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Entrevista Domingueira Convida Lula Ribeiro: um sergipano por trás de uma grande carreira
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Lula Ribeiro, ao lado de Gilberto Gil: uma sabatina para a suposta misantropia sergipana

Mas profundamente desconsiderado por Sergipe. Ou, pelo menos, por parte dos sergipanos, apesar de ele, que faz carreira longe daqui, nunca esconder a sua origem e de sentir imensa falta deste afeto cultural que lhe é negado.

Esta é a história do cantor e compositor Lula Ribeiro, 59 anos, autor de sete CDs, um DVD, premiado com música para teatro e já indicado ao Prêmio Shell com o disco Muito Prazer e que vai ser revelada com vigor e em corajosas confissões na Entrevista Domingueira de amanhã, 5, do Portal JLPolítica.

A três dias de o Estado de Sergipe completar 200 anos de emancipação política em relação à Bahia, Lula Ribeiro, com todas as credenciais de um genuíno sergipano, jogará sal sobre uma ferida cara e aberta da sergipanidade: a suposta falta de reconhecimento e de mérito de seus filhos em todas as áreas de atuação humana.

Na tese de Lula, a suposta misantropia sergipana ganhará ares duros e incisivos, e vai ser considerada carente de correções com uma certa urgência pela educação formal e acadêmica. “Acho que o problema de Sergipe é com o sergipano. Sergipano não gosta de sergipano”, dirá Lula.

Há 34 anos fora de Sergipe e com atuação entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, com recorrentes vindas a Aracaju, o cantor e compositor vai revelar que nunca escondeu suas credenciais sergipanas, mas lamentará que não seja correspondido nisso.

“Eu não fujo de Sergipe. Pelo contrário, estou sempre querendo encontrá-lo, mas acho até que o meu amor por minha terra não tem muita reciprocidade. Sempre fiz questão, nesses anos todos, que soubessem a minha origem”, dirá.

“Saí daí pois queria crescer como artista, e só por isso. Se não fosse a música, com certeza não teria saído. Viveria aí até hoje. É um lugar maravilhoso pra se morar. Mas, naquela época, era tudo muito complicado em Aracaju e não vi outra saída. Agora, se Sergipe foge de mim, ainda estou querendo saber”, reforçará.

Lula vai dizer que as instituições que promovem atividades culturais em Sergipe nunca o convidam para nada - e que isso o magoa com certa profundidade. “Sei que se eu quiser cantar em Aracaju tenho que produzir, senão não faço nada por aí”, afirmará o compositor.

Entrevista está um primor de constatações, mas que ninguém pense que Lula adotará um tom rançoso e amargo. Apenas fará afirmações que talvez muitos não tenham nariz ativado para sentir. Só lendo pra ver. Neste domingo, às 8h em ponto, aqui no Portal JLPolítica.