Luiz Mitidieri aponta outros vices na base do seu grupo

Por Jozailto Lima
04 ago 2017, 19h53

Líder do bloco do PSD de Sergipe, o deputado estadual Luiz Mitidieri acha que seu grupo, aliado ao do deputado estadual Jeferson Andrade, que milita na mesma sigla, tem um peso muito forte, reunindo para mais de 30 lideranças entre prefeitos, vices, vereadores e políticos que não venceram as eleições ano passado, mas que mantém peso nas oposições regionais.

A partir desta realidade, Luiz Mitidieri admite, sim, que está correta a articulação que seu filho, o deputado federal Fábio Mitidieri, faz para que saia deste agrupamento o futuro candidato a vice-governador na chapa a ser montada do lado de Jackson Barreto, possivelmente encabeçada por Belivaldo Chagas.

“Espaço na chapa majoritária é um projeto que todos os partidos da base aliada do Governo vão reivindicar, e o PSD vai solicitar que nesta arrumação a gente possa ocupar a vaga de vice-governador”, diz Luiz.

Aos 63 anos, parlamentar de cinco mandatos, admitindo-se cansado do Legislativo, ao ponto de já ter anunciado a pré-candidatura da filha Maisa Mitidieri à Alese, Luiz Mitidieri não coloca o pé na parede para que seja ele a ocupar esse espaço na majoritária.

“Se for acertado por todos os partidos da base que cabe a nós esta indicação de vice-governador, dentro do PSD a gente vai discutir qual o nome a ser indicado. Por enquanto, o meu é só uma especulação. Não há nenhuma imposição”, diz ele.

Por achar que esse deve ser um “tema aberto”, Luiz Mitidieri cita outras figuras como prováveis. “Tem vários nomes com perfil de vice dentro do partido, e a partir disso vamos analisar”, diz ele.

“Além do meu nome, posso citar as figuras de Jorge Araújo, do deputado Jeferson Andrade, que representa uma outra parte forte dentro do grupo, e cito ainda o ex-deputado federal Bosco França. Só quero deixar claro que não tem que obrigatoriamente ser Luiz Mitidieri”, avisa ele.

Para além dos prefeitos, vices e vereadores que seguem a sua família e ao grupo de Jeferson Andrade, Luiz contabiliza como importantes lideranças da base das oposições municipais figuras da política de Carira, Santa Luzia, Boquim, Carmópolis.

“Eu acho que o nosso é um grupo forte. Quando junta a gente com os prefeitos e as lideranças ligadas a Jeferson Andrade, temos um peso muito significativo. Quando todos se convergem, formamos uma base boa e que deve ser levada em conta”, adverte.

Valadares Filho: Portugal identifica nossas desigualdades


“É PRECISO APROFUNDAR O PENSAR SERGIPE”

O deputado Valadares Filho, PSB, é contra o lançamento de candidaturas ao Governo agora, pelo menos entre as oposições. Para ele, o momento sergipano exige outra conduta. “Nós da oposição chegamos à conclusão de que devemos aprofundar é a discussão sobre o futuro do Estado de Sergipe. É triste o que vimos revelado pelo Anuário Socioeconômico do Departamento de Economia da UFS e que o deputado Luciano Pimentel apresentou esta semana na Alese. Constatamos que Sergipe teve uma década perdida. Temos 15% de desemprego e é preciso discutir um horizonte. Na próxima segunda-feira, às 9h, terei uma audiência com o reitor da UFS, professor Ângelo Antoniolli, para discutirmos as bases do Projeto Pensar Sergipe. Irei acompanhado da presidente da Fundação João Mangabeira, Niully Campos. E por que a UFS? Porque nós queremos começar este debate tendo por base um grande espelho nosso, por uma grande referência, que é a UFS”, diz o deputado.

Eduardo Amorim: em harmonia com a agenda do pensar


AGENDA EM COMUM COM EDUARDO

Segundo Valadares Filho, a cautela com a definição da chapa e a necessidade do debate socioeconômico são compreensões que permeiam as principais lideranças da oposição, como os senadores Eduardo Amorim e Antônio Carlos Valadares. “Na última quarta-feira, eu e o senador Eduardo Amorim almoçamos juntos em Brasília. A pauta foi a necessidade de estreitar algumas agendas que vamos desenvolver em conjunto. E elas estão vinculadas exatamente a questões relacionadas ao Estado de Sergipe e a esses atos sobre o Pensar Sergipe em suas esferas programáticas”, diz o parlamentar. Valadares Filho acha que, hoje, a formação de uma chapa para disputar o Governo do Estado é secundária – como se estivesse indexada ao projeto que repense o Estado.

A CHAPA SÓ NA HORA CERTA
“Eu noto o Eduardo com muita vontade de ser candidato ao Governo. Mas ele não decidiu ainda. Todos nós vamos tomar uma decisão, e Eduardo concorda que seja dessa forma, de que a formação da chapa majoritária deve se dar no momento adequado, que não é agora. Agora é o momento de se Pensar Sergipe. Este é o momento de a gente aprofundar cada vez nos graves problemas administrativos e estruturais que vive o Estado. É o momento de apontar as soluções e debater o conteúdo programático. E na hora adequada, todos em conjunto, ouvindo cada partido da base da oposição, discutiremos amplamente a formação da chapa majoritária. O certo é que não cabe o debate de nomes agora”, diz Valadares.

 

George Trindade: a Deotap iniciou investigação para descobrir responsáveis


JUCESE DETECTA FRAUDES, E AGE

Após desarticular, juntamente com a Deotap, uma quadrilha envolvida em fraudes na constituição de empresas privadas em agosto do ano passado, a Junta Comercial de Sergipe – Jucese – veio a público, na tarde desta última sexta-feira, 4, informar à sociedade que novamente detectou fraudes em atos empresariais sergipanos, mesmo após investir altamente em tecnologia, modernizando o Portal de Serviços Agiliza Sergipe, porta de entrada para abertura, alteração e fechamento de empresas no Estado. Desta vez, o órgão identificou falsificações em chancelas digitais – mecanismo que gera no ato empresarial uma identificação exclusiva através de criptografia dos dados.

JUCESE DETECTA FRAUDES, E AGE II
“Os empresários, profissionais da contabilidade, comissões de licitações de órgãos públicos, bancos devem ficar atentos à veracidade dos documentos recebidos provenientes da Junta Comercial, visto que descobrimos que foram feitas falsificações de chancelas digitais. É possível conferir a autenticidade das chancelas no nosso Portal de Serviços Agiliza Sergipe, no campo “Verificação de Documentos do Empreendedor”, que permite a visualização do ato arquivado na Jucese”, afirma o presidente da Jucese, George Trindade, que, ao identificar as fraudes, comunicou imediatamente a Deotap, que já iniciou os procedimentos investigativos para descobrir os responsáveis pelos crimes.

Sérgio Reis: Jony não deve se meter na casa dos outros

SÉRGIO PEDE QUE JONY NÃO SE META NO PMDB
O ex-deputado federal Sérgio Reis não gostou da suposta “interferência” do deputado federal Jony Marcos, PRB, nos destinos do PMDB, ao sugerir que o governador Jackson Barreto, o peemedebista de maior significado no Estado, deva buscar outra opção partidária. “O deputado Jony deve se preocupar com o partido dele e não com o PMDB. Eu acho que Jony deve se preocupar com os filiados do PRB e a partir daí ir buscar as condições de participar da chapa majoritária e não interferir nas questões internas do PMDB”, disse Sérgio. Jony não falou para onde o govenador deve ir. Mas no fundo dessa briguinha tem disputa de lado a lado por espaço na chapa majoritária que JB venha a montar. Jony diz que o PRB quer estar nela. Sérgio já se ofereceu para ser até o primeiro suplente de JB.

JONY MARCOS, O ENTREVISTADO DE DOMINGO
O deputado federal Jony Marcos, PRB, que deu a justificativa mais dura para votar contra os interesses de Michel Temer na última quarta-feira, defendendo que o STF o investigasse, é o entrevistado do JLPolítica deste domingo. Jony fala do voto, da relação ruim do Governo Federal com Sergipe, da necessidade de o PRB ocupar espaços numa chapa majoritário ano que vem no Estado e defende o nome de Heleno Silva como um trunfo da sigla. Leia neste sábado a partir das 20h.

Jony quer ver Temer fora


ANUÁRIO SOCIOECONÔMICO DÁ O QUE FALAR

Esta semana o JLPolítica traz, em sua Reportagem Especial, uma análise dos dados do Anuário Socioeconômico de Sergipe de 2017. Para isso, ouviu políticos, especialistas e acadêmicos. A maioria fala de um quadro, de fato, preocupante, mas a posição do Governo vai na contramão. “É apenas um Anuário, não um diagnóstico”, diz Ricardo Lacerda. Mas a questão é que Sergipe retrocedeu em praticamente todos os indicativos: o Produto Interno Bruto caiu cerca de 10% nos últimos dois anos; a produção de petróleo não consegue se recuperar; a taxa de desemprego chegou a 15%; a dívida corrente líquida corresponde a 60% da receita corrente líquida. E aí, o que fazer? Leia neste domingo a partir das 20h.

Ricardo Lacerda: “É apenas um Anuário, não um diagnóstico”


FORRÓ NA
CASA DE PUTIN

 [*] Delano Mendes

“Você não tem medo de ir sozinho à Rússia?”, “Lá não é perigoso, não?” Esses foram alguns dos questionamentos que eu ouvi de conhecidos ao dizer-lhes que iria a Moscou. Realmente, a Rússia não é para viajantes inexperientes.

O país dos antigos czares é cheio de peculiaridades, mas esconde encantamentos e um povo orgulhoso, que reconhece sua importância, ainda que relute em externá-la aos turistas.

Quase 70 anos de regime comunista calejou os russos. Eles são naturalmente desconfiados e obcecados por segurança. Já na chegada ao aeroporto, o controle de passaportes é rigoroso.

Mesmo o documento contendo chip, o agente da Polícia Federal deles demora um tempão colocando-o debaixo de uma lupa para ver se não é falso.

Delano Mendes: os russos são frios, mas o gelo se quebra quando você demonstra interesse por eles

Todos os hotéis, estações de metrô e até entradas de shoppings têm detectores de metal. Uma proteção que intimida de início, mas aprece surtir efeitos, visto que Moscou nunca teve nenhum atentado terrorista a exemplo de Londres, Paris e Berlim.

O russo comum não fala inglês. A língua franca do turismo é pouco usada no dia a dia em Moscou. É compreensível, afinal, durante os anos de socialismo, era a Rússia que se apresentava como centro do mundo para eles. Eram os outros, do Leste europeu, que vinham para Moscou aprender russo, a língua oficial do regime.

Mesmo assim, a queda do comunismo provocou uma revolução ainda mais impressionante. Em pouco mais de duas décadas, Moscou se mostra cosmopolita e cheia de lojas e de tudo que o dinheiro pode comprar. Seus habitantes apressados, caminham ostentando iPhones e roupas de marca, como qualquer cidadão do mundo.

E é justamente quando são abordados sobre o passado comunista que os russos desatam a falar. A aparente frieza inicial dá lugar à mais pura sinceridade. Eles não têm nenhuma saudade daqueles tempos.

“A imagem de quatro horas em filas e a falta de gêneros básicos, como farinha, faz a gente não querer nunca mais voltar ao comunismo”, desabafa Dasha, uma simpática guia, que me acompanhou durante a visita ao Kremlin.

Ela também ressalta que, apesar da queda do regime, os russos estão longe de viver em uma democracia plena. “Não temos uma democracia, mas uma Putincracia”, compara. As sete décadas de comunismo criaram nos russos uma concepção de Estado grande e paternalista.

Isso acabou virando território fácil para que um líder populista como o presidente Vladmir Putin se mostrasse como o forte que pode tutelar os anseios do povo russo. “A diferença é que, mesmo tentando controlar meios de comunicação, a gente sabe que, agora, podemos expressar nosso descontentamento e até falar mal do governo”, diz Dasha.

Aliás, falar mal do governo é o passatempo predileto dos moscovitas. A cidade é um caldeirão cultural, que concentra gente vinda de vários países, na maioria antigas repúblicas soviéticas. Com tantas diferenças, não tinha como ser diferente: Putin acaba sendo criticado em seu próprio quintal.

O estilo de Putin governar, exaltando uma Rússia gloriosa e imperial, lembra o estilo de líderes igualmente populistas na América Latina. Qualquer semelhança não é mera coincidência com o militarismo do populismo de direita de Bolsonaro ou no eterno clichê de tutor do povo e pai dos mais pobres do lulupetismo. Populistas são todos iguais, só mudam de endereço.

Os russos são frios, mas o gelo se quebra quando você demonstra interesse por eles. E isso gera surpresas agradabilíssimas. Foi o que aconteceu comigo ao conversar com outra guia. Irina, ao saber que eu era brasileiro, apressou-se a dizer que adorava forró.

Falei a ela sobre o clássico do Rei do Baião, Luís Gonzaga, aquele xote que falava “Ontem eu sonhei que estava em Moscou…”. Ela ficou lisonjeada, falou que ia procurar a música no Youtube. Esse é o novo mundo! Onde as redes sociais democratizam, aproximam e podem fazer com que russos e brasileiros caiam no forró, queira Putin ou não!

[*] É jornalista
e bacharel de Direito.

ETC & TAL
@ Foi-se Belchior, e agora Luiz Melodia, o nosso criativíssimo Pérola Negra. Hora ruim para morrerem os bons da música nacional. Uma pena: esta política está errado.

@ O jornalista Marcos Aurélio Costa, diretor de Comunicação da Alese, passou a semana em São Paulo. Foi ver na Assembleia paulista alguns procedimentos de tecnologia que possam ser aolkciada aqui.

@ Sérgio Reis acha que Temer precisa abrir os olhos para quem é de fato aliado. Para ele, se não souber se haver, o presidente terá muita dificuldade da aprovar matérias que exijam dois terços da casa. A Reforma da Previdência é uma delas. Serão necessários 342 votos.

@ O deputado Luciano Bispo acha que o senador Valadares teria grande dificuldade em ajustar-se como candidato a governador numa chapa das oposições.

@ “Eu conheço ali. Já fiz política com ele. Valadares é árvore de sombra pouca. Só pensa nos interesses pessoais”, diz o parlamentar.

@ O deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, recebeu ontem à noite um título de cidadania do município de Graccho Cardoso. O projeto foi de autoria do vereador José Francisco Alves Santos.

@ Em 2014, Graccho foi a cidade em que Luciano teve a maior votação, proporcionalmente, em Sergipe, com 28,59% dos votos válidos.