Aparte
Rodrigo Maia, na passagem por Sergipe, admite disputar reeleição do comando da Câmara
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Deputado federal Rodrigo Maia: reconduzido ao comando da Câmara?

Anderson Christian

Especialmente para a Coluna Aparte

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia, DEM, tem um estilo bem diferente do de seu pai, Cesar Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Enquanto o pai atuava politicamente de forma “espetaculosa”, mestre na criação de fatos - ou factóides, como preferir –, Rodrigo é extremamente discreto.

Pegando carona em Caetano, em sua “Vaca Profana”, com seu verso “sou tímido-espalhafatoso”, Rodrigo seria o tímido. Cesar, o espalhafatoso. Por isso que o questionamento sobre a razão de sua visita a Sergipe, instado se seria uma espécie de pré-campanha para uma possível reeleição para comando da Câmara, Rodrigo se saiu com essa:

“Não. Estou aqui porque um grupo de deputados, André Moura entre eles, e o Fábio Reis, na época, me procurou desesperado porque tinham proibido a vaquejada no Brasil. E que a gente tinha que votar uma emenda constitucional de forma urgente. Nós votamos. Eu não conhecia a vaquejada. Sou um deputado urbano do Rio de Janeiro. Hoje estou vendo que a decisão deles, que eu botei em pauta, foi corretíssima não apenas pra Lagarto, para Sergipe, mas para todo o Brasil”, disse Rodrigo em plena visitação ao Parque das Palmeiras, considerado por quem entende do assunto como o melhor parque de vaquejadas do país, localizado em Sergipe, especificamente em Lagarto e mantido pelo empresário Geraldo Mejella.

Assim, sem mais, Rodrigo entrou no assunto que, segundo ele, motivou sua visita a Sergipe, ciceroneado por André Moura, PSC. “Vim, a pedido do prefeito de Aracaju, conversar com ele e com o governador para ajudar estados e municípios a ajustarem suas contas para 2019.”

E desse mato sai coelho? “Existem duas soluções. Uma a curto prazo, que é a gente partilhar os recursos do petróleo e do pré-sal lá do Rio, que o Senado vai aprovar e a Câmara vai aprovar rápido. E outra é reduzir as despesas do Governo Federal para sobrar dinheiro para estados e municípios. Uma de curto prazo, a partilha do pré-sal. E outra de médio e longo prazo, que é reformar o estado brasileiro, a gestão pública, a previdência pública, para que o Governo Federal precise de menos dinheiro e, aí sim, a gente possa ter mais recursos, de forma permanente, presentes em todos os nossos estados, principalmente no Nordeste brasileiro”, disse ele.

Explicações oficialmente dadas sobre a visita, o repórter insiste: e a partir de janeiro, existe ou não uma candidatura do senhor à Presidência da Câmara? “A partir de janeiro, sim! Se eu conseguir construir um grupo de partidos que represente mais de 300 deputados... porque você pode ganhar a Presidência da Câmara sozinho, a partir de suas relações pessoais. Mas como é que governará a Câmara? Então, ou você tem o apoio dos partidos, e mais do que isso, dos deputados, ou você não vai conseguir aprovar o que a Câmara e, principalmente, o Brasil, precisam”.

Vale lembrar que o deputado federal eleito por Sergipe, Gustinho Ribeiro, já promoveu jantar em Brasília para conquistar adesões e apoios para Rodrigo Maia ser reconduzido ao comando da Câmara. E por ser do DEM, partido que já ganhou nacos generosos na composição do futuro governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, PSL, – “mas são escolhas pessoais dele, como ele disse que iria fazer durante a campanha”, asseverou –, não são desprezíveis as chances de que Rodrigo, o “tímido”, esteja costurando firmemente sua recondução ao comando da Câmara em 2019.