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Valberto se “recusa a usar” Secretaria da Saúde na sucessão de Propriá
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Valberto de Oliveira Lima: ser ou não, a depender de Belivaldo

O secretário de Estado da Saúde, o médico Valberto de Oliveira Lima, não assume nem nega que trabalha para ser candidato a prefeito de Propriá em 2020, como fora em 2016 pelo SD. Mas nesse nem-nem há, sim, um projeto político eleitoral futuro.

O que Valberto de Oliveira Lima deixa patenteado nisso, e está correto e deve ser compreendido, é que não fará da Secretaria de Estado da Saúde uma plataforma, uma catapulta, neste momento para um projeto lá no interior no ano que vem.

Aliás, Valberto está, movido por sua condição de agente de Estado num primeiro escalão, postergando a entrada num projeto que ele tentou em 2016 e perdeu para Iokanaã Santana, PSB. “Até dezembro eu não vou falar de política”, compromete-se.

“Primeiro, porque não sentei com o governador Belivaldo Chagas; segundo, porque eu vou ouvi-lo e, terceiro, eu vou seguir as orientações dele. Portanto, vou aguardar. Não estou dizendo que vou nem que não vou disputar a Prefeitura de Propriá, embora eu saiba que as campanhas já foram disparadas no Estado em todas as cidades”, diz.

“O problema é que eu estou numa situação em que me recuso a usar a Secretaria de Estado da Saúde. Não posso. Eu sou até criticado na minha cidade por alguns vereadores que acham que eu, como secretário, tinha que deixar o Hospital de Propriá diferente dos outros dos demais municípios. Ou seja, melhor que os demais. Não faria isso, porque sou um secretário de Estado e, portanto, se a minha intenção fosse a de deixar o Hospital de Propriá um brinco, como me exigem, eu teria de fazer isso primeiramente nos outros para poder dar o exemplo”, diz. E há pertinência nisso.

Valberto Lima disputou em 2016 pelo SD. Hoje, sente-se sem partido – e até nisso ele se coloca refém de Belivaldo Chagas. “Antes de conversar com o governador, eu não tomo decisão, inclusive até para a opção de partido. Não me considero filiado a nenhum. Eu estava no Solidariedade, pelo qual disputei em 2016. Mas entreguei o partido, e nem sei se foi dado baixa. Para o próximo partido, eu tenho de conversar com o meu líder, que o governador”, diz.

Nas esferas do Governo corre o boato que Belivaldo Chagas teria compromisso de passar a Secretaria de Saúde ano que vem para o grupo dos Mitidieri. O deputado federal Fábio Mitidieri seria o destinatário. Mas Valberto avisa que se tiver que sair não terá problema.

“Eu não sei é se o governador vai querer politizar a Secretaria da Saúde não. Eu acho que não. Mas pra mim não tem problema nenhum. A minha grande contribuição o governador sabe que eu já disparei. Já conversei muito com ele vários e vários assuntos. Não foi e não é de agora que tentaram e tentam me tirar da Secretaria. Já o fizeram outras vezes, mas todos sabem quais foram os resultados”, diz Valberto.

Mas se tiver de deixar logo no começo ano, avisa Valberto, o fará sem dramas. “Eu estou preparado para as duas coisas a partir de janeiro: para ser e para não ser (secretário). Agora, se for para continuar o projeto, eu continuo conversando com o governador. Mas desde que entrei já estava preparado para não ser a qualquer momento. Veja que eu assumi com a intenção de ajudar o governador e lembre-se que o fiz interinamente”, diz.

Por ter sido candidato em 2016 à Prefeitura de Propriá, o nome de Valberto Lima havia o subsolo da sucessão da cidade ribeirinha do São Francisco. Às vezes com aspereza. Recentemente, o vereador, presidente da Câmara e pré-candidato a prefeito José Aelson Publicidade, PSD, o acusou de forasteiro.

Valberto procura tirar de letra. “O Aelson não está acusando somente a mim. Ele está acusando a todos os propriaenses que moram em Aracaju ou em outras cidades por esse Brasil afora. E isso não é legítimo. Não procurei dar uma resposta à fala dele porque achei que foi um momento ruim do vereador e não deveria e nem devo me aproveitar dessa fragilidade dele”, diz o secretário.

“Eu o conheço. Falo com ele. Estive com ele há pouco num evento no qual a Câmara entregou algumas medalhas. Fui convidado, não por ele, mas por outra pessoa, mas ele me convidou para fazer parte do dispositivo e me encarregou de fazer uma entrega de medalha ao Padre Isaías. Mas ele é naturalmente brigão por natureza”, fustiga Valberto.