Laércio pode fazer dupla com Jackson Barreto pro Senado

Por Jozailto Lima
07 abr 2017, 22h16

Na política, na crônica política sergipana e nos bastidores desta atividade tem havido algumas leituras erradas sobre a ida do deputado federal Laércio Oliveira, SD, para o agrupamento do governador Jackson Barreto, PMDB.

O mais comum dos erros é o de se achar que Jackson Barreto dobrou, engessou e retirou de Laércio Oliveira a mobilidade política dele numa chapa majoritária em 2018 – partindo-se da premissa de que ele teria mais espaços ao lado de Eduardo Amorim, PSDB, e de Antônio Carlos Valadares, PSB.

Balela. Ver Laércio Oliveira depreciado no novo conjunto governista em que se insere apenas porque levou uma Secretaria e deixou aqui e ali parte dela, como a Sergás ou a Codise, é pensar pequeno. Isso é contrapeso no projeto pessoal dele.

O que não está sendo lido é o quanto a ida de Laércio para JB agrega para Laércio e agrega para JB. O que não está sendo medido com a devida exatidão é o significado e o peso deste deputado, e nem o do setor que ele representa aqui e nacionalmente. Ou melhor: nacionalmente e aqui.

Laércio Oliveira é vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, uma instituição que hoje superou, em importância e significado, a poderosa Confederação Nacional Indústria.

Isso faz de Laércio presidente da Federação destas atividades em Sergipe e de uma série de entidades de classe do setor, como Sesc, Senac’ Fecomércio. Mas em si isso não é tudo.

O que mais conta em favor de Laércio Oliveira é a vontade nova de ser algo diferente em 2018: aos 57 anos, em segundo mandato de deputado federal, ele diz aos quatro cantos que seu projeto pode também mudar de pavimento na política, no congresso e aqui.

Não abandona suas bases de reeleição de federal, mas aceita o desafio de disputar o Governo do Estado e, sobretudo, o Senado. Para a vaga de senador, Laércio Oliveira guarda um atributo que ninguém do seu novo agrupamento tem: o do despojamento de disputar juntamente com, e não contra, Jackson Barreto.

Alguns analistas partem do princípio de que a eleição do ano que vem é muito polarizada e que eleger dois senadores de um mesmo lado seria algo demasiado complexo. Laércio e os que dão sustentação a ele pensam diferentemente disso.

E lembram, com razão, que em 1994 um único lado fez os dois senadores – Antônio Carlos Valadares e José Eduardo Dutra -, recordam que 16 anos depois isso se repete – com Valadares de novo e Eduardo Amorim – e acham que isso pode se dar com JB e Laércio em 2018.

Por tudo isso, JB e Laércio se escoram muito bem nesta nova parceria. JB, no nome, na imensurável tradição política. Laércio, na vontade que ele diz não ser uma sangria desatada, mas ativada de disputar. Diferentemente de Fábio Mitidieri, ele nunca disse que se JB for o candidato ao Senado ele não seria.

Sem que isso soe como uma apologia à plutocracia, JB e Laércio se escoram bem, ainda, no aspecto de infraestrutura material. A CNC tem os olhos grandes sobre o deputado e os projetos dele. Senado e Governo interessam muito bem a esta instituição que responde por entre 65% e 70% do PIB de Sergipe e deve ir na mesma linha no âmbito nacional.

Ano que vem, bem antes das eleições de governador/senador, a CNC fará sua eleição interna. Há chances de Laércio pular da vice para a Presidência, em sucessão a Antônio Oliveira Santos, um senhor carioca de 91 anos que ele respeita muito, mas que pode eventualmente não querer renovar o mandato. Aí, o que era forte no âmbito local passará a ser fortíssimo.

ERROS E ACERTOS DE GILMAR
O deputado estadual Gilmar Carvalho, sem partido, está adotando uma postura correta para se fazer ver com um mandato de apenas dois anos e tentar se reeleger em 2018. Ele tem uma pauta que nem é governista nem é oposicionista extrema. Procura apertar o dedo em coisas úteis, ainda que vejam populismo em algumas delas, como a de pedir para zerar as contas da Deso para o povo desabastecido do sertão. Mas ele acerta. Precisa apenas mirar alvos menos enciumados, como os agentes socais que pretendem concorrer, como ele, a um mandato ano que vem na Alese. Além disso, lhe seria de bom tamanho separar o profissional de comunicação do homem político – ele disse a esta coluna que monta infraestrutura para atenuar isso. Ah, e também tentar desvencilhar-se mais da condição de caudatário de certos grupos econômicos.

Gilmar: vai bem, mas…

ANDRÉ APOIA CRIAÇÃO DO CNTC
No Senado tramita uma Proposta de Emenda à Constituição – PEC – com a finalidade de criar o Conselho Nacional dos Tribunais de Contas – CNTC. Ontem, o deputado federal André Moura visitou o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa, e manifestou apoio a esse projeto da PEC. “Vim aqui na condição de líder do governo me colocar à disposição, pois entendo que a iniciativa dos Tribunais de Contas é louvável: criar um Conselho que possa fiscalizar os atos e ações dos próprios conselheiros. Então, isso é importante porque demonstra, acima de tudo, um processo de transparência”, disse o parlamentar. André garantiu saber que “o conselheiro Clóvis Barbosa é um dos que estão liderando essa discussão! e se comprometeu a trabalhar para que a tramitação “seja a mais rápida possível”.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS DO PT
Filiados ao PT de todo o país irão às urnas, neste domingo, 9, para escolher os novos dirigentes municipais do partido. Para o secretário nacional de Finanças do PT, Márcio Macedo, o Processo de Eleições Diretas – PED – dá início a um “processo de renovação” dentro da sigla. Em Aracaju, Márcio apoia Jefferson Lima para presidente municipal. “As eleições internas do PT são um sucesso em todo o Brasil. Mais de 62 mil pessoas se inscreveram para ser dirigentes e foram formadas chapas em 4 mil cidades, o que demonstra a capilaridade e a força do partido”, destacou o secretário nacional. Em Aracaju, a votação se dará entre 8h e 17h no Sindicato dos Bancários, no Centro.

NÃO É HORA DE SE FAZER CAMPANHA
O secretário da Casal Civil, vice-governador Belivaldo Chagas, disse a Aparte que vê grande pertinência no comentário de abertura desta coluna de ontem – “Aliados querem ver Belivaldo circulando” -, sobre a construção da pré-candidatura dele ao Governo, mas interpõe um breve embargo. “Todos nós do Governo, sobretudo Jackson Barreto, achamos que não é a hora de se fazer campanha. Há outras demandas muito mais urgentes”, diz. Mas Belivaldo concorda com a frase atribuída a Ricardo Franco de que ele esteja “jogando parado”. Ou seja, o pedido para que “circule” mais não traduz uma paralisia total de seus atos.

ELES BRIGAM POR HINO VELHO E NOVO
Não chame para um mesmo regabofe o professor Jouberto Uchoa de Mendonça e a professora Aglaé Alencar. Os dois andam às turras por um tema curioso: o hino de Sergipe. O professor Uchoa acha que ele é feio, chato. Que não está à altura do Estado e, logo, necessita ser reformado pela cepa, com letra e música que emprestem melhor autoestima aos sergipanos. A professora Aglaé pensa no extremo contrário. A pendenga ronda os círculos da Academia Sergipana de Letras, onde os dois compartilham fardão, presença e importância. Cá pra nós: as letras de hinos são chatérrimas. A do de Sergipe, muito mais. Como ele exalta a necessidade de libertar o Estado do jugo baiano, usa até as chumbosas palavras rancor e intriga. Veja esta estrofe: “Mandemos porém ao longe/ Essa espécie de rancor/ Que ainda hoje alguém conserva/ Aos da província maior”. Tudo bem: está pregando a paz. Mas… E esta: “Se vier danosa intriga/ Nossos lares habitar,/ Desfeitos aos nossos gostos/ Tudo em flor há de murchar!”. A letra dele é do poeta e professor Manoel Joaquim de Oliveira Campos e a música, do frei José de Santa Cecília. Está regulamentado desde 5 de julho de 1836 pela Assembleia Provincial. Será que a Alese não poderia apartar essa briga entre Uchoa e Aglaé, e pendurar novas letra e música em forma de hino na memória dos sergipanos?

Uchoa: mirando um novo hino

ADAILTON INFORMA PROJETO A JB
O engenheiro Adailton Martins, diretor de Operações do DER, já comunicou ao governador Jackson Barreto a intenção de disputar um mandato de deputado estadual no ano que vem. “Ele me disse: “oh, que bom!””, informou Adailton. Este engenheiro não está sozinho no terreno político e nem é neófito na coisa: já foi vereador e vice-prefeito da Barra dos Coqueiros e é irmão do prefeito Airton Martins. Ambos são do PMDB. Adailton diz que já está se mobilizando, mas adverte: “Eu não vou atrás de quem tem compromisso já firmado com outros pré-candidatos para 2018”, diz ele.

CANDIDATURA MEXE EM COMPOSTURAS
Será que esta observação de Adailton Martins tem direção? A pré-candidatura dele tem tirado gente do PMDB da linha de compostura. Segundo Adailton e Airton, o deputado estadual Zezinho Guimarães, PMDB, procurou diretamente o presidente do DER, Antônio Vasconcelos, para pedir que lhe proibisse a candidatura, mas Vasconcelos teria dito que Adailton era seu colega das antigas, dos tempos de concurso e que não tinha esse direito de interditar o seu projeto. Depois Zezinho se deixou usar por Gilmar Carvalho em programas de rádio, onde Adailton apareceu na pauta.

MARIA E A PROTEÇÃO AO IDOSO
A senadora Maria do Carmo, DEM, disse que vai trabalhar para que as alterações ao Benefício de Prestação Continuada – BPC – não sejam apreciadas dentro da Reforma da Previdência que está sendo proposta pelo Governo. O benefício é garantido pela Constituição às pessoas idosas e deficientes que não contribuíram com a Previdência Social, mas que não possuem condições próprias nem familiares de sustento.

Maria: mexer nos idosos, não

MARIA E A PROTEÇÃO AO IDOSO II
“Desvincular o valor do benefício do salário mínimo coloca em risco a dignidade mínima assegurada para essa população vulnerável, que, comprovadamente, não tem como se sustentar. Também não concordamos com a proposta de elevação da idade mínima de acesso ao benefício, de 65 para 70 anos, porque sabemos que isso vai colocar em risco a vida de milhões de idosos que dependem do sistema de proteção social brasileiro”, alertou Maria.

ETC&TAL
@ Heleno Silva se estressa com a ideia, repassada por esta coluna, de que ele está ao lado de JB, mas vai com qualquer um na sucessão do ano que vem. “Não fique dizendo que estou me oferecendo a Eduardo Amorim. Isso não é justo”, faz beição Heleno.

@ Para a aprofundar a complexidade das relações políticas sergipanas, Heleno Silva cai num quase cordel: “Nada a ver com Amorim. Mas no jogo da política, tudo pode acontecer. Distância grande de eu me oferecer”, diz.

@ Lula disse ontem à rádio O Povo, do Ceará, que João Doria o ataca porque “quer ter dois minutos de glória”. “No fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme num personagem antagônico que eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo, deve parar de fazer pirotecnia e governar a cidade”, disse o ex-presidente.

@ Ciro Gomes, assim como o porta-voz de Lula, André Singer, recomenda que o PSDB escolha Geraldo Alckmin como seu candidato em 2018:

@ “Dória é um farsante que se apresenta como não político, mas já lá no governo José Sarney era presidente da Embratur, e recebeu várias benesses, com o passar dos anos, dos governos do PSDB”, disse Ciro.

@ “Derrotá-lo numa disputa nacional é moleza; eu daria uma surra nele. Já o Alckmin, mesmo com o Jair Bolsonaro tirando muitos votos dos tucanos, é muito mais complicado. Ele sai com o apoio de 50% de São Paulo, quase 15% do Brasil”, aposta Ciro.

@ Em busca de orientações para elevar o índice de transparência no Portal da Câmara Municipal de Estância, o vereador André Graça, presidente do Legislativo, visitou ontem presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa.

@ Durante a reunião, os parlamentares procuraram saber quais medidas devem ser adotadas para obter uma melhor nota na avaliação feita recentemente pelo Tribunal.

@ “Queremos fazer um trabalho no nosso Portal e viemos saber quais os itens que devemos melhorar para ter uma bota boa; tivemos todas as orientações e esperamos que dê tudo certo”, disse André Graça.

@ Conforme o levantamento divulgado pelo Tribunal na última semana, numa escala de 0 a 10, a média geral das notas de transparência das Câmaras Municipais de Sergipe é 0,92.

@ A análise considera critérios como a publicação de receitas e despesas, dados sobre licitações e contratos e também a divulgação da remuneração individualizada dos agentes públicos.