Valadares e a encruzilhada das pesquisas: comemorar ou cismar?

Por Jozailto Lima
08 ago 2017, 22h26

O senador Antonio Carlos Valadares, PSB, é, seguramente, o político sergipano que tem o tal do sexto sentido mais aguçado possível entre os demais políticos.

Ele cisma e empaca mais rápido do que qualquer um dos seus colegas de atividade – e estanca, por vezes, diante de coisas e fatos que aparentemente possam estar a seu favor.

Na campanha do filho a prefeito de Aracaju ano passado apontou, 30 dias antes, o dedo para todos os erros que 30 dias depois se concretizaram.

Valadares tem um visor muito próprio. Personalíssimo. Por onde só ele é capaz de focar e ver. Vamos a um caso real no seu entorno agora: as tais pesquisas eleitorais, nas quais ele está sempre na frente. São boas para ele? Sim, são.

Ele até as utiliza, aqui e ali, em impostação de discursos para dizer que, mesmo estando na oposição a três níveis de Governo – Federal, Estadual e Municipal de Aracaju – seu balão de preferência está sempre inflado e invadindo os céus.

Mas, pela bitola cismadora de Valadares, essas pesquisas, apesar de vistas como boas, também lhe exigem um pé atrás. E ele tem esse pé atrás de um modo que só ele, o mais mineiro dos sergipanos, sabe tê-lo.

Em alguns momentos, é até exagerado em sua matreirice – no seu modo cismador. Chega até a suspeitar que seus oponentes estejam por trás delas, para criar um boom que lhe seja a um só tempo benéfico e perigoso. Uma cocó. Uma cilada.

O senador Valadares sabe, por exemplo, que demanda um estresse alto para alguém se manter no topo de pesquisas por longos 14 ou 15 meses antes de uma eleição – seja ela para que nível de disputa for. “Essa liderança” tanto pode ser garantia de sucesso quanto de incômodo. De dor de cabeça.

Liderar gera um sentimento dúbio na comunidade, ainda mais numa pequena tribo como a nossa sergipana, de 2,3 milhões de habitantes: pelo menos no eleitor mais esclarecido, fica o sentimento de que ele seja o promotor e o patrocinador geral das pesquisas que dão a ele mesmo o topo das intenções.

Para um eleitor mais simples, humilde, e que eventualmente se socorre de políticos, as pesquisas podem fazer de Valadares um saco de pancadas e um alvo de pedidos que, inatendíveis, lhe levariam à queimação.

É bom lembrar que esse senador é, materialmente, um pobretão-primo-carnal de Jó, aquele lascado bíblico que perde as juntas de camelo, todo gado e as ovelhas e vive na lona.

De modo que essa pesquisaria toda é uma sinuca de dois bicos para o camarada Vavá: ele não pode jamais reclamar de estar liderando na maioria delas e nem pode fazer desta liderança um cavalo de batalha. Soltar foguetes. E é exatamente no meio dessa encruzilhada que ele se posta, cisma e empaca.

SOCORRO VAI TENTAR ESPAÇO NA ALESE
A eleição de 2018 pode trazer muitas surpresas no campo proporcional no segundo maior colégio eleitoral de Sergipe, Nossa Senhora do Socorro, que ano passado contava com 179.661 habitantes e 100.434 eleitores. Todas essas surpresas, no entanto, sinalizam uma obviedade: vão gravitar em torno do atual prefeito Padre Inaldo e do ex, Fábio Henrique. Ambos querendo pegar seus espaços de deputado estadual, sair-se bem com federais e senadores e se cacifar junto ao futuro govenador, mas muito pensando no peso que terão em 2020, quando se dará a sucessão municipal. O Padre Inaldo, certamente vai quer permanecer no posto. Fábio Henrique, vai tentar retomar.

Padre Inaldo: as pulsações vão gravitar em seu entorno


TEM CINCO NOMES DOS DOIS GRUPOS

A eleição de deputado estadual, no entanto, será o grande teste para ambos. Aqui, saltitam cinco nomes – três do lado de Inaldo e dois do de Fábio – ele mesmo e a esposa, a deputada estadual Sílvia Fontes, PDT. Os de Inaldo seriam, na ordem de probabilidade, o jornalista Aélio Argolo, a companheira do próprio Inaldo, Maria do Carmo Paiva, a Carminha, e o vice-prefeito Roberto Wagner dos Santos, o Betinho, que foi vereador na legislatura passada. Apesar da distância da eleição, os embates já estão dando largas braçadas.

Roberto Wagner dos Santos, o Betinho: já disse da intenção, mas…

CONFLITOS INSINUADOS ENTRE FÁBIO E SÍLVIA
Na base da política de Socorro, há informe de muita intriga no reino de Fábio Henrique: o que se diz é que ele estaria em pé de guerra com a própria esposa, Sílvia Fontes, a mais votada de 2014 e uma boa parlamentar. Sem mandato e vendo dificuldade em se tornar um deputado federal, Fábio estaria tentando convencer Sílvia a lhe ceder o lugar para disputar o mandato de estadual. Afeiçoada ao mandato, ela não estaria disposta a ceder – pensa na reeleição e na Prefeitura em 2020, projeto idêntico ao de Fábio. O que se diz em Socorro é que essa queda de braços estaria pondo sob a emaça até a estabilidade do casamento dos dois.

TRÊS NOMES DO LADO DE INALDO…
No grupo de Inaldo, há problemas também. Mas não parecem resvalar para litígios. Betinho está na beira, manifestou logo cedo interesse por 2018, mas não é organicamente do grupo do prefeito. É do PMDB, e possivelmente Jackson Barreto não vai querer brigar por ele se for mesmo disputar uma candidatura de senador. Inaldo tem muita afinidade de objetivos com sua companheira Carminha, que é a secretária de Assistência Social e está bem postada no foco dos interesses dele enquanto liderança maior do município – afinal, o padre teve 35.190 votos, ou 73,12%, para se fazer prefeito ano passado, bem diferente dos 14.510 obtidos para deputado em 2014 e até acima dos 32.835 de prefeito de 2012, quando perdeu para Fábio.

Fábio Henrique: o mesmo projeto que a esposa. E aí?


…E UMA TENDÊNCIA FORTE POR AÉLIO

Mas Inaldo tem por Aélio Argolo, que lhe é um assessor especial hoje, uma gratidão bem fundamentada em fatos políticos passados. Em 2012, Aélio comandava o PC do B no município e abriu espaço para a filiação de Inaldo. Foi candidato a vice dele, e tombaram. Em 2014 atuou para elegê-lo estadual, e em 2016, a chapa de prefeito seria a mesma de 12, mas JB apareceu pedindo por Betinho. O padre recorreu a Aélio, hoje no PRP, para saber se ele facilitaria e foi atendido. Inaldo, segundo se diz em Socorro, teria afirmado que se se elegesse prefeito iria trabalhar para que Aélio, diante daquele gesto, herdasse o espaço de deputado estadual que ele deixaria na Alese. Política não é bem assim, harmônica. Mas é o que está posto. E é o que se deve esperar – e inclusive torcer pelo bem-estar de Sílvia e Fábio.

Aélio Argolo: há coisas de gratidão em cena


ROGÉRIO QUER LULA PARA DEUS
Com o título de “Voltamos ao tempo da exclusão”, o ex-deputado federal e presidente do PT em Sergipe, Rogério Carvalho, escreveu um artigo e distribuiu à mídia online ontem – este portal publicou, em respeito à pluralidade -, no qual trata Luiz Inácio Lula da Silva como um messiânico que salvou o país e sustenta a tese de que, depois dele, voltaram as trevas. “Quando Lula assumiu a Presidência, o seu grande mérito foi fazer um governo para todos os brasileiros. Com isso, o Brasil cresceu. Nada menos que 40 milhões de pessoas das classes C e D, o equivalente a quatro vezes a população de Portugal, renasceram das classes que estavam excluídas das oportunidades que a riqueza do país podia oportunizar”, escreveu Rogério. Com Temer, pontua o petista, a roda foi desinventada, e tudo ruiu, e tudo murchou. “Estamos agora, novamente, diante de um processo no qual todos esses incluídos vão, paulatinamente, ser excluídos. Tudo isso para que essa montanha de recursos volte para as mãos dos de sempre, as elites brasileiras, os mesmos que não querem a distribuição da riqueza nem a inclusão das pessoas, o que é um equívoco”, diz Rogério. Ele só faltou escrever duas verdadezinhas básicas e elementares: 1 – Que Temer é um filho bastardo do PT e de Lula. 2 – E que Lula, tendo Temer sobre o ombro, começou o processo de desmanche do Brasil, imprimindo-lhe uma notória carga de corrupção.

Rogério Carvalho: verdades parciais


ETC&TAL

@ A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, por maioria de votos, trancou ontem a ação penal instaurada contra a advogada Rosenice Figueiredo Machado.

@ Essa advogada foi denunciada pelo Ministério Público de Sergipe pelos crimes de associação criminosa e fraude a processo licitatório no rumoroso caso que envolveu, desde o início do ano, a Emsurb e as empresas Torre e Cavo. O advogado criminalista Carlos Alberto Menezes havia impetrado um habeas corpus em favor dela, que foi acolhido.

@ A deputada Goretti Reis, PMDB, disse ontem que problema dos feirantes de Lagarto, de não estarem usado um big equipamento de feira livre feito pelo Governo do Estado, é falta de sensibilidade do prefeito Valmir Monteiro.

@ Goretti lembrou que em dezembro do ano passado, após a reforma, o Governo do Estado devolveu o mercado e até o momento o prefeito não entregou para os feirantes.

@ Devido a esse impasse por parte da atual gestão, Goretti esteve hoje no Ministério Público de Sergipe (MPE) para garantir aos feirantes o direito de retornarem aos seus boxes.

@ “Para comprovar o descaso do poder público em resolver esse problema, estive no Ministério Publico de Sergipe para verificar se realmente não cabe ali o que Aracaju fez no Mercado do Augusto Franco, à época com o prefeito João Alves, onde se deu o uso de permissão para os feirantes que lá estavam”.

@ A Lei Maria da Penha acaba de fazer 11 anos. “Ela apresentou relevantes avanços no que se refere à garantia da integridade das mulheres, mas ainda tem muito o que avançar”, disse ontem a senadora Maria do Carmo Alves, DEM.

@ Maria é a autora do Projeto de Lei que criou o Botão do Pânico, um dispositivo que aciona a polícia automaticamente em caso de ameaça de violência contra mulheres e que já funciona em algumas cidades brasileiras.

@ “Apesar do avanço que é a instituição da Lei, infelizmente, ainda temos uma mulher sendo morta a cada uma hora. O Brasil ocupa a quinta posição entre os países onde mais se matam mulheres pelo simples fato de serem mulheres”, constatou a senadora.

@ E deu um dado assustador: “O Nordeste tem um índice alarmante de assassinatos contra o gênero. Os aparelhos de proteção ainda não funcionam a contento”, pontuou Maria. Ela ressalto que, em inúmeros casos, são os próprios maridos ou companheiros os responsáveis pelas agressões.