“Projeto da família Andrade é meu projeto”, diz prefeito de Canindé

Por Jozailto Lima
08 maio 2017, 23h07

Na política de Canindé de São Francisco permanecem fortes os boatos e indicativos de que a relação entre o prefeito Ednaldo Vieira Barros, o Ednaldo da Farmácia, e os membros da família de Orlandinho Andrade, não é boa e que eles estariam a um passo do rompimento.

Eleito vice, Ednaldo Vieira Barros se transformou em prefeito no dia 7 de março deste ano pela fatalidade da morte de Orlando no dia 5 daquele mês. O maior elo entre eles era, e é, Kaká Andrade, irmão de Orlando, e então secretário de Obras. Kaká tinha forte ascendência sobre o irmão desde o Governo anterior.

Com a nova realidade, Kaká permaneceu dando suporte a Ednaldo. Mas há sempre rumores de que os dois, e por extensão, toda a família Andrade – o deputado estadual Jeferson Andrade, o conselheiro Ulices Andrade -, estariam por um fio na relação. Ao JLPolítica, Ednaldo disse ontem que este tipo de comentário não procede, mas reconheceu existir.

“Infelizmente, os bochichos são inevitáveis. Mas eu digo de imediato: esta possibilidade é remotíssima. Eu falo por mim: da minha parte, o elo da caminhada com esse grupo precisa é ser reforçado mais ainda. E o que eu puder fazer, farei. Sem medir esforços”, diz Ednaldo.

Kaká Andrade, por exemplo, foge de qualquer comentário a respeito desta suposta desarmonia. Sempre que algum jornalista lhe aborda sobre este assunto, ele diz que está tudo em harmonia. Desconversa e pede pra ir mirar a lua.

Mas a coluna Aparte apurou que as juras de amores que Ednaldo faz na mídia ao grupo de Orlandinho nunca o é diretamente a qualquer um deles, nem mesmo ao Kaká. Esta coluna foi informada, por exemplo, que Kaká soube somente bem depois da decisão anunciada ontem pelo prefeito das demissões dos quase 500 cargos em comissão do município.

De público, Ednaldo Vieira Barros sustenta uma outra pisada: “Entendo, inclusive, que o projeto da família Andrade é o meu projeto. Eu penso assim: a gente quer caminhar juntos. A gente não tem a mínima intenção de romper”, diz o prefeito.

“Alguém pode dizer “ah, mas futuramente pode ser que queira romper”. Não. Não penso, porque eu sou de um grupo há muito tempo que vem de um lado só. Nunca fiz política em Canindé de modo diferente”, diz ele.

“Quando chegou a oportunidade de os Andrade vir para Canindé, eu tive participação enorme. Quando Orlandinho foi candidato a prefeito pela primeira vez, o candidato era para ser eu. Fui indicado pelo saudoso Jorge Luiz, e eu disse: “não, não quero não. Orlandinho, pegue sua família e tal, e se organize””, relembra.

“Aí abraçamos o projeto dos Andrade. Continuamos abraçados e, naturalmente, estou aqui sendo representante da família Andrade. Eu tenho dito por aí que fico triste, porque vim para o cargo pela dor, e não era pela dor que eu queria”, diz.

Mas, especificamente, sobre Kaká Andrade, qual é o seu conceito? “Kaká Andrade, particularmente, é uma pessoa de uma grande importância na minha gestão. Nunca escondi isso de ninguém. Ovaciono o nome dele em todo canto que vou”, diz.

“Faço questão de ele estar ao meu lado, porque sempre tratei com ele sobre os caminhos e políticas de Canindé. Então a gente tem, assim, um laço enorme de amizade. Por que não a política aumentar ainda mais esse elo? Na realidade, há essa tendência, essa vontade de algumas pessoas de quererem me tirar de perto dos Andrade”, pondera.

“Eu não sei de onde vem isso. Nunca alimentei nem vou alimentar. Fico triste, porque são os amigos da gente, pessoas do nosso próprio grupo, querendo semear discórdia. Eu sou muito de discernir as coisas. Sou muito de alongar os meus ouvidos, observar e sei filtrar perfeitamente. O nosso grupo, independentemente das conversas, está mantido na linha de parceria por muito tempo e vai perdurar assim”, diz.

O senhor se vê administrando sem a participação Kaká como secretário, pergunta-lhe a coluna. “Olha, ninguém é insubstituível. Você sabe que a vida continua. Mas eu ficaria muito triste se amanhã ou depois eu perdesse o norte de Kaká na nossa missão”, responde o prefeito.

“Kaká é uma pessoa em quem eu me espelho muito. Ouço muito. Não me acanho de forma alguma de pedir orientação a ele. Disse a ele: “sei que você não é meu irmão de sangue, mas é meu irmão de afinidade, por quem tenho uma grande amizade”, diz o Ednaldo. Se houver falsidade nestas declarações de parceria, o mundo não estará mesmo perdido?

HENRI CLAY NÃO MORDE A ISCA
O advogado criminalista Emanuel Cacho não pense que seu projeto de candidatura à Presidência da OAB e as cotoveladas tiram o presidente Henri Clay Andrade de foco e do sério. “Como eu não pretendo ser candidato a um quarto mandato, o resistente Cacho certamente perderá o interesse em se candidatar. A gente não briga”, diz Henri Clay, cercado de fair play. Mas Cacho parece estar com o ferrão da provocação bem amolado. No domingo, ele criticou em nota no JLPolítica a administração à frente da OAB/SE. “Temos uma gestão de Ordem na contramão dos mais justos interesses dos advogados e da advocacia. Henri Clay fez da OAB em sua terceira gestão um sindicato e ninguém necessita da OAB-sindical”, disse Cacho. Por isso ele está desde já decidido: será candidato a presidente da Ordem de novo em 2018. “A boa advocacia sergipana não merece um quarto mandato de Henri Clay”, diz. Neste propósito, ele já conseguiu arrancar a negativa de Henri Clay. Mas será que o presidente “não pretende” mesmo “ser candidato a um quarto mandato?”.

Henri Clay: não cai na de Cacho

OS LADRÕES DE INCONSCIENTE
Trecho de um dos artigos de “Cartas de um antagonista”, livro do jornalista Mário Sabino, já nas livrarias: “Sobreviverei? Sobreviveremos a Lula, ao PT, a essa destruição institucional que homem e partido continuam a perpetrar? Oscilo entre o sim e o não, muitas vezes no intervalo de poucos minutos. A minha única certeza é que eu gostaria que Lula e PT se tornassem logo passado, para que eu pudesse desprezá-los enquanto a minha velhice não se manifesta na sua inteireza. As pessoas riem quando digo que, além de roubar o país e o meu cotidiano, ambos roubaram o meu inconsciente”.

ZÉ TRINDADE NO LIVRO DO MÉRITO
O engenheiro agrônomo José Trindade será homenageado, em memória, com a inscrição do seu nome no Livro do Mérito, uma espécie de panteão da glória e do reconhecimento profissional do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – Confea. “São inscritos no Livro do Mérito os nomes dos profissionais falecidos que prestaram relevantes serviços à sociedade, constituindo-se na manifestação de reconhecimento do Sistema Confea/Crea ao profissional e aos familiares”, diz o presidente do Crea-SE, Arício Resende. Zé Trindade se encaixava neste contexto como uma luva: era um dos agrônomos mais viscerais na defesa da citricultura de Sergipe, um produtor e estudioso da área. Ele faleceu em 14 de dezembro de 2012, faltando quatro dias para completar 72 anos. “Para nós, da família e os colegas de profissão, esta distinção é algo consolador diante de tudo que ele foi e do significado que teve em favor da agronomia”, diz Luzia Trindade. A premiação vai acontecer no dia 8 de agosto, durante a abertura da 74ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia – Soea -, em Belém, no Pará.

José Trindade: um camarada que marcou

PASSOS: CONDENADOS AO LEGISLATIVO?
A família Passos – contando Chico, Antonio, Josué Modesto Passos e agora Georgeo Passos – estabelece um recorde que quase nenhuma outra conseguiu na política de Sergipe. Qual? O de ter 15 mandatos de deputados estaduais. Possivelmente, este quantitativo seja ameaçado apenas pelos Franco – Augusto, Albano, os dois Walter, Marcos, Zé, Célia, Augusto Franco Neto -, mesmo assim porque dois deles tiveram três mandatos de Executivo, e pelos Fonseca, com apenas Cleonâncio e Venâncio.

Antônio Passos: sonhando Governo pra Georgeo

PASSOS: SONHANDO O EXECUTIVO?
Antônio Passos, que teve cinco mandatos de deputado estadual, observa bem o filho Georgeo, e sonha que ele possa quebrar esta sina da família, de ficar eternamente no Legislativo. “Em política, como em qualquer outra atividade, você precisa ocupar espaço e nesse espaço eu espero que o Georgeo rompa essa barreira e possa ir para uma posição mais alta do que não fomos eu, meu pai e nem meu tio. Bom, o meu sonho é que ele, se puder, seja o governador de Sergipe”, diz Antônio Passos, hoje de volta à Prefeitura de Ribeirópolis. E Georgeo tem status para isso? “Acredito que sim. Pelos que têm passado por aí, não vejo nenhum assim com tanto gabarito quanto ele”, diz o prefeito.

VALMIR RECEBEU LAGARTO RUIM
O prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, vê entre os números negativos de Lagarto recebidos por sua gestão em janeiro, a boa votação com que venceu a eleição e o ex-gestor da cidade uma simetria lógica: Lila Fraga era um péssimo gestor. “Eu recebi a cidade com muitas dificuldades. Só de salário atrasado, o mês de setembro com um terço; o mês de salário de dezembro todo atrasado, além do INSS da folha de pagamento de dezembro que não foi pago. Ou seja, em torno, mais ou menos, de R$ 10 milhões”, diz Valmir. “Eu acho que isso foi a confirmação de que Lila não foi um bom prefeito. O exemplo está no fato de que na eleição passada o povo me deu, assim, uma vitória estrondosa. Nós ganhamos com quase 12 mil votos de frente”, diz.

Valmir Monteiro: esforço para enquadrar Lagarto

BOTANDO A CIDADE NOS EIXOS
Valmir Monteiro admite que, aos poucos, está colocando a cidade de pé. “Hoje nós já pagamos os salários em dia. Estamos pagando antecipado, aliás. No mês passado, foi no dia 19. Esse mês, eu vou pagar dia 19 porque o 20 vai cair no sábado. Estamos regularizando tudo. Estamos resolvendo as questões da educação. Nesse setor foi um grande problema que a gente teve de resolver. As aulas do ano passado vieram terminar em fevereiro. Então, além desses custos que nós tivemos com salários, já tivemos de arcar com toda a despesa de transporte, de professores que eram contratados e tinham de continuar. Conseguimos já aumentar o número de alunos, isso era uma proposta nossa. Pegamos o município com 13.600 alunos e já estamos com 14 mil alunos. Estamos reestruturando toda a parte de escolas, de setor administrativo da educação e da própria prefeitura também. Já estamos fazendo várias obras”, diz Valmir.

ETC&TAL
@ Coruja: Antônio Passos, pai do deputado George Passos, acompanha o mandato do filho e doura a pílula: “Pelo que eu observo, ele tem feito um bom trabalho à frente do mandato”, diz.

@ “Por onde eu pesquiso – porque o importante é você saber das suas bases, se ele está contrariando ou não –, estão satisfeitos. Então eu posso dizer que é um mandato proveitoso”, diz.

@ O procurador-geral do Ministério Público de Sergipe, Rony Almeida, recebeu ontem a visita da Prefeitura de Aracaju a propósito da licitação emergencial do lixo que o Governo vai fazer para os próximos 180 dias.

@ Rony exigiu da Prefeitura a documentação integral do processo e disse que o Ministério Público vai exigir também a licitação do transporte público, que foi uma promessa de campanha.

@ “Nós vamos cobrar mais. Que a licitação definitiva, por exemplo, seja feita dentro desse período dos 180 dias”, disse Rony.

@ A Federação dos Municípios do Estado de Sergipe – Fames -, conseguiu levar ontem a quase totalidade dos prefeitos sergipanos ao encontro com Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE. O evento foi feito em parceria com o mandato do deputado federal André Moura.

@ O presidente da Fames, ex-prefeito de Aquidabã, Marcos Barreto, Marcos da Acauã, se dizia “plenamente satisfeito” com o evento. Ele já está pensando em um novo evento para o segundo semestre.

@ O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, anda com a pulga atrás da orelha quando o assunto é o deputado federal André Moura.

@ Assessores mais próximos dele insinuam até suspeição de que André esteja patrocinando algumas traquinagens contra os interesses de Itabaiana.