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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Derrota das oposições de Sergipe em 2018 aumenta peso histórico de João Alves
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João Alves Filho: ninguém lhe pode negar a liderança consistente

A última eleição de Sergipe, no plano do Governo do Estado, deixou um desastroso resultado para a autoimagem, para autoestima, das “novas oposições” do lugar. Os 308.889 votos botados de frente por Belivado Chagas, PSD, no segundo turno sobre Valadares Filho, PSB, foram de uma crueldade perversa contra o casco dos oposicionistas, algo só visto nas primeiras eleições de João Alves Filho ao Governo.
 
Essa diferença de Belivaldo sobre Valadares Filho equivale a 64,72% contra 35,28%. É algo que só vai encontrar paridade, ou parentesco, lá na eleição de 1982, quando João Alves, de peito inflado pelo PDS da ditadura militar e apadrinhado de Augusto Franco, emplaca 76,12% dos votos válidos - 256.385 – contra 23,15% do médico-senador Gilvan Rocha, que obteve 77.965 dos válidos.
 
O Negão vai retomar o Governo em 1990, já pelo PFL, com proporções quase idênticas às de 1982: 73,74% dos votos válidos - 364.819 - contra 25,07% de um imberbe Zé Eduardo Dutra, PT, que obteve 124.050. João e Zé vão se reencontrar em 2002 e de novo Zé, já senador, cai por terra, só que desta vez mais resistentemente, com 55% a 45% e já num segundo turno.
 
A importância de João Alves como uma espécie de esteio forte da oposição em que se converteu a partir de 2006 – ou de 1998, quando perde para Albano Franco - foi sacramentada no segundo turno deste ano de 2018. Os 35,28% a que se reduziram as oposições sergipanas no segundo turno com o desempenho de Belivaldo e das circunstâncias a que elas chegaram exigem um reconhecimento maior de João Alves como uma força política.
 
Em 2006, João tomba perante um Marcelo Déda emergente, prefeito de Aracaju, compadre de um Lula presidente forte, mas quase que cai de pé: Déda obteve apenas 52,46% dos votos válidos - 524.826 – contra 45,02%, ou 450.405 dele. A diferença pro petista foi de apenas 74.421 - nada parecido com os 308.889 de agora.
 
O Negão segue na oposição com apenas quatro deputados estaduais - Venâncio Fonseca, Augusto Bezerra, Antonio Passos e Arnaldo Bispo -, uma senadora - a esposa Maria do Carmo -, dois deputados federais - José Carlos Machado e Mendonça Prado -, e em 2010 Déda se reelege perante ele com quase as mesmas proporções: 52,08% - 537.223 votos - contra 45,19% - ou 466.219 votos.
 
Mas aqui, há um detalhe importantíssimo: ao lado de Déda, estavam os Amorim, os Valadares, Jackson Barreto, Rogério Carvalho, Heleno Silva, Albano Franco e mais outros cinco candidatos ao Governo suprimiam a votação do Negão. E João, sozinho, no muque. Derrotado em 2010, João ainda consegue força para se eleger prefeito em 2012.
 
A configuração do valor de João Alves enquanto liderança de oposição - construído a partir do seu eixo de governismo tantas vezes -, vai se firmar mais a partir de 2014, quando ele sai de cena. Ali, Jackson Barreto emplaca a primeira de Governo derrota sobre Eduardo Amorim, com 122.148 votos de frente – 537.793 votos contra 415.645.
 
Note-se que apesar de JB ter conseguido a mesmíssima votação de Déda de quatro anos antes - 537 mil -, a vantagem dele sobre Eduardo (que tem 415 mil votos) é maior do que a que Déda obtivera contra João – 537 mil contra 466 mil. Bem, olhando para a performance de Belivaldo e da atual oposição em 2018, é obvio dizer que “agora Inês é morta” e a obra está pronta.
 
A lição que fica, nesta linha de obviedade, é de que houve um erro na separação entre os Valadares, Eduardo Amorim e André Moura - sem que se jogue aqui a culpa unilateralmente em qualquer um deles. Mas não custa lembrar que o mais experimentado de todos - o senador Valadares - nunca foi muita longe fora das molduras políticas coletivas.
 
Nesta linha de reminiscência do passado, é bom ressaltar que em 1986, única vez em que Valadares se fez govenador, ele era pupilo de João Alves - de quem era o vice - e ainda contou com o apoio de Jackson Barreto no enfrentamento a José Carlos Teixeira, MDB, de quem ganhou por apenas 52.118 votos de frente - 292.339 (53%), contra 240.221 (43,55%).
 
Mas que Belivaldo Chagas também não se espapace sobre os seus 679.051 votos (ou os 64,72%), porque muito dali pode vir exatamente dos erros dos outros e não somente dos acertos dele e do seu grupo.