Aparte
OPINIÃO - Apolônio Xocó: um cacique, um representante de um povo, um guerreiro!
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[*] Luiz Eduardo Oliva

Recebi, com pesar a notícia da morte do amigo cacique Apolônio Xocó da única tribo indígena sergipana que resistiu ao massacre físico e cultural dos primeiros povoadores do território sergipano.

Quando fui secretário de Estado dos Direitos Humanos, tive em Apolônio Xocó uma referência da questão indígena sergipana na luta por políticas públicas da promoção da igualdade racial. Ali, estreitamos laços que se transformaram numa amizade.

Como um grande guerreiro, Apolônio sabia ser combativo e ao mesmo tempo terno. Tinha uma visão precisa da questão indígena e também da forma como sua gente foi massacrada e como resistiu.

Pertencente à tribo dos Xocós, Apolônio era quem melhor expressava a resistência cultural dos únicos remanescentes de nações indígenas que outrora povoavam esse pedaço do Brasil chamado Sergipe (vem do tupi siri ‘ype, que significa “no rio dos siris”).

Sergipe que abriga lugares que receberam topônimos como Aracaju, Japaratuba, Itaporanga, Propriá, Siriri, Macambira, Pacatuba, Canindé, Itanhy, Aquidabã, Itabaiana, Carira, Cumbe, Gararu, Itabi, Arauá, Canhoba, Indiaroba, Muribeca, Pirambu, Umbaúba.

Todos nomes de nações indígenas que foram dizimadas. Restou somente a nação Xocó! Minha homenagem a esse grande homem das terras de Serigy, que os portugueses quando aqui chegaram insistiram em dizer ser de El Rey.

[*] É advogado e professor de Direito.