Aparte
Opinião - A demissão de Joaquim Levy e a falta da mínima polidez de Bolsonaro
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[*] Paulo Roberto Dantas Brandão 

A demissão do presidente do BNDES Joaquim Levy mostra algumas coisas:

1 - É uma tremenda falta de educação demitir alguém pela imprensa. O presidente, tivesse um pouco de polidez, chamaria a vítima, demitiria e pronto.

Depois poderia até dizer os motivos ou a falta deles. Mas diz a boa educação, e a praxe administrativa, que o auxiliar deve ser o primeiro a saber que está demitido. O resto é truculência e falta de educação.

2 - Li alguns comentários no Facebook de que Joaquim Levy seria um perigoso esquerdista que estaria transformando o BNDES num bolsão petista. Oxa meu. Levy é um economista da Escola de Chicago, só por isso há incompatibilidade de ele ser esquerdista.

A Escola de Chicago é o templo do liberalismo econômico mais radical. E mais, quando ele foi indicado para ministro da Fazenda no Governo Dilma, as alas mais autênticas do petismo denominaram o episódio de estelionato eleitoral.

Ele seria liberal demais para os anseios do partido, e faltaria a ele a qualidade de ser petista.

3 - A nomeação de Marcos Barbosa Pinto, que servira ao governo Lula, para o cargo de diretor de Mercado de Capitais, foi apenas a cereja do bolo.

Dizem que na verdade o nome de Marcos Pinto não agradou ao Governo, mas os motivos reais da demissão de Levy estariam ligados a metas que Paulo Guedes havia traçado e não estavam sendo cumpridas. 

Dizem também que não estavam sendo cumpridas por razões legais que impediam, pelo menos no prazo pedido pelo Governo. 

Em tempo: a caixa preta do BNDES acho até que já está aberta, talvez não tivessem feito o carnaval pedido, o que nenhum técnico de responsabilidade o fará.

4 - Marcos Barbosa Pinto é advogado e economista. É um técnico que, tal qual Levy, serviu a diversos governos. Não me parece ser petista, nada indica isso.

Continuar nessa guerra ideológica de que quem serviu no Governo do PT como técnico não pode servir no Governo do Bolso, daqui a pouco não haverá ninguém disponível. Não o conheço, mas falam que é competente.

5 - O Bolso e seus asseclas têm que entender que existe uma burocracia estatal formada por técnicos que servem ao Estado e não a governos.

[*] É economista, advogado e atuou muito tempo como jornalista e diretor de Redação da então Gazeta de Sergipe.