Aparte
OPINIÃO - Justiça seja feita, ou a polêmica dos matadouros
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[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

A Reportagem Especial de Tanuza Oliveira publicada no Portal JLPolítica desta semana sobre as deficiências e irregularidades que se abatem - sem trocadilho - sobre os abatedouros de bovinos me motivou a fazer algumas ponderações quanto essa tal situação irregular, mesmo com todos os argumentos dos representantes dos órgãos envolvidos, de empresários e políticos.

Essa questão da insalubridade no abate e na distribuição da carne de animais - boi porco, carneiro ou bode - para o consumo humano eu ouço desde menino, já que toda a minha infância e adolescência passei na zona rural.

Acompanhei e participei da lida dos pequenos sitiantes que vendiam por semana uma ou duas reses para o abate e o sacrifício era feito embaixo de uma árvore qualquer ou no curral do proprietário do sítio e dos animais, e dali seguiam direto para as feiras e açougues da cidade.

A Reportagem revela em especial a questão jurídica para o seu pleno funcionamento, envolvendo os diversos órgãos fiscalizadores ligados a essa questão - a qualidade do produto para o consumo, com o selo de inspeção e etc e tal -, mas dentro de uma visão macro.

Daí o interesse de grandes empresários em investir nesse segmento, já que se trata de um empreendimento com retorno líquido e certo. E quanto às Prefeituras, de fato nada têm a ver com o abate diário de animais e a administração dos frigoríficos.

Sua função é, através dos órgãos competentes, fiscalizar a origem, o transporte e a qualidade da carne vendida nas feiras livres ou em qualquer estabelecimento comercial. Não só as Prefeituras, como também os órgãos de inspeção e fiscalização do Estado.

Só agindo assim poderão garantir ao consumidor final a qualidade do produto. O resto é puro blablablá. É cada um por si. Os empresários visando o lucro, o governo de olhos nos impostos, e os políticos nos votos dos seus munícipes.

Na visão micro, todo esse esforço não vai dar em nada. Embaixo de um pé de pau, todo dia vai ter um animal sendo sacrificado dentro da madrugada e saindo do pasto direto para as feiras livres. Deixo aí o desafio para a Justiça também resolver.

Será que o Estado de Sergipe, através da Emdagro e da Vigilância Sanitária, terá um fiscal em cada porteira? Mas já que estão todos bem intencionados e preocupados com a saúde dos cidadãos sergipanos, a título de sugestão, que tal começarem essa missão pelas feiras livres de Aracaju. Elas estão cheias de bois da madrugada.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.