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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Belivaldo Chagas governador: “Não terei tolerância com irresponsabilidade ou ilicitudes de qualquer natureza”
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Belivaldo Chagas: “sou, a partir de agora, por convicção e ofício, o primeiro servidor do povo sergipano”

Com um discurso enxuto, curto, de 12.118 caracteres, direto, sem arroubos, malabarismos, bravatas e nem promessas exóticas, o então vice-governador Belivaldo Chagas, PSD, tornou-se governador efetivo de Sergipe por volta das 11h30 deste sábado, 7 de abril, em solenidade no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe perante 19 dos 24 deputados estaduais e uma parcela significativa da sociedade sergipana. Jackson Barreto, MDB, passou-lhe o mandato para poder disputar o mandato de senador.

Mas, apesar de curto e enxuto, o discurso de Belivaldo Chagas deu para descortinar com exatidão os planos de um futuro gestor que pretende fazer muito por um Sergipe sob forte crise local e nacional. Nos 12.118 caracteres ditos por Belivaldo Chagas deu para patentear que ele está maduro, pronto e preparado para a missão que recebeu.
 
Belivaldo Chagas anunciou promessa de zelo para com a coisa pública. “Não terei tolerância com o favorecimento, o descuido, a irresponsabilidade, ou com ilicitudes de qualquer natureza”, disse ele. Mas uma das falas mais promissoras do novo governador foi a que anunciou disposição para um diálogo amplo, com todos os segmentos da sociedade, com o objetivo de encontrar a tal saída para o Estado.

“Creio ter sido Jackson o governador sergipano que enfrentou, durante o seu mandato, a maior soma de dificuldades, a maior avalanche de inesperados problemas. Sergipe deve ter pressa, sentimento de urgência. Nos próximos dias iniciarei o diálogo com todas as camadas representativas da nossa arquitetura social. Com os trabalhadores, os empresários, os intelectuais, os estudantes, os servidores públicos estaduais”, disse ele. 

“Especialmente a estes, terei muito o que dizer. Mais ainda, a ouvir, e também a lhes explicar com detalhes, com absoluta transparência, quais são os problemas que hoje impedem o Estado de pagar em dia os salários, de solver, no prazo determinado, as suas obrigações financeiras. Sou, a partir de agora, por convicção e ofício, o primeiro servidor do povo sergipano. E me farei, sempre em qualquer circunstância, devedor de esclarecimentos e prestador, solícito, das atenções requeridas”, disse ele. A seguir, a íntegra do discurso de Belivaldo Chagas que, republicano, não tocou em questões eleitorais.

“Nesta Casa, onde alcancei o primeiro degrau na vida pública, ungido pelo mais nobre dos diplomas, o mandato eletivo, chego nesta manhã para receber dos representantes do povo sergipano a legitimação de um ato constitucional e, dessa forma, assumir o Governo de Sergipe. 

Neste momento, quando a emoção se faz parceira da responsabilidade, retorno no tempo, me vejo o jovem simão-diense recém-saído da Faculdade de Direito, originário de família modesta, naquela já distante ocasião, tendo acesso ao símbolo da democracia, esta Assembleia Legislativa, na nobre condição de ser aqui um dos representantes do povo sergipano. 

Era natural que naquela fase da juventude me acompanhasse um sentimento de euforia, o descortinar de horizontes com a amplitude permitida aos sonhos que fazem parte da grande, única e fascinante aventura que é a vida.

Aprendi, porém, com o tempo, que o político não pode alimentar sonhos apenas circunscritos à sua própria individualidade. O sonho do político deve ir além dele próprio e materializar-se no encontro virtuoso com o coletivo. Vale dizer, com os sonhos do povo.  

Quando incorporamos às nossas vidas os sonhos originários do povo, afastamos o risco de nos deixar contaminar pelas vaidades. Mais ainda, nos protegemos da prática afrontosamente criminosa que é a desgraçada ambição de criar patrimônio. Para isso, naturalizando o uso indevido dos privilégios e o avanço aos cofres públicos. 

Graças a Deus, graças aos insubstituíveis valores morais que aprendi a cultivar com a minha família, os meus professores, também na convivência com exemplares figuras da nossa política, pude sempre ter a tranquilidade da consciência limpa para olhar os meus filhos, o meu neto e, sobretudo, olhar de frente, sem receios para o povo sergipano, tendo a convicção segura, firme, de que de mim eles jamais irão se envergonhar. 

Reafirmando aqui esse compromisso de absoluto respeito aos preceitos republicanos sedimentados na ética e deixando bem nítida a palavra decência, faço uma única promessa diante do povo sergipano: não terei tolerância com o favorecimento, o descuido, a irresponsabilidade, ou com ilicitudes de qualquer natureza.

O maior patrimônio da minha vida é a credibilidade, a honra, que preservo do meu nome. Comecei a minha vida pública no governo do hoje senador Antônio Carlos Valadares. Sempre pautei minhas atitudes dimensionando o espaço da lealdade pelo crivo do respeito e da confiança. Talvez por isso fui indicado para compor a chapa do sempre lembrado amigo e conterrâneo Marcelo Déda. Juntos, partilhamos muitos sonhos, criamos entre um e outro o amálgama da identidade de princípios e o cultivo comum aos valores republicanos. 

Nos governos Marcelo Déda e Jackson Barreto ocupei a pasta da Educação. Pelo diálogo, consegui pacificar o entendimento de que os confrontos não devem ultrapassar os limites do interesse público. Pudemos nos dedicar ao processo de atualização pedagógica do nosso sistema de ensino e aparelhamos a estrutura física do sistema educacional.

Voltamos a ocupar a vice-governança, desta vez no segundo governo de Jackson Barreto que, antes cumprira a tarefa dolorosa de encerrar o segundo mandato de Déda, cuja morte nos deixou uma impreenchível lacuna e também o valoroso exemplo de fazer da política, do trato da coisa pública, um sacrossanto ofício.

Recebi do governador Jackson Barreto provas inequívocas de absoluta confiança. Fui o seu secretário Chefe da Casa Civil e durante todo esse tempo repleto de preocupações, de desafios a enfrentar, de graves responsabilidades e urgência de decisões a serem tomadas, não houve um só momento de alívio das pressões resultantes de uma conjuntura nacional conturbada e de um quadro político tensionado e complexo.

Creio ter sido Jackson o governador sergipano que enfrentou, durante o seu mandato, a maior soma de dificuldades, a maior avalanche de inesperados problemas.

Nesse tempo de uma convivência político-administrativa que se transformou em amizade e grande respeito mútuo, pude conhecer melhor a figura humana de um político e a sua absoluta fidelidade ao ofício a que se dedicou, e continuará se dedicando: o ofício nobre de usar o poder para servir ao povo, com a característica exemplar de não usá-lo em benefício próprio.

Ao lado de Jackson Barreto, enfrentamos os piores momentos da crise brasileira e os seus perversos efeitos em Sergipe. Não fosse a pertinácia do governador para superar os problemas e os obstáculos dessa alongada quadra de incertezas e equívocos, não fosse a sua luta constante, Sergipe teria sofrido muito mais. 

Como se não bastasse a redução das atividades da Petrobras, surgiu agora a ameaça de fechamento da Fafen, temporariamente evitada pela ação do governador Jackson Barreto, com a força da união exemplar de toda a nossa classe política e da sociedade sergipana, todos atentos aos incalculáveis prejuízos econômicos e sociais que poderemos sofrer. 

A partir de agora, coloco-me à frente da luta sergipana pela manutenção e funcionamento da unidade fabril que é estratégica para a nossa economia. Faço uma convocação a todos, sem discriminações partidárias ou ideológicas, para que intensifiquemos a luta pela manutenção daquela indústria.

Espero, confiante, que no decorrer das próximas semanas tenhamos a boa notícia da liberação, finalmente, do empréstimo para cuja concretização tanto se empenhou o governador Jackson Barreto. Temos obras inadiáveis que deverão ser iniciadas, como a recuperação da nossa malha viária, o início de novas rodovias e um conjunto de projetos essenciais para a geração de empregos e dinamização da nossa economia.

A crise que Sergipe e todas as unidades federativas atravessam demonstra que o nosso modelo federativo padece de erros e deformações estruturais, que precisam ser corrigidas. Este é um tema que deverá fazer parte de um conjunto de ações políticas direcionadas à modernização do Estado brasileiro.

Dessa pauta, não poderão estar ausentes as reformas tributária, previdenciária e política. A União não sobreviverá se mantiver essa estrutura que gera o descompasso com a eficiência. 

A crise financeira que Sergipe atravessa, resulta, basicamente, de um modelo de Previdência que está esgotado e precisa ser revigorado. Trata-se de um desafio a ser urgentemente enfrentado, mas, para isso, é preciso que se estabeleça um nível de sintonia e consenso em torno das medidas indispensáveis.

Costuma-se dizer que essas são questões inapropriadas em época de eleições. Ao contrário. Acredito que o debate político se fará valorizado e produtivo, na medida em que aprofundar a discussão sobre questões urgentes e que têm sido historicamente relegadas a um segundo plano. 

Precisamos destravar os obstáculos colocados diante das nossas aspirações de desenvolvimento econômico e social; precisamos criar um ambiente propício ao empreendedorismo, ao fortalecimento da iniciativa privada, que é a mola mestra do desenvolvimento e dar ao Estado o papel relevante de indutor do aperfeiçoamento social. 

Como governador do nosso Sergipe, quero despertar a sociedade para o trato desses temas, que entendo prioritários e assim agregarmos nossa modesta participação a um diálogo nacional a favor da modernidade. Aqui, deveremos estimular e aprofundar o debate sobre as questões que mais nos angustiam, que mais afetam o dia a dia da nossa gente.

Na saúde, por exemplo, onde registram-se avanços na estrutura física, ou seja, nos equipamentos indispensáveis para que se processem com eficácia os atendimentos, teremos de avaliar com ênfase o que deverá ser feito com a devida urgência, para que possamos alcançar a eficácia no atendimento. 

Quero dizer, exatamente, na redução das filas para as cirurgias eletivas, no atendimento geral dos nossos hospitais e postos de saúde, na presteza para a redução dos sofrimentos dos pacientes do câncer. Nessa área há agora novos equipamentos que, com certeza, aliviarão o trânsito pelo calvário dos pacientes oncológicos. 

Nos próximos dias iniciarei o diálogo com todas as camadas representativas da nossa arquitetura social. Com os trabalhadores, os empresários, os intelectuais, os estudantes, os servidores públicos estaduais. Especialmente a estes, terei muito o que dizer. Mais ainda, a ouvir, e também a lhes explicar com detalhes, com absoluta transparência, quais são os problemas que hoje impedem o Estado de pagar em dia os salários, de solver, no prazo determinado, as suas obrigações financeiras. 

Sou, a partir de agora, por convicção e ofício, o primeiro servidor do povo sergipano. E me farei, sempre em qualquer circunstância, devedor de esclarecimentos e prestador, solícito, das atenções requeridas.

Os fatos concretos da realidade presente determinam a urgência para a elaboração conjunta de um projeto consistente e realista do nosso futuro. Para isso, convocamos as forças produtivas os detentores de conhecimento, os agentes sociais. Sergipe deve ter pressa, sentimento de urgência. 

Senhor presidente, senhoras deputadas, senhores deputados. Na Barra dos Coqueiros, desenha-se agora o modelo de um Estado industrializado a partir da instalação da Usina Termoelétrica, com um investimento de R$ 5 bilhões, o maior em execução hoje no Brasil e na América Latina pela iniciativa privada. A usina usará o gás natural como principal insumo, e haverá disponibilidade para outros empreendimentos. 

Sergipe terá perspectivas favoráveis para a montagem de um parque industrial moderno, com um elevado potencial de geração de empregos. Por outro lado, os leilões das áreas no pós-sal da nossa plataforma marítima já realizados, revelaram o interesse de grandes multinacionais de petróleo pela exploração das jazidas de óleo e gás e, assim, teremos a terceira e altamente promissora fase de produção de petróleo e gás nas nossas jazidas em águas profundas, cujo potencial aproxima-se da capacidade dos campos da Venezuela e do médio oriente. 

Voltaremos a nos situar entre os maiores produtores de petróleo e gás do país. Para atender à demanda de pessoal qualificado que ocorrerá em virtude do processo de industrialização em curso, Sergipe tem hoje, instaladas, 17 escolas técnicas de ensino profissionalizante.

Senhor presidente, senhoras e senhores deputados. Devo, ao meu discurso inaugural, acrescentar um adendo que se faz tão necessário quanto doloroso. Nessa quinta-feira, dia 4, foi emboscado e morto o capitão PM Manoel Oliveira Santos. Ele era o comandante do valoroso e combatente Pelotão da Caatinga, que se tornou sinônimo da ação pronta e eficaz contra o crime na região sertaneja. 

Levando a minha solidariedade pessoal à família do oficial exemplar, que é extensiva aos seus companheiros de farda, a todo o sistema policial sergipano, eu quero, com ênfase e sentimento de honra ferida, lhes afiançar que o Governo garantirá os meios adequados para subjugar aos que afrontaram e desafiaram a Polícia e a toda sociedade sergipana.

Vamos usar todos os instrumentos necessários para abater a violência dos bandidos que ousarem desafiar o aparelho policial e imaginarem que poderão nos intimidar. Eles vão sentir, de imediato, o peso da resposta. 

Quando enfatizo a necessidade de sonhar, não me perco em devaneios. Nem fujo da realidade. Sei exatamente a dimensão da tarefa. Por isso acredito firme que a esperança retempera as forças, o sonho torna suportável o peso enorme das circunstancias imprevisíveis. 

Nos nossos dias, no panorama de conflitos e incertezas que o país atravessa, governar torna-se cada vez mais a arte de seguir em frente, contornando as barreiras da imprevisibilidade. Diante das crises, se faz ainda mais necessário pensar, agir, criar, inventar, descobrir e inovar. No governo, pretendo exatamente fazer isso.

Assim, concluo fazendo uma convocação a todos os sergipanos, a todos os que habitam este Estado e o conservam naquele espaço reservado aos afetos: vamos juntos pensar Sergipe. Vamos unidos e fortes cuidar do presente e preparar o futuro.

Que Deus nos ajude, nos ampare, nos fortaleça e nos dê sabedoria no decorrer da caminhada e que Nossa Senhora de Santana, padroeira de Simão Dias, a minha terra, ilumine com a sua luz a nossa jornada."