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Aparte
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Jozailto Lima

É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Elber Filho: “Edvaldo Nogueira não é mais socialista e não combina com PCdoB”
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Elber Filho: Edvaldo Nogueira mudou totalmente o histórico dele de esquerda

O vereador Elber Batalha Filho, PSB, encarna com precisão e dureza uma reação e um combate ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PCdoB, e à administração dele. 

Elber encarna isso num estilo que o diferencia da vereadora Emília Correa e do vereador Cabo Amintas - assim como do de Lucas Aribé, os quatro que compõem o paredão de oposição contra os 20 demais que dão suporte ao prefeito e à gestão dele no Legislativo da capital.
 
Elber Filho não tem a menor dificuldade em apontar os maiores defeitos da gestão e do gestor Edvaldo Nogueira. “Acho que o maior defeito de ambos é a centralização. A centralização é um grande pecado que todo gestor tem, mas Edvaldo tem isso como uma marca excessiva”, diz Elber.

A observação de Elber Filho ao modo de ser e de operar política e gestão de Edvaldo Nogueira é tão agudo que ele invade a seara partidária do prefeito e o aponta como um peixe fora d’água no PCdoB.

“A história dele foi pelo menos rasgada. Para o PCdoB, a melhor coisa é Edvaldo Nogueira sair mesmo do partido. Não combina. Ele não é mais um socialista. Ele é um político de centro-direita hoje”, diz Elber Filho. Veja a entrevista que Elber concedeu nesta quarta, 5, à Coluna Aparte.
 
Aparte - O senhor tem sido um crítico constante da gestão e do gestor Edvaldo Nogueira? Qual é o maior defeito de deles?
Elber Batalha Filho -
Acho que o maior defeito de ambos é a centralização. A centralização é um grande pecado que todo gestor tem, mas Edvaldo tem isso como uma marca excessiva. Não duvido da competência de alguns secretários dele. Posso dizer até da grande maioria deles. Mas se o secretário não se sente estimulado e com autonomia para colocar projetos adiantem, aí... 

Aparte - O que essa centralização infunde sobre a gestão? Em que ela atrapalha?   
EBF -
Como posso lhe explicar isso? Vou lhe definir a centralização que Edvaldo Nogueira faz com um tipo de palavra, de uma frase que ele gosta de dizer: “O relógio das decisões é o meu”. Alguns secretários - claro que, por questão de ética, eu não vou citar os nomes, com os quais tenho amizade -, dizem que vários projetos estão prontos para serem executados, mas que a posição de Edvaldo é sempre a do “agora não, agora não”.
 
Aparte - Isto inibe ações de gestores?   
EBF -
Isso é um marco. Se você pega isso e relembra o mandato dele que se encerrou em 2012, verá a quantidade de obras que João Alves inaugurou com dois ou três meses de gestão logo em 2013. Eram obras que Edvaldo sequer inaugurou porque deixou tudo para o final. E, se fossem obras que ele inaugurasse, influenciaria decididamente no resultados das eleições. 

Aparte - Como é que um prefeito assim, centralizador, consegue maioria no Legislativo Municipal?
EBF –
Essa questão da maioria é um processo histórico de como construí-las. Edvaldo se elegeu e, salvo engano, na bancada dele havia oito vereadores. Exatamente um terço. Tanto que ele teve muita dificuldade para escolher o presidente da Câmara diante da boa relação que Nitinho tinha com o pessoal ligado a João Alves, e foi eleito com isso preponderando, porque ele criou um elo para esses votos. Mas historicamente o sistema de formação de maioria na Câmara é na base da distribuição de espaços, cargos, diretoria de postos de saúde, de diretoria de órgãos.

Aparte - Qual o destino do PSB de Sergipe em 2020 na sucessão de Aracaju?
EBF -
O PSB de Sergipe continua tendo uma postura clara de não se aliar ao partido do prefeito Edvaldo Nogueira, o PCdoB, contra o qual disputamos a eleição em 2016. Fizemos oposição durante todo esse período e vamos continuar na oposição. Nesse momento estamos tanto com um projeto colocado de candidatura própria a prefeito de Aracaju como discutindo com outras siglas.

Aparte - E quem seria o candidato do grupo do senhores?  
EBF -
Valadares Filho é um nome já consolidado em Aracaju. É um nome que participou de duas eleições em Aracaju e teve em torno de 48% dos votos. O partido também discute a possibilidade de lançar meu nome, caso Valadares Filho decida não ser. E nós estamos discutindo politicamente com vários partidos, na forma de compor essa situação, com o PSB na cabeça ou compondo com outros partidos também. Agora, sempre colocando que nosso projeto é também um projeto de oposição a Edvaldo Nogueira. 

Aparte - Os senhores se sentem aliançáveis ao PT? 
EBF –
O PT é um partido de esquerda como o PSB também o é. Aliás, como o PCdoB também é. Para mim, o que nos distancia de Edvaldo Nogueira não é o simples fato de ele ser governo, mas as práticas governistas que ele adotou. 

Aparte – Como assim? 
EBF -
Edvaldo Nogueira mudou totalmente o histórico dele de esquerda. Eu não estou falando aqui de uma esquerda bolchevique, reacionária, que não entende a modernização do mundo e a nova dinâmica administrativa. Estou falando das práticas, que são surreais. Aquele escândalo da Operação Babel, o aparelhamento da Emsurb, política e financeiramente, as questões que têm ocorrido de privatizações em serviços essenciais, como a saúde. Isto é um perfil... Eu até aceito isso vindo de um político de direita, porque ele assumiu com essa bandeira de direita. Aceito de um Laércio Oliveira... 

Aparte - Mas de Edvaldo, não?
EBF –
Não. Para ser assim, a história dele foi pelo menos rasgada. Para o PCdoB, a melhor coisa é Edvaldo Nogueira sair mesmo do partido. Não combina. Ele não é mais um socialista. Ele é um político de centro-direita hoje.

Aparte - A oposição se considera em quantos hoje no Legislativo de Aracaju? 
EBF -
Oficialmente, quatro. Por que eu digo oficialmente? Porque eu, Emília Correa, Cabo Amintas e Lucas Aribé nos declaramos oposição e somos. Existem vereadores de uma postura de oposição, mas que se autodenominam independentes. Posso dizer que quando das pessoas que dizem isso é que uma melancia vai continuar sendo uma melancia, mesmo que você a chame de abacaxi. Na política existem oposição e situação. Mas eu acho que isso deriva também do entendimento que as pessoas têm de que ser oposição é votar pragmaticamente contra. 

Aparte - Não é isso. 
EBF –
Não é isso. Por exemplo, um dos pedidos de empréstimo que Edvaldo Nogueira mandou para a Câmara eu votei favorável. 

Aparte – Como o senhor classifica os imbróglios que têm se dado na esfera do Legislativo com o cabo Amintas? 
EBF -
Eu pessoalmente conheço o vereador Cabo Amintas de longa data. Mas admito que existe um choque muito grande entre a atividade policial e a atividades parlamentares e políticas dele.
 
Aparte - Cabo Amintas leva o policial para a Câmara? 
EBF -
Eu acho que ele não desencarnou do policial para ser o parlamentar. Digo isso com todo carinho e respeito que tenho a ele. E talvez esse não-desencarne seja até um pouco proposital, porque estamos nesse momento bolsonarista. Não deve haver nem um grande esforço dele para que esse desencarne aconteça. Hoje em dia, em alguns nichos, isso tem sido visto com um olhar receptivo. 

Aparte – De que forma essa ação dele prejudica a práxis das oposições?
EBF –
Eu não diria que prejudica as oposições, mas digo que em certo ponto dá para a sociedade uma visão do parlamento não muito construtiva. Mas digo que ele é um parlamentar oposicionista muito aguerrido, que qualifica muito a oposição.

Aparte - Amintas tem lá seus méritos?
EBF –
Tem muitos méritos. No contexto, esse viés policialesco é que faz sair do tom e muitas das vezes o faz perder a razão.