Aparte
OPINIÃO - Falta compromisso com a educação pública brasileira e sergipana 
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[*] Nilma Fonseca

A qualidade da educação pública brasileira é, sem sombra de dúvidas, um tema frequente em época de campanha eleitoral. Reconhece-se que é também um dos maiores desafios que o Brasil enfrenta.

O país apresenta resultados pífios em todos os testes nacionais e internacionais de que participa. Não é difícil concluir que precisamos de uma verdadeira revolução na educação pública em nosso país e que essa deve começar por considerar educação como prioridade e investimento.

Se fôssemos otimistas e confiássemos na palavra dos políticos, ficaríamos contentes e esperançosos com a promessa do governador Belivaldo Chagas ao propagar que irá considerar a educação como prioridade. A fórmula para melhorar a educação não tem mistérios.

Há muita pesquisa sobre o que funciona e o que não funciona na escola e muita gente capacitada para empreender essa mudança. Todavia, a questão, em nosso país, é paradoxal: aqui não falta dinheiro, falta compromisso.

Lógico que o dinheiro é fundamental para se estabelecer uma educação capaz de alavancar o desenvolvimento do país através da educação. Foi isso que ocorreu com a Coreia do Sul que tinha os mesmos índices do Brasil há 20 anos e hoje é uma potência em termos de profissionais gabaritados.

Os países que ocupam os primeiros lugares no Pisa - exame realizado a cada três anos, pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -, com o objetivo de aferir a qualidade e a eficiência dos sistemas escolares entre 70 países - empregam uma menor percentagem do PIB na educação.

A China, a Finlândia, a Dinamarca, dentre outros, aplicam menos do que os 7% aplicados pelo Brasil e estão nos primeiros lugares. O Brasil, mais uma vez ocupa as últimas posições: 63º lugar em Ciências, 66º em Matemática e 59º em Português.

Sergipe também não ocupa lugar de destaque entre os Estados brasileiros. A diferença está na falta de compromisso tanto do governo quanto da sociedade em geral, que se conforma com a baixa qualidade e que não exige como deveria.

Existem, em Sergipe e no Brasil, doutores, técnicos e professores capazes de elaborar um plano de curto, médio e longo prazos e de traçar metas a serem executadas para revolucionar a educação brasileira.

No entanto, é necessário haver um gerenciamento coerente com os objetivos pretendidos. Ademais, é fundamental que esse plano seja do Estado e não de um Governo. Educação não se resolve em poucos anos, requer continuidade.

É preciso, além disso, que as políticas públicas foquem não apenas na infraestrutura escolar, mas também no currículo, na formação continuada dos professores, na valorização dos que mais se dedicam, na troca e circulação dos projetos eficientes.

Não é fácil, porém é possível mudar essa triste realidade brasileira com metas definidas, com o envolvimento da sociedade, principalmente da clientela da escola pública e de todos os executores da proposta educacional. Por mais dinheiro que se coloque em uma empresa ruim, a produção será negativa. Os recursos são suficientes, necessitam ser bem geridos.

Tudo dependerá do compromisso dos governantes para se estabelecer um plano com visão ambiciosa que inspire os responsáveis a buscar um salto de qualidade de nossas escolas. Prove, senhor governador, que assume esse compromisso e revolucione a educação do Estado de Sergipe.

[*] É bacharela em Direito, professora aposentada da Universidade Federal de Sergipe e mantenedora há 18 de um curso de redação sergipano pelo qual já passaram umas três gerações.