Aparte
Será possível que o concurso do Fisco migre para um trem da alegria?
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Ademário Alves reconhece a necessidade do concurso

Esta Coluna Aparte recebeu uma informação supostamente privilegiada de setores do Estado, passando pelas esferas do sindicalismo e da Secretaria de Estado da Fazenda, apontando um certo boicote por parte do deputado estadual Francisco Gualberto, PT, e líder do Governo na Alese, à realização do concurso para o Fisco estadual, que está pré-programado para acontecer.

Pela linha desse informe, a mediação negativa do deputado Francisco Gualberto no campo do não concurso - e ele teria poderes para isso? - seria para favorecer alguns fiscais, sobretudo ligados ao Sindifisco, que sonham em ser içados ao topo da carreira do Fisco e, para isso, seria um feito uma espécie de trem da alegria. 

Por não praticar jornalismo cifrado, a Coluna Aparte, preservando as fontes, procurou averiguar os fatos frente às duas esferas - a do próprio Francisco Gualberto, que estaria supostamente embargando o concurso, e a da Sefaz, que deve vir a ser a realizadora. O secretário Ademário Alves não atendeu às ligações da Coluna. Da parte de Gualberto, deu-se o contrário: atendeu e houve negação peremptória.

“Nego qualquer ingerência dele nesse sentido. Eu acho isso impossível. Pelo contrário, o deputado luta por concursos públicos”, disse o jornalista Gilson Souza, assessor de comunicação do parlamentar. Segundo Souza, de autoria de Gualberto a Alese acabou de aprovar uma lei incorporando ao salário base dos auditores a produtividade fiscal e a periculosidade que lhes acompanham há tempo. Não viria dessa aprovação a impressão de que o parlamentar estaria trabalhado pela não realização do concurso?

Apesar de não falar a Coluna nesta quarta-feira, 25, sobre o assunto, o secretário Ademário Alves reconheceu ao Portal JLPolítica, em entrevista publicada no dia 23 de junho, que o concurso para o Fisco vai, sim, ser feito. “Do ponto de vista de pessoal, temos uma boa equipe. Numericamente falando, há um quantitativo suficiente. Infelizmente, temos um cenário que é o mais desafiador, que é o fato de o Estado ter mais de 30 anos sem realizar concurso para auditor”, disse ele à época.  

“Nesse cenário, está em estudo, foi até autorizado pelo Craf - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -, um novo concurso. Em virtude das finanças do Estado, estamos avaliando o melhor momento. Mas é uma decisão que já está tomada. O Estado só está aguardando o melhor momento de colocá-la em prática, porque entendemos que, como o último foi há mais de 30 anos, é necessário reoxigenar, unir a experiência dos auditores atuais à criatividade, inovação e energia dos mais jovens que tendem a chegar”, disse Ademário, em uma outra resposta à mesma entrevista.