Rosman bate asas da FHS e a saúde começa a andar

Por Jozailto Lima
28 mar 2017, 00h01

Menos de quatro horas depois de lida a carta-renúncia de Rosman Pereira, com ele dando adeus ao sonho de comandar a Fundação Hospitalar de Sergipe, o senador Renan Calheiros, PMDB, ligava ontem para o secretário de Saúde de Sergipe, Almeida Lima.

E ali Renan recebia uma solicitação bem descontraída e direta de Almeida Lima, no sentido de que ele ajudasse numa cobrança a uma promessa do presidente Michel Temer feita a Jackson Barreto em janeiro deste ano, de que mandaria 30 ambulâncias novas para Sergipe.
É claro que o telefonema do senador ao secretário logo depois da carta-renúncia foi apenas uma coincidência. Mais do que isso: Renan estava ligando de volta, em atenção a um telefonema dado por Almeida Lima minutos antes, ao qual ele não pudera atender.

Mas esse telefonema é extremamente simbólico do destrave que a saída de Rosman opera na estrutura da Saúde. O próprio Rosman havia solicitado uma reunião extraordinária para ontem ao Conselho Curador da FHS. Na pauta, ainda a intenção de mexer nas demissões que estão programadas por Almeida Lima para acontecer até esta sexta-feira, 31 de março.

Para surpresa, um procurador compareceu à reunião levando a carta-renúncia de Rosman. Ele foi profundamente protocolar. Pessoalmente, é um rapaz leve, evangélico. Alegou motivos pessoais e informou que estava capando o gato, batendo asas da FHS.

A reunião foi desfeita, já que a pauta era pedida unilateralmente por ele e não por Almeida, ali presente apenas como um demandado. José Almeida Lima está um homem profundamente mudado. Diferentemente do que fora em outros tempos, não nutre um miligrama de interesse em polêmicas na SES.

Neste caso de Rosman, apesar de ter se sentido aviltado pela arrogância como o presidente da FHS foi levado a agir, aí é que ele não quer polêmicas mesmo. Almeida sabe dos interesses políticos dos Reis por trás das cortinas e não quer criar o menor obstáculo para JB.

Mas, ao mesmo tempo, Almeida se ampara no fato de que JB também não admite o uso da Saúde pública para nada politicamente. É como se houvesse uma espécie de saturação de tudo que o Estado viveu na saúde sob o reinado de Rogério Carvalho – aliás, essa figura é hoje solidária às mudanças feitas por Almeida, segundo uma fonte ligada a JB.

Mas o fato é que a contenda com os Reis – do deputado federal Fábio Reis, da estadual Goretti Reis, dos ex-Sérgio Reis e Jerônimo Reis – atrasou o cronograma das mudanças em mais de 30 dias. Quando Almeida chegou, a FHS já era uma noiva prometida a Rosman, que assumiria 30 dias depois.

A FHS terá em Almeida Lima o comandante interino, mas de caráter permanente – para bom entendedor… E a partir de hoje, acontecem as nomeações para fazer andar as coisas.

E não pensa você, leitor, que é coisa pouca: tem 12 hospitais semi-parados por causa desse impasse. Sem nomeação de coordenadores e de altos técnicos. E hoje mesmo, no mais tardar amanhã, deve explodir uma bomba positiva no melhoramento da saúde pública de Sergipe.

De todo o episódio de Rosman/FHS/Almeida fica uma nobre lição: a de que parece ter, finalmente, chegado um tempo em que a saúde na ponta, a saúde para o povo, a saúde para quem precisa de saúde, virou de fato uma preocupação real e concreta de Estado. Política, será em outro espaço.

BNDES NÃO VENDE DESO SEM ALESE
O deputado Antônio dos Santos, PSC, levou ontem uma preocupação nova para a Alese sobre a privatização da Deso: a de que o governador Jackson Barreto estaria pulando fases ao entregar a venda da Companhia ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BDNES. Segundo o deputado, JB, ao perceber que a Alese não aprovaria a venda, ao sentir que a sociedade rejeitava a privatização, pegou o atalho confortável e mandou o pacote direto para o Bndes. “Mas a responsabilidade pela venda é inteiramente dele”, diz o deputado.

BNDES NÃO VENDE DESO SEM ALESE II
Mas o próprio Antônio dos Santos tinha uma dúvida: será que isso exclui a aprovação da venda pela Alese? Os deputados Francisco Gualberto, líder do Governo na Casa, e Venâncio Fonseca, antigo líder da oposição, não têm dúvida: pouco importa quem vai se habilitar a fazer o leilão, nada acontecerá se não passar pelo crivo da Alese. O Estado é dono de 99% da Companhia e necessitará que o parlamento estadual diga sim para que seja exposta à venda.

JB E OS MITIDIERI ROMPERÃO?
Os que observam a formação do grupo político ao lado do governador Jackson Barreto acreditam que está por um fio a relação dele com o deputado federal Fábio Mitidieri, PSD. Muito franco em suas opiniões e pavio curto, Fábio tem externado em mídias sociais desagrado com a Secretaria de Esportes que JB deu pro seu grupo – pelada, sem nem lugar pro secretário Antônio Hora despachar, sem recursos e nem servidores. “Fábio, estou sentindo que vai torar a corda entre você e JB”, provoca-lhe esta coluna. “Vai não. Somos aliados”, diz Fábio. “Eu tenho um jeito muito sincero de me expressar, e ele sabe respeitar isso. É por isso que estamos juntos”, reforça o parlamentar.

FÁBIO VAI NA LINHA MAQUIAVÉLICA
Apesar desses abalozinhos na relação política com Jackson Barreto, Fábio adota os ensinamentos de Maquiavel, do primeiro tudo para o Príncipe: “Acho que a bola do jogo está com Jackson Barreto. A decisão dele de ser candidato ao Senado ou não irá definir o jogo político de 2018. Particularmente, acho que ele será candidato e deixo claro que se for eu o apoio. Se ele não for, eu serei. Mas acredito que ele será”, avisa

CIRO, O FILHO BASTARDO DE ACM COM COLLOR
O Brasil está mesmo um país na banguela e sem a mínima perspectiva de futuro. Olha só que bravata de grotão deste tal Ciro Gomes, um filho bastardo de ACM com Fernando Collor de Mello e os demais coronéis nordestino, numa ameaça ao juiz Sérgio Moro: “Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala”. Acorda Ciro, e não leve o país ainda mais para trás.

CIRO E O “QUE PAÍS É ESSE?”
A piada de mau gosto de Ciro Gomes desagradou não somente à coluna Aparte. O promotor de Justiça do Ministério Público de Sergipe, Eduardo D’Ávila, também reagiu à bravata. “Lamentável termos chegado a esse ponto de desrespeito às instituições e ao estado democrático de direito. Partidarizam-se até as ações criminais. Estamos quase no ponto de se ter que pedir permissão ao bandido para investigá-lo e processá-lo pelas bandidagens que cometeu. Até parece que foi o Ministério Público e o Judiciário que cometeram delitos. Isso é inversão total de valores. Absurdo. Só me vem à mente a pergunta de Renato Russo: “Que País é esse?””, disse Eduardo

COERÊNCIA AO RECONHECER O DIVERGENTE
Historiador, o vereador Antônio Bittencourt, PCdoB, não é avaro ou somítico em reconhecer a importância de políticos que atuem no seu extremo oposto e com quem idelogicamente não tenha a mínima semelhança. É assim que ele se posta diante de André Moura, líder do Governo Temer no Congresso Nacional a partir de entrevista lida aqui no JLPolitica. “Quem da política não gostaria de ter sido líder na Câmara e de ser líder no Congresso? No que pese toda a minha divergência de naturezas diversas, não tenho como desconsiderar o grandioso êxito político dele. Para isso, imagino que ele deve ser muito bom no exercício da tarefa, ao menos para os seus aliados”, diz o comunista.

UM DEPUTADO PARA TOBIAS BARRETO
O ex-prefeito de Tobias Barreto, Antônio Nery, trabalha para ajudar a cidade a ter mandato de deputado estadual ano que vem. Não será ele necessariamente o candidato. Mas pelo visto, o projeto dele vai eleger a gestão do prefeito Diógenes Almeida como saco de pancada. “No próximo dia 10 a gestão dele completa 100 dias sem nada pra mostrar. A administração está opaca”, diz Nery. “Na última trapalhada dele, enviou projeto de lei à Câmara Municipal para retirar nome do pai do ex-prefeito de um conjunto residencial. Terminou não aguentando a pressão e retirando o projeto da Câmara antes de ser votado”, diz. Nery é advogado, radialista e tem um programa de rádio que está sendo reestruturado. Ele foi convidado a se filiar ao PPS. “Houve o convite, sim, e me senti muito honrado”, diz.

RECONHECIMENTO DE ALBANO FRANCO
O ex-governador Albano Franco não poupou elogios ao prefeito Edvaldo Nogueira ao prestigiar, na última sexta-feira, 24, a inauguração do Centro de Artes e Esportes Unificados – CEU – Vereador Abrahão Crispim, no bairro Olaria. “A nossa presença aqui agora atesta o reconhecimento que nós estamos dando a administração de Edvaldo Nogueira. Nessa obra, ele traduz aquilo que o povo deseja, necessita, os resultados para trazer benefícios. Por isso, louvamos a iniciativa de Edvaldo. É assim, com obras como essa, que valorizam a administração, principalmente pensando naqueles que são mais necessitados”, disse o ex-governador. A obra do CEU, a primeira da nova gestão, foi iniciada em 2012 por Edvaldo em seu mandato anterior, mas não foi continuada pelo sucessor, João Alves Filho, DEM. Ao voltar à PMA, Edvaldo priorizou a conclusão da praça e entregou ao povo na última sexta.

“ENQUANTO A OPOSIÇÃO FALA, REALIZO”
O prefeito Edvaldo Nogueira aproveitou a inauguração para rebater críticas. “Estou há menos de 90 dias à frente da gestão. Encontrei a prefeitura numa situação de dificuldade de quatro anos, então preciso de um tempo para colocar tudo em ordem. 2017, sabíamos, é o ano da dificuldade. Mas acredito muito no trabalho que estamos realizando. Arregaçamos as mangas e estamos reconstruindo Aracaju. Sou um otimista e tenho coragem para enfrentar os problemas. Cumprirei todos os compromissos firmados na campanha eleitoral. Enquanto eles [a oposição] falam, eu realizo”, disse.

ROMARIA PRO CEU ABRAHÃO CRISPIM
Por falar na inauguração do CEU Abrahão Crispim, a solenidade foi bastante prestigiada. Por lá passaram o deputado federal Fábio Mitidieri, os deputados estaduais Ana Lúcia e Garibalde Mendonça, os vereadores Nitinho, Antonio Bittencourt, Jason Neto, Soneca, Zezinho do Bugio, Tiaguinho Batalha, Pastor Alves, Anderson de Tuca, Kitty Lima e Américo de Deus, além do vereador de oposição Fábio Meirelles. Familiares do ex-vereador Abrahão Crispim, líderes comunitários e sindicalistas também compareceram.

BIRA, JACKSON E MICHEL TEMER
Com um pé em Alto Paraíso, Goiás, e outro em Aracaju, o marqueteiro político Bira Suassuna observa a cena da terrinha. Tem interesse, por exemplo, na relação entre Jackson Barreto X Temer e PMDB. “O que há em Temer que Jackson não entende? Jackson não está sabendo compreender, nem sabe lidar com Temer, e não entende desde o princípio, com aquele apoio bisonho a Dilma contra um companheiro histórico de partido. Para Jack, Temer é a esfinge: decifra-me ou eu te devoro. Não é de se estranhar esta briga com Valadares, mas não deixa de ser interessante notar que não há nenhum esforço (pelo menos aparente) para um entendimento político com a senadora Maria do Carmo, que vive um novo momento. Porque ele deveria ir em direção a ela. Ele não tem o voto de nenhum dos três senadores sergipanos”, diz o marqueteiro. Nesta relação, tem coisas que Bira Suassuna diz não compreender muito bem. “Este mesmo Temer que envia ministros para visita agora não é o que telefonou para o governador assim que assumiu, todo gentil e solícito? Então, por que agora o faz ter que desprender energia, tempo e articulação política para defender a direção do PMDB, algo que, historicamente, sempre esteve sob o seu comando? E faz isso usando, justamente, André Moura?”, questiona Bira.

PSL/LIVRES VAI TER CANDIDATO AO GOVERNO
O PSL de Sergipe tem planejamento de apresentar um candidato a governador do Estado nas eleições do ano que vem. O partido vai trocar nacionalmente de nome, passando a chamar-se LIVRES e intenciona ser uma espécie de terceira via no processo sucessório do Estado. “Estamos em diálogo com um empresário local (para encabeçar a chapa)”, diz o presidente da Executiva de Sergipe, Saulo Vieira, primeiro suplente de vereador de Aracaju. Saulo prefere não revelar o nome ainda do pré-candidato. Segundo ele, mesmo antes da migração do PSL para LIVRES, o partido já estava em reconstrução em Sergipe. “No início deste ano nós destituímos todas as Executivas Estaduais e todas as comissões provisórias e iniciamos um processo de renovação dos quadros em todo o Estado. Já demos pose a alguns, estamos empossando agora no dia 31 as de Itabaiana e Umbaúba” diz ele. A curiosidade é que o LIVRES é uma tendência do partido que terminou sufocando-lhe e dando-lhe o novo nome. É como se o PT fosse sucedido pela Articulação de Esquerda.

 

ETC&TAL
@ Jackson Barreto acha que muitos dos perrengues pelos quais passa Almeida Lima na Saúde vem do chamado “fogo amigo”.

@ Rosman Pereira, dá FHS, não é genro dá deputada Goretti Reis. É casado com uma sobrinha dela, filha de Jerônimo Reis.

@ André Graça, PSC, presidente da Câmara Municipal de Estância, diz que a sua gestão vai priorizar a informação dos gastos aos cidadãos.

@ “Estamos lidando com recursos públicos e, mais que ninguém, o cidadão contribuinte merece saber como e em que está sendo gasto o seu dinheiro”, diz André.

@ “Estamos inovando e disponibilizando todas as informações no Portal da Transferência da própria Câmara, antes era no Portal do Tribunal de Contas do Estado”, afirma André.

@ “A informação deve ser franqueada de forma ágil, transparente, clara e de fácil compreensão. É assim que entendemos que tem que ser conduzida a gestão pública”, diz ele. Não deixa de ser um bom exemplo.

@ “Ocupo o pequeno expediente na tarde de hoje para fazer um registro com muita alegria, com muito contentamento, sobre a escolha do deputado federal Valadares Filho para Presidência da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara Federal”. Isso foi pronunciamento do deputado Luciano Pimentel.

@ “Acreditamos que, depois da escolha do líder do Congresso Nacional na pessoa do sergipano André Moura, a escolha do deputado federal Valadares Filho para integrar, como presidente, esta importante comissão, todos nós do Estado de Sergipe ganhamos, porque é a possibilidade de atrair mais investimentos para o nosso Estado, para a nossa gente”, reforçou Pimentel.