Aparte
Valdevan Noventa, entre o populismo e a incompreensão da análise política
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Valdevan Noventa: precisa ler e captar melhor as análises políticas

O deputado federal eleito por Sergipe no último dia 7 de outubro José Valdevan de Jesus Santos, conhecido por Valdevan Noventa, PSC, reagiu com posturas entre o populismo e a incompreensão com a análise política “Valdevan Noventa gera o sentimento de que Sergipe tem apenas 7 e não 8 deputados” feita por esta coluna na edição desta terça-feira, 6. (O leitor pode lê-la aquilo, neste link).

Frente à análise da Coluna, dois Valdevan Noventa vieram a público em manifestações díspares. Um, um pouco mais sereno, audível. O outro, meio estabanado, populista. O primeiro, manifestou-se em áudio pessoal via zap ao autor desta Coluna. Pareceu permeado por uma certa lógica. O segundo, veio mitigado por pavonices de assessoria de comunicação - aquelas do tipo que querem ser mais príncipes do que o próprio Príncipe.

O debate sobre este cidadão Valdevan Noventa e a forma como ele se elegeu deputado federal por Sergipe deve frequentar as cadeiras de ciências políticas das universidades locais. E, lhe respondendo mais diretamente Valdevan, a observação à sua pessoa e ao seu desempenho político não deve ser de ordem pessoal da parte de ninguém - portanto não o é desse colunista, o que deve exigir de você que exija compostura de alguns siderados da sua assessoria.

A seguir, o que Valdevan disse diretamente ao autor dessa Coluna e o que assessoria postou numa página dele na web vendo, populisticamente, uma cascata de desrespeito onde não houvera apenas observações pertinentes.  

O que Valdevan disse via zap a esta Coluna  

“Pena que esse é o seu pensar. É o seu achar. Mas não é o pensar e o achar de 45.472 votos de cidadãos que confiaram em mim. Com certeza não é porque eu sou bonito, lindo e maravilhoso. Não.

Votaram em mim como fruto de um trabalho ao longo dos anos prestado ao Estado de Sergipe. Ao meu Estado. Independente (sic) se eu vim embora pra vencer na vida, mas não esqueci as minhas origens. Porque muitos quando saem para fora e vencem na vida, esquecem as suas origens. Esquecem a parentela. Imagine os amigos.

Eu não. Eu fiz o contrário. Vim para vencer na vida, para trabalhar, há 31 anos tralhando em São Paulo, vencendo as barreiras e os desafios, mas não esqueci as minhas origens. Fazendo aquele trabalho de formiguinha no meu Estado. E plantando sempre a semente do bem.

Isso foi o que veio a dar o resultado positivo no pleito eleitoral. Porque esta semente fluiu e deu bons frutos. Então essa crítica não cabe agora, porque não estou no mandato, não fui diplomado, e não estou ainda no direito da minha função.

Como se faz uma crítica, se o deputado sequer assumiu o mandato? Se esse sentimento de ter só sete as pessoas estavam sentindo, então elas não teriam me elegido. Elas não teriam depositado voto de confiança em mim.

Então, essa crítica eu creio que seja individual. É a crítica de um cidadão que tem sua maneira e seus modos de pensar e talvez, ao contrário, desde o começo, é contrário à candidatura do Noventa.

Talvez não tenha nem votado em mim - eu imagino que não. Então ela vai sempre me criticar de alguma forma. Agora, deixa pelo menos começar o nosso mandato, sentir o nosso trabalho, o nosso comprometimento. Aí, no meado do mandato, ao final do primeiro ano dele, quem sabe cabe uma crítica dessa.

Então, eu acho que é inoportuna nesse momento essa crítica em cima da minha pessoa. A não ser que a pessoa tenha algum problema particular conosco. Aí tem que nos procurar para a gente resolver. É isso o que penso”.

O que Valdevan disse via sua própria página  

“Na manhã dessa quarta-feira, 7, o recém-eleito deputado federal Valdevan Noventa, PSC, publicou uma nota em suas redes sociais lamentando o texto publicado pelo JLNotícias (sic), assinado pelo jornalista Jozailton (sic) Lima. No artigo, Lima revelou o seu desconforto com a eleição de Noventa, questionando sua representatividade no Congresso Nacional. Para o deputado a atitude do jornalista foi desrespeitosa, não com ele, mas com o povo.  Confira abaixo.

Respeito ao povo, viva a democracia!

Triste e lamentável texto publicado pelo jornalista Jozailto Lima, no veículo JLPolítica, nessa última terça-feira, dia 6, o qual questiona a representatividade do povo sergipano em Brasília, com a minha eleição como deputado federal.

Embora eu não costume responder os ataques pessoais, principalmente quando os mesmos são infundados, abrirei exceção em respeito ao povo sergipano.

Ao longo dos meus 49 anos bem vividos, posso afirmar que tenho maturidade suficiente para não me iludir com os elogios e não me abalar com as críticas. Portanto, a opinião do jornalista não me incomoda, a não ser o desrespeito ao meu eleitorado, ou seja, àqueles que acreditaram em mim e deram o seu voto de confiança nas urnas.

Insisto, o desrespeito do jornalista não foi comigo, mas sim com as 45.472 pessoas que foram às urnas exercer o seu direito de cidadãos, manifestando sua vontade em eleger um novo nome para o cenário político de seu estado e país.

Desrespeito à democracia do sistema eleitoral, o qual dispõe de um pluralismo político e é nele que se aperfeiçoa o princípio jurídico da igualdade de oportunidades, inclusive a de disputar os cargos para os quais se propõe a escolha e a de ter cada qual das manifestações dos cidadãos o mesmo valor.

Desrespeito às cidades, pois não sou “encastelado” em Arauá. Essa é apenas a cidade onde moro. Os meus eleitores estão espalhados de norte a sul do estado.

E por fim, desrespeito ao sonho e ideais de vida de milhares de pessoas. Afinal, não sou o único nordestino que teve uma infância difícil, enfrentou dificuldades e foi para um outro estado em busca de oportunidades.

É por essas e outras que lamento a desrespeitosa opinião do jornalista. Sobre os questionamentos aos meus projetos de Estado, informo que os mesmos foram amplamente divulgados ao longo do período eleitoral e estão à disposição de todos em meu site e nas minhas redes sociais.

Em relação ao seu desconforto pelo resultado da eleição. Lamento! Esse é o processo democrático do nosso país, onde uns vencem e outros perdem. E neste caso quem venceu foi o povo. 

No mais, seguirei a minha vida e o meu mandato da melhor forma possível. Tenho certeza que os sergipanos terão muito orgulho de tudo aquilo que farei no Congresso Nacional!

Valdevan Noventa”