YoutubeFacebookTwitterInstagram
Aparte
Author 4eb5c947b54eb69b
Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

A eleição de 2018 será um fim de mundo para muitos políticos sergipanos
CompartilharWhatsapp internalFacebook internalTwitter internal
73fa96a5ae910e24

Rogério Carvalho: o mais fustigado pelo braço da escatologia

Esta eleição de 2018 tem um quê de fim de mundo para muitos políticos sergipanos. Ela é, sem dúvida alguma, a mais escatológica possível das eleições - se pegarmos a escatologia como aquela velha doutrina que meça o fim dos tempos e dos homens nos dias reservados a eles.

E a eleição de 2018 se faz escatológica por uma série de coincidência, que vão desde as idades de alguns personagens nela envolvidos, a términos de mandatos e mudança de rota e de foco nas disputas.

Filosofia à parte, pense nas realidades dos senadores Antonio Carlos Valadares, PSB, e Eduardo Amorim, PSDB. Os mandatos desses dois camaradas se encerram este ano. Um, Valadares, aos 75 anos, disputa a reeleição. O outro, Eduardo, aos 55, disputa o Governo do Estado.

Se tombarem em seus projetos, ficarão ambos ao relento, com a titela exposta ao sol ou à chuva. Sem mandatos. A coluna não vai julgar chances nem destes dois e nem de nenhum dos demais que entrarão aqui nesta análise.

Veja, leitor, a situação de Jackson Barreto: aos 73 anos - está com 74 agora -, ele deixou em abril passado oito meses de mandato de govenador que lhe restavam para tentar um mandato de sanador que, se obtiver, lhe levará até os 82 anos ativo na cena política local e nacional. Se não, veste o pijama.

Escatologicamente, a situação do deputado federal André Moura, PSC, não é das mais simpáticas. A pule dele foi muito alta: deixou para trás uma candidatura de reeleição para um espaço que tinha oito vagas para disputar um encaixe onde há somente duas. Ele pensa em ser governador lá na frente. É novo, com 46 anos. Se o passo lhe for curto agora... será que?

Valadares Filho, PSB, passa por processo semelhante ao de André: deputado federal de terceiro mandato, teria chances de reeleição de olhos fechados para um quarto. Mas emprestou cara e corpo ao projeto de ser governador. Se perecer, pereceu: fica sem mandato! Como terá em outubro 38 anos, pode cauterizar a ferida e voltar à cena?

Aos 58 anos, as circunstâncias históricas levaram Belivaldo Chagas, PSD, ao centro desse labirinto: depois de tantos mandatos de deputado estadual, de dois de vice-governador e um de governador tampão, não parecia haver-lhe outra saída senão a de tentar agarrar com as próprias mãos o Minotauro de um mandato. Se não vencer o touro, sai da história e não deve querer mais voltar a uma nova arena política.

Heleno Silva, PRB, 51 anos, se não for eleito, não perde nada, pois nada tinha - está sem mandato desde que deixou a Prefeitura de Canindé em 31 de dezembro de 2016. Aliás, perde apenas a vontade de ter. De ter um mandado de senador. Seguramente, ele estaria no bloco dos que talvez enfiem a viola no saco e espere para cantar numa freguesia de um recomeço e de negação do escatológico.

Nas duras e altas hipóteses de 2018, Rogério Carvalho, PT, ocupa um lugar complexo. Meio de vida ou morte. Aos 50 anos, Rogério parou no tempo de mandatos em 2010, quando se elegeu deputado federal. Em 2014, quase chegou lá numa disputa pro Senado.

Neste meio tempo, Rogério viu seu PT demudar de a grande esperança nacional em um partido melado pela corrupção. Se elegerá sanador? Não se sabe. Sabe-se, no entanto, que se não chegar lá, talvez seja, entre todos os analisados aqui, o mais fustigado pelo braço da escatologia que se aplica sobre estas eleições de Sergipe.