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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Artur Oscar de Oliveira Déda não está mais entre nós. Mas fica
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Artur Oscar de Oliveira Déda era grande a partir do nome sonoro e da ética que acostou a ele

Jozailto Lima

Ele era grande em tudo. Não só no tipão físico, que carregava sem nenhum desengonço. Com muita altivez.

Artur Oscar de Oliveira Déda era grande a partir do nome sonoro e da ética que acostou a ele durante uma longa vida de 86 anos completada em 2 de março deste ano.

Foi essencialnente um homem do direito, esse desembargador. E, perdão pelo trocadilho com cara de conservador, foi sobretudo um homem direito. Intelectualmente íntegro, amigueiro, cordial, mas avesso ao lado danoso e compadrioso da cordialidade.

Um homem grande também na biografia - conforme se lê abaixo.

Privei da amizade dele, como pode privar um jornalista da de uma autoridade pública, o que quer dizer com discrição - embora entre nós contasse mais um pouco os lados da condição de escritor que compartilhamos.

Dele, guardo e sempre compartilho uma saborosa história que me contava sobre o abjeto bullying a que sempre fora submetido este notável Estado de Sergipe, que tão bem acolhe aos que o procuram como pátria alterna.

Pois bem, para ressaltar seu lado desenvolto, desembaraçado e respeitador da sua sergipanidade, ele me contava que ao chegar adolescente, lá pelos idos de 1950, para estudar no Colégio Dois de Julho, em Salvador, o melhor da Bahia, um professor de Geografia, baixinho, tentou fazer troça com ele, suas origens, seu Estado.

No primeiro dia de aula, durante a apresentação dos novos alunos, a descrição de lugares de onde vinham, ao chegar a sua vez, ele disse que era de Sergipe, de Simão Dias, de Aracaju. 

Em tom hilário, o professorzinho baixinho dirigiu-se a um mapa do Brasil distendido na parede, semicerrou os olhos como se buscasse algo inachável e por fim exclamou:

- Está aqui - disse, pondo um dos dedos sobre Sergipe no mapa. E completou:

- Vou segurar, pra ver se não foge, de tão pequeno. 

Artur Oscar de Oliveira Déda, ainda imberbe, não se aturdiu e, com toda fleuma, sapecou esta:

- Professor, um grande escritor da minha terra, o Gilberto Amado, já advertiu que Sergipe é pequenino para não ofuscar a grandeza dos seus filhos.

Foi aplaudido pelos demais fedelhos que chegavam para o primeiro dia de aula e o professor engoliu a seco.

O que talvez Artur Oscar de Oliveira Déda não sabia, ali naquele histórico dia de bullyng baiano, era que a frase de Gilberto Amado viria a se encaixar perfeitamente na sua persona.

Vá em paz, amigo grande.

Biografia

Artur Oscar de Oliveira Déda nasceu em Simão Dias (SE), a 2 de março de 1932,  filho de José Carvalho Déda e de D. Maria Acioly de Oliveira  Déda. Fez o curso ginasial no Colégio 2 de julho, até 1950 e o secundário no Colégio Estadual de Sergipe e Colégio Central da Bahia. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Sergipe, em 1958, da qual foi Professor da disciplina Direito Civil.

Funcionou com 3º Oficial de Secretaria da Assembléia Legislativa de Sergipe, no ano de 1955, assumindo, depois o cargo de Chefe dos Anais da Secretaria, da mesma Assembléia. Promotor Público substituto na comarca de Aquidabã, no ano de 1958 e Juiz de Direito das Comarcas de Riachão do Dantas (1961), Maruim (1964), Estância (1968) e finalmente da 3ª Vara Cível da Comarca de Aracaju.

Em 1974, fez curso de pós-graduação na Faculdade de Direito de Sergipe, com especialização em Direito Público e Direito Privado. Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, cuja posse ocorreu em 11 de junho de 1975, atuando depois como Corregedor Geral da Justiça (1977/79) e Presidente do Tribunal de Justiça (1979-1981).

No período de fevereiro a dezembro de 1981 foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de Sergipe a cursar a Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. Presidiu, também, o Tribunal Regional Eleitoral. Foi o primeiro Diretor da Escola Superior da Magistratura do Estado de Sergipe.

Jurista de alto mérito, com trabalhos publicados nas melhores revistas especializadas em Direito Civil publicou vários verbetes na Enciclopédia Saraiva de Direito. Tomou posse na Cadeira nº 28, da Academia Sergipana de Letras a 11 de agosto de 1982, sendo saudado pelo Acadêmico Luiz Carlos Fontes de Alencar. Integra o Conselho Editorial da Revista de Direito Civil de São Paulo e da Revista Ciência Jurídica.

Em 20 de fevereiro de 2002, aposentou-se do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, permanecendo, porém, com a sua atividade cultural na produção de livros e poemas.