Pessoalmente, eu quero prestigiá-lo. Ele tem muito a dar ainda à Secretaria”, afirmou o governador, sobre o ex-secretário Neu Fontes.

O PROJETO DOS FIGUEIREDO
“Alexandre é como eu: um sonhador. Um D’Artagnan. O que pode acontecer com ele neste projeto? Duas hipóteses: se eleger deputado ou não se eleger. Se não se eleger, fará um nome e será lembrado para projetos presentes e futuros. Ele tem carisma e trabalho. É melhor do que”. É assim que Benedito Figueiredo, secretário de Estado de Governo, encara a candidatura do filho Alexandre Figueiredo, 42 anos, a deputado federal. Para Benedito, o PMDB pode eleger dois federais – o outro possivelmente é Fábio Reis, que vai à reeleição tentando o terceiro mandato. “Nós vamos esperar o mês de abril, vê se Jackson Barreto fica ou sai do Governo e aí a gente decide”, diz Benedito.

AJUSTE ENTRE SERGIPE E O DF
O governador Jackson Barreto tem uma agenda de Governo na próxima terça-feira em Brasília. O deputado Fábio Reis está articulando para, aproveitando a presença dele, realizar um jantar em seu apartamento com todos os componentes da bancada governista. “Minha intenção é a de a gente fazer uma agenda em comum de idas aos ministérios e órgãos do Governo Federal, ao lado do governador em busca de projetos e de ações do interesse de Sergipe”, diz Fábio. Nada mal.

EM DEFESA DOS BIOMAS
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – adotou um tema muito oportuno para a campanha da Fraternidade deste ano: “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”. O Brasil tem seis biomas – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa, Pantanal – e nenhum deles está em situação perfeita. Todos sofrem agressões ambientais. Ontem, o arcebispo da Arquidiocese de Aracaju, Dom João José da Costa, palestrou no plenário da Assembleia Legislativa sobre o tema. Dom João José pintou um quadro nada bonito.

Luciano Pimentel: parabéns a igreja

EM DEFESA DOS BIOMAS II
O deputado Luciano Pimentel, PSB, parabenizou a iniciativa do tema e do convite do religioso para o debate. “Isso mostra o quanto a Igreja Católica está sintonizada com aquilo que a sociedade espera, com aquilo que é melhor para o público. Fico muito feliz por isso, e parabenizo as deputadas Maria Mendonça e Ana Lúcia Menezes por terem apresentado o requerimento que possibilitou a vinda do nosso arcebispo da Arquidiocese de Aracaju, Dom João José da Costa, nesta manhã”, disse Pimentel.

EDVALDO: “NÃO PENSO EM 2018”
O prefeito Edvaldo Nogueira, PC do B, reafirmou nesta quarta-feira (5) que não está preocupado com as eleições de 2018. “Eu tenho quatro anos de mandato, não estou interessado na campanha de 2018. Estou preocupado em governar a Prefeitura de Aracaju”, disse. Para Edvaldo, “tem muita gente falando na prefeitura da capital pensando em 2018, querendo criar contraponto para a campanha”. “Ficam sem fazer nada os anos todos e, quando vai chegando perto das eleições, ficam querendo mostrar serviço, então é preciso que a gente separe o joio do trigo, e a sociedade precisa separar”, alertou ele, em entrevista à rádio 103 FM.

BLOCO FORTE LIDERADO POR JB
Edvaldo Nogueira ainda pontuou que o bloco político liderado pelo governador Jackson Barreto está “muito forte”. “É o bloco que governa Sergipe, que governa as quatro principais prefeituras do Estado (Aracaju, Socorro, Barra dos Coqueiros e São Cristóvão), o que representa quase 50% do eleitorado, além de cidades importantes no interior. Além disso, a vinda para o nosso lado de políticos como Laércio Oliveira e outros aumentam a nossa força político-eleitoral”, destacou.

PREFEITO VÊ DESESPERO DA OPOSIÇÃO
Ainda em sua análise, o prefeito de Aracaju enxerga a oposição “desesperada”. “A oposição está desesperada porque está minguando, perdendo espaço. Então eles estão desesperados”, avaliou. Por causa disso, ele ressalta que ainda é cedo fazer previsão sobre a disputa de 2018. “Fica em aberto. Ninguém pode fazer previsão antes do tempo”, frisa.

BELIVALDO ANIMADO, MAS PRECISA ANDAR
Sobre o nome do vice-governador Belivaldo Chagas para encabeçar a chapa no próximo ano, o prefeito da capital diz que “é uma figura que tem muita simpatia” e “que tem nossa admiração”. E lhe deu um conselho: “Mas eu acho que é preciso andar. Ele está animado, o que é uma coisa boa”, ponderou.

OS REIS FALTAM À POSSE DE ROSMAN
Os Reis deram pouco ar da graça na posse de Rosman Pereira ontem na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Governo de Sergipe. Só compareceu o patriarca Jerônimo Reis – o filho Fábio Reis, deputado federal não esteve presente, nem a irmã Goretti Reis, deputada estadual. Sérgio Reis, ex-deputado federal, disse que a agenda do irmão em Brasília estava muito apertada. De Lagarto, vieram quatro vereadores ligados aos Reis: Marta da Dengue, Alex Dentinho, JC (o José Jenilson) e Washington de Mariquita.

ESMERALDO NÃO É CANDIDATO A DEPUTADO
O secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, estranha o cavalo de batalha que tem sido feito em seu nome sobre uma suposta candidatura dele a deputado estadual pelo PT. “Eu nunca declarei que seria candidato a deputado estadual em 2018 e nem em outro ano qualquer. Primeiro, porque este projeto nunca existiu. Tudo não passa de especulação”, diz. Esmeraldo é simãodiense e tem negado lá em Simão Dias também esta boataria. “Mas boato é bicho danado: como me veem negando o projeto de deputado, já estão me perguntando lá em Simão Dias se estou me guardando para disputar a sucessão do prefeito Marival Santana. Também não”, diz Esmeraldo, sem grandes aperreios.

Esmeraldo: pagando por boatos

TERCEIRO ALMOÇO SEM LAÉRCIO
Coitado do Laércio Oliveira: ontem os demais quatro deputados correligionários dele na bancada governista fizeram um novo almoço no apartamento do deputado Fábio Reis, em Brasília, e ele ficou de fora. É o terceiro. Fábio Reis jura que não tem nada de anormal nisso. “Eu até liguei para ele, mas não consegui falar”, diz.

“MEMÓRIAS DO PODER” QUER RESGATES
“Memórias do Poder”. Este é nome do programa que vai ao ar em breve pela TV Alese, tendo como âncora o radialista Marcos Aurélio, responsável pela Comunicação Social da Assembleia. A intenção, como diz o nome, é a de resgatar a memória de grandes figuras que passaram pela política de Sergipe. Já estão gravadas entrevistas com Reinaldo Moura, Djalma Lobo, Wellington Mangueira, Bosco Costa e Albano Franco. “Queremos, com “Memórias do Poder”, registrar bastidores do que ocorreu na política sergipana e com suas personalidades. Seja do Poder Legislativo, e este é o foco, ou mesmo de algo que não esteja vinculado a Assembleia Legislativa, como dos Poderes Judiciário ou Executivo. Vamos buscar mostrar aos sergipanos os bastidores da política sergipana com outra visão. Vamos resgatar os fatos que ocorreram nos bastidores e que mudaram, muitas das vezes, a história, ou a forma como impactaram na construção da história de Sergipe”, diz Marcos Aurélio.

Marcos Aurélio: recuperar os bastidores

ETC&TAL
@ Eliziário Sobral diz que não mudou sequer o chefe de Gabinete da Controladoria Geral do Estado ao assumir o posto em maio do ano passado. “Eu tenho que aproveitar a expertise da casa”, diz Eliziário.

@ Segundo Eliziário Sobral, os gestores sergipanos não lhe dão muito trabalho nos contratos firmados na esfera pública. “A gente fica atento para um outro detalhe na esfera do Cauc”, diz.

@ O Cauc é o tal do Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias. É ligado ao Ministério da Fazenda e as transferências de recursos públicos só acontecem se os entes estiverem em dia em seu cadastro. Uma vírgula errada pode botar tudo a perder.

@ JB diz que as conjecturas que apontam André Moura como pré-candidato ao Governo de Sergipe não passam pelas recentes conversas que os dois têm mantido.

@ “A minha conversa com André Moura não vai além de assuntos administrativos. Nunca discuti e nem faz parte do nosso projeto discutir assuntos de ordem política-eleitoral”, disse JB a Aparte.

@ Jackson Barreto continua hasteando a bandeira de que o PMDB não tem histórico de fazer intervenção em nenhum diretório – isso para dissipar o perigo de que Brasília lhe tome o mando da sigla por aqui.

@ “Nunca aconteceu na história do PMDB, anda mais quando é parte deste partido um governador de Estado. Eu não conheço no PMDB esse fato”, diz JB.

@ Ricardo Franco está se saindo um bom frasista. Diante de um tempo de economia ruim, ele produz uma com esta: “Estou jogando parado. É melhor, que a demora é mais rápida”.

@ Para Ricardo Franco, o projeto de Executivo de André Moura se viabilizaria mais facilmente em 2022. Isso se Eduardo Amorim não se eleger governador em 2018. Por que aí quereria, naturalmente a reeleição.