“Nós vamos de Belivaldo pro Governo e JB, Senado”

Por Jozailto Lima
13 abr 2017, 22h00

O deputado estadual Zezinho Guimarães, PMDB, tem provocado alguns desarranjos na esfera do Governo, com denúncias de que os secretários de Estado Zezinho Sobral e Esmeraldo Leal estão usando a infraestrutura pública para se cacifarem na campanha para a Alese ano que Vem. Tem sido pouco ouvido nesse sentido.

Mas, ajuizado, Zezinho Guimarães procura compensar isso com uma defesa aberta de uma chapa majoritária para 2018 com uma densa participação do PMDB. Incluindo, lógico, Jackson Barreto como candidato ao Senado.

“O PMDB já tem um bom e competitivo pré-candidato ao Governo. Ele chama-se Belivaldo Chagas. JB será candidato ao Senado, com toda convicção, e será eleito senador de Sergipe”, diz. Acompanhe este bate-papo de Zezinho com a coluna Aparte.

JLPolítica – O PMDB tem condições de apresentar um candidato competitivo ao Governo do Estado?
Zezinho Guimarães – O PMDB já tem um bom e competitivo pré-candidato ao Governo. Ele chama-se Belivaldo Chagas. É um homem experiente, que já deu sua contribuição em diversas áreas públicas. Um homem que exerceu o cargo executivo com eficiência e portanto está talhado e preparado para ser o nosso candidato a governador.

JLPolítica – Mas por que no seu partido também se fala em Almeida e Gama?
ZG – Não. No nosso partido não se fala. É na sociedade. E de certa forma, tem alguns que estão buscando intriga. Mas o fato é que o partido está focado, determinado, em apoiar Belivaldo Chagas.

JLPolítica – Belivaldo Chagas candidato a governador com Jackson no mandato tem que perspectiva? E sem Jackson tem que outra perspectiva?
ZG – Eu acho que Jackson ficando, ele vai trabalhar diuturnamente para fazer o seu sucessor. Não tenho dúvida disso. A hipótese com Jackson saindo para senador e Belivaldo assumindo o Governo gera todas as condições de saírem os dois à rua para a campanha eleitoral. Acho que de certa forma até o fortalece.

JLPolítica – Mas a segunda hipótese seria melhor?
ZG – A segunda hipótese é que está caminhando para ser consagrada.

JLPolítica – O senhor vê desejo em JB de ser candidato ao Senado?
ZG – Vejo desejo eterno. JB será candidato ao Senado, com toda convicção.

JLPolítica – O senhor acha que ele tem condições de se eleger, com tantas dificuldades do Estado?
ZG – Jackson se for candidato ao Senado, e será, terá eleição muito bem representativa do ponto de vista eleitoral. Jackson será eleito senador de Sergipe.

JLPolítica – O segundo ou o primeiro mais votado?
ZG – Eu não tenho dúvida de que será o primeiro.

JLPolítica – O senhor acha que tem condição de sair numa chapa ele e Laércio Oliveira?
ZG – Olha, o segundo nome eu não tenho nenhuma convicção e nenhum indicativo de quem virá a ser. Evidentemente que se fala em Heleno Silva, Laércio Oliveira, alguém do PT, Fábio Henrique, Fábio Mitidieiri – há vários nomes. Nós temos muitos nomes do lado do governo. Evidentemente que a gente sabe como se dá a eleição em Sergipe: o povo é sábio, sempre escolhe um de um lado, outro de outro, para que se mantenha um equilíbrio. Mas o fato é que se Jackson for candidato, uma vaga é dele.

JLPolítica – Rogério Carvalho candidato ao Governo do Estado atrapalha o projeto dos senhores?
ZG – Se Rogério for candidato ao governo, não será com o apoio do deputado Zezinho Guimarães do PMDB.

JLPolítica – Por que?
ZG – Porque não é possível. A gente está vendo quase que diuturnamente essa questão do PMDB com o PT. Se isso acontecer, eu desejo boa sorte a ele, mas não será com o apoio deste que vos fala.

EDVALDO, A TORRE E JB
Tem causado um certo desconforto na base do Governo do Estado a maneira como prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PC do B, tem insistido em suas declarações públicas que a Torre Empreendimento é uma empresa trazida a Sergipe através de Jackson Barreto há cerca de 30 anos. A insistência de Edvaldo tem aspecto de faca de dois gumes: num primeiro propósito – isso é entendimento de aliados do governador -, unir o drama dele frente a Torre à imagem pessoal de Jackson Barreto, numa espécie de abraço de afogado; num segundo, manifestar descontentamento direto com o governador do Estado por ele não ter contido a ação da polícia que terminou dando na prisão de José Antônio Torres Neto, o dono da Torre. Edvaldo precisa rever melhor suas falas.

Edvaldo: falas infelizes

SÍLVIA E FÁBIO SERÃO CANDIDATOS
A deputada estadual Sílvia Fontes, PDT, tem ocupado espaços na mídia recentemente para dizer, antecipadamente, que é candidata à reeleição em 2018. Mas a coluna Aparte não poderia deixar de lhe questionar: e se o marido, Fábio Henrique, não conseguir construir outras saídas e quiser disputar mandato de deputado estadual, como ficaria a intenção dela? Sílvia não se acanha diante disso e diz que está tudo equacionado.

FAMÍLIA UNIDA NÃO SE ABALA
“A família nunca será abalada. Nossa relação familiar não se mistura com política. Uma coisa é a instituição familiar e a outra é o nosso relacionamento político. Mas temos conversado muito sobre isso e está pacificado. Fábio confirma que é justo o meu projeto de reeleição, assim como está definido que ele irá também a uma candidatura de deputado federal. O presidente do nosso partido, Carlos Lupi, vê Fábio como um grande expoente do PDT aqui de Sergipe e defende a candidatura dele a federal”, diz ela.

Fábio Henrique: a federal

ALEXANDRE FIGUEIREDO E OS FUNDAMENTOS
O advogado Alexandre Figueiredo, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, órgão de pensamento do PMDB em Sergipe, tem bons fundamentos para o seu projeto de disputar um mandato de deputado federal ano que vem. Descendente de uma família política, Alexandre acha que esta atividade é fundamental na sustentação da sociedade moderna.

Alexandre: política é um tudo

POLÍTICA FAZ PARTE DA VIDA
“O motivo de querer ser deputado federal é que tenho consciência de que a política – por mais que algumas pessoas não gostem dela – faz parte de nossas vidas. Desde o momento em que acordamos, respiramos política. Ela está presente em todas as nossas ações cotidianas como, por exemplo, ao abrir a torneira para lavar o rosto, e até quando vamos dormir e apagamos a luz”, diz.

CONTRIBUIÇÃO AO ESTADO E AO BRASIL
“Saindo dessa premissa, é em Brasília e, em especial, na Câmara dos Deputados, que se tomam as decisões importantes para o País. Quero poder dá minha contribuição ao nosso Estado e ao Brasil, tendo sempre em mente e no coração o exemplo de seriedade e honestidade que aprendi com meu pai, Benedito Figueiredo”, diz ele. Benedito foi vice-governador de Sergipe duas vezes – ao lado de Antônio Carlos Valadares (de 1987 a 1991) e num dos mandatos de Albano Franco (de 1999 a 2002) e deputado federal de 1991 a 1994.

MUDANÇA NO JEITO DE FAZER POLÍTICA
A eleição de um federal ano que vem não vai ser um páreo dos mais fáceis. Há muitos bons nomes e gente com estrutura eleitoral bem distribuída. Alexandre Figueiredo revela sua estratégia neste contexto. “Quanto ao que faço para alcançar o meu objetivo, visito todos os fins de semana amigos no interior e na Grande Aracaju, mostrando a eles a necessidade de mudança no jeito que de fazer política, sendo objetivo e sincero com todos, o que, aliás, é uma característica da minha personalidade.

JAIRO DIZ NÃO TEMER CONCORRÊNCIA
O deputado estadual Jairo de Glória não se assusta com o projeto do prefeito de Glória, Chico do Correio, PT, de lançar a candidatura de Serginho Oliveira, sem partido, à Assembleia Legislativa ano que vem. “De modo algum. No sertão tem um ditado popular que diz que quanto mais vaca, mais bezerro. O sertão tem uma densidade eleitoral muito grande, que dá para eleger de dois a três deputados estaduais”, diz. Mas Jairo, que é opositor de Chico, chega a colocar em questionamento o projeto eleitoral de Serginho e põe Chico como se estivesse a falar só e unilateralmente.

Jairo: com Serginho na cola

SÓ CHICO DIZ QUE SERGINHO É CANDIDATO
“Até então nós ouvimos só de Chico que Serginho é candidato a deputado estadual. Talvez não expresse a vontade dele. Até porque, no passado, Serginho teve interesse de ser candidato e não teve espaço para colocar seu nome à disposição do povo. Mas encaramos isso de forma absolutamente natural e vamos aguardar o período das convenções. Por enquanto, ele é colocado como candidato, mas não veio a rádio, não veio a imprensa, para anunciar que é o candidato. Entendo que deixar outras pessoas fazerem este anúncio é meio complicado. Talvez seja uma estratégia para lá na frente poder haver um recuo”, diz Jairo.

GLÓRIA E UMA MAIOR REPRESENTAÇÃO
Parlamentar de primeiro mandato, eleito em 2014 com 22.560 votos pelo PRB, Jairo de Glória acha até que, ressalvados os riscos de uma disputada, seria muito importante que o município sede da bacia leiteira de Sergipe tivesse uma representação mais encorpada na Alese. “De fundamental importância para Glória. Seria mais uma representação e tornaria Glória mais forte na significação política do Estado de Sergipe, assim como Itabaiana e como Lagarto sempre tiveram dois representantes na Assembleia. Se isso vier a ocorrer, e se nós dois formos eleitos, é muito bom para o sertão e para a cidade de Glória em especial”, diz Jairo.

SERGINHO PRECISA CONTER OS SEUS
Como política é política, e nela às vezes valem mais as cotoveladas que os afagos, ao mesmo tempo em que “assopra”, Jairo também “morde”. “Mas para Serginho ser candidato a deputado, primeiro ele tem que resolver o problema dos aliados dele, que tem compromisso com Zezinho Guimarães, como os vereadores Júnior Gazeta, Vaneide, Astrogildo e Maíza. Tudo leva a crer que estes devem obediência a Zezinho Guimarães. Se ele conseguir o consenso dessas lideranças e desfizer o compromisso com Zezinho, talvez a candidatura dele passe a ser uma realidade”, diz Jairo.

ROLLEMBERG LEITE VAI A LIVRO
O engenheiro, ex-governador e ex-senador José Rollemberg Leite, recém-completados os 105 anos de seu nascimento, terá uma biografia à altura da sua história e significação. O trabalho está sendo escrito pelo economista Dilson Menezes, que se debruça há dois anos sobre a vida deste político. Rollemberg Leite é considerado fundamental ao desenvolvimento sergipano, com mandato de senador, em 1964, e dois de governador, eleito em 1947, indo até 1951, e nomeado biônico pelos militares entre 66 e 69 – ele sucedeu Paulo Barreto e foi sucedido por Augusto Franco. “José Rollemberg Leite foi um político, austero, honesto e sempre teve boa imagem”, diz Dilson Menezes.

Dilson Barreto: pesquisa histórica

“JOSÉ ROLLEMBERG LEITE – TRAJETÓRIA POLÍTICA”.
Rollemberg Leite nasceu em Riachuelo no dia 19 de setembro de 1912. É filho do médico Sílvio Cesar Leite, que vem a ser irmão do também médico Augusto Cesar Leite, fundador do Hospital Cirurgia. Sílvio e Augusto são irmãos, e Augusto é pai de Virgínia Leite Franco, mãe de Albano Franco, o que faz desses ex-governadores primos segundos. Esse emaranhado todo vai ser contado por Dilson no livro que provisoriamente ele quer chamar de “José Rollemberg Leite – Trajetória Política”. Dilson afirma que não tem ainda editor para o livro.

UM PAPO UM TANTO HINO
O tema é sério, meio pesado, mas o entrevistado tornou as coisas sóbrias: do alto dos seus 80 anos, o professor Jouberto Uchoa de Mendonça aperta o dedo numa discussão-tabu: afinal, o hino sergipano é mesmo feio, chato, monótono e deve ser mudado? Saiba das respostas lendo a entrevista domingueira com o reitor da Unit. Só uma dica: ele não tem o menor medo das ideias da professora Agalé Fontes, a guardiã da tese de que o hino é intocável. Leia, a partir da zero hora de sábado.

ETC & TAL
@ O tom da relação entre os itabaianenses Valmir de Francisquinho, prefeito, e Luciano Bispo, ex-prefeito e deputado estadual, não é dos mais brandos.

@ Luciano Bispo disse aqui na edição de ontem que Valmir precisa se cuidar dos efeitos de uma fiscalização recente da CGU na cidade.

@ “Quem entende de coisas erradas, desvio de dinheiro, apropriação indébita e outras falcatruas é Luciano Bispo. Estamos no comando do município há quatro anos e três meses e nunca nos envolvemos em absolutamente nada de errado”, reagiu Valmir.

@ “A presença da CGU na prefeitura é uma ação normal que é realizada em todas as prefeituras do Brasil. Não significa que tenhamos cometido qualquer irregularidade, o que ficará comprovado no relatório final”, completou.

@ Chica do Fato é a única vereadora de Estância entre 14 outros, todos do sexo masculino. A coluna tinha Estância como mais bem resolvida nesta questão de gênero.

@ Nem salva que entre eles haja nomes como Sérgio da Larissa e que o próprio presidente chame-se André Graça. Salva um pouco que se tenha uma vice-prefeita, na pessoa de Adriana Leite. Ô, estancianos, sejam mais abertos!

@  Do leitor Adalberto Vasconcelos Andrade: “Edvaldo Nogueira está entrando num rabo de foguete com essa novela mexicana da questão do lixo. O estopim já foi aceso e vai explodir lixo pra tudo quanto é lado”.

@ Ainda Adalberto: “Perdeu a oportunidade de corrigir os erros do passado e começar a gestão revogando o IPTU – promessa de campanha – e fazendo a licitação da coleta do lixo e do transporte público. Além de acabar com esse falso BRT”.

@ Ontem uma boa chuva encheu tudo nos povoados Lagoa do Tupi e Várzea Nova, em Gararu. Segundo o líder comunitário Mouracesar, transbordaram tanques que há dez anos não enchiam. Até os sapos fizeram a política da alegria.

@ O jornalista Keizer Santos, DRT 2099/SE, distribuiu comunicado ontem informando que voltou ao cargo de assessor de Comunicação Social da Prefeitura de Maruim.

 

@ Estimados leitores, em face do feriado desta Sexta-Feira Santa e de estar na cidade de São Paulo, no ócio de um passeio, não teremos Aparte neste sábado. Obrigado e até breve.