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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

De Parque da Sementeira a um Ibirapuera ou Central Park do futuro. E pra breve
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Edvaldo Nogueira: parque funcional e preservando o aspecto ecológico 

Tamanho, porte e localização excelentes o Parque da Sementeira, ou Parque Governador Augusto Franco, tem de sobra. E, em virtude disso, o que também não falta nele é referência de bem-estar. De espaço de lazer, de diversão, entretenimento. De exercícios físicos. E de contemplação.

Com mais de 400 mil metros quadrados e acima de 110 espécies de árvores, incluindo aí um histórico baobá, e plantado numa zona nobríssima da cidade, o Parque da Sementeira é uma realidade restada das antigas salinas e que a partir dos anos 1970 passou a ser um bem aprazível de domínio da Prefeitura da Capital, diferentemente de como é o Parque da Cidade, no alto da Zona Norte, que pertence ao Estado.

Mas não é exagero constatar que o Parque da Sementeira tem sido tratado, ao longo do tempo, com um certo e visível desprezo, assim meio cachorro de fateira, a quem dão apenas restos e sobejos. Na primeira gestão de Marcelo Déda prefeito - de 2001 a 2004 –, ele ganhou, de presente de Petrobras, esse muro feito com canos e telas de um ferro que hoje é só ferrugem, e desaba por completo.

Em 2005, quando Aracaju fez 150 anos, a segunda gestão de Déda prefeito plantou aquele maciço de 150 árvores que fica ao fundo de onde hoje é um memorial a ele. Encomendado a Jaime Lerner, um projeto do então prefeito João Alves Filho - 2013 a 2016 - pretendia crivar o corpo do Parque da Sementeira de prédios e uma séria de equipamentos que certamente aviltariam a integridade verde dele.

Para a sorte da cidade e dos aracajuanos, não foi possível materializar isso. Mas a partir de setembro ele deve receber da gestão do prefeito Edvaldo Nogueira uma repaginação geral, ampla e irrestrita, e sem constranger-lhe a condição de um espaço verde. Serão investidos R$ 20 milhões numa reforma que terá novos bosques plantados e a anexação dos mais de 10 mil metros quadrados que o Sementeira ganhou em doação pela Embrapa à Prefeitura - aquele rabicho de terra que fica de frente para os novos edifícios do Jardim Europa, que faz fronteira com o fundo do parque.

O prefeito Edvaldo Nogueira está muito entusiasmado com o que vem pela frente. “Internamente, o Novo Parque da Sementeira, ou o Novo Parque Governador Augusto Franco, vai ser lindo. O projeto dele é muito bonito. Teremos mais arborização - a ideia é plantar árvores da Mata Atlântica -, pista para correr, pista para bicicleta e área para shows. Vai ter pistas novas para além daquela de asfalto que dá uma volta interna”, diz o prefeito.

E reforça: “O Sementeira vai ter um anfiteatro - uma concha acústica -, uma galeria de arte. Tudo planejado e aberto, minimalista. Vai ter vestiário para o campo de futebol reformado, vai ter área dos quiosques para se fazer pequenos eventos. E mais: vamos ligar a área atual com a da Embrapa que foi cedida à Prefeitura de Aracaju - tudo vai ser uma só. Serão investidos R$ 20 milhões, que vêm daquele empréstimo do BID”.

“O pessoal que ganhou a licitação já começou a elaborar o projeto, já fez a topografia. Já está programada para na semana que vem sair o primeiro projeto. Em setembro já teremos as primeiras obras, que serão a da feitura do novo muro. Nós vamos derrubar o que está ali e fazer outro”, reforça Edvaldo Nogueira.

O Novo Parque da Sementeira, ou o Novo Parque Augusto Franco, vai colocar em prática, segundo Edvaldo, um desejo que boa parte dos seus visitantes nutre há muito: o de vê-lo sem nenhum equipamento de administração pública dentro do seus limites. “As sedes da Emsurb e da Guarda Municipal vão sair dali. Não ficará nada além do que seja lazer. Inclusive, vou fazer um movimento para não ter carros lá dentro. Não é para entrar carros nunca mais. Ficar só o essencial”, diz Edvaldo.

“Nada”, nem tanto. Porque Edvaldo Nogueira faz concessão à permanência da atividade de produção de mudas de árvores numa das áreas internas do Parque, o que inclusive lhe rendeu o apelido de da Sementeira. “A produção das mudas vai continuar e vamos fazer um espaço para levar as crianças, um lugar ecológico para as escolas irem e os meninos saberem como é que se semeia, que nascem as plantas e como as árvores se desenvolvem”, diz o prefeito.

“Eu guardava um sonho de fazer do Parque da Sementeira, guardadas as devidas proporções, o nosso Ibirapuera, o nosso Central Park. Tanto que quando fiz aquele curso na Universidade de Columbia, uma das obras que conheci foi a do Central Park, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos”, afirma o prefeito.

“E mais: a minha ideia é de quando terminar a obra física mandar uma lei para a Câmara para que aprovem a criação de um Conselho Gestor do Sementeira. Como será esse Conselho? Será composto de pessoas da sociedade que acompanharão como mediadoras tudo que se faça ali. Isso para evitar que um dia chegue um doido de um prefeito e faça o que quiser dali”, promete.

“Nossa intenção é a de um conselho permanente. Inclusive vai começar a captar dinheiro para se manter. Será uma coisa da sociedade. Não só do poder público. Estamos pensando em colocar uma fazenda de energia solar para poder diminuir os gastos. E tudo que for arrecadado reverter para o Parque da Sementeira, através deste Conselho”, diz o prefeito.

Foto: Ana Lícia Menezes