Aparte
Machado sonha parceria com Maria Mendonça para que o bairrismo faça dele o federal mais votado de Itabaiana
D20b6ca056d4ed4d

José Carlos Machado: contando com os ovos na cloaca do bairrismo itabaianense

“Eu espero que o bairrismo do itabaianense aflore em relação à minha parceria política com Maria Mendonça. Se esse meu entendimento com Maria evoluir para um fechamento, a expectativa que tenho é a de ser o provável mais votado entre os três federais da cidade. Isso vai depender do nosso trabalho”.

Quem está fazendo esses cálculos é o ex-deputado federal e pretendente a um novo mandato nas eleições deste ano, José Carlos Machado, PPS. Para ele, a parceria com a deputado estadual Maria Mendonça, que vai à reeleição, pode reacender o pavio do bairrismo itabaianense e favorecer a ele e ela. Itabaiana Grande é a terra natal de Machado, que é conhecido no mundo político pelo seu cartesianismo, pelo apego à matemática e às estatísticas.

Os três de quem ele fala seriam Bosco Costa, Fábio Mitidieri e ele próprio. Os dois primeiros são apoiados pelo prefeito Valmir de Francisquinho e pelo ex-prefeito e deputado estadual Luciano Bispo, respectivamente. Machado anda de conversa adiantada com Mendonça, PSDB, para ver se faz com ela uma dobradinha política em Itabaiana. Ela fecha o peso da trindade política local.

A tese do bairrismo itabaianense não é improcedente. Ela se materializa na prática dos números, e envolve o próprio Machado. Em 2006, ele se elegeu federal com 68.334 votos dos sergipanos. Desses, 17.979 vieram dos itabaianenses - 40,56% dos votos válidos do lugar.

Naquele ano, Machado era um nome apoiado pelo líder local Luciano Bispo - o que impulsionou bairristicamente a votação dele. “Eu agora tenho a esperança de que, sendo o apoiado por Maria, seja o deputado federal mais votado de Itabaiana. Aliás, essa análise nem é minha. É de especialistas da área”, reforça.

Oito anos depois, em 2014, com o eleitorado de Itabaiana bem maior, o prefeito Valmir de Francisquinho e Maria Mendonça apoiaram a candidatura de Adierson Monteiro, PSDB, a federal e ficaram bem longe da votação de Machado em 2006: deram a ele apenas 11.197 votos.

Nessa mesma eleição, Luciano Bispo teve como opção de federal a candidatura de Fábio Mitidieri, PSD, e só lhe conseguiu 9.296 votos. Ou seja, sem o condimento itabaianense que tem em Machado, os dois grupos tiveram uma performance inferior de quando o candidato foi ele. É isso que Machado aposta que pode acontecer de novo se agora ele e Maria se casarem politicamente.

O problema aqui é saber o que é que Maria Mendonça leva de vantagem nesta parceria, uma vez que Machado não tem um colégio eleitoral gordo para dar-lhe de contrapeso. E foi exatamente por isso que a parceria tentada entre ele e Valmir de Francisquinho não vingou.

Também cartesiano que só mesmo um itabaianense, Valmir preferiu atracar-se com Bosco Costa, que traz para seu filho e pré-candidato a deputado estadual, Talysson de Valmir, a base eleitoral de Moita Bonita. Para isso, Valmir até arrastou Bosco do Pros para o seu PR - Partido da República.