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Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

“Advocacia ainda é branca, masculina”, diz Valdilene Martins
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Valdilene Martins: advocacia ainda não reconheceu a força da renovação e da diversidade.

“Quanto tempo temos da criação da entidade OAB? 90 anos? Se não me engano, ela foi criada em 1930. Então, são quase 100 anos de OAB e, infelizmente a Ordem ainda se mantem muito antiga e retrógrada, por todo o Brasil, ressalvando-se raríssimas e honrosas exceções de algumas subseções e seccionais, a exemplo de Sergipe”.

A fala é da advogada Valdilene Martins, ativista dos direitos das mulheres, e está diretamente ligada a um movimento interno que vem se fortalecendo dentro da entidade para modificar a nomenclatura para Ordem da Advocacia do Brasil. “Todo Conselho é de classe: de Enfermagem, Engenharia, Contabilidade, etc. Não tem condições de a Ordem continuar sendo dos advogados”, diz ela.

Segundo Valdilene, as pessoas podem até pensar que isso é bobagem, mas não é. “As palavras têm força e, nesse caso, acaba trazendo uma invisibilidade para as mulheres. Se você olhar a Diretoria do Conselho Federal, são só homens brancos. A gente luta muito pela participação de gênero”, pondera.

A advogada diz que a regra, hoje, é a de uma advocacia ainda branca, masculina, elitista e senil. “Podemos observar isso nos eventos promovidos, nas composições das mesas, nas formações das chapas em época de eleição, nas escritas sempre sexistas com exaltação exagerada do masculino”, reforça.

Mesmo a advocacia tendo, segundo Valdilene, maioia feminina em Sergipe. “A Ordem, que sempre foi uma defensora do Estado Democrático de Direito, precisa começar a dar o exemplo, mudando a nomenclatura”, argumenta. Ela lembra, porém, que não se trata de uma questão local.

“Não tem nenhuma presidente da Ordem nos 27 Estados. Na última gestão teve uma, aqui em Sergipe nunca houve, embora haja representatividade de gênero e raça no Conselho. Os eventos realizados aqui já vêm mudando, como a Corrida, o Forró, que passaram a ser da Advocacia e não dos Advogados”, reitera.

Mas, na Ordem como um todo, para ela, a advocacia ainda é uma categoria profissional que, infelizmente não reconheceu a força da renovação e da diversidade. “Uma Ordem que ainda é dos advogados e não está de portas abertas, como deveria, para a Advocacia, com toda a sua variedade de gêneros, etnias, eficiências, deficiências, classes sociais, orientações sexuais, identidades de gênero, ideologias religiosas, etc”, lamenta.

Por isso, de acordo com Valdilene, a OAB também precisa entender a importância de abrir as suas portas para o novo e para a diversidade, para que ela possa, de fato, evoluir positivamente. “Viva a Ordem da Advocacia do Brasil, porque as palavras têm força e as nomenclaturas têm o poder de construir pontes ou muros”, reforça.