Ricardo Franco disputaria Governo tendo Valadares Filho como seu vice

Por Jozailto Lima
23 fev 2017, 00h22

A pergunta que mais ronda a inquietação dos leitores de política em Sergipe atualmente é a seguinte: afinal, o que quer Ricardo Franco no tabuleiro da sucessão estadual do ano que vem?

Os políticos geralmente não falam às claras. Rodeiam. Vão por lá para chegar cá. E Ricardo, embora querendo cortar caminhos, é um político.

E com um agravante: é um Franco. No caso desse sobrenome, o adjetivo franco nem sempre quer traduzir franqueza e objetividade. Embora ele se queira diferente.

Pelo que fala, Ricardo Franco tem deixando implícito – e inclusive o fez com maestria na entrevista que concedeu a este portal no dia 5 deste mês – que seu objetivo é ajudar Sergipe a pensar diferentemente o seu futuro. Mais largamente.

Mas Ricardo não um é outsider, um corredor de margens. Por fora. Sozinho. Não. Tanto que ele é primeiro suplente de senador de Maria do Carmo, DEM. Já entrou no jogo. Ou já nasceu dentro, pelo cromossoma do pai Albano Franco, do avô Augusto Franco, do tio-avô Walter Franco.

Em conversa com os mais íntimos, Ricardo tem deixado vazar que tem pretensões de compor uma chapa majoritária no ano que vem. E chapa majoritária de 2018 tem quatro nomes: o de governador, o de vice e os de dois senadores.

Ricardo descarta um destes quatro: o de vice. E quem está convivendo com ele em suas conversações admite que esteja mesmo de olho numa candidatura ao Governo ou ao Senado.

A esta coluna, Ricardo disse ontem sem reserva que aceitaria disputar o Governo pela oposição. Mas com uma condição: que tivesse o deputado federal Valadares Filho, PSB, como seu candidato a vice.

Por esse desenho, é fácil de intuir que Ricardo queira preservar Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim como candidatos à reeleição de Senado.

Valadares pai já admitiu aqui, ontem, que seu projeto é mesmo o de disputar o quarto mandato. Eduardo Amorim vai na contramão: quer o Governo. E, nesse caso, é um paredão contra a testa do plano de Ricardo.

Mas como Ricardo Franco tem emitido sinais claros de respeito a Jackson Barreto, dizendo que conversa com a oposição mas não vai partir para o chute na canela do governador, há quem o veja também alimentando o sonho de ser o escolhido por JB para disputar o Governo do Estado.

UM NOVO FIGUEIREDO

Os tempos são outros e não se faz mais eleição calcado somente naqueles clássicos colégios eleitorais”. É com esta visão que Benedito Figueiredo, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, braço direito do PMDB, espera ver seu filho Alexandre Figueiredo surpreendendo na disputa por um mandato de deputado federal ano que vem.

DISTRIBUÍDO NO ESTADO

Alexandre é vice-presidente da Fundação que o pai preside e está indo até a batizados de bonecas interior afora, planejando seu projeto eleitoral. “O Alexandre é meu primogênito, gosta da política e eu acho que pode surpreender”, avisa Benedito. “Não é que ele não tenha apoio de prefeitos. Tem. Ajudou a eleger Iggor Oliveira, em Poço Verde. Ali elegeu dois vereadores, com o mais votado sendo ligado a ele. E há outros aliados nas prefeituras do Estado. Mas o nome dele está distribuído no Estado inteiro desligado de lideranças, e isso conta”, diz Benedito Figueiredo.

O MESMO PERCURSO DO PAI

Vice-governador duas vezes, atual secretário de Estado de Governo, Benedito Oliveira, 73 anos, foi deputado federal apenas por um mandato. Em 1990. Lembra que foi votado também no Estado inteiro. Em todos 75 municípios. E adverte: não foi, como alguns podem intuir, um deputado de Jackson Barreto, que na ocasião votou com Bosco França. Ele sonha em ver Alexandre fazendo o mesmo percurso. Segundo ele, não há problema que haja três nomes fortes, como Fábio Reis e Zezinho Sobral, na disputa. “Quanto mais, melhor”, diz

LUCIANO X DESO X PRIVATIZAÇÃO

O deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, firmou posição contrária à privatização da Deso desde a primeira hora em que essa discussão tomou corpo. E um dos pontos de reação dele vem da preocupação com a assistência hídrica às comunidades mais simples e pouco rentáveis para a companhia sob uma eventual gestão privada.

LUCIANO x DESO X PRIVATIZAÇÃO II

Uma empresa pública como esta faz seus investimentos de forma pública e distributiva. Não o faz só nos grandes centros, só em Aracaju, por exemplo, que tem sistema altamente rentável. Mas faz em Carira, que tem sistema menor, faz num município pequeno, como o de Santo Amaro das Brotas, que não é rentável. Mas faz. Faz no sertão, em cidades de pequeno porte”, diz Luciano.

LUCIANO X DESO X PRIVATIZAÇÃO III

E continua o deputado: “Nada contra a iniciativa privada, mas alguém imagina esta iniciativa indo investir onde não tem rentabilidade? Eu não conheço investimentos da iniciativa privada onde não lhe traga rentabilidade. E a Deso tem essa função. Ela tira de onde produz mais, de onde tem mais rentabilidade, e subsidia os sistemas que não são rentáveis. Por isso, a grande preocupação com esta proposta de privatização”, diz o parlamentar.

VENDA DA DESO NÃO ATENDE À SOCIEDADE”

Eu já vi aí na imprensa se falar que a Deso vale R$ 500 milhões. Vejo se falar em R$ 700 milhões. Ora, como, se só de patrimônio líquido a Deso tem valor de R$ 1,203 bilhão – e podem ter certeza de que esse valor patrimonial está subavaliado, porque todos a avaliam de uma forma muito conservadora? Não fazem uma avaliação de mercado. Portanto, quero deixar claro aqui que a venda da Deso não atende aos interesses soberanos da sociedade e não nos trará nenhum benefício de futuro”, disse Luciano Pimentel.

DNOCS BUSCA SOLUÇÕES PARA A SECA

Na segunda e terça-feira desta semana, o coordenador estadual do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca em Sergipe – Dnocs -, Anailton Ribeiro, esteve em Fortaleza, Ceará, junto com os demais coordenadores estaduais do Nordeste para, ao lado da direção central, traçar metas para serem desenvolvidas durante este ano.

DNOCS BUSCA SOLUÇÕES PARA A SECA II

Ficou traçado como meta para o Estado de Sergipe o acompanhamento das situações hídricas dos açudes, georeferenciameto dos açudes, produção de 500 mil alevinos na Estação de Piscicultura em Graccho Cardoso, caso haja recuperação hídrica da Barragem de Três Barras, perfuração e instalação de poços artesianos e construção de cisternas com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Valadares filho”, informa Anailton Ribeiro.

DNOCS BUSCA SOLUÇÕES PARA A SECA II

Também ficou decidido que os coordenadores, juntamente com a direção geral, farão audiência com a bancada federal do Nordeste no sentido de lutar pela reestruturação do Dnocs, um órgão de suma importância para os nordestinos no combate aos efeitos da seca. Na Prefeitura de Poço Verde, Anailton Ribeiro foi secretário de Obras e Urbanismo e secretário de Administração.

VALADARES DESMENTE EDVALDO NOGUEIRA

Na edição de ontem desta coluna Aparte, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PCdoB, contou a história de que o senador Valadares lhe convidou na véspera da sucessão de 2014 para formar uma chapa na qual ele entrasse de vice. O senador nega. “Mais uma mentira de Edvaldo vem à tona: em 2014 não o procurei pra montar uma chapa majoritária com o seu nome como vice e Maria do Carmo para o Senado”, diz Valadares. “Puxa, além da mentira do IPTU, da mentira do acordão com João Alves em 2016, além de tantas mentiras, agora tira do baú um convite imaginário. Deu mais um daqueles brancos em sua memória”, completou o senador.

ETC&TAL

@ Os vereadores Elber Batalha e Emília Correia vão acumular mandatos com o exercício da advocacia estatal que exercem, como defensores públicos.

@ Segundo Marcos Franco, será de R$ 215 milhões o investimento no Aracaju Parque Shopping, empreendimento da família dele que está em obras no Bairro Industrial com previsão de inauguração para dezembro.

@ Reinaldo Moura anda babando para que essa dança de cadeira, com a convocação de suplentes na Alese, chegue nele.

@ Três já foram chamados – Moritos Matos, Gilmar Carvalho e Pastor Daniel. Um caiu pelo caminho, Tijoi Evangelista.

@ Depois de Reinaldo, só tem agora a suplência de Nitinho Vitalle, que é dono de mandato de quatro anos na Câmara de Aracaju, presidente dela, e não abriria mão disso para assumir mandato de dois anos deputado.

@ E tem dois deputados na pendura, afastados há mais de um ano e com previsão de desfecho ainda neste semestre – Augusto Bezerra e Paulinho da Varzinhas.

@ A Prefeitura de Aracaju informou que até as 18h de ontem 3.700 servidores já havia recebido o salário de dezembro via operação de crédito.

@ “Foram 1.715 adesões pelo Banese e 1985 pela Caixa. Isto já representa mais de 30% do funcionalismo”, informou nota.