Aparte
OPINIÃO - Márcio Souza: tentando pular do Quartel para o Palácio dos Despachos 
D530fe5a048face2

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Com apenas 40 anos, o jovem Márcio Souza, policial militar, bacharel em Ciências Econômicas e pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade Federal de Sergipe, é um nome que vem crescendo e conquistando a cada pleito eleitoral o seu espaço e a simpatia do eleitorado estanciano e boa parte dos eleitores da região Sul do Estado. 

Ao enveredar pelo caminho da política, Souza tem algumas peculiaridades que chamam à atenção. Primeiro, por ser policial militar - e acredito que seja o único na história política sergipana a pleitear o mandato de governador nessa condição. No mês de fevereiro, Márcio Souza teve o seu nome homologado pelo PSOL para representar o partido nas eleições deste ano. 

O segundo fato curioso é a sua enorme empatia com a juventude e o povo de Estância. Mas acredito que a sua principal característica, e que foge à tradição da política local, é o fato de ele não ostentar o status de “doutor” - sem doutorado -, no rol de nomes dos políticos, que desde os primórdios da vida política partidária de Estância chegaram ao poder. 

Os que mais deram sorte na vida pública, tinham e têm algo em comum: o Dr antes do nome. A maioria daqueles que conseguiram se eleger prefeito, deputado estadual ou federal, tem formação superior em Direito, Medicina ou Engenharia. Não é o caso de Márcio Souza, que tem o superior em Ciências Econômicas. Mas este PM vem evoluindo e surpreendendo a cada pleito eleitoral, principalmente os caciques da política local.

Os números não me deixam mentir: em 2008, quando foi candidato a prefeito pela primeira vez, Souza, PSOL, obteve 921 votos. Filadelfo Alexandre, PMDB, 11.965 e Ivan Leite, PSDB, foi eleito com 19.040 votos dos estancianos. 

Nas eleições de 2012, Márcio Souza volta ao cenário político com a mesma determinação e não faz feio: recebeu o voto de confiança de 2.339 eleitores. Gilson Andrade, PTC, cravou 11.103 votos e Carlos Magno, DEM, saiu vitorioso com 18.381 votos válidos.

Mas a grande surpresa estava reservada para o pleito de 2016. Vamos aos números: Gilson Andrade, PTC, 14.405 votos (40,79%), Carlos Magno, PSB, 11.149 (31,57%) e Márcio Souza, PSOL, 9.556 (27,06%) do total dos votos. 

Como podemos perceber, entre o pleito de 2012 e o de 2016, o policial militar teve um crescimento de 308% - uma marca que não pode ser desprezada pelos seus eventuais adversários. 

Mas aonde eu quero chegar com tudo isso? Mostrar que talvez essas peculiaridades de Márcio Souza que tenham feito a diferença venham da justificada e forte empatia com a juventude estanciana, principalmente. 

Se a professora da Universidade Federal de Sergipe Sônia Meire, pré-candidata ao Senado pelo PSOL, demonstra preocupado pelo fato do pré-candidato do partido ao Governo de Sergipe ser um PM - em razão do preconceito ou rejeição que muitos têm à pessoa dessa profissão -, como declarou aqui na colina Aparte desse portal JLPolítica -, creio que a mestre não deve mais se preocupar com isso. Márcio Souza já mostrou que é bom de salto. E vem provando exatamente o contrário a cada eleição.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado e escritor.