TEMPO RUIM

Ninguém merece Temer, Lula e corrupção que rouba R$ 200 bilhões por ano

Por Jozailto Lima
18 maio 2017, 23h26

Não há mais recursos verbais e nem malabarismos jurídicos que possam justificar as profundas agressões da classe política nacional praticadas contra o Brasil e contra o povo brasileiro.

Não dá mais para suportar este desfile de horror que se instalou no Brasil desde o segundo semestre de 2005, quando a histórica entrevista de Renata Lo Prete, na Folha de S. Paulo, com Roberto Jeferson revelou a sordidez do mensalão posto em prática por Luiz Inácio Lula da Silva.

Não é mais possível tolerar o furo da última terça, com Lauro Jardim, dO Globo, revelando que Michel Temer é acusado de usar R$ 2 milhões por mês para abafar as memórias sórdidas de Eduardo Cunha, seu correligionário de PMDB do Rio de Janeiro, em posição de chantagista.

Ninguém suporta mais esta fedentina que há 12 anos a classe política insiste em sacudir no meio da sala e da vida de cada brasileiro. Povo nenhum, em nenhum lugar do mundo, merece partidos como PT e PMDB, “líderes” como Lula e Temer, e muito menos os atos que nascem da militância política deles.

País nenhuma é credor de conglomerado de empreiteira elevado a gangsteres, como Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, UTC Engenharia, Engevix e outras que tais que dão as cartas e roubam literalmente dinheiro que deveria ser do brasileiro.

País nenhum merece ser sangrado em R$ 200 bilhões por ano pelas pinças da corrupção. Não é justo e nem humano que, em decorrência dessa corrupção sem freios, se faça desfilar 14 milhões de zumbis desempregados numa nação de pouco mais de 100 milhões de pessoas dentro do que se chama de mercado de mão de obra economicamente ativa.

Portanto, chega. E isso não é retórica: ninguém merece Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio Neves, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff e essa corrupção que conspurca, embota e desvia qualquer esperança da nação. Chega.

TEMER DEVERIA RENUNCIAR
Desde o final da tarde de terça-feira, depois que O Globo vazou detalhes da gravação de conversas entre Joesley Batista, do Friboi, e Michel Temer, o aspecto de ilegitimidade do Governo do Brasil ganhou traços irreversíveis. Segundo delação do empresário, Temer deu aval para a compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha, preso desde outubro do ano passado em Curitiba pela Lava Jato. E isso a um custo de R$ 500 mil por semana. Claro que presidente nega. Assim como Lula nega todas as evidências de malfeitos praticados por ele em tudo que a Operação Lava Jato lhe acusa.

TEMER DEVERIA RENUNCIAR II
Ontem, Temer veio a público dar um dos seus últimos suspiros. Negou que tivesse pactuado a compra de silêncio de ninguém e aferrou-se àquilo que ele e gente da espécie dele mais gosta: a permanência no cargo e no poder. Temer que, em verdade, deveria renunciar ao mandato, quer fixar-se nele. “Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidos nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução a estas investigações”, disse ele ontem em uma solenidade em Brasília.

DESTINO TRÁGICO TEVE AÉCIO
Mas a nuvem sombria não pairou somente sobre Michel Temer de terça-feira para cá. Destino trágico também teve o sanador Aécio Neves, PSDB. Depois de ver um pedido de prisão negado – ele aparece na delação premiada de Joesley Batista como alguém que pediu R$ 2 milhões de agrado – e ter a prisão Andrea Neves, seu braço direito, mandada à cadeia, Aécio viu a justiça decretar a interrupção do seu mandato de senador. O destino certamente não lhe reserva boa nova. E ele já é alvo de outras denúncias na Lava Jato.

Aécio Neves: mandato suspenso, irmã presa

EDUARDO AMORIM SERÁ ATINGIDO
A coluna Aparte emitiu opinião ontem, segundo a qual uma eventual queda de Michel Temer provocaria enorme estrago na imagem do deputado federal André Moura, PSC, líder do Governo dele no Congresso Nacional. A coluna mantém a opinião. Mas aqui vale uma análise na esfera de Aécio sobre Sergipe: com a retirada dele de cena, inevitavelmente o senador Eduardo Amorim será atingido em seu novo projeto. Eduardo deixou no começo deste ano o PSC e foi para o PSDB, casa política em que Aécio é a estrela maior. Mesmo ressalvando a autonomia das realidades locais, quando o brilho do senador mineiro embota Eduardo pode pagar uma cota cara e ruim. Não custa ressaltar, para mesurar o peso das companhias, que os últimos três mandatos de governador de Sergipe – dois de Déda e um de JB – foram obtidos casados com os de presidente. Déda com Lula e Dilma, em 2006 e 2010, e JB com Dilma, em 2014.

Eduardo Amorim: saia justa à sombra de Aécio

NO QUE PERDE O SENADOR VALADARES?
Mas, e na esfera do senador Antônio Carlos Valadares, PSB, quais as consequências? Pode haver reveses também, sim. Mais gato que cão, o senador do PSB ronronou aos pés de Temer, mas não se expôs tanto. Agora mesmo na votação da reformas, ele deu sinais de não ser uma aliado incondicional. Mas é bem provável que ele sonhasse com um Governo Temer de cabeça de pé – o que estava difícil e perigou de terça para cá. Talvez o que mais pese no horizonte futuro do senador seja o deslocamento dele em relação ao grupo em que sempre esteve associado desde 1994, que envolve JB, compreendeu Marcelo Déda e Zé Eduardo Dutra e a infra petista. O senador socialista trabalha com outro indicativo: o de que JB está uma tragédia, que não vai muito longe e que a associação em aliança com Eduardo Amorim pode depreciá-lo mais e mais.

Antônio Carlos Valadares: fidelidade mais gato que cão

ATENÇÃO AO HISTÓRICO DE JB
Mas a ideia de que “JB está uma tragédia” e de “que não vai muito longe” pode soar perigosa diante do histórico pessoal dele, de ter um Governo em mãos e, sobretudo, em face de um previsível fracasso de Temer. Curiosamente, JB e Temer são irmãos de um mesmo teto peemedebista. Mas não siameses. Aliás, JB mostrou uma certa rispidez a Temer logo após o impeachment. Depois, pela liturgia do cargo, dobrou-se à uma convivência civilizada. Mas nunca levantou crachás afetuosos em favor do presidente. Foi, inclusive, alvo de campanha quase hostil de tomada do PMDB atendendo supostamente a interesses temistas. O fim de Temer antes do tempo e um candidatura forte ao lado de JB – como um Lula, eventualmente –, pode favorecer enormemente qualquer nome que saia da cartola de JB para a sucessão.

Jackson Barreto: não o subestimem

GAMA DIZ QUE CRISE É PIOR QUE A DE 64
O presidente do PMDB de Sergipe, João Augusto Gama, disse ontem que as novas denúncias contra o presidente Michel Temer “vão aprofundar mais a recessão” no Brasil e em Sergipe. “É mais uma bronca. É mais uma crise. Já acabaram com as empresas de construção civil e agora vão estragar o setor de carne, que é muito importante para a economia”, diz Gama. “Não tem hoje uma só pessoa com projeto de abrir uma empresa ou de comprar um terreno que leve isso à frente. Quem sabe no que isso vai dar? É uma crise que sabe Deus quando vai acabar. É uma crise que nós não vivemos nem em 64. Eu era jovem e acompanhei.  Economicamente, eu não vi nada igual. Nada com essa profundidade”, diz. Segundo Gama, o crescimento de 1,1% anunciado pelo Governo esta semana para o primeiro trimestre deste ano “não contempla Sergipe”. “A Sergipe só chega quando retornarem a Petrobras e o setor de petróleo. Os funcionários da Petrobras, que estavam aqui, que tinham participação nos lucros, acabaram. Você conversa com o pessoal do setor hoteleiro e vê que está com dificuldade: 40% do seu público era da Petrobras e da Vale do Rio Doce. No setor imobiliário, os alugueis pararam”, diz Gama.

João Augusto Gama: sabe Deus quando vai acabar

SESSÃO INTINERANTE NA CÂMARA DE ESTÂNCIAA
No próximo dia 30 deste mês, uma terça-feira, a Câmara Municipal de Estância vai fazer sua primeira sessão itinerante. O projeto de lei criando esse tipo sessão foi aprovado na legislatura passada, mas nunca havia sido posto em prática. “Nossa intenção é a de aproximar o legislativo do povo de Estância”, diz o presidente André Graça. Ele quer fazer pelo menos três itinerantes por ano, atendendo a bairros e povoados de Estância. Começa pelo Cidade Nova, um dos maiores. “A nossa preocupação é a de fazer um Poder Legislativo diferenciado e mais ativo”, diz André. Sob sua gestão, a Câmara de Estância já está realizando uma série de cursos de interesses da comunidade, e todos os atos da gestão estão sendo colocados no Portal da Transparência do Legislativo.

André Graça: Legislativo diferenciado e mais ativo

BELIVALDO: AONDE A GENTE VAI PARAR?
O vice-governador Belivaldo Chagas, PMDB, recebeu os últimos fatos da política do Brasil como “uma tragédia” e com muita preocupação. Em respeito à sua condição de peemedebista, diz preferir não imitir comentários sobre os aspectos políticos, mas do ponto de vista das finanças públicas e do desenvolvimento econômico, manifesta profundo descontentamento. “Não tem como a gente não se preocupar com os rumos deste país. Aonde a gente vai parar, pelo amor de Deus?”, questiona Belivaldo. “É realmente muito preocupante e eu fiquei até as 2 horas da madrugada de quarta pra quinta acompanhando o noticiário na TV. As bolsas despencaram todas e o dólar pipocou. O que mais me preocupa? Num momento que a gente achava que a coisa ia dar uma segurada, recuperando a economia, aí vem e dá uma degringolada dessa. Isso vai mexer com a economia geral e vai lenhar com tudo. Agora vai levar mais um ano para a gente retomar a economia. Isso pode respingar significativamente nos Estados e nos municípios. Tudo acontece no momento em que nós precisamos debelar esta queda do FPE e FPM”, diz Belivaldo.

Belivaldo Chagas: mexe com a economia geral e lenha com tudo

UM NOVO COLÉGIO ATHENEU SERGIPENSE
Hoje, o processo licitatório para reforma do Colégio Estadual Atheneu Sergipense, em Aracaju, será publicado no Diário Oficial. Ela é iniciativa do governador Jackson Barreto, que vai bancar a obra com recurso próprio do Estado de Sergipe, depois que Governo Federal não acenou com perspectivas concretas de parceria. É orçada em R$ 8,5 milhões e atende antiga reivindicação comunidade escolar. O prazo para conclusão da reforma é de 365 dias. “O Atheneu é um símbolo que precisamos preservar. Lá estudaram diversas gerações de grandes personalidades do nosso Estado. O Atheneu é um símbolo da nossa história e da nossa sergipanidade. Vamos entregá-lo totalmente revitalizado para o nosso povo”, disse o governador. Ele foi um aluno da instituição.

JB e Jorge Carvalho, secretário da Educação, discutem a reforma

UMA AGENDA PARA O FUTURO

[*] Dilson Menezes

Pensar Sergipe é um tema importante e que merece um amplo debate com a sociedade. O que ela espera dos governantes para a promoção do seu bem-estar e melhoria de vida? O que ela pensa sobre o futuro? O que está faltando, além dessa comunicação, é ressuscitar o planejamento voltado para o desenvolvimento.
O Estado de Sergipe estagnou justamente por falta de acordo de planejamento e da montagem de uma equipe técnica de alto nível para discutir as questões relevantes e montar uma proposta consistente para o desenvolvimento do nosso Estado a longo prazo.
Esta é uma época boa, pois já que o governo não dispõe de recursos financeiros para investir, aproveitar esse vácuo para trabalhar na elaboração de programas e projetos integrados e que sejam, no seu conjunto, propulsores de desenvolvimento.
Reavaliar os potenciais das nossas matérias-primas minerais, nossa agricultura, seus potenciais para a montagem de grandes projetos; avaliar a nossa infraestrutura em termos de estradas, porto, energia elétrica, abastecimento d’água e outros, montar uma equipe de trabalho multidisciplinar e dar liberdade para que ela trabalhe. Capacitar esse grupo para saber pensar e produzir projetos de qualidade e consistes.
Ao mesmo tempo, desenvolver um projeto na área educacional para, a médio prazo, dar sustentabilidade ao projeto de desenvolvimento mediante o fornecimento de mão-de-obra qualificada. Pensar Sergipe é enveredar por esse caminho, com o olhar voltado para o futuro e para o longo prazo.
Acho que a sociedade precisa estar sensibilizada para uma ação dessa natureza, tendo-se em mente que não se trata de um projeto político eleitoral. Mas, sobretudo, um projeto para retirar Sergipe do seu atraso.

[*] É economista.

ETC & TAL
@ De Temer, em fala pública ontem, quase 24 horas depois de bombardeado por Joesley Batista: “Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará”.

@ Aí ainda é Temer, lendo errado sua própria história: “Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos”.

@ João Augusto Gama tem uma visão tenebrosa do senador Eduardo Amorim. “Eu acho que Eduardo Amorim não é liderança. É um político insosso. Não fede nem cheira”.

@ “Ele não tem raiz na sociedade. Ele não enraíza. Ele não ancora. Ele não conseguiu se firmar como líder. Ele não tem nada que empolgue na sociedade. A gente viu isso nas últimas eleições”, diz.

@ Em nota pública assinada pelo juiz Antônio Henrique de Almeida Santos, presidente da Associação dos Magistrados de Sergipe – Amase – e divulgada ontem, foi apontada falta de legitimidade para a continuidade das reformas que estão sendo discutidas no Congresso.

@ “As notícias veiculadas até aqui evidenciam o comprometimento ético de parte dos agentes públicos que capitaneiam essas importantes modificações legais, de modo a lhes retirar a legitimidade para levar adiante temas de fundamental importância para a sociedade brasileira, tanto atual quanto futura”, diz um trecho da nota.

@ “Entende-se que as sérias suspeitas que pairam sobre graduadas autoridades públicas são suficientes para deslegitimar quaisquer ações tendentes a modificar substancialmente os direitos dos cidadãos brasileiros, como as que estão em curso nesse momento no Congresso Nacional”, diz outro trecho.
@ Goretti Reis é autora da Lei que institui a Semana de Doação de Leite Humano em Sergipe. Ela instituiu e incluiu no calendário anual de Sergipe a Semana Estadual de Doação de Leite Humano. Este ano acontece no período de 19 a 25 deste mês.
@ A iniciativa busca promover de atitudes que ajudem no aumento da doação para o abastecimento contínuo dos Bancos de Leite em Sergipe.
@ O deputado federal Laércio, SD, defende participação do Governo Federal para enfrentamento da violência no país.
@ De acordo com o último mapa da Violência, Sergipe é o terceiro Estado em número de homicídios no Brasil, registrando 41,2 por cada grupo de 100 mil habitantes.
@ Fica atrás do Ceará, com 42,9, e de Alagoas com 56,1. Preocupado com a situação, Laércio participou ontem de reunião da bancada do Nordeste na Câmara federal.
@ A bancada decidiu que será entregue ao presidente Temer manifesta pedindo a criação de um Plano Nacional de Segurança, a ampliação dos presídios de Segurança Máxima e a revisão na Lei de Execuções Penais.
@ Marcos Correa Lima, auditor estadual aposentado e advogado, acha que “Temer não se segura. Vai cair por burrice. Nem tanto pelo que falou. Muito mais e principalmente pelo que ouviu passivamente”.
@ “Teve uma oportunidade de ouro: dar voz de prisão ao picareta da JBS. Ou pelo menos pedir licença enfaticamente e mandar o cara embora. Ele, o presidente, é a maior autoridade do país e, como tal, não pode ouvir passivamente o cara confessar crimes contra o poder público”.