“Quero agora mais apoio e ação de todos pelo Canal de Xingó”, diz JB

Por Jozailto Lima
11 mar 2017, 00h01

Em entrevista ao portal JLPolítica, o governador Jackson Barreto, PMDB, diz que é muito positiva esta fase que envolve as boas vontades do deputado federal André Moura, PSC, e do senador Antônio Carlos Valadares, PSB, em torno da realização do Canal de Xingó.

Jackson terá audiência com André nesta quarta em Brasília e está disposto a apagar as querelas que atravancaram os diálogos entre ele e os oposicionistas. “Há uma motivação. Vejo como uma luz, depois de o governador chamar a atenção da bancada sergipana no Congresso de que a falta de unidade que ela assume tem criado dificuldade para o Estado como um todo”, diz JB.

Apesar desta disposição nova para um armistício – ele afirma que há um mês não trava uma briga com ninguém -, Jackson entende que o pré-projeto do Canal de Xingó apresentado pelo senador Valadares, vindo da Codevasf, não é, ainda, o que se espera.

“É um pré-projeto com as linhas gerais, mas não é este o que Sergipe precisa. A gente quer um projeto executivo, que é o que vai levar ao processo da construção efetiva do canal. Este, não está feito ainda”, diz. Para Jackson, o Canal de Xingó tem uma representação crucial no futuro de Sergipe como um todo e não somente para o Sertão.

“Uma leitura do livro do engenheiro Renato Conde Garcia aponta que se todos nós que temos responsabilidades com o Estado agora e no futuro não assumirmos uma condição de defesa da construção do Canal de Xingó, Sergipe, em pouco tempo, passará por muitas dificuldades no abastecimento de água. E mais: não somente no sertão, semiárido e no agreste, mas no Estado como um todo, inclusive nas regiões sul e centro-sul”, diz ele. Lei a entrevista.

JLPolítica – Como é que o senhor vê este estalo, de repente, depois de tanta briga, com todos passando a defender o Canal de Xingó?
Jackson Barreto – Pois é, acho que há uma motivação. Vejo como uma luz, depois de o governador chamar a atenção da bancada sergipana no Congresso Nacional de que a falta de unidade que ela assume tem criado dificuldade para o Estado como um todo. Todos sabem que no ano em que foi discutida a transposição do rio São Francisco, como medida compensatória para Sergipe e Alagoas, que seriam os Estados mais prejudicados com aquela obra, foi prometido para nós a construção do Canal do Xingó pelo Governo Federal, e para Alagoas, o Canal do Sertão.

JLPolítica – E como é que está o Canal do Sertão?
JB – Por lá, o canal já está no município de Arapiraca, e na sua quinta etapa. E nós sequer saímos ainda do projeto. Foi feito agora o esboço de um pré-projeto, mas o projeto executivo, que é o verdadeiro e será o responsável pela construção e abertura do canal, nem começou ainda a ser elaborado, até porque a Codevasf sempre alegou que não teria recurso suficiente para custeá-lo. Este dado por concluído agora foi lançado aqui há cerca de quatro anos, em 2013, com a presença do então ministro Fernando Bezerra.

JLPolítica – Quais as consequências de, nos próximos dez anos, não termos um Canal de Xingó?
JB – Uma leitura do livro do engenheiro Renato Conde Garcia aponta que se todos nós que temos responsabilidades com o Estado agora e no futuro não assumirmos uma condição de defesa da construção do Canal de Xingó, Sergipe, em pouco tempo, passará por muitas dificuldades no abastecimento de água. E mais: não somente no sertão, semiárido e no agreste, mas no Estado como um todo, inclusive nas regiões sul e centro-sul.

JLPolítica – Por que?
JB – O Renato mostra, com maestria e com competência, que a tendência dos nossos rios será, finalmente, um pleno vazio. Isso nos preocupa. E não tendo um canal do porte deste que estamos discutindo, tudo piora. O que é que eu quero agora? Mais apoio e ação de todos. E é aí onde entra o deputado federal André Moura. Meu Gabinete entrou em contato com o Gabinete dele e marcamos a audiência para a quarta-feira da semana que vem. Já que ele é o líder do Governo, quero conversar com André para que ele se envolva de fato nesta questão. Vamos deixar de lado as questiúnculas de ordem política pessoal. Politicamente, cada um fica no seu palanque e subimos todos num outro levando a ele só os interesses de Sergipe, para ver se a gente busca tirar do papel o Canal de Xingó e iniciar a obra.

JLPolítica – O senhor acha que a discussão em nome do Canal de Xingó pode dar um stop nesta gritaria que liga o senhor a Valadares, a Eduardo Amorim e o outros oposicionistas?
JB – Na verdade, há um mês não falo mais disso nem em entrevista de rádio nem em local nenhum. Não vejo motivações para falar mais. Blábláblá não resolve. O que nós queremos é a boa prática. Naquela ocasião da discussão com o ministro foi obrigado levar prefeitos para Brasília, a bancada federal toda a tirar fotografia ao lado do ministro e isso não resultou em nada. Foi um ação inócua. Não se ampliou o abastecimento de água para a população atingida pela seca. Nada de novo aconteceu. Por que? Por falta de entendimento da bancada.

JLPolítica – Este pré-projeto que o senador Valadares anunciou esta semana é muito distante do projeto executivo de que o senhor fala?
JB – Ele é um pré-projeto com as linhas gerais, mas não é este o que Sergipe precisa. A gente quer um projeto executivo, que é o que vai levar ao processo da construção efetiva do canal. Este, não está feito ainda.

JLPolítica – O senhor acha que, em sendo André líder do Governo no Congresso, a ação dele em favor do Canal pode produzir uma consequência melhor?
JB – Eu acho, sim, porque você tem, com ele, condições de mexer no orçamento da União. Por exemplo, nós temos R$ 100 milhões alocados na Codevasf através de uma emenda impositiva. Direta do Orçamento da União, o que é equivalente a dinheiro vivo. Então, o ministro da Integração não pode dizer “eu não posso fazer o projeto executivo agora porque vai me custar R$ 40 milhões se eu não tenho estes recursos”. Ora, já temos R$ 100 milhões na esfera da Codevasf. Então, é preciso que a gente busque a unidade da bancada de uma forma consensual e, de maneira articulada, se vá ao Governo exigir uma ação direta.

JLPolítica – A olho nu, o senhor sabe quanto viria a custar a primeira parte do Canal de Xingó?
JB – A primeira etapa do Canal de Xingó, que nasce em Paulo Afonso, atravessa Santa Brígida, entra nos municípios de Canindé e Poço Redondo, está orçada em R$ 2 bilhões. Numa fase posterior, ele vai até Nossa Senhora da Glória e tem um braço que chega até o nosso agreste, em Ribeirópolis, onde termina.

JLPolítica – Para além do que diz Renato Conde Garcia, qual é o conceito que o senhor tem desta obra?
JB – O meu conceito do Canal de Xingó é o de que ele é a redenção do nosso Estado. Ele vai resolver o problema do abastecimento de água do homem e dos animais e, acima de tudo, atender à produção agrícola.

CPI DO LIXO E O GATO PRETO NO QUARTO ESCURO
O vereador Antônio Bittencourt, líder do Governo Municipal de Aracaju na Câmara, está impaciente com o papel da oposição, notadamente com seu colega Elber Batalha, líder oposicionista, que está propondo uma CPI para investigar o contrato de emergência da Prefeitura com a empresa Torre. “O requerimento de CPI inventado pelo PSB é uma peça de ficção grotesca. Tenta encontrar em quarto escuro um gato preto que não está lá”, diz Bittencourt. “Parte da oposição na Câmara de Vereadores dorme, sonha e acorda pensando em como inviabilizar a administração municipal. Estão com os cotovelos já necrosados, ainda presos ao palanque eleitoral”, completa ele.

CPI DO LIXO E O GATO PRETO NO QUARTO ESCURO II
“A fala do Mendonça Prado, presidente da Emsurb, na tribuna da Câmara Municipal, foi técnica e juridicamente precisa e esclarecedora. Cessou as dúvidas dos vereadores e fez reafirmar a ideia de que a proposta de CPI do PSB é apenas a continuidade do enfrentando eleitoral de 2016. Banalizar um instrumento extremo como uma CPI, apenas sob motivações eleitoreiras internas e externas na Câmara Municipal é uma irresponsabilidade política dos peesebistas que ainda não digeriram 2016 e já pensam em 2018. Fazem a política do quanto pior melhor. É uma política já velha, herdeira do nefasto legado da Arena, PDS e PFL”, diz Bittencourt.                       

OS HORIZONTES CEZÁRIO NO JUDICIÁRIO
O desembargador Cezário Siqueira, presidente do Poder Judiciário de Sergipe, tem um orçamento de R$ 290 milhões para tocar o barco em 2017. Com esta grana, ele precisa fazer o Judiciário prestar serviços essenciais à sociedade e pagar os cerca de 3.200 funcionários. Estreando na direção de seu primeiro ano de Presidência, Cezário não reclama. “As dificuldades orçamentárias são notórias. Todos as temos. Mas é nesses período também que a gente tem que mostrar criatividade”, diz ele.

OS HORIZONTES CEZÁRIO NO JUDICIÁRIO II
Para Cezário Siqueira, mostrar criatividade, é “basicamente, investir forte na gestão de pessoas, valorizando o servidor, e dar um foco que, na verdade, já vem sendo dado, na informatização”. “São duas tônicas que temos na administração. Além de fazer bastante economia, porque a virtualização implica em altas aplicações de recursos e, para isso, vamos otimizar nosso orçamento de forma a atender a prestação jurisdicional”, diz magistrado a esta coluna Aparte.

MARCOS E A SÃO CRISTÓVÃO PROBLEMÁTICA
Depois de quase duas décadas de desacertos administrativos, com cassações de prefeitos e intervenções, São Cristóvão encontra em Marcos Santana uma esperança de deixar esses sustos para trás a assumir um caminho de normalidade. “Não quero acreditar em quizomba. Eu disse na campanha que faltava era gestão, e é o que estamos tentando impor: um modelo de gestão sério e decente”, diz Marcos. Ele sonha que o município possa prosperar a partir de sua administração e sair dessa zona ruim. “É a minha esperança. A de que a gente deixe um legado e, assim, os que vierem depois possam segui-lo”, diz.

MARCOS E A SÃO CRISTÓVÃO PROBLEMÁTICA II
O quadro enfrentado por Marcos Santana não foi dos mais simpáticos, segundo ele. “Na realidade, encontrei uma cidade triste e com muitos problemas. Havia cerca de R$ 4 milhões em dívidas. Na verdade, existia uma desestruturação institucional completa: não se tem contratos. Quando eu cheguei, não consegui abastecer carros, comprar medicamentos, nem fazer investimentos, exatamente porque os contratos foram todos rescindidos em dezembro. Mas consegui pagar as folhas de janeiro e de fevereiro, esta no dia 24”, diz. “Mas sou um homem que não quer ser injusto com ninguém e até poderia ser, e digo que tem coisas boas também”, afirma. A previsão orçamentária do município é de R$ 103 milhões para 2017.

PAIM DIZ QUE REFORMA DA PREVIDÊNCIA É FARSA
Quem tem dúvida sobre a condição de farsa da reforma da Previdência que o presidente Temer quer levar a cabo, não pode deixar de ler a entrevista exclusiva concedida ao JLPolítica pelo senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul. Profundamente esclarecedora, a entrevista de Paim vai tocar em pontos marcantes e concluir que “o Governo sabe que a Previdência, que fica no corpo da Seguridade Social, possui um superávit em torno de R$ 50 bilhões anuais. Com certeza absoluta (é) o sistema financeiro que ganhará com esta reforma, pois eles quebrarão a Previdência Pública e pessoas serão obrigadas a ir para uma poupança ou um fundo de pensão privado”, diz ele. Leia a partir da meia deste sábado.

OBRAS EM SANTA LUZIA DO ITANHI
O governador Jackson Barreto inaugurou anteontem a Rodovia Adil Dantas do Amor Cardoso, que liga a cidade de Santa Luzia do Itanhi ao povoado Crasto, onde fica uma das maiores reservas de Mata Atlântica sergipana. Foram mais de R$ 17 milhões investidos ali, onde está fazendo também a implantação do sistema de esgotamento sanitário. No mesmo evento, foi autorizado o processo licitatório para construção da Orla do Crasto e entregue benefícios do Programa Mão Amiga, que ajuda trabalhadores da citricultura na entressafra. Com esses investimentos, Santa Luzia amplia seu potencial turístico e recebe mais condições para promover desenvolvimento social e econômico.

VOCÊ FAZ FALTA, CAMARADA DEDINHA!
Este 11 de março deve ser dolorido para a família Déda Chagas – a mãe, os quarto irmãos, os cinco filhos, as duas ex-companheiras. Mas convenhamos: deve ser dolorido não só para eles. Para muita gente, este 11.3 é um dia que pede evocação e lembrança funda de uma das figuras mais marcantes da política e da vida social de Sergipe. É o dia do nascimento de Marcelo Déda. Hoje, se vivo fosse, esse camaradinha estaria a fazer 57 anos. Num tempo de tantos homens impuros gravitando e saltitando sobre a cacunda da política, deixando digitais de nódoa por todos os lados, como você faz falta, camarada Dedinha. Você e sua intransigente honestidade pessoal. Você e sua erudição. Você e sua plena e total ausência de visão patrimonialista. Você e, às vezes, até sua belicosa ira. Você, meu caro, não deveria ter morrido tão cedo.

Marcelo Déda: morte no dia 2 de dezembro de 2013, aos 53 anos (Foto: Divulgação)

ETC&TAL
@ João Augusto Gama anda dizendo a amigos que o colega Benedito Figueiredo não tem a menor chance de fazer do filho Alexandre Figueiredo um deputado federal em 2018. Bela amizade!

@ Na semana do Dia Internacional da Mulher, o deputado federal Jony Marcos, PRB, bradou contra compromissos não cumpridos pelo Governo de Michel Temer que beneficiariam sergipanos.

@ Segundo o parlamentar, o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, assegurou que salvaria o rebanho de gado de leiteiro e de corte do sertão de Sergipe, subsidiando 200 mil toneladas de milhos para os pecuaristas sergipanos. Mas qual o quê!

@ “O milho não baixou, o povo sergipano não viu benefício algum – em especial as mulheres, que também são produtoras, que pegam na inchada e têm filhos para criar. São criadoras que vão para ordenha e dependem do milho da Conab. O compromisso assumido no dia 15 de fevereiro, ministro, não foi honrado. Sequer o decreto foi baixado”, disse o parlamentar.

@ Houve mudança de igreja na missa pela alma de Orlandinho Andrade desta segunda-feira. A que seria realizada às 19h, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Grageru, agora será na Jesus Ressuscitado, no Garcia.

@ O presidente do Judiciário de Sergipe, Cezário Siqueira, se sente à vontade diante da decisão liminar de suspensão de pagamento das licenças-prêmio aos magistrados sergipanos pelo CNJ, numa ação patrocinada pelo deputado Georgeo Passos.

@ “O deputado exerceu o direito de questionar. A própria decisão deverá ser levada a Plenário ainda e o mérito será julgado. Não temos legislação que preveja esse benefício e fico muito à vontade para dizer, porque votei contra a licença no ano passado”, diz Cezário.

@ E continua o desembargador, a propósito do voto dele: “Foi o único contrário e, portanto, diante da legislação que temos agora, não há esse direito. O faço, inclusive, com base em decisões do STF, que determinaram que não havia esse direito, apesar de entender que é preciso fazer uma previsão e, tal qual as diversas categorias, possamos ter também”, diz Cezário.

@ A previsão é a de que, com esta decisão – se não for revisada -, o Judiciário economizará a bagatela de R$ 40 milhões no ano.

@ Deu gavião: um ex-prefeito do centro-sul de Sergipe, que administrou com extrema dificuldade por causa da falta e recursos em seu município, teria comprado uma fazenda de 1,4 mil tarefas no final da gestão.