Orlandinho trabalhava para devolver a Canindé a sua importância perdida

Por Jozailto Lima
09 mar 2017, 00h01

A morte de Orlando Porto Andrade, aos 57 anos, na semana passada, interrompeu um prefeito com extrema boa vontade em administrar, em resolver pendências e de reconduzir Canindé de São Francisco aos trilhos de uma fartura, ou estabilidade, que deu fama àquele município do sertão, que há pouco mais de uma década era uma terra de bang-bang.

“Minha sede é matar a sede das pessoas”, dizia ele ao irmão Kaká Andrade, que era tido como seu braço direito e em companhia de quem fez uma verdadeira romaria a Brasília nestes dois meses em que administrou pela terceira vez Canindé. Convém lembrar aos mais novos que esta cidade, no final dos anos 80, antes de a Chesf implantar a Usina de Xingó ali, estava condenada a desparecer do mapa, tamanha era a sua pobreza.

A necessidade de Orlandinho de resolver as pendências de Canindé era tanta que ele acessou, pessoalmente, quatro ministros de Estado nestes dois meses – os da Saúde, Esportes, Integração Nacional e Agricultura. Esteve com os presidentes do Incra, da Funasa e de IBGE.

Só não esteve na audiência com o presidente da República, Michel Temer, para tratar da nova realidade dos royalties de municípios que produzem energia porque estava em São Paulo, cuidando de problemas da saúde – afinal, foi uma recidiva do câncer que o matou na madrugada de domingo, 5. Foi substituído pelo irmão Kaká.

Na visita ao presidente do IBGE, está um dado que diz muito da força de vontade de Orlandinho em favor da cidade que administrava: ele foi pedir para que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reavaliasse o quantitativo de habitantes de Canindé, hoje considerado em 28.832 pessoas.

“Ele não aceitava esses números atribuídos à população de Canindé e pedia revisão. Sabia que uma revisão que nos fizesse passar dos 30 mil, equivaleria a mais recursos para a cidade”, diz Kaká.

“Quando Orlandinho nos dizia que “minha sede é matar a sede das pessoas” não estava falando somente de recursos hídricos. Isso é parte importante, e já fizemos quase quatro mil abastecimentos de água”, informa Kaká.

“Mas o que ele queria mesmo ver era os problemas todos resolvidos. Nos exigiu, por exemplo, que a folha de fevereiro fosse paga entre os dia 23 e 24, porque achava que os funcionários da prefeitura não poderiam sofrer privações salariais no carnaval”, diz Kaká Andrade.

Apesar de nesses dois meses a Justiça ter mandato segurar R$ 1 milhão das receitas de Canindé, a Prefeitura conseguiu pagar três folhas de pessoal – incluindo a última de Heleno Silva, de dezembro – em 54 dias. Canindé já teve receitas de R$ 13 milhões a R$ 14 milhões mensais. A de janeiro foi de apenas R$ 7 milhões.

Orlandinho Andrade trabalhava com a ideia de resgatar isso. Buscava, nestes dois meses, investimentos para Canindé que a catapultasse de volta a esse passado glorioso. A nova pactuação de um ICMS de maior para municípios geradores de energia elétrica é apenas uma parte.

Mas se esta luta tinha um dono, ou líder, ela não morreu com a morte de Orlandinho. Segundo Kaká, esta mesma pisada vai ser seguida pelo novo prefeito, o vice Edinaldo da Farmácia, que assumiu em definitivo na última terça-feira, em ato na Câmara Municipal.

Kaká estava, nestes 60 dias, secretário de Turismo, Cultura e Esportes. Mas estava em curso uma reforma de secretarias e ele assumiria uma de Governo, Turismo e Desenvolvimento. Não só nesta, como nas duas outras gestões que Orlando desempenhou Kaká era o seu braço direito.

Sensível, Edinaldo da Farmácia parece disposto a contar com a colaboração dele. Ontem, um dia depois da posse, Edinaldo lhe mandou a seguinte mensagem de whatsapp: “Kaká, você é eternamente meu norte”.  Tudo indica que não haverá choques.

Ednaldo Vieira Barros é um cidadão devidamente alinhando com os Andrade desde sempre. Em 2012, ele foi o candidato de Orlando no enfrentamento a Heleno Silva. Perdeu. O sobrenome vem do negócio que toca. Como dono de farmácia, este alagoano de Delmiro Gouveia, de 52 anos, radicado há muito tempo em Canindé, é uma espécie de médico popular. Na tora, vai ter de ajudar a achar a cura administrativa para a cidade.

FACULDADE ESTÁCIO DE SERGIPE E OS POLÍTICOS
Hoje, às 18 horas, os mantenedores da Faculdade Estácio de Sergipe fazem da inauguração da suas novas instalações (Rua Teixeira de Freitas, 1, Salgado Filho, colado ao Dinâmico de Manezinho) uma festa política. Já confirmaram presenças o governador Jackson Barreto e o presidente da Alese, Luciano Bispo. Outra figura política no evento será o ex-governador Albano Franco. Ele vai ser homenageado como um homem público que fomentou a educação de nível superior no Estado. A Estácio chegou a Sergipe há 15 anos, quando Albano se despedia do Governo.

AUGUSTO E PAULINHO TEM SALÁRIOS
Assim é bom: Augusto Bezerra e Paulinho da Varzinhas estão suspensos em seus mandatos de deputados estaduais desde dezembro de 2015, mas a Alese lhes paga os salários regiamente todos os meses. São cerca de R$ 25 mil brutos para cada um. Claro que a manutenção das remunerações não é uma decisão da Alese: foi uma determinação da Justiça no momento em que os afastou. Mas ambos foram penalizados em duas das prerrogativas mais elementares de quem tem mandato: não têm mais acesso à verba indenizatória, que é de R$ 39 mil por mês, e nem mais nenhum cargo em comissão.

SOLUÇÃO DOS DOIS SAI ATÉ JUNHO
Augusto e Paulinho respondem a um demorado processo pelas questões de manuseio errado das verbas de subvenções. Há uma enorme expectativa de que o processo dos dois sofra um avanço este ano e que até junho esteja definida a situação deles, se voltam ou serão cassados em definitivo. “Não sei informar como está o processo. Isso é coisa lá do Judiciário. Mas torço para que eles voltem”, diz o deputado Luciano Bispo, presidente da Alese.

JÁ DE OLHO NA ELEIÇÃO DE 2020
Para alguns políticos de Sergipe, a eleição de 2016 só se encerrou em parte. Eri Barroso Lima, o Eri de Cumbe, é um desses. Pelo PSB, ele perdeu a eleição de prefeito para Marcelo Moraes, PSD, em reeleição, acha que preponderou o peso do mandato, aceita o resultado, mas informa: em 2020 estará com o bloco na rua, de novo. Eri é um produtor rural, gosta da cidade e não se afasta dela. “Cumbe é o meu lugar”, diz.

LUCIANO PIMENTEL APOIA CPI DO LIXO
O deputado Luciano Pimentel, PSB, apoia a iniciativa de uma CPI do Lixo, levada a cabo pelo seu correligionário na Câmara de Aracaju, Elber Batalha, para saber porque a gestão de Edvaldo Nogueira trocou a Cavo pela Torre na limpeza da cidade e com valor bem mais alto. “Os tempos atuais, com o país sendo passando a limpo pela gigantesca operação chamada Lava Jato, exigem dos gestores públicos transações e contratos às claras envolvendo os recursos públicos. Acho estranho que a Prefeitura de Aracaju tenha um contrato com a Cavo e faça outro a toque de caixa com a Torre no valor de R$ 42 milhões. Sobretudo num momento em que a atual gestão alega extrema dificuldade com recursos públicos e faz até parcelamento de salário de servidores”, disse o deputado Luciano Pimentel

SIM, POR QUE TÃO POUCAS MULHERES?
De Emília Correa, vereadora do PEN e defensora pública, ontem na Alese a propósito do Dia das Mulheres – e que esta coluna subscreve. “Por que nos momentos eletivos as mulheres não chegam como os homens, se elas são maiorias? Não está batendo esse dado. Maioria como eleitora, como gênero e não consegue chegar exatamente aonde ela pode representar as mulheres e a sociedade. Claro, nem todas têm a vontade, o dom, mas tenho certeza de que muitas estão preparadas, mas não conseguem porque precisamos estabelecer um percentual obrigatório da presença de mulheres, quando não deveria ter absolutamente nada disso. Apenas para obrigar e fazer de conta que as mulheres estão participando e tem que ter 30% de mulheres. Aqui são quatro deputadas e devemos puxar mais mulheres. Muitas vezes as próprias mulheres não votam em mulheres, são críticas. Padrão de beleza não é necessário para as Câmaras, nem para o Senado e tampouco para o Executivo desse país. Se a mulher se exalta é louca. O homem quando grita é corajoso. A minha presença nessa Casa hoje me honra muito e eu quero dizer que só tive coragem, desafio. Não tenham medo, sejam determinadas, disciplinadas”.

 

Emília: mulheres, acordai-vos! (Foto: Jadilson Simões)


ETC&TAL

@ “A chance é zero”. É assim que Luciano Bispo reage aos comentários de que ele e Maria Mendonça fariam um pacto político em Itabaiana para anular Valmir de Francisquinho, o prefeito. “Seria ruim pra mim e ruim para ela”, diz ele.

@ Os comunistas do PC do B sergipano administram a maior parcela da população entre todos partidos do Estado, apesar de somar apenas dois prefeitos.

@ Somadas as populações de Aracaju – 571.471 habitantes – e de Socorro, 179.661, o PC do B tem sob o abrigo de suas gestões 751.132 cidadãos e cidadãs. A capital é administrada por Edvaldo Nogueira e Socorro por Padre Inaldo.

@ Orlando Andrade deixou quatro filhos – três adultos uma bebê de oito meses – e Roberta, sua mais nova companheira, está grávida de pouquíssimos meses. Roberta é filha do vereador Tutuxa.

@ O prefeito Ednaldo Vieira Barros, o Ednaldo da Farmácia, de Canindé, não deverá ter dificuldade no Legislativo. De 11 vereadores, a gestão de Orladinho e dele já dispunha de apoio de nove.

@ Mas já havia entendimentos avançados com Adriano de Bomfim e Juarez de Vavá, os únicos oposicionistas. Na solenidade de posse de Ednaldo, eles se manifestaram cordiais.

@ Jean Carlos, ex-prefeito de Boquim, foi indicado por Jackson Barreto para uma função na Agrese.

@ Segundo suplente de senador de Eduardo Amorim, Kaká Andrade está vivendo um momento de muita reflexão. Ele não quer entrar em conflito com os grupos que polarizam a política sergipana. Aliado de Amorim no pleito de 2014, é hoje filiado ao PSD, partido da base de JB.

@ O deputado Fábio Mitidieri, para salvar o aliado Antônio Hora do caos da Secretaria de Esportes, parece disposto a cutucar JB com a vara curta. Veja esta, de novo e de ontem no tuite dele:

@ “Sec. de Esportes Hora foi nomeado dia 26/01. Até hoje não tem local de trabalho, orçamento e cargos. Diria Galvão, “tá certo isso, Arnaldo?”.

@ Antes que Arnaldo responda, o próprio Fábio sacramenta a esta coluna: “Claro que está errado e eu estou insatisfeito. Se for para dar uma secretaria assim é melhor não dar. Estou de saco cheio, tudo tem limite e sei do meu tamanho”, diz. Fábio não é de botar pedra de açúcar na boca de ninguém.