JB e Vavá mantém a guerra fria

Por Jozailto Lima
17 mar 2017, 00h01

A audiência entre o governador Jackson Barreto, PMDB, e o deputado federal André Moura, PSC, líder do Governo Temer no Congresso Nacional, realizada na quarta-feira última, não produziu ainda um efeito administrativo que possa encher os olhos dos sergipanos que querem, sim, o Canal de Xingó como fruto desse entendimento.

Mas a audiência já serviu de mais lenha na fogueira das vaidades que crepita entre o senador Antônio Carlos Valadares, PSB, e o governador Jackson Barreto. Antes mesmo que JB desembarcasse em Sergipe ontem, de volta da viagem a Brasília, já lá estava Valadares cutucando-lhe as costelas.

“O governador Jackson Barreto, ao pedir audiência ao líder André Moura, que o atendeu prontamente, como é de sua formação de homem cordial, fez questão de enviar uma lista de pessoas, convidadas por ele, que iriam participar do encontro. Fui informado pelo líder que o meu nome não constava nessa lista. Nem os de Eduardo Amorim e Valadares Filho”, disse o senador.

E Valadares foi mais longe: “Não recebi qualquer convite do governador, verdadeiro autor da iniciativa do pedido da audiência, para que me fizesse presente, fato que evidenciou que não fazia questão de que ali eu comparecesse, nem os demais, que, igualmente, receberam o mesmo tratamento”.

“Além disso, não foi solicitada qualquer reunião da bancada federal com a presença do governador para tratar de assuntos do interesse do Estado. No entanto, quero reafirmar que estarei sempre aberto ao diálogo construtivo em favor de Sergipe, como é do meu dever, como representante legítimo da minha gente no Senado!”, diz Valadares.

O discurso do pai contaminou o filho. Ao seu estilo, o deputado federal Valadares Filho foi pro tuite e deitou reclamação suave. “Sobre a reunião entre o governador Jackson e o deputado André Moura, se convidado fosse, lá estaria”, disse o parlamentar.

“Quanto a atender JB sobre os interesses de Sergipe, o atenderia da mesma forma como acabei de atender o prefeito de Aracaju, inclusive colocando recursos para a nossa capital”, disse o parlamentar.

Mas o que Jackson Barreto acha de tudo isso? O govenador dá sinais de que está de saco cheio deste blábláblá dos Valadares, sobretudo do patriarca. “Se o senador Valadares e o deputado federal Valadares Filho não foram, isso é lá problema deles. Cada um é dono dos seus atos e deve ser responsável pelo que faz”, diz JB.

E rebate a alegação de boicote levantada pelo senador. “Eu não fiz lista coisa nenhuma. Eu não exclui ninguém. Não eliminei A, B ou C. Eu apenas marquei com André Moura e convidei os meus aliados, mas não eliminei ninguém. Não caberia a mim fazer isso”, disse JB ontem a esta coluna Aparte. “E ainda deixo claro que não fiz crítica nenhuma a ninguém durante a audiência evento”, completou JB.

MARIA DO CARMO FOI CONVIDADA…
A senadora Maria do Carmo está entre os quatro parlamentares sergipanos que não participaram do encontro entre JB e André – os demais são os Valadares e Eduardo Amorim. Mas, ao contrário do senador Valadares, ela não tensiona o fato, a sua própria ausência. Pelo contrário, deu uma informação a esta coluna que compromete os que estão a fazer disso um cavalo de batalha. “Eu recebi um convite por escrito da parte do deputado André Moura para que eu me fizesse presente. Depois, o governador, que estava aqui, me ligou. Eu só não fui porque estava com outro compromisso agendado. Acho que ele faz a obrigação dele e eu a minha de trabalhar por Sergipe”, disse Maria do Carmo.

…ASSIM COMO OS VALADARES E EDUARDO AMORIM
A informação da senadora Maria, de ter recebido um convite por escrito de André Moura, levanta uma lebre deselegante: e todos não receberam o mesmo convite? Aparte apurou que, sim, que o parlamentar André, a quem JB havia solicitado a audiência, mandou convite aos demais 10 sergipanos que compõem a bancada federal. Isso leva à dedução óbvia e honesta de que o senador Valadares está politizando demais pelo lado negativo este processo. Aparte apurou que ele, o filho e Eduardo Amorim almoçaram na sexta e fecharam questão de que não iriam, de qualquer modo, à audiência com a presença de JB. Não queriam causar mal-estar a quem solicitou a audiência. Um gesto limpo. Educado. Deseducado é faturar o oposto disso depois. Aí a civilidade vai para o brejo. 

VALADARES E JB FECHAM UM CICLO: AGORA, SÓ ÓDIO
Antônio Carlos Valadares e Jackson Barreto são meio farinha do mesmo saco. Mas dois grandes homens da política de Sergipe. Nascidos ambos num dia 6 – 6 de abril de 1943 e 6 de maio de 1944 -, são hoje dois velhos e estão numa fase que não dizem meia verdade um ao outro. Dizem verdades completas. Inteiras. Brutas. Não tem sido poucos os insultos disparados um contra o outro. Mas já estiveram juntos por mais de meia dúzia de vezes. Só para avivar a memória recente: em 1994, JB disputou o mandato de governador ao lado de Valadares disputando o Senado. Valadares passou, JB caiu. Em 2010, lá estavam eles, de braços dados, bunitinhos: JB disputando o mandato de vice-governador ao lado de Déda, Valadares o de senador. Os dois passaram. Em 2014, olha eles, de novo encambitados feito dois borregos de carga: JB disputando, pela segunda vez, um mandato de governador e Valadares lhe apoiando, na indicação, inclusive, do vice Belivaldo Chagas e atuando para reeleger Valadares Filho deputado federal. Foram todos felizes. Mas não mais para sempre. Porque no ano passado, eles trocaram indelicadas cotoveladas verbais, com JB empoleirado no palanque de Edvaldo Nogueira e Valadares no do filho na disputa pela Prefeitura de Aracaju. JB levou vantagem.

VALADARES E JB FECHAM UM CICLO: AGORA, SÓ ÓDIO II
No final da tarde de terça-feira, assim que botou o pé no solo de Brasília, o governador Jackson Barreto falou a esta coluna sobre as relações lacanianas e freudianas entre ele e Valadares. Disse coisas do arco da velha sobre o ex-aliado Valadares. Depois de muita conversa, JB pediu que não publicasse na manhã de quarta-feira nada aqui nesta coluna Aparte para não macular a audiência que ele teria com André Moura no mesmo dia. Possivelmente sem dominar a teoria da negação de Lacan, na qual o sujeito afirma sua preocupação com o outro negando-a, JB disse que que a negativa de ciúmes que Valadares fazia nesta coluna sobre o seu encontro com a André Moura era uma manifestação clássica de desconforto do senador. E aí abriu o verbo contra velho amigo-inimigo.

“CANSAMOS DE VALADARES E NÃO QUEREMOS LHE DAR UM QUARTO MANDATO”
“Nós todos nos cansamos de Valadares. Ele virou uma cobra. Não queremos mais lhe dar um quarto mandato de senador e aí ele converteu-se nesse desesperado oposicionista que nunca foi. Se fez o mais radical de todos. Só pensa nele. Nele e no mandato do filho, que agora ele comprometeu em definitivo. Chega. Pensou que ia ganhar a Prefeitura de Aracaju e se cacifar. Perdeu. Perdeu e caiu no desespero. Carrega com esmero a sua intocável emendazinha para a Codevasf, que é coisa dele. Não pensa em Sergipe. Vá pedir a ele para dar R$ 60 milhões dos R$ 100 milhões da emenda da Codevasf para o projeto executivo do Canal de Xingó. Ele morre mas não cede. É uma figura difícil, que só pensa em si e na qual ninguém confia”, despeja JB.

PALICA, PARCEIRO ENTUSIASMADO DO PARQUE SHOPPING
A família de Antônio Carlos Franco – Tereza, Marcos e Osvaldo – contratou o cara certo para fazer o Aracaju Parque Shopping. Paulo Afonso Costa Viana, o Palica, da PK4, pensa o shopping e o além dele. O construtor vê a Barra com todo o seu potencial expansionista, o centro histórico de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e outras probabilidades mais ao longe que o futuro shopping poderá atrair e abarcar. O Aracaju Parque Shopping, segundo o empreendedor Marcos Franco, é um equipamento que vai demandar um investimento de R$ 215 milhões, terá 211 lojas em sua fase de conclusão, lá para o ano de 2022, e deve ser inaugurado em sua primeira etapa agora entre o natal deste ano e o começo de 2018. A previsão é de que gere, na fase de plenitude, cerca de 3 mil empregos diretos.

GESTÃO DE CEZÁRIO SE BENEFICIA DA LEI DA BENGALA
O desembargador Cezário Siqueira, 56 anos, presidente do Poder Judiciário de Sergipe, vai ser o primeiro magistrado a tirar um proveito integral da Lei da Bengala, a que elevou de 70 anos para 75 anos a idade de aposentadoria na magistratura. Com essa dilatação de idade, nenhum dos seus 12 colegas desembargadores se aposenta sob o seu “reinado”, que vai até o dia 1° de fevereiro de 2019.

GESTÃO DE CEZÁRIO SE BENEFICIA DA LEI DA BENGALA II
Na lista dos 13 desembargadores sergipanos, tem cinco madurinhos – gente que já fez 70 no ano passado, como é o caso de Alberto Romeu Gouveia Leite (vai a 71 em julho) -, e que fará 70 neste ano e em 2018. Quem? Agora, Osório de Araújo Ramos Filho, que é de 22 de maio de 1947, e José dos Anjos, de 27 de agosto do mesmo ano. Farão 70, mas terão, amparados na bengala, mais cinco anos de exercício de desembargadoria.

GESTÃO DE CEZÁRIO SE BENEFICIA DA LEI DA BENGALA III
Ano que vem, ainda dentro do mandato de Cezário, Edson Ulices de Melo, setentará. Vai ser em 24 de agosto. Não fosse a Lei da Bengala, Cezário passaria por estas cinco sucessões de colegas. E, admita-se, é um parto complicado: não se pode escolher o sucessor antes do dia da aposentadoria do titular e, depois de aposentado, leva-se tempo com um juiz improvisado em desembargador, respondendo pelo que saiu, o que, queira ou não, altera o ritmo das coisas no Poder.

GESTÃO DE CEZÁRIO SE BENEFICIA DA LEI DA BENGALA IV
Em 2019, mas já fora do período de Cezário, vão setentar mais três: Maria Elvira de Almeida Silva, em 23 de março; Ruy Pinheiro, em 15 de novembro, e Luiz Mendonça, em 15 de dezembro. Na configuração do Judiciário, a caçulinha é a desembargadora Ana Lúcia Freire dos Anjos – pouco menos de dois meses mais nova do que Ricardo Múcio, que fez 55 esta semana.

ETC@TAL
@ A vereadora Emília Côrrea apresentou uma moção de repúdio ontem na Câmara de Aracaju contra a proposta de reforma da Previdência. A parlamentar convidou os deputados federais e senadores sergipanos a manifestarem-se contrários à proposta e defender o povo brasileiro.

@ “Os números demonstram que nada dessa PEC é verdade e o povo não pode ser culpado pelas mazelas que esse PT e aliados fizeram com o Brasil. O pobre não pode ser culpado”, disse a moça.

@ A Superintendência de Operação e Contratos de Transmissão de Energia da Chesf anunciou ontem intenção de reduzir para 650 metros cúbicos por segundo a vazão do São Francisco durante cinco dias, a partir de Sobradinho a Xingó.

@ O ex-deputado federal José Carlos Machado, que acompanha as questões hídricas com atenção, reagiu: “Estas decisões me preocupam muito. Sei que a crise hídrica é uma verdade. Sei que há redução significativa da massa de água do São Francisco, mas é preciso soluções para não privar as comunidades que dependem da água deste rio”, disse.

@ “A meu ver, a redução a 650 metros cúbicos é, ainda que seja por um período de cinco dias, muito grave para as demandas residenciais e do agronegócio destas regiões”, criticou Machado.

@ A conselheira Susana Azevedo deu um zignal no Judiciário e não foi à sede deste Poder prestar depoimento como testemunha sobre as questões da subvenções da Alese.

@ O prefeito de Indiaroba, Adinaldo Nascimento, foi eleito ontem presidente do Consórcio Público de Saneamento Básico do Sul e Centro-Sul Sergipanos – Conscensul -, e o prefeito de Boquim, Eraldo de Andrade, foi eleito vice-presidente.

@ A Diretoria do Conscensul tem, ainda, o prefeito de Estância, Gilson Andrade, como diretor Administrativo, e o prefeito de Santa Luzia do Itanhy, Edson Cruz, como diretor Financeiro.

@ O evento aconteceu na Câmara de Estância. “Mais um desafio que encaro por considerar extremamente importante para que possamos dar andamento no processo da política de resíduos sólidos. Vamos cobrar mais apoio do Governo do Estado na questão do cumprimento dessa política e agora com a homologação dos planos de resíduos sólidos”, disse Eraldo.

@ “Nós prefeitos teremos mais condições de buscar recursos e colocar em prática ações como a coleta seletiva, educação ambiental, organização social e produtiva dos catadores, os aterros sanitários, enfim, todas as questões que discutimos hoje em Assembleia”, disse Eraldo. Este é um tema muito importante da municipalidade.

@ Pelo menos agora, quando JB tirou o peso da possibilidade de vender a Deso – repassa isso ao Bndes – o deputado federal João Daniel, PT, se manifesta contrário.

@ “Manifestamos nosso total apoio à luta contra a privatização da Deso, por entender que água é um bem fundamental para a humanidade e não pode ser tratada como uma mercadoria”, disse João Daniel. Para ele, Sergipe não pode perder uma empresa com tamanha importância social como a Deso é para os sergipanos.

@ Do governador Jackson Barreto, ontem ao inaugurar obras de pavimentação no Centro Administrativo Governador Augusto Franco, em Aracaju. “Administro de olho em Aracaju, cidade que me deu régua e compasso para chegar ao Governo”, disse ele.

@ “Fico muito alegre em comemorar este aniversário de Aracaju tendo Edvaldo como prefeito da nossa cidade. É tudo o que eu pedia a Deus. O nosso povo acredita na visão futuro de Edvaldo para Aracaju”, completou.