Luis Moura defende ação que proteja eleitor

Por Jozailto Lima
24 mar 2017, 22h39

O presidente do Dieese de Sergipe, economista Luis Moura, manifesta desconforto ao ver a relação distante e bastarda entre os eleitores e os parlamentares por eles eleitos.

Para Moura, alguém da área de tecnologia da informação deveria se ocupar em desenvolver algo nesta esfera que se convertesse num aliado da democracia, vigiando esta relação entre eleitor e votado.

“Será que as novas tecnologias não poderiam permitir que os eleitores acompanhassem não só, mas influenciassem os deputados na hora da votação?”, questiona Moura.

Para Moura, a relação entre “o eleitor” e “o votado” no Brasil é hoje muito desregulamentada, ao modo que tão logo é passada a eleição parece não haver nenhum vínculo entre um e outro. O parlamentar fica solto e dono de si.

“Depois de eleito, nenhum deputado pergunta ao seu eleitor como deve ou não votar no Congresso Nacional. A relação é de confiança, mas nem sempre o eleitor é respeitado”, diz Luis, para quem “isso não é bom para ninguém”.

“Para se eleger, o deputado promete lutar pela saúde, pela educação, pela segurança e a defender o direito do trabalhador. Depois, não é incomum o eleitor se sentir traído nas votações em que o “seu” parlamentar votou contrário aquilo em que ele acredita e que defende”, diz o economista.

Para Luis Moura, a cultura política de representação do parlamento eleva outros valores descasados dos interesses da sociedade.

“Aí, mais do que o voto do eleitor, valem o cargo, a indicação e a liberação da emenda no orçamento. Mas quando o tema não atinge diretamente aquele que o elegeu, o voto do deputado não decepciona tanto”, diz Luis.

“Nesses tempos onde o que está sendo decidido são leis que atingem diretamente a população, a distância entre o voto do deputado e o que quer o eleitor tem aumentado, e muito, tornando quase indefensáveis as justificativas dos parlamentares para votar, por exemplo, na terceirização da mão de obra e nas futuras mudanças propostas pela Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista”, avisa.

A defesa de Luis Moura é plena significação. Mas, possivelmente, esse controle social do mandato parlamentar não exija apenas o braço da tecnologia. A consciência cidadã ainda é a melhor das tecnologias. Ela tudo pode, embora se faça cada vez mais escassa.

ELBER E A MONTANHA QUE PARIU CISCO

O vereador Antônio Bittencourt, PC do B, e líder do Governo de Edvaldo Nogueira na Câmara Municipal de Aracaju, anda preocupado com o que ele suspeita ser um “problema oftalmológico ou sentimental” do líder da oposição, vereador Elber Batalha, PSB. Com um texto cáustico enviado a Aparte, com o título de “A montanha pariu um cisco”, Bittencourt pisa forte nos calos de Elber. “Estou começando a me preocupar com a obsessão do líder da oposição na Câmara de Aracaju em achar o prefeito Edvaldo Nogueira. De cada dez palavras pronunciadas por ele, no mínimo cinco são Edvaldo Nogueira. É uma obsessão quase paixão. Não sei se o problema é oftalmológico ou sentimental”, diz Bittencourt.

ELBER E A MONTANHA QUE PARIU CISCO II

Para o vereador Antônio Bittencourt, é como se Elber Batalha, na suposta obsessão, estivesse vivendo um complexo aperreado de negação do seu próprio passado recente. “Percebo que o vereador Elber Batalha tem se sentido muito desconfortável em não poder tratar das pautas positivas do prefeito, como fazia quando era líder do Governo de Edvaldo na Câmara. E esse desconforto se redobra quando ele percebe que nem pauta positiva ele pode fazer sobre o seu cacique ou seu curumim de legenda, pois esse, sim, precisa ser encontrado e se encontrar”, diz o líder governista. “É uma montanha de impropérios e deselegâncias que o líder da oposição constrói todos os dias contra o prefeito. Edvaldo responde pagando quatro salários em dois meses, reorganizando a educação e a saúde, reduzindo cargos em comissão, inaugurando obras, cuidando da cidade. E a montanha do líder da oposição no máximo consegue parir um cisco nos olhos do próprio Elber”, diz Bittencourt.

LAÉRCIO PAGA ALTO PELA “LIMPEZA” DA FRASE SUJA

A frase “ninguém faz limpeza melhor que a mulher”, dita pelo deputado Laércio Oliveira, SD, numa debate na CNI na última quarta-feira, rendeu muito pano pra mangas. O cientista político Helder Teixeira, que já foi inclusive professor de Laércio numa destas faculdades de Aracaju, ficou passado com a visão do deputado que relatou o projeto de lei das terceirizações e faz uma dura análise. “O deputado, querendo ou não, reproduz o estigma do status social atribuído e, com tal assertiva, reforça a redução da mulher ao trabalho serviçal, braçal e menos qualificado. É preciso atenção, cuidado e zelo quando se emite opiniões sem base ou conteúdo intelectual mais sólido”, disse Helder Teixeira com exclusividade para Aparte.

FRASE REFORÇA DESQUALIFICAÇÃO FEMININA

“Desastrosa a fala do deputado Laércio Oliveira sobre a pretensa qualidade superior do trabalho feminino no âmbito da limpeza e do asseio. O deputado, querendo ou não, reproduz o estigma do status social atribuído e, com tal assertiva, reforça a redução da mulher ao trabalho serviçal, braçal e menos qualificado. Não se trata de questões relacionadas ao “politicamente correto” ou ao “patrulhamento ideológico” que por vezes materializam chifres em cabeça de cavalo, como reza do dito popular”, diz Teixeira.

 LAÉRCIO DEVERIA ERA DESCONTRUIR PRECONCEITOS

“Como representante da sociedade brasileira na Câmara dos Deputados, se faz necessário ao deputado Laércio Oliveira descontruir preconceitos, jargões, ideologias e simbolismos que reforcem a discriminação. Tenho certeza que se o mesmo parlamentar tivesse pronunciado algo como “ninguém sabe lidar melhor com o dinheiro do que os judeus” ou que “os negros são fisicamente mais fortes que os brancos” estaria reproduzindo um discurso que precisa ser colocado na sarjeta dos valores típicos da mediocridade e do despreparo intelectual que assola cada vez mais o tecido social brasileiro”, afirma Helder Teixeira.

 “NÃO FOI UMA FALA QUALQUER”

“Não foi uma fala qualquer, ou mesmo uma descontextualização da frase, como o deputado alegou. Pode-se inferir que se trata de uma estrutura mental bem arraigada nos valores, crenças e ideários que ainda colocam a mulher em posição subalterna desde quando nasce e que a persegue até o fim de sua vida. Em suma: é preciso atenção, cuidado e zelo quando se emite opiniões sem base ou conteúdo intelectual mais sólido”, disse Helder Teixeira.

ALBANO VÊ DIFICULDADES PARA MACHADO NO PSDB

O ex-governador Albano Franco teve com José Carlos Machado duas convivências políticas muito próximas. De 1995 a 1998, Machado foi seu vice-governador. De 2007 a 2010, foram colegas de Câmara Federal. Hoje, os dois são vistos juntos em muitos eventos públicos e em atividades políticas, e Albano não nega ter restado mesmo uma consideração muito positiva. “É um amigo e um quadro muito bom. Ele está querendo ser deputado ano que vem. Se se candidatar, eu voto nele. Tem bom relacionamento na Câmara e pode fazer bem a Sergipe”, disse Albano. O ex-governador acha até razoável o impasse de Machado em encontrar um partido para se filiar. “Creio que ele teria uns problemas de instabilidade em ficar no PSDB. No PMDB, não lhe seria fácil. No PTB ficaria mais à vontade. Mas ele tem um bom tempo para achar uma solução”, diz o ex-governador.

VALADARES FILHO: “NA PEC DA PREVIDÊNCIA NÃO VOTO!”

O deputado federal Valadares Filho, PSB, deixa claro que não tem a menor condição de votar na Reforma da Previdência Social tal como ela chegou ao Congresso, apesar de ser da base aliada do presidente Michel Temer. “Eu já disse isso publicamente e reafirmo aqui a autonomia do meu mandato: voto contra”. Para o parlamentar, há mais erros do que acertos na PEC que quer reformar todo o sistema previdenciário nacional. “O que eu entendo é que o trabalhador brasileiro, sobretudo os mais humildes, como os rurais e os professores, não pode ser tão sacrificado e penalizado por desacertos na gestão da Previdência por governos passados. Discordo que a conta seja cobrada de quem não cometeu erro, de quem não teve culpa polos cálculos passados”, diz Valadares.

 JOSIMAR QUER JOGO ENTRE FLAMENGO E ITABAIANESES

O ex-jogador da Seleção Brasileira Josimar Pereira quer fazer uma partida festiva entre a equipe master do Flamengo e jogadores de grande desempenho do futebol de Itabaiana. Para isso, procurou ontem o prefeito da cidade, Valmir de Francisquinho, que o recebeu. Valmir ouviu o projeto e se comprometeu a dar atenção. “Vamos analisar toda a proposta e o que estiver ao meu alcance e dentro das condições do município, com certeza, eu apoiarei”, disse Valmir. Para a visita não ficar no barato, Valmir deu de presente a Josimar uma camisa do Tricolor da Serra. Para retribuir o apreço, Josimar “convocou” Valmir a participar da possível partida. E aí o prefeito blefou: “Estou à disposição e garanto que estou bem preparado”, disse.

 EMÍLIA CORREA VÊ DESARMONIA NA OPOSIÇÃO

A vereadora de Aracaju Emília Correa, PEN, emitiu ontem sinais de cansaço com os modos de relacionamento da oposição de Aracaju. E mandou um recado de insatisfação aos líderes desse agrupamento. “Eu sou consciente de que faço parte de uma oposição qualificada. Mas é fato que o grupo não dialoga com quem permanece nele. Os líderes da oposição não se preocupam com aqueles que estão saindo e dão mais atenção aos que pularam para situação, como Laércio Oliveira e Capitão Samuel. Não estão dando a mínima. Entendo que isso não é bom de forma alguma. Tenho posicionamentos firmes. Um forte exemplo é a bancada na Câmara Municipal de Aracaju, onde inicialmente se tinha a maioria e se passou a ter uma minoria, mas qualificada e comprometida. Continuarei utilizando o meu mandato dado pelo povo de Aracaju, defendendo com afinco os interesses dos aracajuanos e sergipanos”, disse a vereadora. E aí, a quem recorrer nessa hora?

ETC &TAL

@ O jornalista Carlos Magno Andrade Bastos, aos 54 anos, é pai de seis filhos e avô duas vezes. Aproveitando a meia dúzia de rebentos, ele produziu um trocadilho afetivo e numérico: “Papai ama vô-seis”.

@ Mirian Ribeiro, vereadora de Aracaju 2001 a 2004 pelo PSDB, admite que tem saudades do mandato e do tempo político.

@ “Mas não tenho intenção de disputar novamente”, diz. Hoje ela é filiada ao DEM, mas deixará sigla. Segue Ricardo Franco, que se desiludiu com o DEM.

@ Albano franco se diz orgulhoso do papel de André Moura como líder do Governo Temer no Congresso. E dá um palpite: “Eu não acredito muito nesta história de ele ir para o PMDB”.

@ Para o senador Eduardo Amorim, são lamentáveis os esforços do Governo do Estado de Sergipe faz para a privatização da Deso.

@ Do senador, ontem na Ilha FM de Estância: “Sou totalmente contra a privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe”.

@ “É preciso que o governo invista na empresa que tem importante papel social junto ao sergipano”, fundamentou ele.

@ Viralizou nas mídias sociais a fala do deputado paulista Vicentinho, dizendo que Laércio Oliveira é um figura simpática, “mas o danado é interesseiro”.

@ “O que ele está fazendo aqui é atender aos seus interesses”, disse o deputado. Motivos: o projeto de lei das terceirizações.

@ Do deputado Luciano Pimentel sobre a escolha Valadares Filho para a Presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara Federal:

@ “O Brasil ganhou na manhã de hoje um ótimo aliado do desenvolvimento nacional e regional com a eleição do amigo e irmão Valadares Filho para uma das melhores Comissões da Câmara Federal”.