Será que os 11 do Congresso formarão um time?

Por Jozailto Lima
16 mar 2017, 00h01

Jackson Barreto é, de fato, um político perigoso. Quando ele quer, mobiliza tudo e todos aos seus pés. A tão propalada audiência com o deputado federal André Moura, líder do Governo Temer no Congresso e um dos seus oponentes políticos, no dia de ontem, é uma certificação parcial disso.

O encontro levou exatos 14 dias para acontecer – nasceu da visita de JB à Alese, na abertura dos trabalhos legislativos no dia 1° de fevereiro e se materializou ontem. O deputado Samuel Barreto, um neo-governista que continua ligado a André, fez a ponte entre os dois.

Da bancada da Câmara Federal, apenas Valadares Filhos não estava presente. Os demais sete, todos: André Moura, Laércio Oliveira, Fábio Reis, Fábio Mitidieri, João Daniel, Jony Marcos e Adelson Barreto. Do Senado, nenhum dos três – mas possivelmente os motivos de Maria do Carmo não sejam os mesmos de Antônio Carlos Valadares e de Eduardo Amorim, oponentes do núcleo duro.

É claro que “o dono” da pauta era o Canal de Xingó, mas não ficou só nele. Jackson aproveitou para tratar da necessidade de se acelerar a duplicação da BR-101 no Estado, que tem de Estância a Aracaju o maior trecho duplicado. Nesse aspecto, JB lembrou o quanto é ruim a falta de unidade que tem caracterizado a bancada de Sergipe no Congresso.

“O presidente Temer liberou a licitação do trecho entre Propriá e Capela, um investimento de R$ 140 milhões. Poderíamos ter conseguido mais se estivéssemos todos unidos. A minha avaliação é que se tivéssemos uma unidade de ação conseguiríamos mais. O trecho entre Maruim e Aracaju está muito complicado. Precisamos dar respostas ao povo sergipano. Cobrar esse investimento”, disse.

Jackson fez a comparação entre os canais, de Sergipe e de Alagoas, mostrando o descompasso entre ambos, com o alagoano quase pronto. “Em Sergipe, não conseguimos iniciar a obra. Foi assinado um convênio para cuidar do projeto básico, de R$ 6 milhões, de responsabilidade da Codevasf, e agora precisamos de recursos para fazer o projeto executivo”, disse ele.

“Estamos aqui para pedir o apoio de André Moura, como líder do governo Temer no Congresso, a sua integração para que a gente consiga elaborar o projeto executivo e, após a conclusão, iniciar a obra”, completou.

Apesar do receio desta relação, dos inevitáveis ressentimentos que pairam entre André e Jackson, o líder do Governo não foi avaro. “Somos uma bancada de apenas 11 parlamentares e precisamos nos somar. Estou à disposição para discutir esses dois temas e outras demandas que tratem do desenvolvimento de nosso Estado”, disse Moura.

“Em relação ao canal de Xingó, o que temos que viabilizar é o projeto executivo, que está em torno de R$ 20 milhões. Já temos algo em torno de R$ 4 milhões do PAC. Teríamos dois caminhos para viabilizar os recursos. Minha proposta é que tentemos buscar esses recursos de forma conjunta: governo e bancada, porque essa é uma questão de todos nós. Vamos analisar e nos reunir para anunciarmos o caminho que será seguido”, disse.

 O lado medonho de JB – medonho no sentido positivo -, bem que poderia estar ativado há mais tempo em busca destas soluções. Na véspera da viagem dele a Brasília para esta audiência, tanto Valadares quanto Eduardo Amorim se disseram dispostos a ajudar.

O senador Valadares avisou que estaria aberto a se reunir com a totalidade da bancada e com JB para discutir esses interesses de Sergipe. “Esse encontro com o líder André Moura é o demonstrativo de que o adversário não pode ser tratado como inimigo, uma vez que o povo, que é o destinatário de nossa ação, espera que as nossas diferenças sejam colocadas à parte na hora de a gente se sentar pra conversar sobre coisas sérias”, disse Valadares.

Premido pelas discussões, Eduardo Amorim foi logo propondo. “Faço um apelo a toda bancada sergipana para colocar para o Canal de Xingó uma das emendas impositivas do próximo ano. Dessa maneira, o Governo do Estado não terá desculpas para adiar ainda mais o início das obras, enquanto o povo morre à mingua de sede e perde o que planta, perde animais, perde os sonhos”, disse ele.

Não foi um congraçamento consensual, o de ontem – posto estarem ausentes três dos 11, se se considerar que embora não estivesse na reunião a senadora Maria do Carmo não tem hoje problemas institucionais com JB. Mas já foi um pontapé positivo.

Na véspera do encontro, JB disse a esta coluna: “Eu não quero dividir palanque político com o deputado André Moura. Ele vai continuar no dele e eu no meu”, disse. É possível, sim, separar as coisas.

VENÂNCIO FONSECA AJUDARIA NA UNIDADE
O deputado Venâncio Fonseca rebateu a nota “Samuel, Venâncio, André e JB”, publicada aqui nesta coluna ontem. Na nota continha a informação de que ele ajudara ao deputado Capitão Samuel a fazer o entendimento entre o govenador Jackson Barreto e o deputado federal André Moura para a reunião de ontem, que tratou do Canal de Xingó e da BR-101. “Não houve a mínima participação minha, até porque não fui consultado. Mas se fosse consultado, participaria, e ajudaria, porque quero ver o bem do meu Estado. Quero ver o desenvolvimento dele. Não faço política do quanto pior melhor, e muito menos com ódio ou com rancor. Faço oposição, mas tenho bom trânsito, inclusive com a situação. Não só da atual, como com da anterior, do ex-governador Marcelo Déda, quando fui líder da oposição nesta casa”, disse o parlamentar.

JOÃO ALVES VIVE EXÍLIO EM BRASÍLIA
Desde que deixou o Governo de Aracaju, João Alves vive numa espécie de exílio voluntário em Brasília. Este mandato público encerrado no dia 31 de dezembro representou seu quinto – três de governador e dois de prefeito da capital. A própria esposa, senadora Maria do Carmo, diz que fez questão de tê-lo ao seu lado no Distrito Federal para que ele descansasse de tanta exposição política em Sergipe – afinal, o camarada fará 76 no dia 3 de julho e é voz corrente de que não está gozando de boa saúde. Ana Alves, uma das duas filhas e a que mais fica perto do pai, diz que ele “está bem”. “Está em Brasília de férias com a família. Está em momento família, com a esposa, filha e netos”, diz Ana.

MAS AINDA PENSA EM SER GOVERNADOR
Ainda esta semana circulou o boato sobre uma suposta pretensão de João Alves em disputar o Governo do Estado pela sétima vez – já perdeu três eleições, uma para Albano Franco, em 1998, e duas para Déda, em 2006 e 2010. “Apaixonado por política, óbvio que ele fala sempre. Todo político pensa. E um homem com o histórico dele, pensa, óbvio, mais. Mas proibimos no momento esse assunto. Agora é hora de ele descansar, fazer exercícios, ler, ouvir música, escrever. João Alves é o exemplo da Fênix, ressurge das cinzas. Então é hora de recuar”, diz Ana Alves. “Ele precisava ir para Brasília, pois as pessoas aqui não paravam de falar em política”, avisa a filha.

A REAL RAZÃO DA BRIGA ENTRE JB E VAVÁ
O secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, João Augusto Gama, tem uma tese para traduzir o relacionamento estourado entre Jackson Barreto e Antônio Carlos Valadares. Não é nenhuma noia de infância, nenhum afanou do outro uma bola de gude na meninice e estaria hoje trazendo à tona o remorso e o ódio. Para Gama, tudo tem raiz na cassação do mandato de prefeito de Jackson em 1988 pela Assembleia, com o apoio de Valadares, então governador. Para os mais novos, convém lembrar que em 1985 – um ano ímpar – houve eleição. Foi a retomada das diretas para eleger prefeitos das Capitais e dos chamados municípios de segurança nacional que tinham, desde 1966, prefeitos indicados bionicamente pela ditatura militar.

JB FEZ DE VALADARES GOVERNADOR EM 1986
O exótico de tudo isso é que Jackson era prefeito do PMDB, rompeu com o peemedebista José Carlos Teixeira em 1986 e ajudou a fazer de Valadares, que era vice-governador de João Alves, o único pefelista nacional governador de um Estado. Indicou, inclusive, Benedito Figueiredo como vice-governador. Dois anos depois, Valadares lidera a cassação do mandato de Jackson na Assembleia – era prerrogativa da Alese decidir sobre o destino do prefeito da Capital. Hoje não mais. JB foi envolvido numa trapaça miúda, como a poda de galhos de árvores urbanas, que hoje ninguém lembra mais. Outra ironia é que naquele processo de cassação, de aprovação apertada, Laonte Gama, irmão de Gama e deputado estadual, votou pela cassação de JB. Assim como os dois Marcelos, o Déda e o Ribeiro, que eram deputados estaduais.

ROSMAN, DA FHS, NÃO PODE MEXER EM NADA
O presidente da Fundação Hospitalar de Sergipe – FHS -, Rosman Pereira, não conseguiu tirar o secretário de Saúde, José Almeida Lima, do sério ao anunciar que anularia todos os atos dele na Fundação enquanto secretário. Procurado por esta coluna ontem no começo da noite, Almeida negou-se a fazer qualquer comentário. Não teceu a mínima consideração. Mas no entorno dele, Aparte conseguiu apurar que as falas de Rosman estão sendo consideradas como bravatas. “Ele está dando uma das maiores barrigadas que um gestor pode cometer”, disse uma figura da Saúde.

ROSMAN, DA FHS, NÃO PODE MEXER EM NADA II
A barrigada viria do fato de que Rosman não poder mexer em nada do que foi decidido por Almeida Lima. O secretário teria feito todos os atos com a cobertura plena de Conselho Curador da FHS, que tem o próprio Almeida como presidente e por componentes quatro nomes indicados pelo governador Jackson Barreto, três componentes do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, incluindo o de Aracaju, André Sotero, e o próprio Rosman. “Nada do que foi feito pode ser revogado”, disse a fonte. A coluna Aparte apurou que ontem ao meio Rosman Pereira esteve na sala de Almeida Lima acompanhado da sogra, a deputada estadual Goretti Reis. Teria ido pegar algumas portarias. O sentimento no entorno de Almeida é o de que  a FHS mandava na Secretaria de Saúde, mas agora teria havido uma mudança substancial de rumo que está sendo difícil de ser compreendida e acatada. A coluna tentou falar com Rosman. Ligou-lhe algumas vezes e não foi atendida.

ETC&TAL
@ A audiência entre JB e André Moura ontem teve a participação dos deputados estaduais Pastor Antônio, Jairo de Glória e Capitão Samuel. Além do representante do Governo de Sergipe em Brasília, Heleno Silva.

@ O desembargador Cezário Siqueira, presidente do Judiciário de Sergipe, traz consigo um exemplo interessante nesta hora torpe da vida nacional: ele está entre os magistrados sergipanos, senão o único, que não requisitou auxílio moradia.

@ Se você é de mandar, mande flores para o desembargador Ricardo Múcio, presidente do TRE: ele aniversaria hoje. Quer uma inconfidência? Faz 55 anos.

@ Ontem, o ex-prefeito de Aracaju, empresário e secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, João Augusto Gama, fez 70 anos. Foi comemorar às margens do Rio da Plata, na velha e bela Buenos Aires.

@ Uma notícia positiva dada ontem por André Moura: ele teria recebido a afirmação do ministro dos Transportes, Maurício Quintela, de que em abril estará lançando a licitação da BR-101 no trecho entre Estância e a divisa com o Estado da Bahia, lá em Cristinápolis. 

@ Oliveira Júnior, assessor de Política de Desenvolvimento do Governo de Sergipe, está muito animado com a geração de 1.500 megawatts de energia com a terméletrica que está sendo montada em Sergipe.

@ E o que isso significa? “A possibilidade de Sergipe se consolidar enquanto produtor e exportador de energia e, em segundo lugar, atrair empreendimentos industriais”, resume o assessor.

@ Nota triste: ontem, Douglas Rosário, de apenas 25 anos, filho de Gilson Rosário, vereador de Poço Verde, morreu em acidente de trânsito em Formosa, Goiás. Ele vinha de carro de Brasília para Sergipe.

@ O deputado estadual Georgeo Passos apresentou na Alese o Projeto de Lei que cria Código de Proteção aos Animais e pretende estabelecer normas para a proteção, defesa e preservação aos bichos no Estado de Sergipe.

@ “Esta foi uma forma que encontramos para colaborar com a causa animal. Percebemos que não havia uma legislação que tratasse especificamente deles, o que tem ocasionado a impunidade para quem comete qualquer ato de abuso. Por isso, o PL deverá preencher essa lacuna”, disse Georgeo.