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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Carlos Augusto Monteiro quer voltar à OAB e sapeca Henri Clay: “Ele fez da Ordem um caos”
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Carlos Augusto Monteiro Nascimento: botando para esquentar os tamborins da eleição da OAB

É fato novo, e polêmico, porque carregado de denúncias contra a atual gestão, o manifesto e assumido desejo do advogado Carlos Augusto Monteiro Nascimento, 54 anos, de retornar ao comando da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de Sergipe, na eleição que acontecerá na segunda quinzena do mês de novembro deste ano.

“Somos pré-candidatos, eu à Presidência e Rose Morais, a vice”, anuncia ele a esta Coluna Aparte, sem rodeios. Carlos Augusto Monteiro Nascimento presidiu a OAB em dois mandatos emendados - de 2009 a 2012 e 2013 a 2015, e na recondução teve 78% dos votos, no que foi recordista. Mas, bem mais sem rodeios são os motivos pelos quais ele quer voltar à cena da Ordem.  

“Quero voltar à Ordem para botá-la no lugar em que eu a deixei. Fazer com que a Ordem esteja em ordem, porque a Ordem hoje está uma verdadeira desordem. Está um verdadeiro “krauss””, diz, fazendo trocadilho entre as palavras caos e Krauss, do vice-presidente Inácio Krauss, hoje no exercício da Presidência com “a licença de Henri Clay” para disputar o Senado.

Na visão de Carlos Augusto Monteiro Nascimento, a gestão de Henri Clay, que se encerra no dia 31 de dezembro, desmantelou a instituição pela cepa. “A OAB voltou a ser notícia nas folhas criminais dos matutinos. A culpa é do grupo de Henri Clay Andrade e de Inácio Krauss. Não é um grupo só?”, ressalta Carlos Augusto.

Mas, segundo o ex-presidente, tudo que ocorre hoje com a OAB/SE foi profetizado por ele e pelo seu grupo, que perderam a eleição para Henri Clay e o grupo de Krauss em 2015. “Nós profetizamos tudo que está acontecendo aí. Tudo. Não foi alterada uma só vírgula de nada do que a gente disse. Nós não anunciamos na eleição da Ordem em 2015 que em 2018 Henri Clay iria sair candidato a um mandato público na esfera político-partidária?”, questiona Carlos Augusto.

“O que é que nós anunciamos que não aconteceu? Inclusive que eles iriam brigar - nós também anunciamos isso. E brigaram. Arnaldo Machado já não abriu uma dissidência? A gente profetizou que algumas pessoas trocariam apoio político por uma avaliação mais branda em processos de infração ético-disciplinar. Tudo isso aconteceu. As tão decantadas prerrogativas dos advogados, que seriam validadas, são coisa para inglês ver. Os desagrados são feitos para ninguém ver. São feitos internamente, dentro do Gabinete da Presidência da OAB”, fustiga Carlos Augusto. Machado é conselheiro federal que se elegeu em 2015 ao lado de Henri Clay, mas já rompeu ao conceder uma rumorosa entrevista a este Portal.

Apesar de já ter fechado a Vice-Presidência com Rosi Morais, que foi sua candidata à Presidência em 2015 e que perdeu para Henri Clay, Carlos Augusto Monteiro Nascimento acredita que com o dissidente Machado “tem espaço para um diálogo sim”. “A política é feita de soma e não de diminuição. Eu já conversei tanto com Henri Clay quanto com Arnaldo Machado. Entretanto, a linha de atuação de Henri Clay não me permite avançar no diálogo com ele. Porque a premissa dele é a de, mesmo candidato a senador, continuar ainda comandado a Ordem. Seja enquanto senador eleito, ou enquanto derrotado ao Senado, ele ainda quer as rédeas da Ordem”, diz.

Aliás, Carlos Augusto Monteiro faz uma avaliação bastante pessimista da candidatura de Henri Clay ao Senado. “Acredito que o projeto de Henri Clay não é o de se eleger senador agora. É o de se fortalecer politicamente para disputar a Prefeitura de Aracaju em 2020. Eu creio que a avaliação dele seja essa. A única estratégia que posso imaginar é esta, sobretudo com ele querendo ainda o comando da OAB para que permaneça fortalecido dentro da Ordem para uma disputar a Prefeitura de Aracaju”, diz.

“Se ele achasse que iria ganhar para senador, por que ele ainda quereria voltar para a OAB? Se realmente visse chance na disputa de senador, teria renunciado à Presidência da Ordem. É preciso que as pessoas saibam que Henri Clay não renunciou. Ele apenas se licenciou. Qual é a intenção disso? Ele quer botar um pé em cada canoa: se sair derrotado da eleição do Senado, voltar para a OAB para dar as cartas no processo eleitoral da Ordem. Quero ver se a advocacia vai permitir isso. Para mim, ele quer, derrotado, montar uma chapa de reeleição da Ordem para ganhar e usar a OAB para ser o candidato à Prefeitura de Aracaju na próxima eleição. Eu acho que o candidato deles não será Inácio Krauss. Henri Clay quer mandar da OAB, independentemente de ele ir para um quarto mandato ou botar uma outra pessoa que não seja Inácio”, afirma.