Aparte
OPINIÃO - Belivaldo Chagas: um elefante na sala de cristais
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Bira Suassuna: "seria Belivaldo Chagas direto na fala e oblíquo nas atitudes?"

[*] Bira Suassuna 

Pelo visto até aqui, em seu autodeclarado estilo o recém-empossado governador Belivaldo Chagas, PSD, parece não ter compreendido nem o todo nem as sutilezas que a sua posição hoje enseja.

Se auto afirmando direto e franco, fez investidas presenciais para verificar a situação de duas grandes unidades de saúde. Saiu de todas disparando contra o secretário Almeida Lima e avançou ainda mais sobre ele ao nomear o superintendente do Huse sem ao menos consultá-lo, apenas vociferando que “não precisa ouvir o secretário para nada”.

O estranho disso tudo é que ele acaba por demonstrar uma grande incoerência do “estilo Belivaldo”. Se a crise da Saúde é grave, se as necessidades são mais do que urgentes, o que espera para decidir de vez a situação do secretário? Ou o demite ou o deixa trabalhar.

Seja qual for a decisão, por que não a tomou ainda? Estaria o governador Belivaldo Chagas fazendo política com a pasta da Saúde neste momento tão delicado? Seria Belivaldo Chagas direto na fala e oblíquo nas atitudes?

Todos conhecemos a expressão “cortar na própria carne”. Belivaldo está inaugurando uma nova: “fritar a própria carne em praça pública” ao perder tempo nesta fritura exposta de um secretário num posto tão vital como o da Saúde. Isso dentro do seu próprio governo.

E a coisa se estende para quase todos os outros secretários, na medida em que a sua fala central em relação à equipe foi no sentido de que “aquele que não se adaptar ao seu estilo estaria fora do governo”. Imagine o nível de insegurança (ou de terror) em que trabalha o secretariado hoje.

A lógica dos demais deve ser simples: se o governador expõe o secretário de Saúde a uma fritura explícita como vem fazendo - como se este não fizesse parte do governo do próprio - o que poderá fazer comigo? Quem será o próximo alvo? Quem perde com tudo isso? A máquina administrativa, o funcionamento dos serviços prestados para a população.

Não teria sido mais simples, sincero e honesto já ter assumido com a sua equipe pronta ao invés de perder tempo com todas essas maquinações políticas, como se tudo isso ainda fizesse parte de articulações de bastidores e não estivesse em jogo o próprio funcionamento do aparato governamental?

Em suas entrevistas, o governador fala para a sociedade como se estivesse em conversas de bastidores. Com espontaneidade paquidérmica, Belivaldo traz em si trejeitos, tatibitates, pequenas confissões e risadinhas incontidas de canto de boca que deixam a grande população com a sensação de ter começado a assistir a uma série da Netflix nos capítulos finais sem saber. O que foi que eu perdi, que não tenho quase nenhuma intimidade com ele e ele tem tanta comigo? – esse é o sentimento.

Em seu arroubo desproporcional para a hora, o espaço e a ocasião, a qualquer movimento que faça, Belivaldo estilhaça alguma coisa do quebradiço governo Jackson Barreto e corre o risco de trincar ainda mais a já trincada candidatura a senador desse ex-governador.

Como ele quer se mostrar dinâmico turbo, reforça a apatia de Jackson. Se age de maneira tão incisiva para colocar em prática um plano para a segurança pública, por exemplo, deixa no ar o questionamento de o por que não foi feito antes, já que o secretário é o mesmo, a equipe é a mesma. Belivaldo ilude-se com o tempo ou o tempo ilude Belivaldo?

Acha Belivaldo Chagas que este seu governo terminará em 31 dezembro. Mas, não. O governo, em si, finda já nos próximos meses, no mais tardar em agosto, quando a campanha eleitoral se efetivará completamente. Depois disso, tudo o que falar, falará como candidato. Tudo o que fizer, fará porque candidato o é. É assim. E ninguém muda.

Se tudo advindo do estilo Belivaldo Chagas vai funcionar como ele imagina ou se desgastará ainda mais a já tão desgastada figura política de Jackson Barreto e seu governo, só o (breve) tempo dirá.

[*] É marqueteiro político.