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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista com 35 anos de experiência profissional. Antes do Cinform, trabalhou nos jornais Feira Hoje, Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, TV Subaé e Jornal de Sergipe.

Deso poderia ter evitado a tragédia de Dores; Prefeitura fez alerta
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Thiago Souza: não foi uma caixa d’água da escola que caiu

A tragédia que aconteceu no começo da tarde desta segunda-feira, com a queda de um caixa d’água da Deso sobre uma escola num dos povoados de Nossa Senhora das Dores, é mais uma destas coisas ruins previamente anunciadas com hora e instante exatos para acontecer.

A Prefeitura da cidade, avisa prefeito Thiago Souza, já havia detectado a necessidade de manutenção da caixa, comunicado à Deso, mas nada aconteceu. Negligentemente, todos da Companhia de Saneamento do Estado de Sergipe esperaram para que desse no que deu.

E deu em sangue, traumatismos, duas crianças mortas e 17 pessoas feridas entre graves e leves. Duas delas são também crianças – uma das quis com traumas múltiplos. É claro que é desnecessário tripudiar sobre o acontecido - e nem é isso a intenção desta coluna.

O objetivo aqui, no entanto, é malhar no ferro frio da cobrança por ações preventivas: há indícios de que algo põe a vida humana, sobretudo a das pessoas mais humildes em risco, então que se repare em tempo. A Deso já viu caixa d’água tombar em Aquidabã e uma empenar em Boquim.

Observe-se quanta generosidade ocorreu ontem em direção à Escola Municipal Osmar Oliveira Santos, no povoado Campo Grande, em Dores, depois da tragédia: o Estado se fez presente com a estrutura da Secretaria de Saúde, mandou helicóptero. As prefeituras de Siriri, Cumbe, Capela e Glória foram de uma ação extremamente prestimosa e solidária na cena da tragédia.

Sim, ok: tudo isso é pertinente. É humano e elogiável. Mas, e preventivamente, o que se fez? Por que quem tinha de agir para evitar o pior não agiu? Se a Deso tivesse levado os alertas da Prefeitura de Dores ao pé da letra, não haveria uma caixa d’água no chão, não haveria esta tragédia, não haveria sangue, não haveria uma escola destruída. Não haveria luto e nem famílias tristes.

“Não estou querendo botar a culpa em ninguém. Só acho que infelizmente aconteceu o pior. Na verdade, a gente já tinha identificado a situação precária da caixa e tinha até informado à Deso. Estava aguardando que os reparos fossem feitios”, diz prefeito, o médico Thiago Souza.

A Escola Municipal Osmar Oliveira Santos tem 80 alunos e ficou toda destruída. A caixa ficava fora dela, na rua, e caiu por cima. “A Prefeitura não tem culpa nenhuma. Mas não foi uma caixa d’água da escola que caiu. Foi caixa d’água da Deso que caiu por cima da escola municipal”, reforça o prefeito, discreto e sem querer distribuir culpa com ninguém. A Prefeitura decretou luto oficial de três dias. 

A propósito do episódio, a Deso divulgou a seguinte nota pública. 

"A Companhia de Saneamento de Sergipe - Deso - lamenta profundamente o acidente ocorrido no município de Nossa Senhora das Dores, e não medirá esforços para atenuar a dor das famílias envolvidas nessa fatalidade.

A Direção da Deso esclarece que está solidária a todos os envolvidos, direta ou indiretamente nesse acidente. 

Informa ainda que irá apurar tecnicamente e prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o acidente. 

Companhia de Saneamento de Sergipe"