YoutubeFacebookTwitterInstagram
Aparte
Author 4eb5c947b54eb69b
Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

André Moura diz que chapa ideal das oposições seria a que repetisse arco de aliança com os Valadares
CompartilharWhatsapp internalFacebook internalTwitter internal
85b17968568932c7

André Moura: "o ideal é que estivéssemos todos nós juntos como estivemos em 2016"

Numa conversa franca e madura com a coluna Aparte, feita a partir de Brasília nesta quinta, o deputado federal André Moura, PSC, garante que a chapa ideal para que as oposições fossem às eleições de Sergipe neste ano, mantivessem a vantagem que as pesquisas lhes indicam e de fato vençam o pleito seria uma que mantivesse intacta a unidade do agrupamento. Uma chapa que e mantivesse agregados os Valadares.

“A chapa ideal seria aquela que repetisse o mesmo arco de alianças que construímos em 2016 na disputa pela Prefeitura de Aracaju, apoiando Valadares Filho. Se pudermos repetir aquilo e ainda agregar mais, ótimo. Isso é uma construção a ser feita. E cabe a todos do grupo”, diz o deputado.

André Moura revela, no entanto, que respeita a opção dos Valadares de desgarrem das oposições e saírem em carreira solo na disputa pela sucessão estadual. “Entendo que se a compreensão do PSB for de uma candidatura de Valadares Filho a governador, temos que respeitar. Creio que Valadares pai e filho são dois nomes bons e que ampliam o leque de opções para os sergipanos. Se eles resolveram ter candidatura própria, é mais uma opção para os sergipanos analisarem”, diz.

Mas, ao mesmo tempo, André Moura não dá o mínimo sinal de vá morrer de véspera por esta opção valadarista. E levanta o estandarte de uma candidatura liderada por Eduardo Amorim e por ele, mesmo sem prefixar qual deles deve ter que posição na chapa majoritária.

“Eu não tenho problema com isso. Já disse e volto a repetir: aprendi desde cedo e faço política em grupo. Aquilo que meu agrupamento definir como missão minha, aquilo que couber a mim neste contexto, estou pronto para cumprir. Se o agrupamento decidir que minha missão é estar na chapa majoritária, nela estarei. Se decidir que devo ir à reeleição de federal, cumprirei da mesma forma”, avisa.

E faz uma leitura bem camarada de Eduardo Amorim em fusão com a sua própria pessoa. “Nós dois conhecemos a realidade do Estado. Nós dois estudamos juntos a situação de Sergipe. E nós dois pensamos num projeto inovador, diferente, que nos exija coragem de tomar medidas necessárias na economia do Estado”, diz. Para André Moura, o dia 20 de março seria uma data ideal para lançar a chapa das oposições, com ou sem os Valadares. Vale a pena ler este bate papo com este político que não é meramente o líder de Temer.

6c95ad706247c7f5André Moura, o líder de Temer, respeita a opção dos Valadares

Aparte - Pela sua avaliação, depois de não ter sido possível em janeiro, qual seria a data ideal agora para que a oposição lançasse a chapa pela disputa ao Governo de Sergipe?
André Moura
- No dia 23 de dezembro do ano passado eu e o senador Eduardo Amorim nos sentamos e construímos o entendimento de que até o final de janeiro deveríamos anunciar esta chapa. Depois disso, o senador Eduardo teve um conversa com Valadares Filho e ponderou comigo que deveríamos aguardar para fevereiro, no pós-carnaval. Eu concordei. Isso também foi muito por causa da pressão que temos no nosso grupo.

Aparte - A falta de decisão de para onde vai eleitoralmente o senhor não atrapalha o grupo?
AM -
Veja: a minha decisão ou não por uma candidatura majoritária tem um reflexo muito grande no grupo, porque tem muitas pré-candidaturas de deputado federal que dependem muito dessa minha posição. Se eu for candidato a federal, o Pastor Antônio dos Santos e José Carlos Machado, por exemplo, não serão candidatos. Se eu não for, abre-se, digamos assim, um leque de herdeiros. Eu diria que a pressão é muito grande. Mas como Eduardo afinou o discurso comigo, definimos que agora em março, mais especificamente entre este e o próximo final de semana, vamos cumprir uma série de compromissos e de conversas mais reservadas e ampliadas com prefeitos, ex-prefeitos ex-deputados e demais lideranças, e aí a gente espera poder anunciar uma chapa depois do 17 de março. Possivelmente lá pro dia 20.

Aparte - Qual seria “a boa chapa”, a ideal, para que a oposição em Sergipe entrasse na campanha, mantivesse a vantagem que detém hoje e a vencesse?
AM -
A chapa ideal seria aquela que repetisse o mesmo arco de alianças que construímos em 2016 na disputa pela Prefeitura de Aracaju, apoiando Valadares Filho. Se pudermos repetir aquilo e ainda agregar mais, ótimo. Isso é uma construção a ser feita. E cabe a todos do grupo.

Aparte - Qual é o espaço a que a figura pública André Moura pretende, realmente, disputar entre o Governo do Estado e o Senado?
AM -
Eu não tenho problema com isso. Já disse, e volto a repetir: eu aprendi desde cedo e faço política em grupo. E, dentro disso, lógico que o que mais nos interesse é ver o nosso agrupamento apresentando uma proposta viável e boa para Sergipe. Aquilo que meu agrupamento definir como missão minha, aquilo que couber a mim neste contexto, estou pronto para cumprir. Se o agrupamento decidir que minha missão é estar na chapa majoritária, nela estarei. Se decidir que devo ir à reeleição de federal, cumprirei da mesma forma. Entendo que este é um momento importante para Sergipe. Momento em que as oposições têm todas condições de apresentar um projeto viável a vencer - Sergipe está numa continuidade e mesmice terríveis há mais de 12 anos. Não há nada de novo sob o nosso sol. Nenhum projeto novo, da parte dos que administram o Estado, que nos permita ter esperança. E não cremos que quem está neste projeto há 12 anos pode tirar Sergipe da crise.

Aparte - Quem, entre Eduardo Amorim e André Moura, o senhor vê com melhor perspectiva de disputar o Governo do Estado?
AM -
Veja: eu acho que os dois. Só que com características diferentes. Nós dois conhecemos a realidade do Estado. Nós dois estudamos juntos a situação de Sergipe. E nós dois pensamos num projeto inovador, diferente, que nos exija coragem de tomar medidas necessárias na economia do Estado. Ninguém pense que se se mantiver a máquina pesada do jeito que está aí, vai se conseguir ajustar a economia sergipana. Não vai. Por isso, exige-se medidas duras. Porque, acima de tudo, não adianta querer administrar Sergipe sentado na cadeira de governador apenas com os recursos que o Estado tem. Eu e Eduardo temos características parecidas em termos de visão de Sergipe - ressalvadas as ponderações pessoais de cada um. Ele tem um estilo, eu tenho outro, que as pessoas já conhecem. Mas em termos de ideias, pensamos que Sergipe precisa mudar radicalmente, e que não comporta mais o estilo de uma gestão falida há mais de 12 anos.

"O curioso é que em 2016, quando nós fizemos uma aliança por Aracaju, eu não era um incômodo"

Aparte - Mas o senhor não impõe uma candidatura específica para a sua pessoa?
AM -
Não, em hipótese alguma. Muito pelo contrário. Repito: se o agrupamento entender que minha candidatura deve ser majoritária, eu irei. Se decidir que deva ser a reeleição federal, pela mesma forma. Mesmo porque, acho que o tamanho do mandato é construído pelo trabalho que cada um faz. Veja: com meu mandato de deputado federal, consigo atender Sergipe de uma forma que ele nunca foi atendido antes. O que vale é o abrir de portas que você imprime.

Aparte - É bom ou ruim o senhor e Eduardo numa chapa e os Valadares em outra?
AM -
O ideal é que estivéssemos todos nós juntos como estivemos em 2016. Que mantivéssemos aquele arco de aliança, e que o ampliássemos. Ali, nós levamos nosso apoio à candidatura de Valadares Filho e naquele momento apalavramos o entendimento de que agora em 2018 o nosso agrupamento receberia o apoio do PSB. Isso foi o acertado. Foi o entendimento construído. Mas entendo que se a compreensão do PSB for a de uma candidatura de Valadares Filho a governador, temos que respeitar. Creio que Valadares pai e filho são dois nomes bons e que ampliam o leque de opções para os sergipanos. Não tenho nada contra. Lógico que vamos defender a candidatura do nosso agrupamento. Mas entendo que a intenção deles é do jogo da política. Se eles resolveram ter candidatura própria, é mais uma opção para os sergipanos analisarem.

Aparte - Há em determinados setores do agrupamento de oposição uma visão de que seria um “encosto” ruim ter o senhor como aliado este ano, em virtude da sua condição de líder do Governo de Michel Temer no Congresso Nacional. Como o senhor avalia isso?
AM -
O curioso é que em 2016, quando nós fizemos uma aliança por Aracaju, eu não era um incômodo. Um encosto. Pelo contrário: era tido como são e saudável, e até ajudei a construir aquele entendimento. E eu já era líder do presidente Michel Temer, como sou hoje. Mudou só o fato de que eu era apenas da Câmara e agora sou do Congresso. Naquele momento, quando foi para receber o nosso apoio, não se pensou se eu era um incômodo ou não. Se eu era líder de Temer ou não. Ali, eu fui importante à candidatura de Valadares Filho. Como agora seria a hora do cumprimento do entendimento de 2016, daquela palavra dada, apresentam este argumento de que, como líder de Temer, eu seria um tal incômodo. Que não seria bom. Mas foi bom em 2016. Foi tudo uma maravilha quando fomos para apoiar agora, mas quando é para sermos apoiados, existe esse argumento. Não creio nele.