Oposição fixa calendário visando sucessão governamental de 2018

Por Jozailto Lima
20 fev 2017, 23h59

Nunca um ano de véspera de eleição chamou tanto para si as tratativas do ano de eleição quanto este 2017. A qualquer pessoa um pouco mais desavisada, fica patente a sensação de que será no próximo 1º de outubro o dia da próxima eleição. Errado. Será no domingo, dia 7, mas de um ano e sete dias depois.

As brigas entre o governador Jackson Barreto e os senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim e o pré-lançamento do nome de Belivaldo Chagas como futuro candidato governista contribuem com essa, digamos assim, precocidade de visão. É bom? É ruim? Não dá pra julgar. Dá apenas para detectar a profunda antecedência.

E ontem pela manhã, num hotel da Atalaia, essa antecedência ganhou um capítulo novo a mais. Em torno da sucessão de 2018, se reuniram os senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim, o suplente de senador Ricardo Franco, o deputado federal Valadares Filho e quatro – Georgeo Passos, Luciano Pimentel, Venâncio Fonseca e Pastor Antônio dos Santos – dos apenas seis deputados estaduais que sobraram na composição da oposição na Alese.

Claro que não fizeram ali uma distribuição dos três nomes que comporão uma chapa majoritária de 2018 – governador, vice-governador e senador. Não é a hora. Mas foi posto à mesa, como uma forma de dizer que a oposição está viva, o cardápio de nomes de onde, na hora certa, pinçarão os três.

Claro que entram na lista os senadores Amorim e Valadares e mais os nomes de Ricardo Franco e de André Moura – este último não se fez presente e, ao lado de Adelson Barreto, se constituiu numa ausência robusta. Ele estava em compromisso no DF e Adelson, num outro inadiável em Aracaju.

A coisa é séria. A antecedência ganhou até cronograma. Primeiro, eles acham que o afunilamento da chapa só deve se dar no segundo semestre, com lançamento pra valer lá no comecinho de 2018. Mas, antes disso, deixaram decidido fazer uma reunião mensal. A próxima já será na segunda-feira, depois do carnaval.

“Podem vir até mais nomes do que esses listados. O que nós queremos é mostrar nosso planejamento aos sergipanos. O Governo imagina que a oposição está desarmada. Não está”, diz o senador Eduardo Amorim.

Uma das estratégias é a de montar grupos de estudos para chegar no segundo semestre de 2018 com toda a problemática do Estado devidamente na palma da mão e apresentar suas soluções com maior grau de maturidade.

Eles definiram que, em nome do grupo oposicionista, manterão a série de visitas a instituições importantes da vida de Sergipe, como a que fizeram ao Tribunal de Contas do Estado há duas semanas. Já definiram que os próximos passos os levarão ao Ministério Público Federal – tratarão da FHS -, ao Conal, a OAB e outras que tais.

Bem, se puderam trazer 2018 para 2017 de uma maneira leve, cordial e produtiva – democraticamente produtiva e sem ofender as pessoas, os ritos e os prazos – a sociedade agradecerá. E Sergipe até que está necessitando um pouco disso.

SERÁ QUE AMORIM E VAVÁ SE BEIJARÃO?

Será que esse reggae de relacionamento entre os senadores Eduardo Amorim e Antônio Carlos Valadares, visando a sucessão de Sergipe ano que vem, termina mesmo em reggae ou vai dar tango? Os dois têm aparecido bem nas pesquisas eleitorais – no caso de Vavá, tanto para o Governo quanto para o Senado. Amorim já disse que quer o Governo. Vavá, com o megafone na mão, só atira pra tudo quanto é lado, faz uma zoada “doscabrunco”, diz estar vivíssimo, mas não revela que passarinho quer acertar em 2018. “Estamos juntos. Ele tem um jeito e eu tenho outro. Mas há respeito mútuo”, diz Eduardo Amorim.

JOÃO DANIEL E AS REFORMAS

A pedido dos movimentos sociais e do Comitê em Defesa dos Direitos Sociais, o deputado federal João Daniel, PT, solicitou ao deputado Reginaldo Lopes, PT/MG, que apresentasse requerimento para a realização de um seminário em Aracaju para debater a PEC 287/2016, que trata sobre a Reforma da Previdência, através da Comissão Especial que está analisando a matéria na Câmara. De igual modo, foi feita solicitação, através do deputado Robinson Almeida, PT/BA, para que se realize, também na capital sergipana, seminário para debater o Projeto de Lei 6787/2016, que dispõe sobre a Reforma Trabalhista. (Da Assessoria de Comunicação de João Daniel).

JOÃO DANIEL E AS REFORMAS II

Segundo o deputado João Daniel, o objetivo da realização desses seminários é ouvir representantes de variados órgãos, entidades e especialistas do Estado como forma de ampliar a discussão e permitir que a população conheça a repercussão que as mudanças dessas reformas impactarão nos segurados e trabalhadores e nas relações de trabalho e rede de garantia de direitos aos cidadãos. (Da Assessoria de Comunicação de João Daniel).

PATRIMONIALISMO DA CASA GRANDE
O ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto não tem dúvida sobre a origem dos males do Brasil. Segundo ele, são provenientes da visão patrimonialista ostentada pela classe política a partir do erário. Isso sempre termina em pilhagem, miséria e exclusão social. Para Carlinhos, ou se muda isso ou não se muda o Brasil. E ele está certo e com a razão.

REINALDO É MÁRIO LAGO
Reinaldo Moura é um sujeito anárquico. Aí ele pega uma foto do prefeito Edvaldo Nogueira sentado à mesa do filho deputado André Moura, em audiência em Brasília, e publica no seu face, usando como sonsa legenda um verso da canção “Atire a primeira pedra”, clássico de Mário Lago: “Perdão foi feito pra gente pedir”. Postou às 9h47 do dia 18 e até as 15h16 de ontem, dia 20, tinha garfado 190 curtidas e 70 comentários.

ENCONTRO CORDIAL E PROVEITOSO
O deputado federal Valadares Filho, PSB, “também” considerou seu encontro em Brasília com o prefeito Edvaldo Nogueira, PC do B, na semana passada, como “muito cordial e proveitoso”. As aspas na palavra também são para ressaltar que estes conceitos emitidos são devidamente compartilhados por Edvaldo.

JÁ PENSAVA ANTES
Valadares Filho confirma a versão de Edvaldo de que vai destinar, sim, R$ 1 milhão para a saúde pública de Aracaju através de emenda ao Orçamento da União. Mas faz uma ressalva: “Eu já tinha me decidido por esta emissão de recursos mesmo antes de me avistar com Edvaldo. Afinal, devo muito a Aracaju, de quem recebi quase 135 mil votos no segundo turno do ano passado como candidato a prefeito”, esclarece o parlamentar. É por aí.

RICARDO FRANCO NA RODA
O primeiro suplente de senador Ricardo Franco, sem partido, está se sentido bastante contemplado com a interlocução que vem obtendo com a classe política sergipana. Na sexta da semana passada, manteve uma conversa longa com o ex-prefeito de Socorro, Fábio Henrique, e no sábado, outra com o senador Eduardo Amorim. Ontem, quando todo o staff da oposição se reuniu – os Valadares, Eduardo Amorim, quatro deputados estaduais -, ele era um dos convidados. Ricardo tem mantido um discurso único: “Eu quero ajudar Sergipe a encontrar soluções para o futuro”, diz ele.

FÁBIO HENRIQUE X RICARDO FRANCO
Fábio Henrique revela que nunca tinha mantido um papo tão longo com Ricardo Franco e afirma que saiu da conversa muito animado com a pessoa dele. “Falamos de política nacional, local e de economia. Ele me pareceu muito animado com a causa política, com ideias muito boas e modernas. Me causou uma excelente impressão. Eu o acho um quadro muito interessante”, diz Fábio Henrique.

CONVIDADO PARA O PDT
Esta tal de “excelente impressão” causada por Ricardo Franco em Fábio Henrique teve consequência política imediata: “Eu percebi que ele gosta muito de Ciro Gomes e aproveitei e o convidei a se filiar ao nosso PDT. Cumpri o meu dever. Ele sabe que Ciro é um pré-candidato à Presidência em 2018 e que eu sou um liderado do governador Jackson Barreto”, disse FH. Segundo Fábio, Ricardo deixou patenteado que também gosta muito de JB. Ao sair da reunião de ontem com os opositores, Ricardo disse que não vai agredir pessoas. “Eu defendo ideais”, diz ele.

CONTRAPARTIDA DOS HOSPITAIS CONVENIADOS
Além de auditar as contas da SES e da FHS, o secretário de Saúde Almeida Lima está disposto a manter sob rédeas curtas os repasses e custeios a hospitais particulares conveniados. Ele diz que a relação da SES com essas instituições “é ótima”. “Os hospitais se ressentem é da falta de pontualidade nos pagamentos. Mas é evidente que essa relação vai ser revista caso a caso. É preciso que haja pagamento em dia e contrapartida. A saúde não pode financiar unidades hospitalares que não funcionem. É preciso que mensalmente a gente possa aferir as planilhas de execução dos serviços. Não pode haver liberação de recurso sem a devida prestação dos serviços”, diz ele.

SERGIPE PERDE COM O SUS
Outra área que a Secretaria de Estado da Saúde vai melhorar, segundo Almeida Lima, é a da relação com o SUS. Para Almeida, é preciso ter um desempenho melhor no faturamento dos serviços prestados a esta instituição federal. “Precisamos de mais organização. Enquanto a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes fatura 98% de todo o serviço prestado, o Huse fatura algo em torno de 50%. É preciso gerenciamento nessa área. Aquilo que a gente faz, perde no recebimento das AIHs. Tanto que o próprio ministro da Saúde, quando se pleiteia um aumento, cobra de volta prestação de serviço. No caso do Huse, prestamos os serviços, mas não o informamos devidamente”, diz ele.

CAMILO DANIEL E A RENOVAÇÃO
A política sergipana vive um apagar de muitas de suas estrelas, com diversos dos seus quadros envelhecendo, e carece de renovação. Na eleição do ano passado, alguns jovens até que tentaram colaborar nesse sentido. O sociólogo e mestrando em Geografia Camilo Daniel, 25 anos, foi um deles. E nadou bem. Para a primeira eleição do sujeito, não morreu na praia. Não conseguiu mandato de vereador pelo PT de Aracaju, mas angariou 1.943 votos – somente 57 a menos do que Américo de Deus, do Rede, o último a entrar pelo sensor da legenda.

CAMILO E O AFOITISMO DO PAI
Camilo Daniel é filho do deputado federal João Daniel, PT, e tem, por vezes, o afoitismo do pai – ano passado foi acusado de ser o principal nome vinculado à pichação do comitê do candidato a prefeito Valadares Filho e apareceu em filmagens puxando um coro de apupos contra o senador Eduardo Amorim no Aeroporto de Aracaju. Extremos de jovens, logicamente. Apesar da origem, Camilo diz que não levanta a sua filiação como principal bandeira. “Para mim é indiferente. A cultura política paternalista não permite observar algo além de padrinhos e apadrinhados. Nós estamos no mesmo campo político, jogamos o mesmo time, mas não precisamos utilizar um do outro para angariar votos”, avisa.

PLANEJAMENTO PARA E 2018
Camilo Daniel promete aprofundar a militância nestes dois anos. “O planejamento para 2017 é atuar fortemente no combate ao governo ilegítimo e golpista, debater com a população a Reforma da Previdência, o PL da terceirização, a destruição da política de assistência social e o sucateamento do serviço público. O 2018 será reflexo desse processo, e necessariamente o PT terá um papel de protagonista, pois retornaremos com a política implementada por Lula e Dilma de melhorias e de desenvolvimento. O meu planejamento passa pelo planejamento dos movimentos sociais, da Frente Brasil Popular, e tende a ajudar o PT na construção de uma boa chapa para deputado estadual, pela reeleição do nosso deputado federal, elegendo Rogério senador e organizando o palanque para o melhor presidente que esse país já teve: Lula!”, diz ele.

“LULA NUNCA DESISTIU DA ODEBRECHT”
Com esse título aí, O Antangonista publicou no dia 17.02.17 a seguinte informação – e vai toda entre aspas:
“No depoimento obtido por O Globo, Paulo Melo disse que Marcelo Odebrecht mandou-o comprar um imóvel para o Instituto Lula.
O primeiro imóvel negociado pela empreiteira foi indicado pelo parceiro de Lula, Roberto Teixeira.
O imóvel custou 12 milhões de reais e a compra foi feita em nome de um laranja, a DAG Construtora.
Isso tudo já se sabia.
Mas Paulo Melo acrescentou alguns elementos fundamentais em seu depoimento à Lava Jato:
1 – Marcelo Odebrecht disse que a compra seria feita em nome da DAG “para prevenir desnecessária exposição midiática”.
2 – A compra foi feita em nome de um laranja porque Lula ainda era presidente da República.
3 – Marcelo Odebrecht afirmou que o imóvel seria vendido ou alugado ao Instituto Lula, “jamais doado”.
Lula acabou desistindo do imóvel comprado em nome da DAG. Mas ele nunca desistiu da Odebrecht.
Depois que ele rejeitou o primeiro prédio, a equipe da empreiteira “estudou mais de duas dezenas de outros imóveis para viabilizar o mesmo negócio”, segundo Paulo Melo”.

ETC&TAL
@ O deputado federal Valadares Filho considera “uma ingratidão” as queixas do ex-prefeito de Poço Verde, Thiago Dória, de que o PSB tenha lhe abandonado.

@ “Desafio Thiago Dória a mostrar outro deputado que tenha ajudado tanto a sua gestão de prefeito quanto eu. Aliás, foi por recursos de emendas mandadas por mim que ele fechou as contas do seu governo”, diz o parlamentar.

@ O ex-prefeito Fábio Henrique disse que nunca se encontrou com o sucessor em Socorro, Padre Inaldo, desde o dia 1º de janeiro. Mas tem um compromisso: “Não vou atrapalhá-lo”.

@ Segundo Fábio, ele tem dado orientação aos vereadores que se elegeram pelo seu bloco para que não criem obstáculos ao padre-prefeito.

@ Socorro tem 21 vereadores. O Padre Inaldo se elegeu prefeito arrastando apenas um terço disso. Sete. Os demais 14, todos ligados ao grupo de FH.

@ “Veja: o Padre Inaldo fez presidente da Câmara uma vereadora que por oito anos presidiu o Legislativo como minha aliada. Eu vou dizer o quê?”, diz Fábio. Ela é Maria da Taiçoca.    

@ Além de Georgeo Passos, Luciano Pimentel, Venâncio Fonseca e Pastor Antônio dos Santos, a oposição na Alese tem ainda Dr Vanderbal Marinho e Maria Mendonça.

@ Na reunião de ontem da oposição para tratar da sucessão, Dr Vanderbal Marinho e Maria Mendonça não estavam. Mas ambos justificaram ausência. 

@ A reunião da oposição contou com as presenças do ex-deputado Zeca Silva e do advogado Pedrinho Barreto.

@ Eduardo Amorim ajuda descortinar as pretensões de Ricardo Franco no tablado de 2018. Diz que da sua conversa com ele no sábado ficou patente duas opções: Governo do Estado ou Senado.

@ Ao participar da reunião das oposições ontem, Ricardo Franco saiu com uma convicção: não vai partir pra cima de JB, agressivamente. Se acham amigos. E depois, diz que combate ideias e não pessoas.

@ Daniel Fortes tomou posse como deputado estadual na Alese ontem, em lugar do interditado Tijoi Evangelista, e já foi logo sentando na janela e falando grosso.

@ “Estou começando hoje uma nova etapa. Não devo nada a político nenhum. Estou nesta Casa sem qualquer vínculo”. Sei: isso cheira a adesão governista!

@ Fala, leitor: “Iran Barbosa é um dos poucos nomes que salvam a classe política sergipana. Merece a confiança de uma cadeira na Alese”. Aldevan Silveira, capitão da Polícia Militar de Sergipe, a propósito da abertura de Aparte do dia 18.02.2018, “Iran deputado estadual em 2018 deixa PT sem vereador em Aracaju”